Perguntas do paciente (380)

  • Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou

    Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou que sinta desafios eu costumo sofrer, mas permaneço, porém em relações de afeto e tranquilas, em algum momento me encontro com ansiedade e pensamentos de medo excessivo de um dia estragar a relação por não amar de verdade a pessoa ou magoá-la, algo que não sinto em relações desafiadoras, estou ficando com uma pessoa uns meses após sair de uma relação que me era desafiadora e finalmente saí quando senti que deveria ter alguém que me amasse, porém ao me sentir desejada e vista por alguém, comecei a ter ansiedade e aperto no peito novamente, tenho medo de nunca conseguir quebrar esse ciclo e medo de talvez ser uma pessoa incapaz de amar de verdade, queria muito não sentir esses medos e permitir conhecer as pessoas e me relacionar com elas antes de sentir esses sentimentos e acabar com tudo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    o que chama atenção no seu relato é que o sofrimento aparece em dois cenários diferentes.

    nas relações difíceis, você sofre porque não recebe o que precisa.

    nas relações tranquilas, sofre porque começa a duvidar dos próprios sentimentos.

    isso pode acontecer quando o sistema emocional se acostuma a associar amor com tensão, imprevisibilidade, conquista ou instabilidade.

    quando surge uma relação mais segura, a ausência desse padrão pode ser interpretada como falta de paixão, falta de amor ou sinal de que algo está errado.

    isso não significa que você seja incapaz de amar.

    significa que talvez seu sistema afetivo ainda esteja aprendendo a reconhecer segurança sem confundi-la com desinteresse.

    em muitos casos, a pergunta deixa de ser "eu amo essa pessoa?"

    e passa a ser: por que a tranquilidade me assusta mais do que a instabilidade?


  • O que acontece quando há disfunção nas Funções Executivas?

    O que acontece quando há disfunção nas Funções Executivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    quando há disfunção nas funções executivas, a dificuldade geralmente não está na inteligência, mas na capacidade de organizar, iniciar, sustentar e regular ações no dia a dia.

    as funções executivas envolvem habilidades como planejamento, atenção, controle de impulsos, tomada de decisão, flexibilidade mental, memória de trabalho e gerenciamento do tempo.

    na prática, isso pode aparecer como procrastinação intensa, dificuldade de começar tarefas, sensação de travamento, esquecimentos frequentes, impulsividade, desorganização ou dificuldade de manter constância, mesmo quando a pessoa sabe o que precisa fazer.

    o que chama atenção é que muitas pessoas interpretam esse funcionamento como preguiça, falta de esforço ou “falta de vergonha na cara”, quando, na verdade, pode haver um modo de funcionamento cognitivo e emocional que precisa ser compreendido com mais cuidado.

    esse tipo de dificuldade pode aparecer em diferentes contextos, como TDAH, ansiedade, depressão, estresse crônico, alterações neurológicas ou sofrimento emocional prolongado. por isso, a avaliação neuropsicológica pode ser importante para entender melhor quais funções estão preservadas, quais estão prejudicadas e como isso impacta a vida real da pessoa.

    em muitos casos, o mais importante não é apenas nomear a dificuldade, mas construir estratégias possíveis para que a pessoa consiga funcionar com menos culpa mais sustentação.


  • Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapi

    Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapia por um ano, Há dois anos atrás. Aparentemente, parecia uma depressão. A psicóloga me passou que ele tinha um pouco de fobia social. Como ele apresentou uma certa melhora, a psicóloga disse que não havia mais necessidade de terapia. Porém, eu percebo qie ele é diferente, já cheguei a pensar que ele talvez seja autista. Mas, hoje ele (chorando) me disse que não queria nos decepcionar e me contou que ele não se sente um menino e sim menina(desde pequeno). Ele tem 17 anos.Ele não demonstra nenhum estereótipo feminino. Já chegou a se apaixonar por uma menina. Ele diz que apesar de se sentir assim,.sexualmente, ele não tem interesse em se relacionar com menino, e sim, com menina
    Comentou também sobre a mudança de identidade, de transição de gênero e que pode acontecer dd mesmo ele se tornando uma menina ele se relacionar com outra menina. Hoje em dia os jovens tem muito mais informação. Pra mim é um pouco confuso , sei qie mesmo que ele tenha informações, tenho certeza que não é fácil lidar com isso. Pois, sabemos os desafios e situações que iremos enfrentar. Jamais agendei com uma psicóloga, mas gostaríamos de mais esclarecimentos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    o que chama atenção no seu relato é que seu filho te procurou chorando e dizendo que não quer decepcionar vocês. isso, por si só, já mostra que ele está carregando algo importante com medo de perder o vínculo e o amor da família.

    identidade de gênero e orientação sexual são dimensões diferentes. uma pessoa pode se perceber como menina/mulher e, ainda assim, se interessar afetiva ou sexualmente por meninas/mulheres. isso não é, por si só, contradição.

    também é importante não esperar que exista um “estereótipo feminino” para validar o que ele sente. muitas experiências internas não aparecem exatamente da forma como a família imaginaria.

    buscar acompanhamento psicológico pode ser muito importante, não para “corrigir” ou apressar qualquer decisão, mas para oferecer um espaço seguro de escuta, elaboração e cuidado. também pode ajudar vocês, como família, a compreenderem melhor o processo sem responder apenas pelo medo.

    em muitos casos, a pergunta deixa de ser “isso é uma fase ou não?”
    e passa a ser: como posso continuar sendo uma base segura enquanto meu filho tenta entender quem é?


  • Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino

    Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino assunto de punho sexual, com muitos palavrões, não sei o que fazer .
    Recolhi o celular dele por medo de ser um pedófilo do outro lado .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    sua preocupação faz sentido. quando um adolescente está em conversas de teor sexual com alguém desconhecido na internet, é importante agir com proteção, mas sem transformar a conversa apenas em punição.

    recolher o celular pode ser uma medida inicial de segurança, principalmente se existe dúvida sobre quem está do outro lado. mas o ponto mais importante agora é abrir uma conversa cuidadosa: entender com quem ele falava, se houve envio de imagens, pedidos, ameaças, chantagem ou tentativa de encontro.

    adolescentes podem ter curiosidade sexual, e isso faz parte do desenvolvimento. o risco está quando essa curiosidade acontece em ambientes sem segurança, com desconhecidos ou possíveis adultos se passando por jovens.

    se houver qualquer sinal de exploração, ameaça, pedido de fotos íntimas ou contato com adulto, é importante guardar provas e buscar orientação junto aos órgãos competentes.

    um psicólogo pode ajudar tanto seu filho quanto a família a conversar sobre sexualidade, limites, internet e proteção sem vergonha excessiva ou silenciamento.

    o objetivo não é apenas tirar o celular, mas construir segurança e diálogo para que ele não precise esconder situações de risco.


  • Estou em fase de negação? Não sei exatamente se é isto, mas eu ainda vejo meu ex todos os dias, mesm

    Estou em fase de negação? Não sei exatamente se é isto, mas eu ainda vejo meu ex todos os dias, mesmo tendo inúmeras brigas diárias
    O pior, sou eu quem procuro e ainda ele me humilha por isso, mas eu não sei como agir e nem como sair desse ciclo que já se repetiu por várias vezes, ele também sempre volta
    Eu reconheço, que estou errado, que isso não pode continuar, mas não consigo sair disso
    É muito dolorido e vergonhoso, muitas vezes eu acho que nunca vou sair disso e que parece o novo jeito de estar neste relacionamento
    Ninguém nem imagina que vivemos isso

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    pode existir negação, mas o seu relato parece envolver algo mais amplo.

    você reconhece que a relação faz mal, percebe o sofrimento, identifica o ciclo e, ainda assim, sente enorme dificuldade de interrompê-lo.

    isso acontece com frequência em vínculos marcados por dependência emocional, alternância entre proximidade e afastamento, esperança de mudança e dificuldade de tolerar a perda.

    o que chama atenção é que você não parece estar negando a realidade. você parece estar sofrendo porque consegue enxergá-la e, ainda assim, não consegue se afastar dela.

    a psicoterapia pode ajudar a compreender o que mantém esse ciclo vivo e quais necessidades emocionais continuam sendo depositadas nessa relação.

    em muitos casos, a pergunta deixa de ser "por que eu volto?"

    e passa a ser: o que ainda estou tentando encontrar nessa relação que nunca recebi de forma consistente?


  • Como enfrentar o bullying a partir de uma perspectiva existencial?

    Como enfrentar o bullying a partir de uma perspectiva existencial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    enfrentar o bullying sob uma perspectiva existencial é reconhecer que ele não é apenas um ato de violência social, mas uma experiência que toca diretamente o sentido de ser.
    ele abala a imagem que o indivíduo tem de si, sua confiança básica no mundo e o sentimento de pertencimento. por isso, o enfrentamento precisa acontecer em camadas mais profundas do que o simples “superar”.

    a psicologia existencial não pergunta “como apagar o que aconteceu?”, mas “como continuar sendo, apesar do que aconteceu?”.
    ela parte da ideia de que o sofrimento, quando acolhido com lucidez e presença, pode revelar verdades essenciais sobre o viver, sobre a solidão, a liberdade, o medo e o valor próprio.


  • Como a logoterapia ajuda a vítima de bullying a não se sentir uma "vítima"?

    Como a logoterapia ajuda a vítima de bullying a não se sentir uma "vítima"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    a logoterapia parte da premissa de que o ser humano é livre, mesmo quando está ferido.
    essa liberdade não é externa, mas interna: é a capacidade de escolher a atitude diante daquilo que não se pode mudar.

    no caso de quem viveu o bullying, o sofrimento tende a cristalizar uma identidade de vítima. o corpo e a memória guardam a experiência como algo que “aconteceu comigo e me define”. a logoterapia ajuda a deslocar esse eixo: o que me aconteceu é um fato, mas não é o meu destino.

    frankl diria que o sofrimento só deixa de ser destrutivo quando encontra um sentido. não no sentido de justificar o que houve, o que seria cruel, mas de transformar a dor em testemunho de valor. a pessoa passa de “alvo” para agente de significado. o foco não é o agressor, mas a resposta interior que o sujeito escolhe dar à experiência.

    na prática clínica, o processo envolve:
    – trabalhar a responsabilidade existencial, que é diferente de culpa: assumir o poder de responder à própria história.
    – reconstruir o sentido pessoal, aquilo que faz a vida valer, apesar e além do trauma.
    – favorecer o distanciamento noético, uma habilidade logoterápica de observar o sofrimento sem se confundir com ele, “eu sofri o bullying, mas não sou o bullying que sofri”.
    – resgatar o projeto de vida, conectando o passado àquilo que ainda pode florescer.

    essa abordagem não nega a dor, mas também não a eterniza. ajuda o paciente a encontrar o lugar onde a ferida se torna fonte de sabedoria e não de identidade.


  • Como sair mais rápido da fase de negação do luto do divórcio?

    Como sair mais rápido da fase de negação do luto do divórcio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    existe uma parte de nós que demora para acompanhar aquilo que a realidade já mostrou.

    por isso, após um divórcio, é comum que a mente continue alimentando possibilidades, revisitando conversas ou imaginando formas de reverter a situação.

    o que chama atenção é que a negação costuma ser uma tentativa de proteção diante de uma dor muito intensa.

    tentar sair dela "mais rápido" nem sempre funciona. muitas vezes, o processo passa por reconhecer gradualmente o que aconteceu, sem exigir de si uma aceitação imediata.

    em muitos casos, a questão não é acelerar o luto,

    mas permitir que a realidade seja assimilada no ritmo que a mente e o coração conseguem suportar.


  • Olá, recentemente fiz um concurso para carreira policial que continha em média 9 testes, sendo os de

    Olá, recentemente fiz um concurso para carreira policial que continha em média 9 testes, sendo os de personalidade: palográfico, pmk e pfister. Acredito que fui bem no pmk e pfister, mas no palográfico como foi o primeiro teste, acho que tremi um pouco. Contudo, penso que mantive um bom distanciamento das linhas e organização. Gostaria de saber se esses testes são avaliados em conjunto ou se apenas o palografico seria capaz de me eliminar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Olá.

    Os testes palográfico, PMK e Pfister costumam ser utilizados em conjunto, dentro de um processo mais amplo de avaliação psicológica para concursos públicos. Nenhum deles, isoladamente, determina o resultado final.

    O objetivo não é “acertar” o teste, mas oferecer indicadores sobre aspectos como atenção, ritmo, controle emocional, organização e equilíbrio interno. O psicólogo responsável analisa a coerência entre todos os instrumentos aplicados e o perfil exigido para a função.

    No caso específico do palográfico, pequenas tremulações no início ou leves variações no traçado não costumam prejudicar o desempenho, desde que o ritmo e a organização geral tenham se mantido consistentes. O que se observa é o padrão global, e não detalhes pontuais.

    Em resumo: o resultado é sempre integrado e interpretado de forma contextual. Um único teste, por si só, não elimina o candidato, o que conta é a coerência do conjunto e a adequação às exigências da carreira.


  • É verdade que as consequências do bullying na infância duram até a vida adulta ?

    É verdade que as consequências do bullying na infância duram até a vida adulta ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Sim. As consequências do bullying na infância podem se estender até a vida adulta, especialmente quando a experiência não é reconhecida ou elaborada emocionalmente.

    Muitos adultos que sofreram bullying na infância relatam baixa autoestima, medo de rejeição, dificuldade em confiar nas pessoas, ansiedade social e tendência ao isolamento. Em alguns casos, surgem sintomas depressivos, crises de ansiedade ou padrões de autocrítica muito rígidos.

    Esses efeitos não acontecem apenas pelo que foi dito ou feito, mas pela forma como a pessoa internalizou o olhar do outro: a vergonha, o medo e a sensação de não pertencimento.

    A boa notícia é que, com psicoterapia, é possível ressignificar essas vivências, fortalecer a identidade e reconstruir a confiança, encerrando o ciclo de dor que o bullying deixou.


  • Qual é a diferença entre bullying e conflito normal entre colegas?

    Qual é a diferença entre bullying e conflito normal entre colegas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    A principal diferença entre o bullying e um conflito comum está no desequilíbrio de poder e na repetição da agressão.

    O conflito entre colegas faz parte da convivência e, geralmente, envolve posições equivalentes, em que ambos podem se expressar e resolver o problema. Já o bullying é intencional, repetitivo e direcionado, com o objetivo de humilhar, excluir ou intimidar alguém que se encontra em posição de vulnerabilidade.

    No bullying, há assimetria de força: física, emocional ou social e a vítima costuma sentir medo, vergonha e impotência, sem conseguir se defender.

    Enquanto o conflito pode ser resolvido com diálogo e mediação, o bullying exige intervenção ativa de adultos e acompanhamento psicológico, para proteger a vítima e trabalhar as causas da agressão.


  • O que fazer para ajudar uma vítima de bullying? .

    O que fazer para ajudar uma vítima de bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Quando alguém sofre bullying, o que mais machuca nem sempre é só a agressão em si, mas a sensação de estar sozinho, exposto e sem proteção.

    Ajudar, nesse contexto, não começa com solução rápida e sim com estando junto. Escutar sem minimizar, acreditar no que a pessoa está dizendo e não transformar a experiência em “fase” ou “brincadeira” já faz diferença.

    Também é importante observar o impacto emocional: queda de autoestima, isolamento, medo de frequentar certos espaços ou mudanças de comportamento. esses sinais indicam que o sofrimento precisa ser acolhido com mais cuidado.

    Sempre que possível, vale envolver adultos responsáveis ou instituições (como escola ou trabalho), porque o enfrentamento do bullying não deve ser responsabilidade apenas de quem sofre.

    O acompanhamento psicológico pode ajudar a vítima a elaborar a experiência e reconstruir segurança emocional, mas nem sempre esse acesso é imediato. nesse caso, o apoio de alguém próximo, que escuta e não deslegitima, já é um ponto de sustentação importante.

    Mais do que “resolver” a situação rapidamente, o essencial é que a pessoa não se sinta sozinha diante do que está vivendo.


  • O que é bullying e como ele se relaciona com traumas emocionais?

    O que é bullying e como ele se relaciona com traumas emocionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    O bullying é uma forma de violência repetitiva e intencional, que envolve desequilíbrio de poder — seja físico, emocional, social ou simbólico. Pode ocorrer em diferentes contextos, como escola, trabalho ou ambientes virtuais, e costuma gerar marcas emocionais profundas em quem é alvo.

    Quando a pessoa é exposta a humilhações, exclusões ou ameaças por longos períodos, o corpo e a mente entram em estado de alerta constante. Isso pode afetar a autoestima, a confiança nos vínculos e a percepção de segurança no mundo.
    Com o tempo, essas experiências podem se organizar como traumas emocionais, lembranças que permanecem vivas, reativando medo, vergonha ou culpa, mesmo depois que a situação acaba.

    Na psicoterapia, o trabalho é ajudar o paciente a processar o que viveu, restaurar o senso de valor e reconstruir uma relação mais segura com os outros e consigo mesmo.


  • Como superar o bullying e o trauma? .

    Como superar o bullying e o trauma? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Superar o bullying e o trauma não significa esquecer o que aconteceu, mas reconstruir a relação com o vivido, de modo que a dor não defina mais quem a pessoa é.

    Na psicoterapia, o processo envolve:
    – acolher e validar a experiência, sem minimizar;
    – trabalhar emoções como medo, vergonha e raiva, que costumam ficar presas no corpo e na memória;
    – reconstruir a narrativa pessoal, diferenciando o que aconteceu do que a pessoa é;
    – fortalecer recursos internos, como autoestima, assertividade e confiança nos vínculos;
    – e, quando necessário, integrar abordagens corporais ou técnicas específicas para o trauma.
    Com o tempo e o cuidado certo, é possível retomar o senso de valor, segurança e pertencimento, transformando o que foi vivido em parte da história e não em destino.


  • Como tratar o bullying na psicoterapia? .

    Como tratar o bullying na psicoterapia? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Na psicoterapia, o tratamento do bullying começa por reconhecer o impacto emocional da experiência, sem minimizar o que aconteceu. O objetivo é oferecer um espaço seguro onde a pessoa possa reconstruir sua autoestima, autonomia e confiança no outro.

    O processo terapêutico costuma envolver:
    – acolhimento e validação da dor vivida, rompendo o silêncio e a culpa;
    – trabalho com emoções como medo, vergonha e raiva, para que deixem de paralisar e possam ser integradas de forma saudável;
    – reconstrução da narrativa pessoal, separando o que aconteceu do que a pessoa é;
    – fortalecimento de recursos internos, como assertividade, autorrespeito e capacidade de estabelecer limites;
    – e, quando necessário, articulação com escola, família ou ambiente de trabalho, para que o contexto também seja cuidado.

    O foco da psicoterapia não é “tornar a vítima mais forte”, mas ajudá-la a recuperar o senso de valor e pertencimento que o bullying tentou apagar.


  • Quais são as intervenções para o bullying? .

    Quais são as intervenções para o bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    As intervenções para o bullying precisam ocorrer em vários níveis, não apenas no comportamento individual.

    Prevenção e segurança: interromper as situações de exposição e garantir que o ambiente (escola, trabalho ou redes sociais) tenha protocolos claros de proteção, denúncia e acompanhamento.

    Psicoterapia individual: o acompanhamento psicológico é essencial para lidar com as consequências emocionais, como ansiedade, tristeza, vergonha e isolamento. O foco é ajudar a pessoa a compreender o que viveu, fortalecer sua autoestima e reconstruir o sentimento de pertencimento e confiança.

    Trabalho com o ambiente: envolver familiares, equipe escolar ou colegas de trabalho, promovendo diálogo, educação emocional e responsabilização de quem agride.

    Intervenções coletivas: programas de prevenção, rodas de conversa e ações educativas que favoreçam empatia, respeito e cooperação.

    Quando há sintomas intensos, o suporte psiquiátrico pode complementar o tratamento.

    O mais importante é que a vítima não enfrente o bullying sozinha, o cuidado precisa ser compartilhado e contínuo.


  • Qual é o tratamento para bullying? .

    Qual é o tratamento para bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    O tratamento para o bullying precisa considerar tanto a proteção da pessoa quanto os efeitos emocionais deixados pela experiência.
    Geralmente, o processo envolve três frentes principais:

    Cuidar da segurança e do ambiente — é fundamental interromper as situações de exposição e garantir que o espaço (escola, trabalho, redes sociais) adote medidas concretas de prevenção e responsabilização.

    Acompanhamento psicológico individual — a psicoterapia é o eixo central. Trabalha as consequências do bullying, como ansiedade, vergonha, isolamento e perda de autoestima. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, terapias baseadas em compaixão e intervenções existenciais ajudam a reconstruir o senso de valor, autonomia e pertencimento.

    Rede de apoio — quando possível, incluir família, escola ou colegas de trabalho na conversa, para que o ambiente se torne parte da solução e não da continuidade do problema.

    Em alguns casos, se houver sintomas de depressão, ansiedade intensa ou insônia, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser indicado como suporte adicional.

    O mais importante é que a pessoa não se isole nem normalize a violência.
    Com o cuidado certo, é possível reconstruir o sentido de si, restaurar a confiança e seguir com mais segurança.


  • O que é bullying virtual ou cyberbullying? .

    O que é bullying virtual ou cyberbullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    O bullying virtual, também chamado de cyberbullying, é uma forma de violência psicológica que acontece em ambientes digitais: como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos on-line ou e-mails.

    Envolve atitudes repetidas de humilhação, exposição, ameaças, comentários ofensivos, disseminação de boatos ou publicações constrangedoras, que visam ferir, intimidar ou isolar a vítima.

    Por ocorrer na internet, o impacto tende a ser ainda maior: a exposição é pública, o conteúdo se espalha rapidamente e a pessoa tem dificuldade de se proteger ou apagar o que foi divulgado.
    Essas experiências podem causar ansiedade, depressão, vergonha, isolamento e sintomas de trauma.

    A orientação é não responder às agressões, guardar provas (prints) e denunciar nas plataformas, além de buscar apoio psicológico para lidar com as consequências emocionais e restaurar a segurança.


  • Como ajudar um amigo/a ou colega que é vítima de bullying?

    Como ajudar um amigo/a ou colega que é vítima de bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    Ajudar alguém que sofre bullying começa com escutar sem julgar. Evite frases como “não ligue para isso”, elas minimizam a dor. O mais importante é que a pessoa se sinta acreditada e apoiada.

    Incentive-a a falar com um adulto de confiança, com a escola ou com o setor responsável no trabalho, e, se possível, acompanhe nesse processo. Quando houver risco à integridade emocional ou física, é fundamental procurar ajuda profissional: psicoterapia e, em casos mais graves, apoio psiquiátrico.

    Jamais confronte os agressores por conta própria: isso pode aumentar o risco. O melhor caminho é fortalecer a vítima, mostrar que ela não está sozinha e ajudá-la a acessar os recursos certos de proteção e cuidado.

    O apoio afetivo e constante de um amigo pode fazer uma diferença real na recuperação e no sentimento de pertencimento.


  • Quais são os impactos psicológicos do bullying? .

    Quais são os impactos psicológicos do bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Helena Fernandes

    O bullying pode causar impactos psicológicos profundos e duradouros. Entre os mais comuns estão ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social e dificuldade de confiar nos outros.
    Em alguns casos, surgem também distúrbios do sono, sintomas físicos relacionados ao estresse e até transtorno de estresse pós-traumático, quando o corpo e a mente permanecem em alerta mesmo depois do fim das agressões.

    Além dos sintomas, há uma marca mais sutil: a perda do sentimento de pertencimento e valor pessoal. A pessoa passa a duvidar de si, internalizando a violência sofrida.

    A psicoterapia é fundamental para reconstruir a autoestima, processar as memórias dolorosas e restaurar a confiança. Com apoio adequado, é possível se recuperar e voltar a viver com mais segurança emocional.


Perguntas frequentes

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