Perguntas do paciente (554)

  • Faço terapia há 2 anos e tenho uma ótima relação com minha terapeuta, e ela me ajudou até onde está

    Faço terapia há 2 anos e tenho uma ótima relação com minha terapeuta, e ela me ajudou até onde está o alcance dela. Desses dois anos, mais 6 anos foram usando várias medicações que não surtiram nenhuma melhora, nada, não ajudou em nada. Fui diagnosticado com depressão resistente e simplesmente não sei o que fazer. As crises estão cada vez piores e tenho medo de não resistir. Como a psicologia lida em casos como esse? Que outros recursos posso procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? O que você está trazendo é muito sério, profundo e merece ser acolhido com o máximo de cuidado. Receber um diagnóstico de depressão resistente costuma provocar exatamente esse sentimento de esgotamento e desamparo que você descreve, como se tivesse feito “tudo certo” e ainda assim nada tivesse funcionado. Isso não significa que você falhou, nem que a psicologia ou a medicina chegaram a um limite definitivo — significa que o seu sofrimento é complexo e precisa ser cuidado em camadas mais amplas.

    Quando a depressão não responde às medicações tradicionais, a psicologia não entende isso como “não há mais o que fazer”, mas como um sinal de que o tratamento precisa ser ampliado, integrado e, muitas vezes, repensado em profundidade. A psicoterapia continua tendo um papel central, não apenas para aliviar sintomas, mas para sustentar você nos momentos de crise, trabalhar o desespero, a desesperança e o medo de não aguentar, além de ajudar a construir estratégias de segurança. Em quadros assim, a relação terapêutica que você descreve como boa é, inclusive, um fator de proteção importante.

    Ao mesmo tempo, quando as crises se intensificam e surge o medo real de não resistir, é fundamental não ficar restrito a um único eixo de cuidado. Existem outros recursos além dos antidepressivos clássicos, como abordagens psiquiátricas específicas para depressão resistente, ajustes mais refinados de medicação, tratamentos combinados, além de intervenções como estimulação magnética transcraniana, eletroconvulsoterapia em contextos bem indicados, ou acompanhamentos mais intensivos em momentos críticos. Isso não invalida nada do que você já fez — amplia o campo de possibilidades.

    Quero te perguntar algo com muita delicadeza: quando você diz que tem medo de não resistir, esses pensamentos vêm como um cansaço profundo de existir ou já aparecem ideias mais diretas de se machucar ou de não estar mais aqui? Você consegue identificar se há momentos do dia em que isso piora? E hoje, existe alguém — além da sua terapeuta — que saiba da gravidade do que você está vivendo? Essas respostas são importantes porque ajudam a definir o nível de suporte necessário agora.

    É essencial dizer com clareza: você não deve atravessar essa fase sozinho. Se em algum momento sentir que o risco aumenta, buscar ajuda imediata é um ato de cuidado com a própria vida. No Brasil, o CVV atende 24 horas pelo número 188, e serviços de emergência podem ser acionados quando o sofrimento ultrapassa o que é possível sustentar. Isso não é desistir — é reconhecer que a dor está grande demais para um corpo só.

    A psicologia, nesses casos, trabalha para manter você vivo, amparado e em conexão, enquanto novas possibilidades de tratamento são exploradas. Mesmo quando tudo parece fechado, ainda existem caminhos — mas eles precisam ser percorridos com apoio. Se fizer sentido, conversar com sua terapeuta sobre esses medos e sobre a necessidade de ampliar a rede de cuidado pode ser um passo importante agora. Caso precise, estou à disposição.


  • Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz

    Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz que se sente me privando de um relacionamento bom, e que estou acorrentado a ela, que é "doente"
    Já tentei dizer pra ela começar acompanhamento psicológico mas ela diz que isso não vai resolver e que esse pensamento não vai mudar.
    O que eu posso fazer pra resolver essa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve costuma ser muito difícil de lidar, principalmente porque você se importa com ela e quer ajudar, mas esbarra em algo que não depende só de você. Quando alguém se sente “inferior” ou “não suficiente”, geralmente não é apenas uma opinião passageira, mas um padrão emocional mais profundo. Mesmo quando a pessoa recebe carinho, validação e provas do contrário, isso nem sempre “entra”, porque a forma como ela se enxerga já está muito consolidada internamente.

    Existe um ponto importante aqui: por mais que você queira ajudar, você não consegue “resolver” isso por ela. Quando você tenta convencer, tranquilizar ou provar que ela está errada, pode até funcionar por um momento, mas tende a não se sustentar. O cérebro dela pode até ouvir você, mas emocionalmente continua operando a partir da mesma crença de base, como se houvesse uma diferença entre o que ela entende racionalmente e o que ela sente.

    Talvez valha você observar algumas coisas: quando ela fala que é “um peso” ou que está te “prendendo”, como você costuma reagir? Você entra no papel de tentar resgatar, convencer ou aliviar isso? E o quanto essa dinâmica já está começando a te desgastar também? Em alguns casos, sem perceber, a relação pode ir se organizando em torno de um desequilíbrio, onde um cuida e o outro se sente insuficiente, o que mantém o ciclo.

    Sobre a terapia, é compreensível que ela tenha resistência, principalmente se já acredita que “não vai mudar”. Ainda assim, esse tipo de padrão é justamente o tipo de coisa que costuma ser trabalhado com profundidade em acompanhamento psicológico. Talvez, em vez de tentar convencê-la diretamente, possa ser mais útil abrir espaço para uma conversa diferente: entender de onde vem essa sensação dela, o que ela teme que aconteça se isso não mudar, e o que ela acha que precisaria acontecer para se sentir diferente.

    E, ao mesmo tempo, é importante você também olhar para os seus próprios limites dentro dessa relação. Até que ponto você consegue estar presente sem se anular? O que você precisa para se sentir bem nesse vínculo? Porque cuidar da relação não é só tentar salvar o outro, mas também preservar a si mesmo dentro dela.

    Caso precise, estou à disposição.


  • É normal terminar um relacionamento e não ter brigas e muito menos vontade de voltar? Isso é pq não

    É normal terminar um relacionamento e não ter brigas e muito menos vontade de voltar?
    Isso é pq não se amavam de verdade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? Sim, isso pode acontecer, e não significa automaticamente que não houve amor de verdade. A ideia de que todo término precisa vir acompanhado de brigas, sofrimento intenso ou vontade de voltar é muito mais um roteiro cultural do que uma regra emocional. Em alguns casos, o vínculo se encerra porque já vinha sendo elaborado internamente há um tempo, com conversas, reflexões silenciosas e um desgaste que foi sendo reconhecido aos poucos.

    Quando um relacionamento termina sem grandes conflitos, muitas vezes estamos diante de duas pessoas que conseguiram reconhecer limites, diferenças ou fases distintas da vida, sem precisar transformar isso em guerra. A ausência de vontade de voltar pode indicar clareza emocional, e não frieza ou indiferença. É como quando algo cumpre sua função na nossa história e, mesmo tendo sido importante, deixa de fazer sentido continuar.

    Amar não é sinônimo de permanecer a qualquer custo. Há relações em que existiu afeto, cuidado e vínculo real, mas que não conseguem mais sustentar crescimento, reciprocidade ou bem-estar. Nesses casos, o término pode vir acompanhado mais de aceitação do que de desespero. Isso costuma gerar estranhamento justamente porque foge da narrativa de que amor sempre precisa doer quando acaba.

    Vale se perguntar com calma: o que esse relacionamento representou para você naquele momento da sua vida? O que foi sendo perdido ao longo do caminho até que a vontade de continuar também se dissolvesse? E como você costuma interpretar finais tranquilos, como maturidade ou como sinal de que algo não foi verdadeiro?

    Se essas reflexões despertarem dúvidas mais profundas sobre seus vínculos ou padrões afetivos, um espaço terapêutico pode ajudar a compreender melhor como você ama, se envolve e se despede. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá Quase sempre tenho a sensação de que no meu trabalho estão sempre falando de mim, ou quando a

    Olá

    Quase sempre tenho a sensação de que no meu trabalho estão sempre falando de mim, ou quando acontece algo, meu nome vai estar envolvido.
    As vezes tenho sonhos que fui demitido e voltei a trabalhar no meu antigo emprego, ou que fui demitido.
    Como lidar com isso?
    Essa sensação de que sempre é sobre mim ou eu fiz algo de errado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve pode ser bem angustiante, porque dá a sensação de estar constantemente sendo observado ou avaliado, como se qualquer situação pudesse acabar recaindo sobre você. Esse tipo de pensamento costuma estar muito mais ligado a um estado interno de alerta do que a fatos concretos acontecendo ao seu redor. O cérebro, quando entra nesse modo, começa a interpretar situações neutras como se fossem pessoais.

    Essa sensação de “é sobre mim” muitas vezes vem acompanhada de uma tendência a se responsabilizar além do necessário ou de antecipar erro e julgamento. Não significa que isso seja verdade, mas que existe um padrão mental tentando prever e evitar possíveis problemas. É como se sua mente estivesse o tempo todo tentando se proteger de uma crítica ou consequência negativa.

    Os sonhos que você mencionou também entram nesse contexto. Eles costumam refletir preocupações emocionais que ainda não foram totalmente processadas durante o dia. O medo de ser demitido, por exemplo, pode estar mais ligado a insegurança, medo de falhar ou necessidade de reconhecimento do que necessariamente a um risco real.

    Talvez valha a pena se observar com algumas perguntas: quando você pensa que estão falando de você, quais são as evidências reais disso? Já houve situações concretas que confirmaram isso ou fica mais no campo da sensação? O que você acredita que aconteceria se realmente tivesse cometido um erro? E como você costuma reagir internamente diante dessa possibilidade?

    Se esses pensamentos estiverem frequentes ou começarem a afetar sua tranquilidade no trabalho, buscar um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante a entender de onde vem esse padrão e como reduzir esse estado constante de alerta. Em alguns casos, quando a intensidade é maior, uma avaliação com psiquiatra também pode ser considerada como apoio.

    Essas experiências não surgem do nada, e geralmente têm uma lógica interna que pode ser compreendida e trabalhada com cuidado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Olá, ultimamente estou sentindo dificuldade em relaxar, tem vezes que eu fico muito inquieta, tem mo

    Olá, ultimamente estou sentindo dificuldade em relaxar, tem vezes que eu fico muito inquieta, tem momentos que eu fico pensando em algo repetidas vezes, as vezes eu fico ansiosa com umas coisas fútil, em alguns momentos eu sinto um sentimento ruim, isso pode ser ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve se aproxima bastante de experiências que costumam aparecer na ansiedade, sim. Essa dificuldade de relaxar, a inquietação e os pensamentos que ficam se repetindo são sinais de um sistema emocional que está mais ativado, como se estivesse tentando prever ou evitar algo, mesmo que, na prática, as situações pareçam pequenas ou “fúteis”.

    Quando a ansiedade entra nesse padrão, o cérebro começa a tratar pensamentos como se fossem alertas importantes. Então ele insiste, repete, tenta resolver… só que quanto mais você tenta “dar conta” disso mentalmente, mais o ciclo se mantém. Esse sentimento ruim que aparece às vezes também pode ser parte desse estado, como uma tensão emocional difusa que não tem um motivo claro, mas é sentida no corpo e na mente.

    Agora, mais importante do que rotular é entender como isso está funcionando em você. Esses pensamentos repetitivos costumam girar em torno de quê? Você sente que precisa resolver ou controlar algo quando eles aparecem? Em quais momentos do dia essa inquietação aumenta? E o que acontece quando você tenta ignorar ou lutar contra esses pensamentos?

    Essas respostas ajudam a diferenciar uma ansiedade mais pontual de um padrão que merece mais atenção e cuidado. Em terapia, a gente não trabalha para “eliminar” esses pensamentos à força, mas para mudar a forma como você se relaciona com eles, reduzindo o impacto que eles têm sobre você e devolvendo uma sensação maior de controle e estabilidade.

    Se isso tem sido frequente ou está te incomodando, olhar para isso com mais profundidade em um processo terapêutico pode fazer bastante diferença.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tive minha primeira crise de ansiedade no inicio da gravidez e agora voltou depois do pós parto

    Tive minha primeira crise de ansiedade no inicio da gravidez e agora voltou depois do pós parto, pode ser hormonal? (Não tenho traumas)

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    Sim, pode haver uma relação importante com fatores hormonais, principalmente no contexto da gravidez e do pós-parto. Nesse período, o corpo passa por mudanças muito intensas, e isso impacta diretamente o funcionamento do cérebro, especialmente nas áreas ligadas à regulação emocional. É como se o sistema ficasse mais sensível, mais reativo, o que pode facilitar o aparecimento de crises de ansiedade, mesmo em pessoas que nunca tiveram antes.

    Mas vale um cuidado aqui: não é só hormonal. O pós-parto também envolve mudanças de rotina, sono, responsabilidades, identidade e até uma certa pressão interna para dar conta de tudo. Mesmo sem traumas específicos, o cérebro pode interpretar esse conjunto de mudanças como um “estado de alerta”, o que favorece sintomas ansiosos. Às vezes, o corpo reage antes mesmo da pessoa conseguir entender exatamente o porquê.

    Fico pensando com você: essas crises aparecem em momentos de maior cansaço ou sobrecarga? Você percebe se vêm acompanhadas de pensamentos específicos, como medo de algo acontecer com você ou com o bebê? E como você costuma lidar quando a sensação começa?

    Outro ponto importante é que, nesse período, também é essencial avaliar a saúde física. Um acompanhamento com médico pode ajudar a verificar questões hormonais, tireoide, ferro, entre outros fatores que podem influenciar diretamente no seu bem-estar emocional. Isso não invalida o aspecto psicológico, mas complementa o cuidado.

    Essas crises não significam fraqueza nem falta de controle. Muitas vezes são o corpo tentando se adaptar a uma fase extremamente exigente. Um acompanhamento psicológico pode te ajudar a entender melhor esses sinais e desenvolver formas mais seguras de lidar com eles, respeitando o seu momento.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Faz 6 meses que não consigo esquecer uma teoria filosófica que eu vi, sempre me pego pensando nela,

    Faz 6 meses que não consigo esquecer uma teoria filosófica que eu vi, sempre me pego pensando nela, me causa preocupação e ansiedade um medo me sinto incapaz de lidar com os pensamentos, ela literalmente roubou minha vida causando até dissociação será possível esquecê-la? Ou me tratar? para eu voltar a ter uma vida saudável? Já até pensei que só hipnoterapia pra esquecer isso :/ to desesperada medo de enlouquecer de vez com isso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Que bom que você trouxe isso, porque o que você está vivendo assusta mesmo, mas tem explicação e tem tratamento. Quando uma ideia começa a “grudar” na mente dessa forma, a ponto de voltar repetidamente, gerar ansiedade intensa e até sensação de dissociação, muitas vezes não é a teoria em si o problema central, mas a forma como o cérebro passou a reagir a ela. É como se esse pensamento tivesse sido marcado como “importante” ou “perigoso”, e o sistema mental ficasse revisitando isso tentando resolver ou se proteger.

    Isso costuma acontecer em quadros de ansiedade mais intensa e também em padrões de pensamento ruminativo ou até obsessivo. E aqui tem um ponto importante que pode te acalmar um pouco: o fato de você não conseguir parar de pensar nisso não significa que você está enlouquecendo. Pelo contrário, mostra um cérebro tentando, de forma insistente, dar conta de algo que ele percebeu como ameaçador. O problema é que quanto mais você tenta “resolver” ou “se livrar” desse pensamento, mais ele tende a voltar.

    Sobre esquecer completamente, sendo bem direto com você, a mente não funciona como um botão de apagar. Hipnoterapia não apaga memórias nem pensamentos dessa forma. Mas isso não é uma má notícia. O caminho mais eficaz não é esquecer, e sim mudar a relação que você tem com esse pensamento, até ele perder força, frequência e impacto. Na prática clínica, isso acontece com bastante frequência quando trabalhamos com estratégias adequadas.

    Agora, quero te convidar a observar algumas coisas com curiosidade. O que exatamente nessa teoria te ameaça tanto? É uma sensação de perda de controle, de perda de sentido, de medo de não voltar a ser como antes? E quando o pensamento aparece, o que você faz internamente, tenta lutar contra ele, tenta resolver, tenta neutralizar? E como você se sente logo depois dessas tentativas?

    Essas respostas ajudam a entender o ciclo que está mantendo isso ativo. E, sendo bem claro com você, isso tem tratamento sim. Abordagens como TCC, ACT e também intervenções focadas em ansiedade e pensamentos intrusivos costumam ajudar muito nesses casos. Vale também uma avaliação com psiquiatra, principalmente se a ansiedade estiver muito intensa ou acompanhada de sintomas dissociativos.

    Esse tipo de experiência dá a sensação de que a vida foi “sequestrada”, mas isso não costuma ser permanente quando bem trabalhado. Existe caminho de volta para uma vida mais leve, e ele começa justamente por entender melhor esse funcionamento, não por tentar apagar à força o pensamento.

    Caso precise, estou à disposição.


  • A ansiedade pode provocar fraqueza ou sensação de tremideira num dos lados do corpo?

    A ansiedade pode provocar fraqueza ou sensação de tremideira num dos lados do corpo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    A ansiedade pode, sim, provocar sensações físicas bastante intensas, incluindo tremores, fraqueza e até uma percepção de “lado do corpo mais estranho”. Quando o sistema de alerta do corpo é ativado, ele libera substâncias que aumentam a tensão muscular, alteram a respiração e deixam o corpo em estado de prontidão. Isso pode gerar tremedeira, sensação de fraqueza e até uma espécie de “descoordenação” momentânea.

    Agora, tem um ponto importante aqui: embora a ansiedade possa causar sensações em apenas um lado do corpo, isso não é o padrão mais comum. Por isso, quando alguém percebe sintomas mais localizados, como fraqueza persistente em um lado, é fundamental investigar também possíveis causas físicas. Não é para gerar alarme, mas para cuidar de forma responsável. Um clínico ou neurologista pode ajudar a descartar qualquer condição orgânica.

    Do ponto de vista emocional, quanto mais atenção e preocupação você dá para essas sensações, mais o cérebro interpreta aquilo como sinal de perigo, e isso tende a intensificar o sintoma. É como um ciclo em que o corpo reage, a mente interpreta como ameaça, e o corpo reage ainda mais. Já percebeu se esses sintomas aparecem em momentos de maior tensão ou antecipação? Ou surgem mesmo quando você está mais tranquilo?

    Também vale observar o que passa pela sua mente quando isso acontece. Vem algum pensamento mais catastrófico, como medo de algo grave acontecendo? Ou uma sensação de perda de controle? Essas respostas ajudam muito a entender se o corpo está reagindo à ansiedade ou se há algo além disso.

    Se esses sintomas forem frequentes, intensos ou persistentes, vale buscar uma avaliação médica para segurança, e também um acompanhamento psicológico para trabalhar essa relação entre corpo e mente. Quando isso é compreendido e bem manejado, tende a reduzir bastante.

    Caso precise, estou à disposição.


  • A ansiedade permanente pode causar impacto no corpo? Por exemplo, batimento cardiaco acima dos 100,

    A ansiedade permanente pode causar impacto no corpo? Por exemplo, batimento cardiaco acima dos 100, formigamentos no corpo que vão e que voltam, fraqueza muscular nas pernas, palmas da mão suadas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Sim, a ansiedade mantida por muito tempo pode impactar bastante o corpo. Quando o organismo permanece em estado de alerta por períodos prolongados, como se estivesse sempre se preparando para um perigo, várias respostas fisiológicas ficam ativadas. Isso pode incluir aumento da frequência cardíaca, sudorese nas mãos, tensão muscular e sensações como formigamento ou fraqueza, especialmente nas pernas.

    Do ponto de vista do funcionamento do corpo, é como se o sistema nervoso ficasse “ligado no modo emergência” por tempo demais. O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam mais tensionados e o cérebro passa a monitorar sinais internos com mais intensidade. Esse conjunto pode explicar exatamente sintomas como os que você descreveu, inclusive essa variação em que eles aparecem e desaparecem.

    Ao mesmo tempo, é importante fazer uma leitura cuidadosa. Esses sintomas podem ser compatíveis com ansiedade, mas também precisam ser avaliados clinicamente para descartar outras condições físicas, principalmente quando são persistentes, intensos ou novos. Isso não é para te preocupar, mas para cuidar de forma completa.

    Agora, vale observar um aspecto mais interno. Quando esses sintomas aparecem, o que você costuma pensar? Surge medo de que algo grave esteja acontecendo? Você tenta controlar o corpo ou evitar sentir? E, no dia a dia, sente que sua mente está frequentemente antecipando problemas ou se mantendo em alerta constante?

    Essas respostas ajudam a entender se esse estado de ativação está sendo mantido por um padrão de funcionamento emocional. E a boa notícia é que isso pode ser trabalhado. Com o acompanhamento adequado, o corpo tende a sair desse estado de alerta contínuo e recuperar um funcionamento mais equilibrado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Olá. Gostaria de saber se é possível uma crise de pânico bem grave provocar uma parada respiratória?

    Olá. Gostaria de saber se é possível uma crise de pânico bem grave provocar uma parada respiratória? Ou algo parecido?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Essa é uma dúvida muito comum, especialmente em quem já passou por crises de pânico mais intensas. A sensação durante a crise pode ser extremamente assustadora, com falta de ar, aperto no peito e a impressão de que o ar não está entrando. Mas, do ponto de vista fisiológico, uma crise de pânico não provoca uma parada respiratória real. O que acontece é quase o oposto: o corpo entra em um padrão de respiração acelerada e desregulada.

    Durante a crise, o sistema de alerta do corpo é ativado como se houvesse um perigo iminente. A respiração fica mais rápida e superficial, o que pode gerar sensação de sufocamento, tontura e até formigamentos. O cérebro interpreta essas sensações como ameaça, o que intensifica ainda mais o ciclo. É como um alarme muito sensível que dispara sem haver um incêndio de fato.

    Agora, vale olhar para a sua experiência pessoal. Quando você passa por esses episódios, o que mais te assusta: a sensação física em si ou o que você imagina que pode acontecer a partir dela? Surge o medo de morrer, de perder o controle, ou de não conseguir voltar ao normal? E depois que a crise passa, como você interpreta o que aconteceu?

    Essas respostas ajudam a entender como o ciclo do pânico está se mantendo. Mesmo sendo muito desconfortável, o corpo não “desliga” a respiração em uma crise de pânico. O que ele faz é exagerar um mecanismo de sobrevivência. E isso pode ser trabalhado com bastante eficácia em terapia, reduzindo tanto a intensidade quanto a frequência dessas crises.

    Caso precise, estou à disposição.


  • A ansiedade crónica pode provocar fraqueza muscular? Se sim, pode persistir durante semanas pelo hip

    A ansiedade crónica pode provocar fraqueza muscular? Se sim, pode persistir durante semanas pelo hiperfoco no sintoma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Sua pergunta é excelente — e muito precisa, aliás. A ansiedade crônica pode sim gerar sensações de fraqueza muscular, e o curioso é que, do ponto de vista da neurociência, isso não acontece porque o músculo em si está fraco, mas porque o sistema nervoso está exausto de manter o corpo em estado de alerta.

    Quando vivemos sob ansiedade constante, o cérebro ativa repetidamente o chamado sistema de luta ou fuga, liberando hormônios como adrenalina e cortisol. No curto prazo, isso nos deixa mais “acesos”, mas, com o tempo, esse estado contínuo causa tensão muscular, fadiga e sensação de esgotamento físico, como se o corpo tivesse corrido uma maratona sem sair do lugar. O hiperfoco no sintoma — ou seja, ficar o tempo todo monitorando a fraqueza — intensifica ainda mais essa percepção. O cérebro, ao receber constantemente a mensagem “algo está errado no corpo”, amplifica o sinal, criando um ciclo entre atenção, medo e aumento da sensação física.

    Então sim, a sensação pode persistir por dias ou até semanas, mesmo sem uma causa física significativa. É como se o corpo dissesse: “Não consigo relaxar enquanto você não acreditar que estou seguro.” E justamente essa vigilância excessiva mantém a tensão.

    Você percebe se essa fraqueza aparece mais em momentos de ansiedade ou quando está distraído também? E o que costuma acontecer na sua mente quando o sintoma surge — vem o medo de que seja algo grave, ou a sensação de perder o controle? Essas respostas ajudam muito a entender se o ciclo está mais ligado à tensão física ou à antecipação ansiosa.

    O caminho para aliviar isso envolve treinar o corpo e a mente a saírem do modo de ameaça, com psicoterapia e técnicas de regulação fisiológica — como respiração diafragmática e atenção plena. Aos poucos, o cérebro aprende que não precisa mais “vigiar” o tempo todo, e a fraqueza tende a ceder.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Os formigamentos provocados pela ansiedade podem ter periodos em que desaparecem e depois voltam?

    Os formigamentos provocados pela ansiedade podem ter periodos em que desaparecem e depois voltam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    Sim, isso pode acontecer. Os formigamentos ligados à ansiedade costumam ter um padrão intermitente, aparecem, desaparecem e depois retornam, muitas vezes sem um motivo físico evidente. Isso está relacionado ao funcionamento do próprio sistema nervoso, que entra e sai de estados de ativação conforme o nível de tensão, respiração e foco de atenção vão mudando ao longo do dia.

    Quando a ansiedade aumenta, a respiração tende a ficar mais curta ou irregular, o que pode alterar o equilíbrio de oxigênio e gás carbônico no corpo. Isso, junto com a tensão muscular, pode gerar sensações como formigamento, dormência ou “correntes elétricas” leves. Quando o corpo desacelera, essas sensações diminuem. Mas se a mente volta a monitorar o corpo com preocupação, o ciclo pode reiniciar.

    Tem um detalhe importante aqui que muitas vezes mantém o sintoma ativo: a tentativa de checar o tempo todo se o formigamento voltou ou não. Quanto mais você observa, mais o cérebro entende que aquilo é relevante e precisa ser mantido no radar. Já percebe se esses períodos em que ele volta estão ligados a momentos de maior preocupação ou foco no corpo?

    Também vale se perguntar: quando o formigamento aparece, o que você pensa que pode estar acontecendo? Surge medo de algo mais grave? Ou uma sensação de perda de controle? Essas interpretações costumam amplificar bastante a experiência física.

    Ainda assim, se o sintoma for muito frequente, persistente ou vier acompanhado de perda de força, alteração de fala ou outros sinais diferentes, é importante investigar com um médico para descartar causas físicas. Estando tudo ok, o trabalho passa a ser reduzir o ciclo ansiedade-corpo-atenção, que costuma responder bem ao acompanhamento psicológico.

    Caso precise, estou à disposição.


  • O hiperfoco num sintoma pode exacerbá-lo? Por exemplo, fraqueza física, corpo trémulo etc?

    O hiperfoco num sintoma pode exacerbá-lo? Por exemplo, fraqueza física, corpo trémulo etc?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Sim, o hiperfoco em um sintoma pode intensificá-lo, e isso acontece com mais frequência do que parece. Quando a atenção fica muito voltada para o corpo, o cérebro começa a “amplificar” sinais que antes passariam despercebidos. É como se o sistema de alerta ficasse mais sensível, aumentando a percepção de fraqueza, tremores ou outras sensações físicas.

    Do ponto de vista do funcionamento do cérebro, isso não é algo consciente ou intencional. Áreas ligadas à detecção de ameaça ficam mais ativas, enquanto o corpo responde com mais tensão, alterações na respiração e no ritmo cardíaco. Esse conjunto pode gerar exatamente os sintomas que você descreve. E aí cria-se um ciclo: você percebe o sintoma, presta mais atenção, o corpo responde com mais intensidade, e isso reforça a preocupação.

    Não significa que “é coisa da sua cabeça” no sentido de não ser real. As sensações são reais, mas muitas vezes são moduladas por esse estado de vigilância aumentada. Por isso, quanto mais o foco fica fixado no sintoma, maior a chance dele se manter ou até aumentar.

    Talvez valha se observar em alguns pontos: o que passa pela sua mente no momento em que percebe esses sintomas? Você tenta checar o corpo repetidamente ou testar se está tudo funcionando? O que acontece com a intensidade dos sintomas quando sua atenção está totalmente envolvida em outra atividade?

    Essas respostas ajudam a entender se existe esse ciclo de hiperatenção acontecendo. Em terapia, esse tipo de padrão é trabalhado justamente para reduzir essa amplificação, ajudando o corpo a sair desse estado de alerta constante e recuperar um funcionamento mais equilibrado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Eu sempre me isolo das pessoas, fico muito triste e choro, quando isso acontece, vem o desejo de ter

    Eu sempre me isolo das pessoas, fico muito triste e choro, quando isso acontece, vem o desejo de terminar o relacionamento, sempre quero mudar e sumir pra não ser encontrada. Sinto uma tristeza profunda, não quero conversar com ninguém. Apenas ficar só no meu quarto.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? A forma como você descreve esses momentos de isolamento mostra o tamanho da angústia que carrega. Quando a tristeza chega desse jeito — pesada, silenciosa, fechando as portas por dentro — o corpo só consegue pedir retraimento. E esse impulso de terminar o relacionamento, de sumir, de desaparecer, raramente fala sobre o relacionamento em si; ele fala sobre o quanto você está sofrendo internamente. É como se, nesses momentos, a sua mente dissesse: “se eu me afastar de tudo, talvez a dor diminua”.

    Esses episódios costumam aparecer quando existe uma mistura de sensibilidade emocional, exaustão e talvez experiências antigas de não se sentir acolhida. A tristeza profunda que você descreve não parece um simples “mau dia”. Ela chega como uma onda que te arrasta, te cala e te coloca no quarto como se fosse o único lugar seguro. Posso te perguntar: o que você sente imediatamente antes de se isolar? É um pensamento, uma sensação física, um medo, uma crítica interna? E quando o desejo de terminar o relacionamento aparece, ele vem como proteção — ou como punição a si mesma?

    Outra reflexão importante é como você se percebe nesses momentos. Você sente que está perdendo o controle das emoções? Ou sente que ninguém conseguiria realmente entender o que se passa dentro de você? Porque isso muda muito a forma como esse isolamento se instala: às vezes ele é defesa, às vezes é cansaço, às vezes é sobrevivência emocional.

    Essa oscilação intensa entre estar bem e, de repente, querer sumir, merece ser olhada com cuidado profissional. Pode estar ligada a padrões de ansiedade, depressão, exaustão emocional ou até questões de apego que se reativam em momentos de vulnerabilidade. Terapia é um espaço muito seguro para compreender o que dispara esses estados, aprender a se regular emocionalmente e construir saídas que não dependam do isolamento como única estratégia.

    Se em algum momento essa tristeza profunda se transformar em ideias de se machucar ou desistir da vida, por favor, procure imediatamente um serviço de urgência como UPA, SAMU (192) ou CVV (188). A sua dor é legítima e merece cuidado, não silêncio.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho ansiedade e ultimamente tou sentindo falta de ar 24 horas por dia uma sensação horrível até ms

    Tenho ansiedade e ultimamente tou sentindo falta de ar 24 horas por dia uma sensação horrível até msm quando não tou pensando em nada de ruim
    O que eu posso fazer pra tentar acabar com essa falta de ar constante?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    Essa sensação de falta de ar constante é algo que muitas pessoas com ansiedade relatam, e costuma ser bem angustiante mesmo. O ponto importante aqui é entender que, mesmo quando você não está pensando em algo ruim, o corpo pode continuar em estado de alerta. É como se o sistema respiratório ficasse desregulado, com uma respiração mais curta ou superficial, o que pode dar exatamente essa impressão de que o ar não é suficiente.

    Do ponto de vista fisiológico, a ansiedade pode alterar o ritmo da respiração e o equilíbrio de oxigênio e gás carbônico no corpo. Isso pode gerar a sensação de sufocamento, aperto no peito e até mais ansiedade, criando um ciclo difícil de interromper. Ou seja, a sensação é real, mas não significa necessariamente um problema respiratório estrutural.

    Ainda assim, é importante não assumir tudo como emocional sem uma avaliação médica, principalmente se isso está acontecendo o tempo todo. Um clínico geral ou pneumologista pode ajudar a descartar causas físicas e te dar mais segurança. Quando essa parte é investigada, muitas vezes o próprio nível de preocupação já diminui.

    Agora, olhando para o lado emocional, talvez seja interessante você observar: você percebe sua respiração o tempo todo? Tenta controlá-la ou “forçar” a respirar melhor? E quando a sensação aumenta, o que passa pela sua mente naquele momento?

    Essas respostas ajudam a entender se existe um ciclo de hipervigilância sobre a respiração, que é algo bastante comum na ansiedade. Em terapia, é possível trabalhar tanto a relação com essa sensação quanto formas de regular o corpo de maneira mais natural, sem entrar numa luta com a respiração.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Eu não estou sentindo nada! Não consigo mais me preocupar com o que antes me preocupava, e não estou

    Eu não estou sentindo nada! Não consigo mais me preocupar com o que antes me preocupava, e não estou tendo paciência pra interagir com outras pessoas. (Me dá uma preguiça,as vezes irritação ou pior as vezes eu não consigo entender o que ela quis dizer) to parecendo que estou em transe,como se não estivesse aqui. Nem as coisas que antes me deixavam com medo,eu sinto mais....

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    O que você descreve parece muito mais ligado a um estado de “desligamento emocional” do que ausência de problemas. Quando a mente passa por períodos de ansiedade intensa, estresse ou sobrecarga, ela pode mudar de estratégia. Em vez de sentir demais, começa a sentir de menos. É como se o sistema emocional dissesse: “já foi intenso demais, agora vamos reduzir tudo para conseguir continuar funcionando”. Muitas pessoas descrevem isso exatamente como você: sensação de estar em transe, distante, como se não estivesse totalmente presente.

    Esse estado pode envolver despersonalização ou desrealização, que são formas de dissociação. Apesar de serem assustadoras, elas não significam que você está enlouquecendo. Na prática, são mecanismos de proteção do cérebro. O problema é que, junto com o que incomodava, também vão embora o interesse, a conexão com as pessoas e até a clareza para entender interações.

    Agora, vale olhar com calma para o seu processo. Isso começou depois de um período de muita ansiedade ou crises? Essa sensação é constante ou varia ao longo do dia? Quando você tenta se envolver com alguém ou com alguma atividade, o que acontece por dentro, vem irritação, cansaço ou uma sensação de “tanto faz”?

    Outro ponto importante é considerar o uso de medicação. Alguns medicamentos, dependendo da dose ou da resposta individual, podem contribuir para essa sensação de embotamento emocional. Não é uma regra, mas é algo que merece ser avaliado com seu psiquiatra, principalmente se você percebe que isso surgiu ou intensificou após o uso.

    Embora essa sensação dê a impressão de que você “sumiu de si mesmo”, ela costuma ser reversível quando compreendida e trabalhada. Um acompanhamento psicológico pode te ajudar a reconectar com suas experiências internas de forma gradual e segura, sem precisar voltar para aquele nível de sobrecarga que talvez tenha vindo antes.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Sou viciado em jogos de azar. Cheguei em um ponto que o dinheiro não tem mais “valor” para mim. O di

    Sou viciado em jogos de azar. Cheguei em um ponto que o dinheiro não tem mais “valor” para mim. O dinheiro é apenas um mero número necessário para jogar mais. Se eu ganho no jogo, eu apenas uso o dinheiro para jogar mais (e eventualmente perco o que ganhei, é claro).
    Me sinto um lixo, arrasado, tenho vergonha de admitir meu vicio para minha esposa. Me sinto pessimo por esconder isso dela e mentir.
    Existe algum tratamento para superar esse vício?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? O que você descreve revela um nível de sofrimento muito profundo, e só o fato de colocar isso em palavras já mostra que uma parte sua está pedindo ajuda de verdade. O vício em jogos não é sobre “gostar de jogar” — é um transtorno que altera a forma como o cérebro entende recompensa, fazendo com que o dinheiro deixe de ter valor real e passe a ser apenas combustível para continuar jogando. Isso não acontece por escolha ou falta de caráter; acontece porque o sistema de impulsos fica sequestrado pela compulsão. Quando você diz que o dinheiro virou só um número, isso mostra o quanto sua mente já está exausta dessa luta interna.

    A vergonha que você sente em relação à sua esposa é muito comum em quem vive esse ciclo. O vício cria dois sofrimentos: o da perda material e o da mentira necessária para esconder a dependência. Só que essa vergonha também te impede de pedir ajuda, e é assim que o jogo ganha ainda mais força. Posso te perguntar algo importante: o que você teme que aconteça se ela souber? E, no fundo, o que você acha que mais dói hoje — as perdas financeiras, a culpa, ou a sensação de que perdeu o controle sobre si mesmo?

    Outro ponto essencial é entender o que acontece dentro de você antes de jogar. Vem ansiedade? Vem alívio por alguns minutos? Vem a fantasia de resolver tudo com um único acerto? O jogo, na prática, não é só sobre dinheiro; é uma tentativa de anestesiar emoções que você talvez nem saiba nomear ainda.

    E sim — existe tratamento, e ele funciona. A abordagem mais eficaz envolve psicoterapia especializada em jogo patológico e acompanhamento psiquiátrico, porque muitas vezes a compulsão está ligada a alterações de impulsividade, ansiedade ou depressão que precisam ser estabilizadas. O tratamento não é sobre “força de vontade”; é sobre reorganizar o funcionamento emocional, reconstruir limites internos e aprender a viver sem que o jogo ocupe esse lugar.

    Você não precisa enfrentar essa batalha sozinho — nem deveria. O primeiro passo é buscar ajuda profissional, mesmo antes de contar à sua esposa. Quando você estiver em acompanhamento, será mais fácil decidir como e quando conversar com ela de forma segura e estruturada.

    O que você está vivendo agora não define quem você é. Define apenas que está num ponto crítico que exige cuidado urgente — e que ainda existe um caminho possível de volta.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Gostaria de saber qual a causa de uma pessoa que era bem atenta e cheia de energia e muito sorrident

    Gostaria de saber qual a causa de uma pessoa que era bem atenta e cheia de energia e muito sorridente e agora se destrai facilmente e está muito distante das coisas parecendo que está no mundo da lua , e que está cabisbaixa e desanimada com tudo. o que pode causar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é uma mudança importante no funcionamento da pessoa, e isso merece ser olhado com atenção. Quando alguém que antes era mais presente, energética e envolvida passa a ficar mais distante, distraída e sem ânimo, geralmente não é algo aleatório. Costuma ser um sinal de que algo interno não está bem ajustado, mesmo que nem sempre esteja tão claro para quem está vivendo isso.

    Existem algumas possibilidades que podem estar por trás desse tipo de mudança. Quadros de ansiedade e, principalmente, de depressão podem afetar bastante a atenção, a energia e o interesse pelas coisas. Do ponto de vista da neurociência, áreas do cérebro ligadas à motivação e ao foco podem ficar menos ativadas, enquanto o sistema emocional pode estar mais sobrecarregado. Também vale considerar fatores físicos, como alterações hormonais, qualidade do sono, níveis de estresse ou até questões nutricionais.

    Agora, mais importante do que tentar encaixar um rótulo, é entender o processo. Essa mudança aconteceu de forma gradual ou mais repentina? Houve algum evento marcante antes disso começar? Essa pessoa parece mais “desligada” por cansaço, por tristeza ou como se estivesse tentando se afastar de algo que incomoda?

    Se esses sinais estão persistentes, o ideal é olhar para isso com mais cuidado. Uma avaliação médica pode ajudar a descartar causas físicas, e a psicoterapia pode ajudar a entender o que está acontecendo emocionalmente, trazendo mais clareza sobre esse afastamento e essa perda de energia.

    Caso precise, estou à disposição.


  • os sintomas de ansiedade eu só tenho quando tiver ansioso, ou no dia a dia posso ter os sintomas mai

    os sintomas de ansiedade eu só tenho quando tiver ansioso, ou no dia a dia posso ter os sintomas mais não ter crise, só os sintomas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? A sua dúvida é muito importante, porque muita gente imagina que ansiedade só existe quando há crise — mas o corpo funciona de um jeito bem diferente. A ansiedade não é apenas o momento da crise intensa; ela também pode aparecer de forma mais silenciosa, espalhada pelo dia, como se fosse um pano de fundo emocional. Isso significa que sim: é totalmente possível ter sintomas mesmo sem estar “ansioso de propósito” ou sem sentir que está vivendo uma crise.

    O corpo às vezes sinaliza antes da mente perceber. Tensão no peito, respiração curta, tremores leves, irritabilidade, formigamentos, dificuldade de concentração, desconfortos gastrointestinais… tudo isso pode aparecer como consequência de um sistema interno que ainda está sensível, mesmo que você esteja tentando seguir sua rotina. Posso te perguntar: quando esses sintomas aparecem, você sente que estava preocupado com algo, ou eles simplesmente surgem “do nada”? E o que você costuma pensar nos primeiros segundos em que percebe o corpo reagindo?

    Também é muito comum que, depois de já ter vivido crises fortes, o organismo fique mais vigilante. Nesse estado, qualquer pequena alteração é interpretada como sinal de perigo, e isso gera sintomas mesmo sem emoção clara. É como se seu corpo dissesse: “fique atento, não quero que tudo piore de novo”. Não é fraqueza; é um sistema tentando te proteger de forma exagerada.

    Outra coisa que ajuda a entender: a ansiedade tem fases. Às vezes ela aparece em forma de crise; outras vezes, em forma de sintomas espalhados; outras, só como pensamentos acelerados. Por isso, observar padrões — quando começa, quando termina, o que desperta, o que alivia — ajuda muito mais do que tentar descobrir “se é crise ou não”.

    A boa notícia é que todos esses sintomas podem ser trabalhados na terapia, para que o seu corpo aprenda a sair desse estado de alerta constante.

    Caso precise, estou à disposição.


  • posso ter ansiedade sem ter a crise de ansiedade? ou só sei que tenho se tiver a crise?

    posso ter ansiedade sem ter a crise de ansiedade? ou só sei que tenho se tiver a crise?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?

    Sim, é totalmente possível ter ansiedade sem ter crises de ansiedade. A ansiedade não se resume às crises. Na verdade, ela pode estar presente de forma mais constante e silenciosa, aparecendo como preocupação frequente, tensão no corpo, dificuldade de relaxar, mente acelerada ou aquela sensação de estar sempre “ligado”, mesmo sem um pico intenso.

    As crises de ansiedade, como o pânico, são mais visíveis porque vêm com sintomas fortes e marcantes. Mas muitas pessoas vivem com níveis elevados de ansiedade no dia a dia sem nunca terem tido uma crise. É como se o sistema de alerta do cérebro estivesse sempre um pouco ativado, sem necessariamente disparar um “alarme máximo”.

    Talvez valha a pena se observar com algumas perguntas: você costuma antecipar problemas com frequência? Tem dificuldade de desligar a mente ou relaxar? Seu corpo vive mais tenso do que gostaria? Ou sente que está sempre em estado de vigilância, mesmo quando não há um motivo claro?

    A ansiedade passa a ser algo que merece mais atenção não apenas quando há crise, mas quando começa a impactar sua qualidade de vida, seu bem-estar ou suas decisões. Em terapia, esse tipo de padrão pode ser compreendido com mais profundidade, ajudando você a entender como esse funcionamento se organiza no seu caso específico.

    Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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