Perguntas do paciente (77)

  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Olá. Obrigada por compartilhar a sua dúvida. Primeiramente, sinto muito por estar passando por essa situação. A depressão costuma intensificar ainda mais uma característica muito humana que é a de se apegar muito mais a situações ruins do que a situações boas.

    Quando você diz que pesquisa por sintomas e doenças... Sim, a pesquisa pode se tornar frequente, e ela pode acabar alimentando uma ansiedade em vez de te trazer tranquilidade e confiança em se recuperar.

    É comum que essa busca aumente a atenção aos próprios sintomas, principalmente aos sintomas mais fortes e ruins; e isso acaba fortalecendo o medo de vivenciá-los novamente.

    Além disso, evitar sair de casa pode aliviar a ansiedade no curto prazo, mas tende a manter esse ciclo ao longo do tempo porque vai reforçar mais um hábito de evitar o que te coloca em situação de conflito e de desconforto e vai te trazer a impressão de que isso um dia vai passar sozinho.

    Sobre o escitalopram, ele costuma levar algumas semanas para apresentar resultados, por isso é importante manter o acompanhamento com o médico.

    A psicoterapia pode sim ajudar muito nesse processo. Principalmente quando você encontra um(a) psicólogo(a) com o(a) qual se identifique e se sinta à vontade para se abrir e buscar soluções confiáveis.

    A terapia auxilia muito na compreensão dos fatores que mantêm o medo e ajuda a desenvolver estratégias para retomar a sua vida cotidiana gradualmente, com mais segurança e autonomia, em vez de ficar preso ao ciclo de ansiedade e evitação.

    Se quiser fazer uma sessão experimental, eu estou à sua disposição.
    Espero que consiga sair logo desse ciclo.


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    O que você descreve é uma queixa cada vez mais comum na sociedade atual e não significa, necessariamente, falta de disciplina ou de interesse pelos estudos. Vivemos em um contexto em que somos constantemente expostos a estímulos rápidos, notificações e um fluxo quase infinito de informações. Com o tempo, nossa atenção pode se adaptar a esse ritmo, tornando mais difícil sustentar o foco em atividades que exigem concentração prolongada, como ler um livro ou estudar.

    As redes sociais, por exemplo, oferecem recompensas imediatas e constantes. Isso faz com que tarefas importantes, mas que geram resultados apenas a longo prazo, pareçam mais cansativas ou menos atrativas. É uma dificuldade que muitas pessoas passaram a perceber com mais intensidade após a pandemia, quando o tempo de exposição às telas aumentou significativamente.

    A boa notícia é que a capacidade de concentração pode ser treinada novamente. Em vez de esperar que a motivação apareça, costuma ser mais útil reconstruir o hábito aos poucos, criando momentos de foco intencional e reduzindo, gradativamente, as fontes de distração.

    A psicoterapia pode ajudar no desenvolvimento de estratégias práticas para recuperar o foco e construir uma relação mais saudável com a tecnologia, favorecendo uma rotina mais alinhada aos seus objetivos e valores.

    Caso queira fazer uma sessão experimental, fico à disposição.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Antes de qualquer coisa, quero dizer que imagino o quanto isso deve ser cansativo. A sensação de querer produzir, mas acabar sendo puxado o tempo todo para novos livros, cursos ou conteúdos para alcançar mais, porém sempre ter a sensação de que não chega a lugar nenhum e sempre tem muito mais caminho ainda para caminhar a frente. Isso pode gerar muita frustração e a impressão de que você nunca é bom o suficiente.

    Sim, a psicoterapia pode ajudar muito nesse processo. Inclusive, já tive muitos pacientes que passavam exatamente por essa situação. Mas, antes de pensar na abordagem mais indicada, é importante entender o que está sustentando esse padrão. Impulsividade, perfeccionismo, ansiedade e até algumas condições clínicas podem estar envolvidos, e cada situação merece uma avaliação cuidadosa.

    A partir dessa compreensão, a terapia pode ajudar você a desenvolver estratégias para lidar melhor com esses processos, aumentar o foco e conseguir investir sua energia naquilo que realmente é importante para os seus objetivos.

    Eu fico à disposição para o caso de você ter interesse em agendar uma sessão experimental.
    Espero que passe por isso logo e em breve se sinta melhor.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Antes de tudo, quero dizer que sinto muito pela experiência que você teve ao procurar ajuda. A pergunta feita por aquele profissional foi inadequada e desacolhedora. Em um momento de tanta vulnerabilidade, você precisava ser ouvida com respeito, e não julgada. Entendo que isso possa ter dificultado confiar novamente em um processo terapêutico.

    Pelo que você descreve, o que mais chama a atenção não é o fato de ter se deparado com esse tipo de conteúdo, mas a intensidade da culpa, da vergonha e da angústia que surgem depois. É compreensível que isso seja muito assustador, especialmente para alguém que já convive com depressão e ansiedade.

    Também é importante lembrar que entrar em contato, por curiosidade ou de forma acidental, com um conteúdo perturbador não diz, por si só, quem você é ou quais são seus valores. Muitas pessoas acabam encontrando materiais que lhes causam repulsa na internet, e a reação de interromper a visualização por sentir desconforto é diferente de desejar ou buscar esse tipo de conteúdo.

    A psicoterapia pode ajudá-la justamente a compreender esse sofrimento de forma mais ampla: como a culpa, a ansiedade, os pensamentos repetitivos e a autocrítica intensa podem estar alimentando esse ciclo. Em vez de reforçar julgamentos, um bom processo terapêutico busca entender a função desses comportamentos e ajudar você a desenvolver uma relação mais saudável com suas emoções e pensamentos.

    Você já deu um passo importante ao buscar acompanhamento psiquiátrico e reconhecer que precisa de ajuda. Não permita que uma experiência ruim faça você acreditar que todos os profissionais irão tratá-la da mesma forma. Você merece um espaço seguro, acolhedor e baseado em evidências, onde possa falar sobre esse sofrimento sem medo de ser julgada.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Antes de tudo, sinto muito pela sua perda. O luto por um animal de estimação pode ser tão intenso quanto o luto por qualquer outro vínculo importante, porque eles fazem parte da nossa história, da nossa rotina e da nossa vida afetiva.

    É muito comum que, após uma perda, a mente fique voltando para perguntas como "e se eu tivesse feito mais?" ou "eu poderia ter evitado?". Muitas vezes, essa é uma tentativa de encontrar uma explicação para algo extremamente doloroso. Mas nem sempre essas respostas existem.

    O fato de hoje você conseguir imaginar outras possibilidades não significa que, com as informações e os recursos que tinha naquele momento, você realmente pudesse ter mudado o desfecho.

    Também é compreensível que ver outros cachorros desperte tristeza. Isso não significa que você esteja "presa" ao luto, mas que seu vínculo ainda é muito significativo.

    Com o tempo e, quando necessário, com o apoio da psicoterapia, é possível aprender a carregar essa saudade de uma forma menos dolorosa. O amor por quem partiu não precisa desaparecer para que a vida volte a ter espaço para novos momentos.

    Espero ter te ajudado de alguma forma.
    Fico aqui, caso queira um espaço seguro para você vivenciar este luto.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    A sensação de que "tudo depende de você", geralmente costuma vir acompanhada de uma carga de responsabilidade, ansiedade e autocobrança que, possivelmente tenha sido criada ao longo da sua trajetória de vida.

    Acontece com muitos pacientes no meu consultório e isso gera uma percepção de que é necessário controlar tudo para que as coisas deem certo.

    O problema é que essa tentativa de controlar o incontrolável geralmente aumenta o sofrimento, e não a segurança.

    Uma pergunta que pode ajudar é: o que realmente está sob o meu controle neste momento? Nossas escolhas, atitudes e a forma como respondemos às situações costumam estar mais ao nosso alcance do que o comportamento das outras pessoas ou o rumo que a vida toma.

    Desenvolver essa diferenciação é um processo que pode ser trabalhado na psicoterapia. Ela ajuda a reduzir a sobrecarga, flexibilizar padrões de pensamento e construir uma relação mais saudável com as incertezas da vida.

    Se esse sentimento tem sido frequente e está impactando seu bem-estar, procurar ajuda profissional pode ser um passo importante.

    Eu fico à disposição se quiser se aprofundar um pouco mais nisso.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sim. O término de um relacionamento pode ser vivido como um processo de luto, porque não perdemos apenas uma pessoa, mas também planos, expectativas, rotinas e uma versão da vida que imaginávamos construir.

    Por isso, é natural sentir tristeza, saudade, raiva ou culpa. Cada pessoa vivencia esse processo de uma maneira e em um tempo diferente.

    Embora seja comum querer "superar" a dor o mais rápido possível, tentar fugir ou lutar contra os sentimentos costuma prolongar o sofrimento. Dar espaço para sentir, ao mesmo tempo em que se mantém conectado aos próprios valores e aos cuidados consigo mesmo, tende a favorecer uma adaptação mais saudável.

    Se a dor permanecer muito intensa por um período prolongado ou começar a comprometer significativamente sua rotina, seus relacionamentos ou sua qualidade de vida, a psicoterapia pode ajudar a elaborar essa perda e reconstruir a vida com mais flexibilidade e sentido.

    Caso queira um espaço seguro para abordar sobre isso, estou à disposição.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    O que você descreve merece ser levado a sério sim. A intensidade do seu sofrimento, esse medo persistente das interações sociais e o impacto que isso tem causado na sua vida profissional e emocional vão muito além de uma simples timidez. Embora um diagnóstico só possa ser feito após uma avaliação clínica, os seus relatos são compatíveis com dificuldades que podem estar relacionadas ao transtorno de ansiedade social, entre outras condições que precisam ser investigadas.

    É importante entender que, quando a ansiedade se torna muito intensa, o cérebro passa a interpretar situações sociais como se fossem perigos reais e reage a isso usando muito da sua energia vital. O coração acelera, a voz falha, o corpo treme e a mente fica tomada por pensamentos de julgamento e fracasso. Quanto mais você tenta evitar essas situações para não sofrer, mais o cérebro aprende que elas realmente são perigosas e mais ele reage a elas, fazendo com que o medo cresça ao longo do tempo. Isso cria um ciclo que pode parecer impossível de romper, mas que pode ser tratado.

    Também me chama a atenção quando você diz ter medo de procurar ajuda porque acredita que talvez não levem seu sofrimento a sério. Esse receio é compreensível, principalmente para alguém que já vive com medo de ser julgada. No entanto, nós profissionais da saúde mental já estamos acostumados a receber pessoas exatamente nesse tipo de situação. Você não precisa chegar ao consultório sabendo explicar tudo perfeitamente nem aparentando tranquilidade. Basta levar a sua experiência, da forma como conseguiu descrevê-la aqui. Aliás, a maneira como você escreveu sua pergunta já demonstra com muita clareza o quanto isso tem afetado sua vida.

    O profissional mais indicado para iniciar essa avaliação é um psicólogo. Dependendo da gravidade dos sintomas, um psiquiatra também pode ser importante para avaliar se há indicação de tratamento medicamentoso, especialmente quando a ansiedade é tão intensa que impede a pessoa de participar da própria terapia ou compromete significativamente sua rotina. Muitas vezes, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico podem ser complementares.

    Existem excelentes tratamentos com boa evidência científica para esse tipo de dificuldade. O objetivo não é transformar você em uma pessoa extrovertida ou fazer desaparecer completamente a ansiedade, mas te ajudar a construir uma relação diferente com esse medo, para que ele deixe de comandar suas escolhas e limitar a sua vida da forma como está limitando.

    Você não precisa aprender a gostar de falar com todo mundo (até porque, nem todos merecem a nossa atenção mesmo - risos). Mas merece recuperar a liberdade de escolher quando e como se relacionar, sem que isso provoque um sofrimento tão intenso como o que tem sentido. E, pelo que você escreveu, acredito que esse seja um momento importante para buscar essa ajuda. Você não está perdendo sua dignidade por pedir apoio; pelo contrário, está dando um passo importante para cuidar de si e recuperar uma vida que hoje parece estar sendo restringida pelo medo.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Bem, eu já te diria que, o fato de você perceber esse padrão e se questionar sobre ele já é um passo importante. Muitas vezes, quando estamos muito convencidos de que estamos certos, nosso foco deixa de ser compreender a situação e passa a ser defender nossa posição. Sem perceber, podemos gastar mais energia tentando provar um ponto do que buscando uma solução ou preservando um relacionamento.

    Vamos refletir um pouco aqui: ter opiniões firmes não é um problema. O desafio aparece quando nossa identidade fica tão ligada às nossas ideias que qualquer discordância passa a ser sentida como uma ameaça pessoal e provoca uma rigidez cognitiva e emocional. Nesses momentos, é comum ouvir apenas aquilo que confirma o que já pensamos e descartar perspectivas diferentes antes mesmo de considerá-las.

    Uma pergunta que pode te ajudar é: "Meu objetivo nesta conversa é descobrir o que é mais verdadeiro ou apenas mostrar que estou certo?"

    Essa mudança de postura costuma abrir espaço para mais diálogo e aprendizado. Estar disposto a rever uma opinião quando surgem novas informações não é sinal de fraqueza, mas de flexibilidade e maturidade.

    Se esse comportamento tem trazido prejuízos no seu trabalho, nos seus relacionamentos ou em outras áreas da vida, pode ser muito útil buscar acompanhamento psicológico. A terapia ajuda a compreender o que sustenta essa necessidade de estar certo, além de desenvolver habilidades como escuta, regulação emocional e maior abertura para diferentes perspectivas. O objetivo não é fazer com que você concorde com tudo, mas que consiga defender suas ideias sem ficar preso a elas, preservando aquilo que também é importante para você: seus vínculos, seu crescimento e sua qualidade de vida.

    Se quiser se aprofundar mais sobre isso, pode me chamar aqui. Fico à disposição.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    É muito compreensível que essa ideia te traga desânimo. Mas, se me permite, eu te convidaria a observar que grande parte do seu sofrimento parece não estar na sua realidade atual, e sim na história que sua mente conta sobre ela.

    Você não sabe quando as conquistas virão, apenas está tratando uma hipótese como se fosse um fato. Enquanto sua atenção ficar presa ao momento em que o seu cérebro acredita que é quando a vida "vai começar", você acaba correndo o risco de deixar de viver a vida que já está acontecendo.

    O caminho costuma ficar mais leve quando deixamos de medir nosso valor pela velocidade das conquistas e passamos a avaliar se estamos vivendo de forma coerente com aquilo que realmente importa para nós. Afinal, uma vida com sentido não começa quando alcançamos um objetivo; ela começa toda vez que escolhemos dar o próximo passo na direção dos nossos valores, independentemente do tempo que os resultados levem para aparecer.

    Faz sentido para você?


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sim, claro! Em alguns casos é possível reconstruir o respeito, mas isso depende de muito mais do que o tempo de relacionamento ou da vontade de apenas uma das pessoas.

    O respeito costuma ser desgastado por padrões repetitivos de críticas, desqualificações, agressões verbais, mentiras ou outras formas de violência. Reconstruí-lo exige que ambos reconheçam esses padrões, assumam responsabilidade pelas próprias atitudes e estejam genuinamente comprometidos com mudanças consistentes ao longo do tempo.

    Também é importante considerar que respeito não significa permanecer em uma relação a qualquer custo. Em algumas situações, especialmente quando há violência, manipulação ou repetidas violações de limites, a decisão mais saudável pode ser encerrar o relacionamento.

    A psicoterapia, individual ou de casal, pode ajudar a compreender a dinâmica da relação, desenvolver formas mais saudáveis de comunicação e avaliar, com clareza, se ainda existem condições para reconstruir o vínculo ou se o caminho mais saudável é seguir em frente.

    Se quiser aprofundar mais sobre isso em um lugar seguro, fico à disposição.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    O que você está sentindo merece atenção, principalmente porque esse não parece ser um episódio isolado. Às vezes, a tristeza não surge "do nada", mas sim como resultado de experiências que vão se acumulando e que nem sempre percebemos logo de cara.

    Pelo que você relata, existe um padrão: quando sente que não é compreendida, precisa medir as palavras ou percebe que seus sentimentos não são acolhidos, a tristeza se intensifica. Isso pode indicar que algumas necessidades emocionais importantes, como sentir-se ouvida, respeitada e validada, não estão sendo atendidas na relação. Não significa, necessariamente, que o relacionamento seja o único responsável pelo seu sofrimento, mas vale a pena investigar essa conexão. Em vez de se perguntar se isso é "normal", talvez seja mais útil perguntar: "o que essa tristeza está tentando me mostrar sobre mim, sobre meus limites e sobre a forma como tenho vivido meus relacionamentos?"

    Um processo de psicoterapia pode ajudá-la a compreender melhor essas emoções, identificar seus gatilhos e desenvolver maneiras mais saudáveis de cuidar de si e de se posicionar nas relações.

    Conte comigo.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Bem, o que você descreve aqui é uma situação de grande desgaste emocional e merece atenção, principalmente porque os conflitos têm acontecido na frente dos filhos. Obrigada por compartilhar sua vulnerabilidade e buscar auxílio.

    Vamos lá! As crianças não precisam entender o conteúdo das discussões para serem afetadas por elas. Um ambiente marcado por ofensas, tensão constante e insegurança pode, desde o início, repercutir no desenvolvimento emocional de toda a família.

    Infelizmente, não existe um momento exato em que a Psicologia determina que um relacionamento "não tem mais solução" ou "ainda tem solução". O que costuma fazer diferença não é a quantidade de conflitos, mas a disposição de ambos para reconhecer a própria participação neles e investir em mudanças significativas que tragam de volta o equilíbrio e a paz para a relação.

    Todo casal enfrenta divergências; isso é, até certo ponto, natural. O problema surge quando as conversas deixam de buscar compreensão e passam a girar em torno de acusações, ataques, ofensas e tentativas de convencer o outro de que ele é o único responsável pelo problema.

    Você demonstra aqui que consegue reconhecer que também reage de forma inadequada em alguns momentos. Essa capacidade de olhar para a própria participação é um ponto de partida valioso, porque a única pessoa sobre a qual temos verdadeiro poder de mudança somos nós mesmos. Isso não significa assumir toda a responsabilidade pelo relacionamento, mas reconhecer aquilo que está ao seu alcance transformar.

    Em alguns casos, um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável, mas essa decisão precisa ser tomada com bastante cuidado e reflexão. O objetivo não deve ser punir o outro ou fugir dos conflitos, e sim criar um espaço para reduzir a tensão e a intensidade das emoções, proteger a saúde mental e avaliar, com mais clareza, se ainda existe disposição mútua para reconstruir a relação. Quando esse afastamento acontece de forma impulsiva, pode apenas prolongar o sofrimento. Quando é bem pensado e, se possível, acompanhado por profissionais, pode favorecer decisões mais conscientes.

    Independentemente da decisão sobre a continuidade do casamento, considero importante que você busque apoio psicológico para si neste momento.

    A terapia pode te ajudar a fortalecer sua autoestima, se conectar com aquilo que é mais valioso para você, compreender os padrões que mantêm esses conflitos e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com eles. Se houver abertura da sua esposa, a terapia de casal também pode ser uma possibilidade, especialmente quando ambos desejam tentar reconstruir a relação.

    Por fim, tente não transformar a pergunta em "devo ficar ou devo ir embora?". Talvez a questão mais útil seja: "Existe, de ambos os lados, disposição real para construir uma forma diferente de se relacionar?". A resposta para essa pergunta costuma oferecer um caminho mais claro do que tentar prever, sozinho, o futuro do relacionamento.


  • Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensaçã

    Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensação de que a qualquer momento pode acontecer algo consigo de um real problema que pode colocar em perigo? Tem uma maneira de diferenciar a ansiedade de algo fisiológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Essa é uma dúvida muito comum e bem importante até para outras pessoas acompanharem a resposta.

    A ansiedade produz sensações muitas sensações físicas reais, tais como, coração acelerado, tensão muscular, sensação de aperto no peito, dificuldade para respirar, inquietação e uma constante impressão de que algo ruim está prestes a acontecer. O problema é que essas sensações podem ser muito parecidas com as de algumas condições médicas, o que faz muitas pessoas se perguntarem se estão diante de um perigo real ou apenas da ansiedade.

    Uma forma de diferenciar é observar o contexto e o padrão com que esses sintomas aparecem. Quando existe um risco objetivo - por exemplo, um incêndio, um acidente ou outra situação de ameaça concreta - o medo costuma ser proporcional ao acontecimento e tende a diminuir quando o perigo passa. Já na ansiedade, a sensação de ameaça frequentemente permanece mesmo quando não há evidências claras de que algo ruim esteja acontecendo. A mente passa a trabalhar com possibilidades ("e se acontecer alguma coisa?"), enquanto o corpo reage como se essas possibilidades fossem fatos, mesmo sem nenhuma evidência.

    Mas, é claro que não significa que toda sensação física seja ansiedade. Por isso, principalmente quando os sintomas são novos, intensos ou persistentes, é importante realizar uma avaliação médica, com exames e uma investigação mais apurada para descartar possíveis causas clínicas. Depois que essas condições são investigadas, torna-se mais fácil compreender se os sintomas estão relacionados à ansiedade.

    Outra estratégia útil é fazer algumas perguntas a si mesmo: "Que evidências concretas tenho de que estou em perigo agora?" e "Estou reagindo ao que está realmente acontecendo ou ao que minha cabeça está imaginando que pode acontecer?".

    Nem sempre essas perguntas fazem a ansiedade desaparecer, mas ajudam a reduzir a tendência de tratar todos os pensamentos como se fossem fatos.

    Se essa preocupação é frequente, causa sofrimento ou faz com que você evite atividades cotidianas, pessoas ou lugares por medo de que algo aconteça, vale a pena procurar um psicólogo.

    A terapia pode te ajudar muito a desenvolver uma relação diferente com esses pensamentos e sensações, para que eles deixem de controlar suas escolhas. O objetivo não é eliminar completamente a ansiedade; até porque ela faz parte da experiência humana; no caso, o principal ponto é te ajudar a aprender a reconhecer quando ela está tentando te proteger de um perigo real e quando ela está apenas ampliando ameaças que existem só na sua imaginação.

    Se quiser aprofundar mais sobre isso em uma sessão, eu estou à disposição.
    Espero ter te ajudado de alguma forma.


  • Ter dificuldade para controlar as emoções, lidar com pressão no cotidiano e acabar catastrofizando o

    Ter dificuldade para controlar as emoções, lidar com pressão no cotidiano e acabar catastrofizando os problemas é normal? Isso é considerado uma questão comportamental ou não ? Existe algum medicamento que ajude ou o tratamento é apenas terapia? Há possibilidade de melhora ou até de "cura"? Em quanto tempo isso costuma acontecer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sentir dificuldade para lidar com emoções, com a pressão do dia a dia ou imaginar os piores cenários diante dos problemas é algo que pode acontecer com qualquer pessoa em determinados momentos da vida. Isso vem da forma como o nosso cérebro foi se desenvolvendo ao longo dos séculos. No entanto, quando esse padrão se torna frequente, intenso e começa a prejudicar os relacionamentos, o trabalho ou a qualidade de vida, é importante olhar para ele com um pouco mais de atenção.

    Em muitos casos, essa dificuldade está relacionada à forma como aprendemos, ao longo da vida, a interpretar e responder às nossas emoções diante de acontecimentos, talvez perigosos ou significativos. Isso significa que não se trata apenas de uma questão de personalidade ou de "ser assim". Nossos pensamentos, emoções e comportamentos influenciam uns aos outros, e esses padrões podem ser modificados com o tempo e com as estratégias certas.

    Em relação ao tratamento, não existe uma única resposta. A psicoterapia costuma ser a principal forma de intervenção, pois ajuda a desenvolver habilidades para reconhecer as emoções, flexibilizar os pensamentos muito rígidos, reduzir a tendência à catastrofização e responder aos desafios de uma maneira mais saudável. Em algumas situações, principalmente quando há um transtorno de ansiedade, depressão ou outra condição associada, um psiquiatra pode avaliar a necessidade do uso de medicamentos também, para ajudar no tratamento. Eles não ensinam novas formas de lidar com os problemas, mas podem reduzir a intensidade dos sintomas, facilitando o processo terapêutico.

    Quanto à possibilidade de melhora, ela existe e costuma ser muitíssimo significativa quando a pessoa se envolve no tratamento. Mais do que falar em "cura", muitas vezes o objetivo é que você desenvolva recursos para que as emoções deixem de controlar a sua vida e atrapalhar nos momentos importantes. Você vai continuar sentindo medo, tristeza, frustração ou ansiedade em diferentes momentos, mas é possível aprender a responder a essas experiências de uma forma mais flexível e coerente com aquilo que é importante para você.

    Sobre o tempo, isso varia muito de uma pessoa para outra. Depende da intensidade dos sintomas, do tempo em que eles estão presentes, da história de vida, da frequência da terapia e do comprometimento com o tratamento. Algumas pessoas percebem mudanças nas primeiras semanas, enquanto outras precisam de um acompanhamento um pouco mais prolongado. Mas, o mais importante é lembrar que saúde emocional não costuma ser resultado de uma solução rápida, mas sim de um processo de aprendizado construído com mudança que, quando bem conduzidas, trazem muitos benefícios duradouros.

    Eu fico à disposição caso queira se aprofundar mais nesse assunto.
    Espero ter te auxiliado de alguma forma.


  • Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na

    Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na minha cabeça, com personagens, acontecimentos e “episódios”, às vezes recriando minha própria vida de formas diferentes ou criando qualquer cenário que eu queira.

    Durante esses momentos costumo andar em círculos, girar objetos (quando era criança era sacola/corda, hoje é mais lápis) e fazer sons com a boca. Isso acontece quando estou entediado ou quando vejo algo que me inspira. Eu acho divertido e consigo parar quando quero, mas comecei a fazer escondido por vergonha, porque eu nunca vi ninguém fazer isso, de andar de um lado para o outro fazendo sons e girando lápis enquanto imagina…

    Além disso, desde criança tenho dificuldades como procrastinação, esquecer coisas, deixar tarefas para última hora, dificuldade em terminar atividades e começar tarefas chatas. Também tenho histórico de ansiedade/depressão e muita timidez, com medo de julgamento e dificuldade social.

    Quero entender se isso pode ter relação com alguma condição como TDAH ou outra questão, ou se é apenas meu jeito de funcionar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    O que você descreve é bastante interessante e não significa, por si só, que exista algum transtorno. Ter uma imaginação muito ativa, criar histórias elaboradas e passar um tempo envolvido nesse mundo interno pode fazer parte do funcionamento de algumas pessoas e até o cérebro, no geral. Mas, é claro que, quando isso vem acompanhado de outros padrões, como dificuldades persistentes de atenção, procrastinação, desorganização, esquecimento e impacto na vida diária, vale a pena investigar de forma mais aprofundada.

    Os comportamentos que você relata, como andar de um lado para o outro, girar objetos e emitir sons enquanto imagina, podem ter diferentes explicações. Para algumas pessoas, esses movimentos ajudam a manter o foco na imaginação, a organizar o pensamento ou até a regular emoções. Isoladamente, eles não permitem concluir que exista um transtorno específico. O mais importante é compreender qual função esses comportamentos exercem para você e o quanto interferem na sua rotina.

    Em relação ao TDAH, alguns dos sintomas que você mencionou realmente podem estar presentes nessa condição, como a procrastinação, a dificuldade para iniciar ou concluir tarefas, os esquecimentos e a tendência a evitar as atividades que não te interessam. Porém, esses mesmos sintomas também podem aparecer em pessoas que convivem com ansiedade, depressão, privação de sono, estresse crônico e outras condições. Por isso, não é possível afirmar um diagnóstico apenas com base nesses relatos.

    Outro ponto que merece atenção é que você diz conseguir interromper essas fantasias quando deseja e que elas são, em grande parte, prazerosas. Isso é um dado importante para a avaliação. Em algumas situações, o envolvimento com o mundo imaginário pode ser tão intenso que a pessoa perde muitas horas do dia ou deixa de viver experiências importantes da vida real. Em outras, trata-se apenas de uma característica da personalidade, sem causar prejuízos significativos. A diferença está menos na existência da imaginação e mais no impacto que ela produz na vida da pessoa.

    Considerando o conjunto dos seus relatos, acredito que seria interessante fazer uma avaliação clínica. Se houver suspeita de TDAH ou de outro transtorno do neurodesenvolvimento, o profissional poderá aprofundar essa investigação e, se necessário, encaminhá-lo também para uma avaliação psiquiátrica. O objetivo não é encontrar um rótulo, mas compreender como sua mente funciona e identificar quais dificuldades realmente precisam de intervenção.

    Independentemente do diagnóstico, vale lembrar que não há nada de errado em ter uma imaginação rica. O que merece atenção são os prejuízos que determinados padrões podem trazer. Se essas características estão dificultando seus estudos, trabalho, relacionamentos ou bem-estar, buscar uma avaliação é um passo importante para entender melhor seu funcionamento e encontrar estratégias que permitam viver de forma mais leve e funcional.

    Fico à disposição para aprofundarmos mais sobre isso.


  • Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es

    Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    O que você descreve é compatível com um fenômeno frequentemente observado na ansiedade: quando a atenção fica excessivamente voltada para o corpo e para os próprios sintomas, qualquer sensação física tende a ser percebida como um sinal de ameaça. Isso pode aumentar a tensão, fazer o esforço parecer maior e dar a impressão de que sua energia está acabando.

    Já quando sua atenção estava naturalmente voltada para a conversa durante a volta, seu foco deixou de estar nos sintomas, e o percurso foi vivenciado de forma muito mais leve. Isso não confirma, por si só, um diagnóstico de ansiedade, mas sugere que a forma como sua atenção está sendo direcionada pode estar influenciando significativamente sua experiência física.

    Como você ainda não realizou uma avaliação médica, é importante investigar também possíveis causas clínicas para o cansaço, principalmente se ele ocorre com frequência ou com grande intensidade. Se os exames não apontarem alterações, um acompanhamento psicológico pode ajudá-lo a compreender melhor essa relação entre ansiedade, atenção e sensações corporais, além de desenvolver estratégias para retomar suas caminhadas com mais segurança e qualidade de vida.


  • Quais distorções cognitivas mantêm os ciclos de instabilidade interpessoal e emocional?

    Quais distorções cognitivas mantêm os ciclos de instabilidade interpessoal e emocional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    As distorções cognitivas são formas automáticas e muitas vezes imprecisas de interpretar a realidade, que podem contribuir para a manutenção da instabilidade emocional e dos conflitos nos relacionamentos.

    Entre as mais comuns estão a tendência de acreditar que sabe o que os outros estão pensando sem evidências concretas, interpretar situações de maneira extrema (como tudo ou nada), enxergar problemas como maiores do que realmente são, assumir responsabilidades excessivas pelos comportamentos alheios e considerar que algo é verdadeiro apenas porque se sente dessa forma.

    Esses padrões podem levar a reações emocionais intensas e comportamentos que acabam reforçando os próprios conflitos e sofrimentos que a pessoa tenta evitar.

    Com o auxílio da psicoterapia, é possível identificar essas distorções, questioná-las e desenvolver formas mais equilibradas e flexíveis de interpretar as situações e os relacionamentos.


  • Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado

    Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Pelo que você descreve, o problema não parece ser apenas a quantidade de perguntas, mas o efeito que essa dinâmica está tendo em você.

    Em apenas um mês de relacionamento, você relata sentir tensão constante, medo de dizer ou fazer algo "errado" e a sensação de que nenhuma explicação é suficiente para ele. Esse é um sinal importante de ser observado. Independentemente de quais sejam as intenções dele, um relacionamento saudável deve favorecer segurança, leveza e diálogo, e não fazer com que você se sinta constantemente em estado de alerta.

    Eu sugeriria que, antes de tentar convencê-lo de que seu passado não precisa ser investigado, pergunte a si mesma quais limites são importantes para você e se essa relação está sendo coerente com esses limites (os quais, talvez sejam inegociáveis).

    Buscar ajuda psicológica pode ser muito útil, não porque haja algo de errado com você, mas para ajudá-la a compreender essa dinâmica interna, essa tomada de consciência, e fortalecimento dos seus limites para a tomada de decisões alinhadas com aquilo que você deseja viver em um relacionamento.

    Faz sentido para você?


  • Por que me sinto desanimada depois de sentir uma emoção forte? Hoje tive um pequeno conflito pela

    Por que me sinto desanimada depois de sentir uma emoção forte?

    Hoje tive um pequeno conflito pela manhã que logo foi resolvido, mas após aquilo fiquei desanimada o dia todo. Não acontece sempre, mas sempre acontece depois que sinto algo muito forte.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Eu diria que o que você descreve é relativamente comum. Emoções intensas mobilizam o corpo e o cérebro em um nível bastante extremo, exigindo um grande gasto de energia física e mental. Mesmo quando a situação é resolvida rapidamente, o organismo pode demorar mais para voltar ao equilíbrio (a homeostase natural), e esse período pode ser percebido como desânimo, cansaço ou falta de motivação.

    Talvez valha a pena observar se isso acontece apenas após emoções específicas, como raiva, medo ou tristeza, ou se ocorre diante de qualquer emoção muito intensa (mesmo que seja boa). Se esse padrão tem sido frequente, muito intenso ou está afetando sua qualidade de vida, buscar ajuda psicológica pode ser importante para compreender melhor o que desencadeia essas reações e desenvolver estratégias para regular as emoções de forma mais saudável.

    Estou à disposição se quiser aprofundar mais nesse olhar.


Perguntas frequentes

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