Perguntas do paciente (554)

  • Olá! Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei

    Olá!
    Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei me expressar e quando eu fico sobre pressão geralmente começo a chorar sem para, meu parceiro acha que prefiro ignorar ele ou que eu não tem o que dizer, mas na verdade minha mente fica a mil, mas não consigo tira da mente e passa pra ele e isso me mata por dentro. Como que faço para não ter dificuldade em querer conversar, nem fugir, nem ignorar a situação e não ficar na defensiva? tenho muito a falar mas sinto um bloqueio na hora principalmente quando sou pressionada a ter uma conversa seria.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? A forma como você descreve esse bloqueio já mostra o quanto isso te atravessa emocionalmente. Quando a mente acelera e o corpo responde com choro, não é falta de vontade de conversar — é um sistema emocional sobrecarregado tentando se proteger. Para muita gente, especialmente quando há histórico de críticas, pressão ou medo de conflito, o diálogo sério ativa um estado interno parecido com ameaça. O choro então não é “drama”, nem fuga: é o corpo dizendo “isso é demais pra mim nesse momento”.

    É interessante notar como você sente que tem muito a dizer, mas as palavras não saem. Isso costuma acontecer quando o emocional fica mais rápido do que o racional consegue acompanhar. A pressão do parceiro pode intensificar ainda mais esse travamento, porque transforma a conversa numa espécie de “prova”, e não num espaço seguro. Já percebeu em que momento exato esse bloqueio começa? É quando ele levanta o tom? Quando você antecipa que pode desagradar? Ou quando sente que precisa se explicar imediatamente?

    Uma pergunta importante é: que parte de você tenta se proteger quando chora? Pode ser medo de conflito, medo de decepcionar, ou até a sensação de que não terá espaço para ser compreendida. E outra coisa: como você imagina que seriam essas conversas se, em vez de tentar falar tudo de uma vez enquanto está pressionada, tivesse tempo para organizar seu mundo interno antes? Às vezes o problema não é a conversa em si, mas o ritmo em que ela acontece.

    Esse tipo de bloqueio costuma responder muito bem ao trabalho terapêutico, porque envolve aprender a reconhecer os gatilhos, regular o corpo antes de tentar se expressar e construir um jeito mais seguro de conversar — não perfeito, mais humano. Relações saudáveis não exigem respostas rápidas, exigem presença. E você pode aprender a criar esse espaço interno antes de se colocar numa conversa difícil, sem culpa e sem precisar travar.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho 18 anos, e desde de 2020/2021, eu venho sentindo uma sensação de tristeza, de um mundo cinza,

    Tenho 18 anos, e desde de 2020/2021, eu venho sentindo uma sensação de tristeza, de um mundo cinza, como uma TV em preto e branco, sem brilho, eu faço as coisas normalmente, vivo minha rotina, tenho momentos felizes, porém esse vazio me segue sem motivo aparente, também não gosto muito de sair e nem de falar sobre sentimentos, mas tenho receio q possa ser algo próximo de uma depressão q ameaça vir. Qual especialista devo buscar? O que me orientam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? O que você descreve soa como uma experiência silenciosa, mas muito profunda — essa sensação de o mundo ter perdido a cor, mesmo quando nada parece “errado” em volta. É como se a vida continuasse acontecendo, mas algo dentro ficasse em modo neutro, sem o mesmo brilho de antes. E o fato de você perceber isso e se questionar já é um sinal importante de consciência e cuidado consigo.

    O que você relata pode sim estar relacionado a um quadro de humor que merece atenção, como uma possível depressão em estágio inicial, ou até um processo de esgotamento emocional que foi se instalando com o tempo. A mente, às vezes, tenta se adaptar ao sofrimento “silenciando” parte das emoções — o que pode gerar exatamente essa sensação de vazio e desconexão. A neurociência mostra que, nesses momentos, áreas ligadas à motivação e ao prazer ficam menos ativas, como se o cérebro dissesse: “Vamos economizar energia até entender o que está acontecendo.”

    O profissional mais indicado para começar esse processo é o psicólogo clínico, que poderá te ajudar a compreender o que está por trás dessas sensações e desenvolver formas mais saudáveis de se reconectar com suas emoções. Em alguns casos, o apoio conjunto de um psiquiatra também pode ser necessário, especialmente se houver alterações significativas no sono, apetite ou energia. Mas o primeiro passo pode — e costuma ser — a psicoterapia.

    Posso te perguntar algo? Há momentos em que esse vazio parece diminuir, mesmo que um pouco? E quando você tenta se conectar com o que sente, vem mais um “não sei” ou alguma emoção específica, como tristeza, irritação ou cansaço? Essas nuances ajudam muito o psicólogo a compreender o que a sua mente tenta expressar por meio desse silêncio emocional.

    Quando sentir que é o momento certo, procurar um espaço terapêutico pode ser uma forma de devolver cor ao que hoje parece apagado. Caso precise, estou à disposição.


  • Comecei a me alimentar logo depois que usei o captopril que faço?

    Comecei a me alimentar logo depois que usei o captopril que faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Entendo sua preocupação — é bem comum ficar em dúvida quando algo foge um pouco da rotina com o uso de um medicamento. O Captopril é um remédio que costuma ser indicado para controle da pressão arterial, e ele tem uma particularidade importante: sua absorção pode ser reduzida se for tomado logo após a refeição, especialmente se a comida for rica em gordura. Por isso, geralmente é recomendado tomá-lo cerca de 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições, com água.

    Se você acabou se alimentando logo depois de tomá-lo, o mais provável é que o medicamento apenas tenha sua eficácia um pouco diminuída nessa dose específica, mas não costuma causar nenhum efeito grave ou reação imediata. A orientação principal é não repetir a dose — apenas retome o uso normalmente no próximo horário habitual.

    Vale observar se você está tomando o Captopril sob prescrição médica e seguindo o acompanhamento adequado. O ideal é conversar com o profissional que o prescreveu, especialmente se notar tontura, queda de pressão, dor de cabeça ou algum desconforto diferente.

    Você costuma tomar o remédio sempre no mesmo horário? E lembra se seu médico orientou sobre o intervalo entre alimentação e o uso? Essas informações ajudam a ajustar a rotina e manter o tratamento mais eficaz.

    Caso precise, estou à disposição.


  • O que é o burnout autista e qual a sua relação com a regulação emocional?

    O que é o burnout autista e qual a sua relação com a regulação emocional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?
    O burnout autista é um estado de esgotamento profundo — físico, emocional e cognitivo — vivido por pessoas no espectro autista, geralmente após longos períodos tentando se adaptar a um ambiente que exige mais do que o sistema nervoso consegue sustentar. Não se trata apenas de “cansaço”, mas de um colapso que ocorre quando a pessoa passa tempo demais mascarando comportamentos, reprimindo necessidades sensoriais e tentando se encaixar socialmente sem pausas adequadas.

    Essa condição está intimamente ligada à regulação emocional, porque o cérebro autista tende a processar estímulos e emoções de forma mais intensa e, ao mesmo tempo, com menor eficiência na recuperação. Quando há uma sobrecarga contínua — de sons, interações sociais, expectativas ou mudanças —, o sistema nervoso entra em alerta constante. Com o tempo, a energia se esgota, a tolerância emocional diminui e surgem sintomas como irritabilidade, isolamento, lentidão cognitiva e até crises de choro ou apatia.

    Do ponto de vista neurocientífico, o burnout autista pode ser entendido como uma falha temporária nos mecanismos de regulação — é como se o cérebro dissesse “não consigo mais equilibrar tudo isso”. Por isso, estratégias de autorregulação emocional são essenciais, e o acompanhamento terapêutico pode ajudar a reconhecer limites, ajustar expectativas e resgatar o senso de segurança interna.

    E talvez valha refletir: o quanto você tem se permitido respeitar seus próprios limites antes que o corpo e a mente precisem gritar por descanso? O que muda em você quando se dá permissão para parar e se regular?
    Caso precise, estou à disposição.


  • Mulheres autistas podem ter interesses específicos, como os homens?

    Mulheres autistas podem ter interesses específicos, como os homens?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?
    Sim, podem — mas o jeito como esses interesses aparecem costuma ser um pouco diferente. Mulheres autistas também têm interesses intensos e específicos, assim como os homens, só que muitas vezes esses interesses são socialmente mais aceitos ou sutis, o que faz com que passem despercebidos. Por exemplo, enquanto alguns homens podem se interessar por temas mais técnicos ou sistematizados, muitas mulheres autistas direcionam essa intensidade para áreas como literatura, psicologia, animais, moda, cultura pop, coleções ou causas sociais. O que define o “interesse específico” não é o tema em si, mas a profundidade, o foco e o quanto ele serve como uma fonte de prazer, conforto e estabilidade emocional.

    Além disso, é comum que mulheres no espectro aprendam a mascarar parte de seus comportamentos para se adaptar socialmente — algo que a neurociência chama de camuflagem social. Esse esforço constante de parecer “neurotípica” pode fazer com que seus interesses intensos fiquem mais escondidos, embora continuem sendo parte central da sua identidade.

    Quando olhamos com mais cuidado, percebemos que esses interesses são, na verdade, uma maneira do cérebro autista organizar o mundo, se acalmar e encontrar coerência. E talvez valha refletir: quais são os temas que fazem você se sentir mais viva, curiosa ou em paz? O que acontece dentro de você quando pode mergulhar neles sem precisar se justificar?

    Essas respostas costumam revelar muito mais sobre quem você é do que sobre o diagnóstico em si.
    Caso precise, estou à disposição.


  • Quem tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem dificuldade em expressar sentimentos?

    Quem tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem dificuldade em expressar sentimentos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Essa é uma ótima pergunta — e uma das mais importantes para compreender o universo emocional das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em geral, sim, muitas pessoas no espectro têm dificuldade em expressar sentimentos, mas isso não significa que não sintam. A diferença está na forma como o cérebro processa e traduz as emoções em palavras, gestos ou expressões faciais.

    Do ponto de vista neurobiológico, áreas do cérebro ligadas ao reconhecimento e à comunicação emocional — como a amígdala e o córtex pré-frontal — funcionam de maneira um pouco diferente, o que faz com que a pessoa perceba as próprias emoções ou as dos outros de forma menos intuitiva. É como se houvesse um atraso entre sentir e conseguir colocar em palavras o que está acontecendo dentro dela. Isso é o que chamamos, em alguns casos, de alexitimia — uma dificuldade em identificar e nomear emoções.

    Mas sentir, elas sentem — e, muitas vezes, de maneira intensa. Algumas expressam o afeto de formas menos convencionais, como através de gestos, rotinas ou pequenos cuidados. Você já notou se a pessoa demonstra carinho ao querer compartilhar algo que gosta, ou ao insistir em manter um contato previsível? Esses são jeitos genuínos de expressão emocional, ainda que diferentes dos padrões sociais mais comuns.

    Quando há espaço para validação e paciência, a expressão emocional começa a ganhar novas formas. A terapia ajuda a desenvolver esse vocabulário emocional e, com o tempo, o cérebro aprende a traduzir o que sente com mais clareza. O desafio não é sentir menos, mas aprender a comunicar o que se sente de um jeito que o outro possa compreender. Caso queira conversar mais sobre isso, estou à disposição.


  • Como um autista reage quando é contrariado? .

    Como um autista reage quando é contrariado? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante — e revela preocupação genuína em compreender, não apenas observar o comportamento. A reação de uma pessoa autista quando é contrariada pode variar bastante, mas o ponto central é que o cérebro autista tende a reagir de forma mais intensa a mudanças inesperadas, frustrações ou situações que fujam do que é previsível.

    Do ponto de vista neurobiológico, isso acontece porque o sistema nervoso de quem está no espectro processa emoções e estímulos de forma diferente, com menor tolerância à imprevisibilidade. Quando algo não sai como esperado, o cérebro pode interpretar isso como uma ameaça, ativando respostas automáticas de defesa — como choro, irritação, isolamento, ou até comportamentos repetitivos. Não é uma “birra”, mas uma forma de comunicar que algo ficou confuso, injusto ou desorganizador internamente.

    Muitos autistas relatam que, nesses momentos, o que incomoda não é exatamente ser contrariado, mas a sensação de perder o controle da situação ou de não compreender o motivo da negativa. Você já percebeu se essas reações acontecem mais quando há mudanças repentinas, regras pouco explicadas ou tom de voz elevado? Ou se diminuem quando a explicação é clara e há tempo para processar o que aconteceu? Esses detalhes ajudam muito a entender o que está por trás da reação.

    Quando o ambiente é previsível, com limites firmes, mas comunicados de forma calma e empática, o cérebro autista tende a responder com mais segurança. A previsibilidade é uma espécie de tradução emocional para o mundo interno dessa pessoa — e, quando ela se sente compreendida, o comportamento costuma se reorganizar naturalmente. Caso precise, estou à disposição.


  • Quais são os comportamentos sensoriais atípicos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Quais são os comportamentos sensoriais atípicos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Que bom que trouxe essa pergunta — entender os comportamentos sensoriais no autismo é essencial para compreender o funcionamento e o bem-estar da pessoa no espectro. No Transtorno do Espectro Autista (TEA), o cérebro processa estímulos sensoriais — como luz, som, toque, cheiro e movimento — de forma diferente, o que pode gerar reações muito intensas ou, às vezes, uma aparente indiferença.

    Esses comportamentos podem se manifestar de dois jeitos principais: a hipersensibilidade, quando o estímulo é percebido como excessivo (sons que parecem altos demais, tecidos que incomodam, cheiros fortes que causam náusea); e a hipossensibilidade, quando o cérebro responde pouco aos estímulos (busca de sensações mais intensas, como girar, pressionar objetos ou encostar-se com força). É como se o sistema nervoso tivesse o volume dos sentidos regulado de forma diferente — às vezes alto demais, às vezes baixo demais.

    Essas diferenças fazem com que a pessoa busque estratégias próprias para se regular, o que pode incluir movimentos repetitivos, evitar lugares muito iluminados ou tapar os ouvidos diante de sons inesperados. Você já percebeu se esses comportamentos aparecem mais em ambientes caóticos, barulhentos ou com muitas pessoas? Ou se diminuem quando o ambiente é mais previsível e acolhedor? Essas observações ajudam muito a identificar o tipo de resposta sensorial envolvida.

    Compreender essas reações muda completamente a forma de lidar com o autismo: em vez de tentar “corrigir” o comportamento, o foco passa a ser criar um ambiente mais ajustado às necessidades sensoriais daquela pessoa. Assim, ela pode se sentir segura, regular e livre para se desenvolver. Caso precise, estou à disposição.


  • O que pode causar as oscilações nos sentimentos em relação à "pessoa favorita" no Transtorno de Pers

    O que pode causar as oscilações nos sentimentos em relação à "pessoa favorita" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem?
    Essa é uma pergunta muito profunda — e quem a faz geralmente já percebe o quanto essas oscilações podem ser intensas e confusas. No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a relação com a chamada “pessoa favorita” costuma se tornar o centro emocional da vida. O cérebro, em busca de segurança afetiva, alterna entre idealizar e temer a perda dessa pessoa. É como se a mente dissesse: “essa relação é o que me mantém inteiro(a), mas e se ela for embora?”.

    Essas oscilações acontecem porque o sistema emocional de quem tem TPB é extremamente sensível à percepção de rejeição. Pequenos gestos, atrasos em respostas ou mudanças de tom podem ser interpretados como sinais de afastamento, ativando intensamente o sistema de ameaça. Do ponto de vista da neurociência, é como se as áreas do cérebro ligadas ao apego e à dor social reagissem como se o vínculo estivesse realmente em risco — e isso muda tudo: o afeto vira medo, o amor vira raiva, e o vínculo passa de idealizado a ameaçador em questão de minutos.

    Esses altos e baixos não significam que o sentimento é falso, mas sim que ele está sendo mediado por emoções muito primitivas de segurança e abandono. Por isso, o mesmo vínculo que traz alívio também pode se tornar fonte de angústia. Em terapia, o trabalho costuma ser ajudar o paciente a reconhecer esses gatilhos, entender que a emoção intensa é real, mas nem sempre corresponde ao que está acontecendo de fato, e aprender a criar pausas entre sentir e reagir.

    Talvez valha refletir: o que acontece dentro de você quando sente que essa pessoa está distante? E o que muda quando percebe que ela está presente e disponível? Quais partes suas parecem se acalmar — e quais se agitam? Essas perguntas podem te ajudar a entender o que o vínculo representa além da pessoa em si.

    Esse processo é sensível, mas com acompanhamento terapêutico é possível construir vínculos mais estáveis e seguros, sem que o afeto precise vir acompanhado de tanto medo. Caso precise, estou à disposição.


  • Qual a relação entre hiperfoco e Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Qual a relação entre hiperfoco e Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta fundamental — e entender essa relação ajuda muito a compreender o funcionamento do cérebro autista. O hiperfoco está profundamente ligado ao modo como o cérebro, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), processa estímulos, recompensas e emoções. De forma simples, é como se o sistema nervoso tivesse uma maneira diferente de filtrar o que é relevante. Quando algo desperta real interesse, o cérebro autista mergulha com intensidade: o tempo parece parar, a concentração aumenta e todo o resto perde importância por um instante.

    Esse fenômeno tem base neurobiológica. Estudos mostram que o cérebro autista tende a apresentar uma ativação mais intensa nas áreas ligadas à atenção seletiva e à recompensa quando encontra algo previsível ou altamente estimulante. Isso faz com que o hiperfoco funcione como uma espécie de “porto seguro”, um espaço em que há sensação de controle e conforto diante do excesso de informações do ambiente. É como se o cérebro dissesse: “aqui eu entendo as regras, posso relaxar um pouco”.

    Ao mesmo tempo, essa intensidade pode ter dois lados. De um lado, permite desenvolver habilidades profundas, memória detalhada e uma capacidade de aprendizado fora do comum. Do outro, pode dificultar a transição entre tarefas ou gerar frustração quando há interrupções. Você já percebeu se, quando está muito envolvido em algo, fica difícil mudar o foco sem se sentir irritado ou cansado? Esse é um sinal clássico de como o hiperfoco interage com o sistema de regulação emocional no TEA.

    Em terapia, o hiperfoco é visto não como um problema, mas como uma ferramenta. O trabalho é entender o que ele representa emocionalmente — se é prazer, segurança, necessidade de previsibilidade ou forma de escapar da sobrecarga — e aprender a usá-lo a favor do equilíbrio. Quando há compreensão e manejo adequado, o hiperfoco se transforma em uma das expressões mais bonitas da singularidade autista: um talento para mergulhar onde muitos apenas passam pela superfície. Caso queira conversar mais sobre isso, estou à disposição.


  • Quais são dificuldades do hiperfoco no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Quais são dificuldades do hiperfoco no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, tudo bem? Essa é uma ótima pergunta — e toca num ponto essencial para entender como o hiperfoco, apesar de ser uma força, também pode trazer alguns desafios para quem está dentro do espectro. O hiperfoco acontece quando o cérebro encontra algo que acende intensamente o sistema de recompensa e reduz o ruído emocional ou sensorial do ambiente. É como se, por um instante, tudo ficasse mais organizado e previsível. Mas essa mesma intensidade que traz alívio pode, em certos momentos, se tornar um obstáculo.

    Uma das principais dificuldades é a perda da noção do tempo e do próprio corpo. Muitas pessoas relatam que, quando estão hiperfocadas, esquecem de comer, dormir ou descansar — como se o mundo se estreitasse até caber apenas naquele ponto de interesse. Outra questão comum é a dificuldade de alternar entre tarefas. O cérebro autista tende a preferir continuidade e coerência, então sair de um foco intenso para outro pode gerar desconforto físico ou emocional. Você já percebeu se sente irritação, cansaço ou confusão quando é interrompido no meio de algo que te interessa profundamente?

    Além disso, o hiperfoco pode impactar as relações sociais, porque a mente fica tão envolvida em um tema que o contato com o outro passa a exigir mais esforço consciente. Isso não é desinteresse — é apenas uma diferença na forma como a atenção é distribuída. Em alguns casos, o retorno à “vida externa” pode vir acompanhado de exaustão ou sensação de vazio, como se fosse difícil reencontrar o ritmo do mundo fora daquela imersão.

    Na terapia, o objetivo não é eliminar o hiperfoco, mas aprender a equilibrá-lo. Isso envolve desenvolver pequenas pausas, estratégias de transição e, principalmente, compreender o papel emocional que o hiperfoco exerce. Muitas vezes ele é um refúgio, uma tentativa do cérebro de restaurar o equilíbrio interno. Quando esse processo é respeitado e regulado, o hiperfoco deixa de gerar desgaste e passa a se tornar um recurso de bem-estar e autoconhecimento. Caso queira, posso te ajudar a entender melhor como encontrar esse ponto de equilíbrio na sua rotina.


  • Quais são os riscos do relacionamento com a pessoa favorita no Transtorno de Personalidade Borderlin

    Quais são os riscos do relacionamento com a pessoa favorita no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que bom que você trouxe essa pergunta — ela toca num dos aspectos mais complexos e dolorosos do Transtorno de Personalidade Borderline: o vínculo com a chamada “pessoa favorita”.

    No TPB, essa relação costuma ser intensa e ambivalente. A pessoa favorita representa, ao mesmo tempo, segurança e ameaça. O cérebro de quem tem o transtorno, por ser extremamente sensível à rejeição, reage de modo desproporcional a qualquer sinal — real ou imaginado — de afastamento. Assim, quando a relação vai bem, há uma sensação quase eufórica de pertencimento e alívio; mas quando algo parece mudar, o sistema emocional interpreta como abandono iminente, e isso desperta desespero, raiva, ou comportamentos impulsivos. Esse vai e vem é profundamente exaustivo para ambos.

    O maior risco, portanto, está na fusão emocional. A identidade pessoal começa a se misturar com a do outro: a validação, o humor e até o senso de valor próprio passam a depender do comportamento da pessoa favorita. Essa dinâmica pode gerar medo constante de perder o vínculo, ciúmes intensos, tentativas de controle ou afastamentos abruptos — não por falta de amor, mas como uma forma desesperada de se proteger da dor de ser deixado. Com o tempo, isso tende a alimentar culpa, vergonha e solidão.

    Talvez valha refletir: o que exatamente essa pessoa representa para você além da presença física? O que muda em você quando se sente próximo ou distante dela? E o que o seu corpo tenta comunicar quando o medo da perda aparece? Essas perguntas ajudam a entender que o vínculo, na verdade, está tentando curar algo mais antigo — a busca por segurança emocional que nunca foi plenamente atendida.

    A boa notícia é que, com psicoterapia, especialmente abordagens como a Terapia dos Esquemas e a Terapia Comportamental Dialética (DBT), é possível aprender a construir laços mais estáveis e seguros, sem que o outro precise ser o único alicerce emocional. Aos poucos, a intensidade deixa de ser dor e se transforma em conexão genuína. Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre como iniciar esse processo. Caso precise, estou à disposição.


  • O que acontece quando a pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB) muda de "pessoa favo

    O que acontece quando a pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB) muda de "pessoa favorita"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que bom que você trouxe esse tema — ele costuma ser uma das partes mais difíceis de entender, tanto para quem tem o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) quanto para quem convive com alguém que vive esse padrão de vínculos intensos.

    Quando uma pessoa com TPB muda de “pessoa favorita”, geralmente não se trata de frieza, manipulação ou descaso. Essa mudança é, na verdade, uma tentativa do sistema emocional de se proteger da dor. O cérebro de quem tem o transtorno reage de forma muito intensa ao medo de rejeição e abandono. Quando a relação com a pessoa favorita se torna instável, frustrante ou ameaçadora, é como se o corpo dissesse: “não aguento mais esse sofrimento, preciso de outro porto seguro”. A nova pessoa, então, passa a ocupar esse lugar de segurança e idealização, oferecendo um alívio momentâneo para a ansiedade e o vazio interno.

    A dinâmica, porém, tende a se repetir: a mesma sensibilidade que gera apego profundo também traz medo de perder o vínculo, e isso pode provocar novas rupturas. A troca da pessoa favorita, nesse sentido, não é uma escolha racional, mas uma forma de autorregulação emocional — uma tentativa de fugir do abandono antes de ser abandonado. É um mecanismo de sobrevivência, não uma falta de afeto.

    Talvez valha se perguntar: o que essa nova pessoa representa emocionalmente? Quais sensações ela desperta que a anterior não conseguia mais sustentar? E, por trás dessa mudança, há mais desejo de conexão ou de alívio da dor? Essas perguntas ajudam a entender que, no fundo, o que está em jogo não é a troca de pessoas, mas a busca constante por segurança emocional.

    Com psicoterapia — especialmente abordagens como a Terapia dos Esquemas e a Terapia Comportamental Dialética (DBT) —, é possível aprender a reconhecer esses ciclos, entender o que o corpo está tentando comunicar e construir vínculos mais estáveis, nos quais a segurança venha de dentro, e não apenas da presença do outro. Quando sentir que é o momento certo, esse é um tema muito valioso para ser trabalhado em terapia. Caso precise, estou à disposição.


  • Existem aspectos positivos nas amizades de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

    Existem aspectos positivos nas amizades de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, fico muito feliz que tenha feito essa pergunta — ela traz um olhar mais humano e menos estigmatizante sobre o Transtorno de Personalidade Borderline, e isso é essencial para compreender de forma justa quem vive com essa condição.

    Sim, existem aspectos muito positivos nas amizades de pessoas com TPB. Embora o foco geralmente recaia sobre a instabilidade emocional ou os conflitos relacionais, o outro lado da experiência é uma capacidade profunda de sentir, perceber e se conectar. Pessoas com TPB costumam ter uma empatia aguçada, uma sensibilidade emocional fora do comum e uma intensidade afetiva que, quando canalizada com equilíbrio, torna os vínculos verdadeiramente autênticos e significativos. Elas sentem o mundo com profundidade — e isso se traduz em lealdade, presença e generosidade emocional.

    O desafio é que a mesma intensidade que alimenta a conexão também pode causar sofrimento. O medo de rejeição e a oscilação entre idealização e frustração fazem com que essas relações, às vezes, fiquem marcadas por altos e baixos. Mas, quando há autoconhecimento e limites claros — tanto por parte da pessoa com TPB quanto de quem está ao seu redor —, essas amizades podem se tornar vínculos de enorme crescimento mútuo. O que antes era instabilidade, passa a ser sensibilidade e verdade emocional.

    Talvez valha refletir: como essa intensidade aparece nas suas relações? Quais momentos mostram o melhor do que você tem para oferecer — e em quais você sente que o medo fala mais alto que o afeto? E o que muda quando o outro consegue te enxergar além do diagnóstico? Essas perguntas ajudam a ressignificar o vínculo e a perceber que, sob a dor, há sempre um desejo legítimo de conexão segura.

    A terapia pode ajudar muito nesse processo de transformar a intensidade em presença e consciência. Com o tempo, os relacionamentos deixam de ser uma montanha-russa e passam a ser um espaço de troca verdadeira. Quando sentir que é o momento certo, vale explorar isso com cuidado e curiosidade. Caso precise, estou à disposição.


  • A amizade unilateral no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é intencional?

    A amizade unilateral no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é intencional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que bom que você trouxe essa pergunta — ela toca num ponto muito delicado do Transtorno de Personalidade Borderline e costuma gerar bastante confusão, especialmente para quem convive com alguém que tem o diagnóstico.

    A amizade unilateral, no contexto do TPB, não é intencional. O que acontece é que a pessoa com esse transtorno vive emoções de forma muito intensa, especialmente o medo de rejeição e abandono. Isso faz com que, em alguns momentos, ela se aproxime de alguém com uma entrega profunda, buscando conexão, e em outros se distancie abruptamente, muitas vezes sem perceber o impacto que causa. É como se o sistema emocional dela estivesse constantemente alternando entre “preciso muito de você” e “preciso me proteger de você”.

    Do lado de fora, essa oscilação pode parecer egoísmo, manipulação ou falta de interesse, mas, na verdade, é uma forma desorganizada de tentar manter o vínculo. A pessoa com TPB não quer que a relação seja unilateral — ela só tem muita dificuldade em sustentar a estabilidade emocional que a reciprocidade exige. A neurociência explica parte disso: as áreas cerebrais ligadas à regulação emocional e à percepção de ameaça (como a amígdala e o córtex pré-frontal) funcionam de maneira mais reativa, o que intensifica a sensibilidade às variações do vínculo.

    Talvez valha refletir: o que essa pessoa busca ou teme quando se afasta? O que a amizade desperta que pode ser difícil de lidar — dependência, medo, ciúme, necessidade de controle? E, do seu lado, como é para você manter um laço em que a reciprocidade oscila tanto? Essas perguntas ajudam a enxergar o que está em jogo para ambos.

    A psicoterapia é o espaço mais indicado para trabalhar essas dinâmicas — tanto para quem tem TPB quanto para quem se envolve emocionalmente com alguém que vive essa montanha-russa afetiva. Com tratamento e autoconhecimento, essas relações podem se tornar mais equilibradas e seguras. Caso queira conversar mais sobre isso, estou à disposição.


  • Como amizades unilaterais podem ser entendidas no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline

    Como amizades unilaterais podem ser entendidas no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que boa pergunta. As amizades unilaterais, no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), costumam estar muito ligadas à forma como a pessoa vive o vínculo afetivo — com intensidade, entrega e, muitas vezes, com medo de perder o outro. Essa combinação pode fazer com que a relação fique desequilibrada, porque o medo do afastamento leva a esforços grandes para manter o contato, mesmo quando o outro não retribui na mesma medida.

    Não é sobre falta de amor-próprio, mas sobre uma necessidade profunda de conexão, que nasce de experiências emocionais antigas em que o afeto talvez tenha sido instável ou imprevisível. Quando o vínculo parece unilateral, a pessoa com TPB sente algo como uma montanha-russa emocional: alterna entre idealizar o outro (“só essa amizade me entende”) e sentir-se rejeitada ou invisível (“nunca sou prioridade para ninguém”). O cérebro, por sua vez, reage como se cada sinal de distância fosse uma ameaça de abandono, ativando um estado de alerta emocional difícil de controlar.

    A terapia ajuda justamente a compreender essa dinâmica — perceber o que esse tipo de amizade desperta e o que ela tenta suprir. Às vezes, a questão não está na amizade em si, mas na expectativa de que o outro preencha algo interno, que acaba gerando frustração. Talvez valha se perguntar: o que me faz permanecer em vínculos que me doem? O que eu espero receber desse outro que não consigo encontrar em mim? E o que acontece comigo quando eu me afasto e o silêncio aparece?

    Essas perguntas podem abrir espaço para um olhar mais compassivo e consciente sobre a própria forma de se relacionar. E com o tempo, é possível construir vínculos mais equilibrados — sem que o afeto precise vir acompanhado de exaustão. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode gerenciar suas amizades?

    Como a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode gerenciar suas amizades?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante — e bonita, porque mostra o desejo de cuidar dos vínculos de forma mais consciente. No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), as relações costumam ser intensas e cheias de significado, o que faz com que as amizades possam tanto ser fonte de segurança quanto de dor. O cérebro, nesse caso, vive em um estado de alerta emocional constante: ele quer proximidade, mas teme ser rejeitado. Por isso, a pessoa pode oscilar entre idealizar e se frustrar com o outro, muitas vezes sem perceber.

    Gerenciar amizades, nesse contexto, não significa controlar sentimentos, mas aprender a reconhecer e nomear o que está acontecendo por dentro antes de reagir. A terapia ajuda muito nisso, porque ensina a perceber as emoções logo no início — quando ainda estão “soprando”, e não “gritando”. Assim, é possível entender quando um impulso de afastamento ou uma necessidade de atenção intensa está vindo de uma dor antiga, e não da relação atual.

    Talvez ajude refletir: o que você sente quando um amigo não responde na hora? Vem tristeza, raiva, medo de estar sendo deixado de lado? E quando alguém se aproxima demais, surge vontade de recuar? Essas oscilações emocionais são pistas valiosas para aprender a se autorregular. Criar pausas entre o sentir e o agir pode transformar a qualidade dos vínculos — de relações que ferem em relações que nutrem.

    O caminho não é evitar o apego, mas aprender a se vincular com mais segurança. Com o tempo, o cérebro vai entendendo que é possível ser amado mesmo nos dias em que não se sente “perfeito”. E isso muda tudo na forma de se relacionar. Caso precise, estou à disposição.


  • É possível tratar o ciúme no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    É possível tratar o ciúme no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que bom que trouxe essa pergunta — o ciúme no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um tema delicado e, ao mesmo tempo, muito transformador quando olhado com cuidado. Sim, é possível trabalhar e reduzir o ciúme, mas o processo não é sobre “eliminar” esse sentimento, e sim compreender o que ele tenta proteger.

    No TPB, o ciúme costuma vir menos de desconfiança e mais do medo de abandono. É como se o cérebro interpretasse qualquer sinal de distância emocional como uma ameaça real de perda. Um olhar diferente, uma mudança de rotina, uma mensagem não respondida — tudo pode acionar o sistema emocional de alarme. O corpo reage rápido, e a mente tenta encontrar explicações para aquele desconforto, o que pode se transformar em pensamentos de desvalorização ou suspeita.

    A boa notícia é que esse padrão pode ser regulado. Na terapia, o trabalho envolve identificar as emoções que vêm antes do ciúme — geralmente medo, tristeza ou insegurança — e desenvolver novas formas de lidar com elas. Com o tempo, o sistema emocional aprende que a proximidade com o outro não precisa ser garantida por vigilância, mas por confiança construída. A neurociência mostra que, quando o cérebro se sente seguro, ele naturalmente reduz o impulso de controlar o outro.

    Talvez valha refletir: o que o ciúme tenta te proteger de sentir? Em quais momentos ele se intensifica — quando o outro se afasta ou quando você se sente mais vulnerável? E o que acontece quando você tenta conter esse impulso — o medo aumenta ou diminui? Explorar essas perguntas com calma pode ser o início de uma mudança profunda.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um

    Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um bom emprego financeiramente falando, mas detesto o que faço. Não possuo amigos ou qualquer vida social ou amorosa (sou diagnosticado com fobia social e TEA suporte 1). Procuro usar o vídeo game para escapar da realidade e ir para mundos de fantasia. Chego a ficar mais apegado com personagens virtuais desses jogos do que com pessoas da vida real.
    É possível que isso seja sinal de depressão? Sinto que se jogos de vídeo game deixassem de existir, a vida seria um total marasmo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, agradeço muito por você ter compartilhado tudo isso — o modo como descreveu mostra um alto nível de consciência sobre si mesmo, e isso é algo muito importante num processo de mudança.

    O que você relata faz bastante sentido dentro da combinação que mencionou: fobia social e TEA de suporte leve (nível 1). O videogame, nesse contexto, funciona quase como um “refúgio seguro”, um ambiente previsível, controlável e socialmente mais acessível. O cérebro, especialmente o de quem lida com ansiedade social, tende a buscar esse tipo de estímulo porque ele oferece dopamina (sensação de prazer e conquista) sem o custo emocional da exposição social real. Não é à toa que o apego aos personagens virtuais se torna tão forte — eles permitem vínculos simbólicos livres de julgamento, rejeição ou imprevisibilidade.

    Mas quando esse refúgio se transforma em único espaço de prazer ou de sentido, o risco é que a vida fora dele comece a parecer sem cor. Isso pode, sim, ser um sinal de depressão, sobretudo quando há desinteresse pelas demais áreas da vida, sensação de vazio e falta de propósito. Ainda assim, o videogame não é o problema em si — ele é uma resposta ao sofrimento, uma forma de se manter funcional dentro das limitações que o mundo externo impõe.

    Talvez valha se perguntar: o que exatamente o mundo dos jogos oferece que o mundo real não tem te oferecido? É reconhecimento? Liberdade? Pertencimento? E como seria dar pequenos passos para trazer uma parte dessa vivência — de conexão, desafio, curiosidade — para a vida fora da tela, sem precisar abandonar o que te faz bem?

    A psicoterapia pode te ajudar a entender melhor essa dinâmica, fortalecendo recursos de enfrentamento e ampliando os espaços de prazer e vínculo fora do ambiente digital, de um jeito gradual e realista. Em alguns casos, o acompanhamento conjunto com um psiquiatra é útil para avaliar se há um componente depressivo ativo.

    O que você sente não é falta de força de vontade — é uma tentativa do cérebro de buscar segurança e sentido. E isso pode ser trabalhado com cuidado, sem precisar abrir mão do que te conforta hoje. Quando sentir que é o momento certo, a terapia pode ser um ótimo espaço para começar essa transição. Caso precise, estou à disposição.


  • Quais são as estratégias para lidar com a hiperfixação no Transtorno de Personalidade Borderline (TP

    Quais são as estratégias para lidar com a hiperfixação no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Larissa Zani

    Oi, que bom que trouxe essa pergunta — falar sobre hiperfixação no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é importante, porque esse fenômeno costuma ser mal interpretado. Ele não é apenas um “excesso de foco” em alguém ou algo, mas uma tentativa intensa do cérebro de encontrar estabilidade emocional num mundo interno que muitas vezes parece imprevisível.

    A hiperfixação, no contexto do TPB, pode se manifestar como uma concentração profunda em uma pessoa, ideia, causa, hobby ou relação, funcionando como uma âncora emocional. O cérebro faz isso para aliviar o medo de vazio e abandono, e para manter uma sensação de controle. No entanto, com o tempo, essa fixação se torna exaustiva — tanto para quem sente quanto para quem está por perto — porque o equilíbrio emocional passa a depender totalmente daquele foco.

    Uma das principais estratégias para lidar com isso é aprender a reconhecer os gatilhos emocionais que antecedem a hiperfixação. Ela costuma aparecer depois de um período de solidão, rejeição, ou quando há sensação de perda de sentido. Nesses momentos, em vez de lutar contra o impulso, é mais útil observar o que ele tenta proteger: “o que eu ganho ao me fixar nisso?”, “o que estou tentando evitar sentir?”, “em que momento essa fixação começa a me afastar de mim?”. Essa autorreflexão tira o comportamento do automático e devolve autonomia emocional.

    Técnicas de mindfulness e regulação emocional ajudam muito — elas ensinam o cérebro a tolerar o desconforto sem precisar se agarrar a um único estímulo. Na Terapia Comportamental Dialética (DBT), por exemplo, trabalha-se com práticas de ancoragem no presente e habilidades de autoconsciência que reduzem a necessidade de se fundir com o objeto da fixação. A Terapia dos Esquemas também contribui ao identificar quais carências emocionais estão por trás dessa busca intensa por estabilidade.

    Vale lembrar: o objetivo não é eliminar a intensidade, mas transformá-la em presença consciente. Quando a pessoa aprende a canalizar essa energia para relações, projetos ou autoconhecimento, a mesma intensidade que antes causava sofrimento se torna uma força criativa e genuína. Se sentir que essa hiperfixação está te desgastando, a terapia pode ser um espaço muito seguro para entender suas raízes e trabalhar formas mais saudáveis de conexão. Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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