Perguntas do paciente (77)

  • Quais os sinais característicos do transtorno de ansiedade?

    Quais os sinais característicos do transtorno de ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Os sinais de ansiedade podem variar bastante de pessoa para pessoa, mas existe um conjunto de sintomas que aparecem com frequência e que ajudam a diferenciar uma ansiedade pontual de um quadro que merece mais atenção.

    No nível físico, é comum surgirem sintomas como taquicardia, respiração acelerada, tensão muscular, sudorese, sensação de aperto no peito ou desconfortos gastrointestinais. O corpo entra em estado de alerta, como se estivesse se preparando para um perigo, mesmo quando não tem nenhuma ameaça real imediata.

    No nível cognitivo, aparecem pensamentos acelerados, dificuldade de concentração, antecipação constante de cenários negativos e uma sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento. Muitas pessoas descrevem isso como uma mente que não “desliga”.

    Já no campo emocional e comportamental, é comum observar inquietação, irritabilidade, dificuldade para relaxar e, em alguns casos, evitação de situações que geram desconforto. Com o tempo, essa evitação pode ir limitando a rotina e os relacionamentos.

    Sentir ansiedade, por si só, não é um problema, ela é uma resposta natural do nosso organismo. A questão é quando essa resposta se torna frequente, intensa ou desproporcional, a ponto de causar sofrimento significativo ou prejuízo para a vida em geral.

    Quando isso acontece, vale olhar com mais cuidado e buscar auxílio. Porque, muitas vezes, o que aparece como “ansiedade” é a ponta de um processo mais amplo, que envolve a forma como a pessoa interpreta o mundo, lida com incertezas e regula suas próprias emoções. E é justamente aí que o acompanhamento profissional pode fazer muita diferença.


  • . Existe alguma forma de prevenir a ansiedade? .

    . Existe alguma forma de prevenir a ansiedade? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Não existe exatamente uma forma de “prevenir” a possibilidade de sentir ansiedade, ou seja, eliminar essa sensação; até porque ela é uma resposta natural e necessária do nosso organismo para a nossa própria sobrevivência. Mas é possível, sim, reduzir bastante a chance de que ela se torne um problema persistente (ou um transtorno).

    Prevenção, nesse caso, não está ligada a controle absoluto, e sim ao desenvolvimento de recursos.
    Um dos pontos centrais é aprender a reconhecer sinais precoces: mudanças no sono, irritabilidade, tensão constante, pensamentos acelerados. Quanto mais cedo a pessoa identifica esses padrões, maior a chance de intervir antes que eles se intensifiquem.

    Outro aspecto importante é a forma como se lida com pensamentos e emoções. Pessoas que tendem a evitar desconfortos a qualquer custo ou que entram facilmente em ciclos de antecipação catastrófica acabam, sem perceber, alimentando a própria ansiedade. Desenvolver uma relação mais flexível com esses conteúdos internos, sem precisar reagir a tudo de forma imediata, costuma ser um fator de proteção relevante.

    Rotina também tem um papel importante: sono regulado, momentos de pausa, atividade física e algum nível de previsibilidade ajudam a reduzir a sobrecarga do sistema nervoso. Não como solução isolada, mas como base.

    A forma como a pessoa se posiciona diante das próprias exigências e da vida. Padrões muito rígidos, necessidade excessiva de controle ou dificuldade em lidar com incerteza costumam sustentar a ansiedade ao longo do tempo.

    Prevenir, portanto, não é viver sem ansiedade mas sim desenvolver ferramentas para que ela não assuma o controle. E, em muitos casos, essas ferramentas não surgem sozinhas; elas podem ser construídas com mais consistência em um processo terapêutico.


  • A ansiedade pode levar a outros problemas de saúde mental ?

    A ansiedade pode levar a outros problemas de saúde mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sim, infelizmente.

    Quando a ansiedade se torna frequente, intensa e prolongada, ela deixa de ser apenas uma reação pontual natural do nosso organismo e passa a funcionar como um terreno fértil para outros problemas de saúde mental. Não porque “vira outra coisa” de forma automática, mas porque o organismo e a mente ficam em um estado de sobrecarga constante completamente difícil de ser regulado.

    Por exemplo, a manutenção desse estado de alerta gasta muita energia do cérebro e pode favorecer o desenvolvimento de quadros depressivos, especialmente quando a pessoa começa a se sentir esgotada, desmotivada ou com a sensação de que não consegue dar conta da própria vida. Além disso, estratégias usadas para tentar aliviar a ansiedade, como rolar o feed do Instagram, jogar video game por muito tempo, se isolar ou até o uso de substâncias podem, a médio e longo prazo, piorar o problema ao invés de resolver.

    Também é comum que a ansiedade se associe a dificuldades no sono, irritabilidade, queda de desempenho e prejuízos nos relacionamentos, criando um ciclo em que o sofrimento vai se retroalimentando.

    Por fim, não é exatamente a ansiedade em si que “causa” tudo isso de forma direta, mas a forma como ela se mantém ao longo do tempo, sem o manejo e regulação adequados.

    Por isso, olhar para a ansiedade de forma precoce faz diferença. Muitas vezes, trabalhar esse processo no início evita que ele se desdobre em quadros mais complexos e ajuda a pessoa a desenvolver recursos mais consistentes para lidar com as próprias emoções e com as exigências da vida.


  • Transtornos de ansiedade podem estar relacionados a fatores genéticos ?

    Transtornos de ansiedade podem estar relacionados a fatores genéticos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sim, os transtornos de ansiedade têm, sim, relação com fatores genéticos, mas essa é apenas uma parte dos fatores que compreende esse transtorno.

    A evidência científica (especialmente estudos com gêmeos e famílias) mostra que existe uma herdabilidade moderada, geralmente entre cerca de 30% a 50%, dependendo do transtorno específico. Isso significa que algumas pessoas podem nascer com uma maior vulnerabilidade biológica para responder ao estresse com mais intensidade.

    Mas é importante não simplificar: genes não determinam quem terá um transtorno de ansiedade. Eles interagem com o ambiente ao longo da vida. Experiências como estresse crônico, eventos adversos, aprendizagem de padrões de evitação e o contexto social desempenham um papel fundamental no desenvolvimento e manutenção dos sintomas.

    Do ponto de vista da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que é a abordagem que uso com meus pacientes, essa predisposição biológica pode ser entendida como parte do “contexto” da pessoa; algo que não escolhemos, mas com o qual aprendemos a nos relacionar. O foco do tratamento não está em eliminar a ansiedade (o que muitas vezes aumenta a luta interna), mas em desenvolver flexibilidade psicológica, ou seja, aumentar a capacidade de agir de acordo com valores pessoais mesmo na presença de pensamentos e sensações difíceis.

    Em resumo:
    Existe influência genética, mas ela não é determinante. O que faz diferença é como essa vulnerabilidade se combina com a história de vida e, principalmente, como a pessoa aprende a lidar com suas experiências internas.


  • Quais são os sinais de que a neuroplasticidade está ocorrendo em resposta ao tratamento da ansiedade

    Quais são os sinais de que a neuroplasticidade está ocorrendo em resposta ao tratamento da ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Pergunta muito interessante. A neuroplasticidade está acontecendo o tempo todo no cérebro, inclusive durante o tratamento da ansiedade. Mas ela não costuma aparecer como um ‘sinal direto’ que a gente consegue perceber claramente.

    Em vez disso, a gente observa mudanças no funcionamento ao longo do tempo.

    Alguns sinais práticos de que o cérebro está se adaptando ao tratamento podem ser:

    > Menor reatividade emocional: situações que antes geravam muita ansiedade passam a ser mais toleráveis

    > Mais espaço entre sentir e agir: você percebe a ansiedade, mas não reage automaticamente

    > Redução de evitação: começa a enfrentar situações que antes evitava

    > Mudança na relação com os pensamentos: eles ainda aparecem, mas têm menos impacto

    > Recuperação mais rápida: quando a ansiedade surge, ela passa mais rápido ou com menos intensidade

    Na Terapia de Aceitação e Compromisso, que é a abordagem que utilizo em meus atendimentos, a gente entende essas mudanças como aumento de flexibilidade psicológica — e isso é, na prática, a expressão da neuroplasticidade acontecendo.

    Ou seja, não é que o cérebro ‘dá um sinal’, mas você começa a viver de forma diferente: com mais escolha, menos luta interna e mais aproximação do que é importante pra você.

    Curiosamente, quando a pessoa começa a melhorar, nem sempre a ansiedade desaparece — mas ela deixa de controlar o comportamento. E isso já é uma mudança profunda no funcionamento do cérebro.

    Espero ter conseguido te ajudar de alguma forma.


  • Olá, irei tentar escrever tudo que sinto, no momento provavelmente estou passando por depressão, cre

    Olá, irei tentar escrever tudo que sinto, no momento provavelmente estou passando por depressão, creio que a raiz dela é desde minha infância, tenho extrema dificuldade de interagir e conversar, manter conversas e etc, até ai ok eu vivi minha vida, resultado: solitude e bloqueio emocional, tenho apenas 1 amigo que está desde minha infância comigo, ainda tenho extrema dificuldade de interagir e conversar, isso pode parecer bobo mas já arruinou, amizades, trabalho em grupo, questões amorosas, basicamente tudo em minha vida, como posso lidar com isso? Creio que não sou tímido, mas a falta de conhecimento nesse tipo de interação me gera insegurança, consequentemente levando a timidez de qualquer forma, também gostaria de saber lidar com o fato de que amadureci demais, me sinto sem graça e estóico, rejeito pessoas e amizades para evitar frustrações, a propósito tenho toc diagnósticado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Obrigada por compartilhar algo tão pessoal. Pelo que você descreve, essa dificuldade nas interações não parece algo ‘bobo’ mesmo. Ela tem impactado áreas importantes da sua vida. Quando isso se repete ao longo do tempo, é comum que a pessoa comece a se sentir insegura, frustrada e até mais isolada, como se estivesse sempre um passo atrás nas relações.

    Muitas habilidades sociais não surgem de forma natural para todo mundo, elas também podem ser aprendidas e desenvolvidas ao longo da vida. Quando existe pouca oportunidade de praticar ou quando experiências passadas foram difíceis, é comum que a pessoa acabe evitando interações para se proteger de possíveis frustrações. O problema é que essa evitação acaba reduzindo ainda mais as oportunidades de criar confiança nessas situações.

    Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (que é a minha abordagem na clínica com meus pacientes), trabalhamos justamente no desenvolvimento de um repertório comportamental mais amplo, ou seja, construir gradualmente novas formas de agir, se comunicar e se posicionar, mesmo na presença de insegurança. A confiança costuma surgir a partir da prática, e não antes dela.

    O fato de você já perceber esse padrão e querer mudar é um passo muito importante. Com o apoio adequado, é possível desenvolver habilidades de interação, flexibilizar esses bloqueios emocionais e encontrar formas mais seguras de se conectar com as pessoas, respeitando o seu tempo e seu estilo.

    A psicoterapia pode ser um espaço estruturado para desenvolver esse repertório de forma gradual e acolhedora, ajudando você a lidar melhor com a insegurança nas interações e construir relações mais satisfatórias ao longo do tempo.

    Eu fico à disposição caso queira conhecer o meu trabalho.


  • As vezes sinto que meu eu não está em primeira pessoa isso já algum tempo. E como se visse o mundo e

    As vezes sinto que meu eu não está em primeira pessoa isso já algum tempo. E como se visse o mundo em terceira pessoa, parece que coisas importantes não tem valor como datas, conquistas etc... sinto visualizar o mundo como apenas um telespectador da minha própria vida.
    Como vence isso? Só quero viver de maneira certa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sinto muito que você esteja passando por essa sensação - ela costuma ser muito desconfortável e pode dar a impressão de que você está desconectado de si mesmo ou da própria vida.

    Já tive diversos pacientes que relataram algo parecido como se estivessem apenas ‘assistindo’ a própria vida, com dificuldade de sentir as coisas, dar importância para acontecimentos do dia a dia ou se envolverem emocionalmente com qualquer situação.

    Esse tipo de experiência pode aparecer em períodos de ansiedade intensa, estresse prolongado ou sobrecarga emocional. Às vezes, o seu cérebro tenta te proteger de algo muito difícil, criando uma sensação de distanciamento.

    Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso, que é a abordagem que utilizo nos meus atendimentos clínicos, o objetivo nunca é “forçar” a sensação a desaparecer imediatamente, mas aprender formas de, aos poucos, retomar o contato com o momento presente e com aquilo que é importante para você, mesmo que ainda haja um certo distanciamento.

    Embora essa experiência possa assustar, ela é mais comum do que parece e costuma melhorar quando a pessoa encontra um espaço seguro para compreender o que está acontecendo e desenvolver recursos para se reconectar com a própria vida de maneira gradual.

    A psicoterapia te ajuda a entender melhor essa sensação, reduzir o sofrimento associado a ela e recuperar, aos poucos, a sensação de presença e envolvimento com o que faz sentido para você.

    Buscar esse apoio pode ser um passo importante para voltar a se sentir mais conectado consigo mesmo e com sua vida.

    Estou aqui para o que precisar.


  • tive uma crise de ansiedade semana passada, com isso nos dias seguintes depois do ocorrido tive algu

    tive uma crise de ansiedade semana passada, com isso nos dias seguintes depois do ocorrido tive algumas reações, por exemplo quando eu ia me deitar para dormir meus musculos da cabeça e do braço começavam a tremer como se eu estivesse com medo ou com frio, outra coisa é peso nas pernas sem vontande de andar, e um peso na cabeça, já lidei com um transtorno chamado "Despersonalização / Desreleição" pois eu sentia que não estava em um mundo real, mas agora mudou, mas hoje estou sentindo esses cansaços, depois de uma crise é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sim, isto que você descreve pode acontecer depois de uma crise de ansiedade porque depois de uma crise, o corpo costuma continuar em estado de alerta, mesmo que o pico já tenha passado e isso pode gerar: tremores ou contrações musculares (principalmente ao deitar; sensação de peso no corpo ou nas perna; cansaço intenso; pressão ou desconforto na cabeça.

    É como se o sistema nervoso ainda estivesse “acelerado” ou, às vezes, entrando em um efeito rebote de exaustão.

    Sobre a despersonalização/derealização: esses fenômenos também podem aparecer em contextos de ansiedade e estresse. O fato de ter mudado de forma não é incomum — os sintomas podem variar.

    De forma geral, é esperado sentir o corpo estranho por alguns dias após uma crise. O mais importante é observar a evolução: tende a melhorar gradualmente e não deve impedir totalmente suas atividades por muitos dias.

    Alguns cuidados que ajudam:
    1. priorizar sono e descanso
    2. evitar excesso de cafeína
    3. fazer respirações lentas para regular o corpo
    4. não interpretar cada sintoma como perigo (isso alimenta o ciclo)

    Se os sintomas persistirem por mais tempo, piorarem ou estiverem muito intensos, é importante buscar avaliação profissional para um acompanhamento mais próximo.

    Em resumo: sim, pode ser uma reação do seu corpo se recuperando da crise que é super desconfortável, mas geralmente tende a ser passageira.

    Se precisar, estou aqui.


  • Olá, eu acordo sentindo um aperto no peito e falta de ar, normalmente quando isso acontece é de manh

    Olá, eu acordo sentindo um aperto no peito e falta de ar, normalmente quando isso acontece é de manhã quando tento voltar a dormir, isso pode ser ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Essa sensação de aperto no peito e falta de ar ao acordar pode sim estar relacionada à ansiedade, principalmente quando acontece em momentos de maior preocupação, tensão ou sobrecarga emocional. Muitas vezes, o corpo já desperta em estado de alerta, como se estivesse se preparando para lidar com algo difícil, mesmo que nem sempre a pessoa perceba claramente o motivo.

    A ansiedade pode se manifestar de forma física, trazendo sintomas como respiração curta, sensação de peso no peito, inquietação ou dificuldade para relaxar novamente ao tentar voltar a dormir.

    Ainda assim, é importante lembrar que sintomas físicos também precisam ser avaliados por um médico, especialmente se forem frequentes, para descartar possíveis causas orgânicas.

    Na psicoterapia, é possível compreender melhor o que pode estar ativando essa resposta de ansiedade e aprender formas mais seguras de lidar com esses sintomas, reduzindo a intensidade e a frequência ao longo do tempo.

    Buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para cuidar da sua saúde emocional e entender com mais clareza o que está acontecendo.

    Estou à sua disposição para aprofundarmos melhor nisso juntos(as).


  • Eu antigamente gostava de assistir animes, series, filmes, ouvir musicas, ler mangás e etc. Mas hoje

    Eu antigamente gostava de assistir animes, series, filmes, ouvir musicas, ler mangás e etc. Mas hoje em dia tudo parece meio sem graça, quando eu tento assistir um filme eu meio que "me forço" a assistir, mesma coisa com leitura. Antigamente eu ficava feliz fazendo essas coisas, ficava animado e etc. Hj em dia parece que tudo tem menos peso, perdeu o sentido de certa forma eu não sei se sou triste ou vazio ou os dois, eu tenho motivos para ficar triste mas eu não consigo direito, raramente eu consigo chorar um pouco. Mas quando eu consigo eu penso que nao sou totalmente vazio pois conseguir soltar algumas lagrimas. Tenho 15 anos e eu sei que não tem como ter certeza se é depressão ou anedonia só por esse comentário mas alguém sabe me dizer se pode ser isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Olá!

    O que você descreve pode estar relacionado à perda de interesse e prazer por atividades que antes eram importantes para você, mas, de fato, isso, por si só, não é suficiente para concluir que se trata de depressão ou anedonia.

    O que, neurobiologicamente observamos é que, na adolescência, mudanças emocionais são comuns, porém quando essa sensação de vazio, falta de interesse e dificuldade de sentir prazer persiste por semanas ou meses e começa a afetar a rotina, os estudos, os relacionamentos ou a vontade de fazer as coisas, ela merece atenção.

    Também é importante lembrar que nem toda tristeza se manifesta com choro; algumas pessoas passam a sentir justamente um "embotamento", como se as emoções estivessem desligadas ou guardadas dentro de um casulo ou couraça - tipo tartaruga. Mas, o mais importante agora não é tentar se encaixar em um diagnóstico, mas entender o que está acontecendo com você.

    Conversar com um psicólogo pode ajudar a identificar as causas desse sofrimento e, se necessário, avaliar se há algum transtorno emocional envolvido. Quanto mais cedo isso for compreendido, maiores são as chances de recuperar o interesse e o prazer pelas atividades que antes faziam sentido para você.

    Se quiser se aprofundar mais nisso, conte comigo.


  • ola, o que devo fazer quando tenho uma crise de ansiedade e a hiperventilação torna-se insuportável?

    ola, o que devo fazer quando tenho uma crise de ansiedade e a hiperventilação torna-se insuportável? Tem vezes que me sinto tão sufocado que sou obrigado a me levantar e andar pelo local. sinto como se estivesse me afogando. tem alguma técnica que posso utilizar na hora da crise para amenizar esse sintoma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Essa sensação de sufoco na crise é típica da hiperventilação — parece que falta ar, mas na verdade o corpo está respirando rápido demais.

    Na hora, foque em desacelerar a respiração:
    1. Inspire pelo nariz em 4 segundos
    2. Solte o ar pela boca em 6 segundos (ou mais lento)

    → o mais importante é prolongar a saída do ar

    Outros pontos que ajudam:
    1. Apoie os pés no chão e sinta o corpo (isso reduz o pico)

    Diga pra si: “é ansiedade, vai passar”

    Evite puxar muito ar — isso só piora.

    Se precisar levantar e andar, tudo bem.

    No caso, não está faltando ar — seu corpo só está acelerado, e você pode ajudar a desacelerar.


  • Tive um término de namoro a 9 meses atrás, depois do término senti muita culpa, me senti muito anest

    Tive um término de namoro a 9 meses atrás, depois do término senti muita culpa, me senti muito anestesiado emocionalmente parecendo que eu não desenvolvi sentimento de saudades sendo que a minha ex namorada foi uma pessoa muito boa para mim, e isso me deixou péssimo, desde então venho me culpando muito por essas coisas, e tô ficando muito depressivo com isso e percebo que a situação só piora, desenvolvi uma anedonia, e sinto que só sou uma pessoa existindo sem sentir felicidade ou desejo por nada. Estou preocupado porque estou com medo de ser algo grave e sei que estou diferente da maiorias das pessoas, já tive pensamentos muito ruins, e a cada dia que passa fico mais preocupado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sinto muito que você esteja passando por isso — dá pra perceber o quanto essa situação tem te pesado.

    O que você descreve (culpa intensa, sensação de estar ‘anestesiado’, falta de prazer nas coisas e preocupação com a própria mudança) pode acontecer após términos, especialmente quando a relação foi importante. Cada pessoa reage de um jeito — e nem sempre a ausência de saudade significa falta de sentimento, mas sim uma forma do seu emocional estar lidando com tudo isso.

    O ponto de atenção aqui é que você percebe que está piorando com o tempo, se sentindo cada vez mais distante de si mesmo e com pensamentos negativos mais frequentes. Isso merece cuidado.

    Mais do que tentar entender sozinho “por que você está assim”, é importante olhar para como você pode começar a sair desse ciclo com apoio.

    A psicoterapia pode te ajudar a:

    > elaborar essa culpa de forma mais saudável

    > entender essa sensação de vazio emocional

    > recuperar, aos poucos, o contato com o que te traz sentido e prazer

    > e lidar com esses pensamentos de forma mais segura

    Você não está ‘quebrado’ ou sozinho nisso, mas também não precisa enfrentar isso sem ajuda.

    Se em algum momento esses pensamentos ficarem mais intensos ou difíceis de controlar, é muito importante buscar apoio imediato — seja com um profissional ou alguém de confiança.

    Com o acompanhamento certo, esse estado pode ser compreendido e transformado ao longo do tempo.

    Espero ter te ajudado de alguma forma e fico à sua disposição caso se interesse em se aprofundar no tratamento terapêutico.


  • Como diferenciar preguiça "normal" de procrastinação ou outro problema do tipo? Eu sentia uma 'preg

    Como diferenciar preguiça "normal" de procrastinação ou outro problema do tipo?
    Eu sentia uma 'preguiça' de forma constante.. enrolava pra tudo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    É comum chamar tudo de “preguiça”, mas nem sempre é isso.

    Preguiça “normal” costuma ser pontual: você está cansado(a), desmotivado(a) naquele momento, mas quando descansa ou começa, consegue seguir.

    Procrastinação é mais persistente: você adia tarefas mesmo sabendo das consequências, geralmente para evitar desconforto (ansiedade, medo de errar, tédio). Vem acompanhada de culpa e sensação de estar travado(a).

    Em muitos casos, não é falta de vontade mas sim uma evitação emocional.

    Um jeito simples de diferenciar entre os casos:
    Se eu começo, eu engato? → mais preguiça/cansaço
    Eu nem começo ou fujo mesmo querendo? → mais procrastinação

    Pela ótica da ACT, a abordagem que utilizo nos meus atendimentos clínicos, o foco não é “ter mais força de vontade”, mas agir apesar do desconforto, em passos pequenos.

    Se isso é constante e está atrapalhando sua rotina, vale olhar com mais atenção — pode estar ligado à ansiedade, desregulação emocional ou até esgotamento.

    Estou por aqui se quiser se aprofundar mais.


  • Perdi meu marido há 15 dias, ele se suicidou e depois disso vivo em constante tristeza perdi a vonta

    Perdi meu marido há 15 dias, ele se suicidou e depois disso vivo em constante tristeza perdi a vontade de viver a única vontade que tenho é de ir embora com ele.
    O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Antes de qualquer coisa: o que você está sentindo é super compreensível diante de uma perda tão devastadora. Perder alguém que amamos já é extremamente doloroso… perder dessa forma costuma trazer um impacto emocional ainda mais intenso, com sentimentos de choque, culpa, vazio, revolta, confusão e uma tristeza profunda que parece não ter fim.

    Quando você diz que sente vontade de ir embora com ele, isso mostra o tamanho da dor que você está carregando neste momento.

    Em situações assim, é muito importante não atravessar esse momento sozinha.

    Alguns passos importantes que você pode dar agora:

    > Procure apoio profissional o quanto antes
    > Um psicólogo ou psiquiatra pode te ajudar a atravessar esse período com mais suporte e segurança emocional. O luto por suicídio costuma ser mais complexo e delicado, e você merece ter ajuda especializada.
    > Busque alguém de confiança para estar por perto. Pode ser um familiar, amigo ou alguém próximo. Mesmo que você não tenha vontade de conversar muito, não se isole totalmente. A presença de alguém pode ajudar a proteger você nesse momento de maior fragilidade.
    > Entenda que o que você está sentindo faz parte de um processo de luto muito recente (15 dias é muito pouco tempo diante de uma perda tão impactante). O seu sistema emocional ainda está tentando assimilar o que aconteceu.
    > Se os pensamentos de não querer mais viver estiverem muito intensos, procure ajuda imediata:
    No Brasil, você pode ligar gratuitamente para o CVV – 188, que oferece apoio emocional 24h, todos os dias. É um serviço sigiloso e feito por pessoas preparadas para ouvir sem julgamento.

    Neste momento, talvez seja difícil acreditar, mas a intensidade dessa dor pode diminuir com o tempo e com o apoio adequado. O luto não é algo que se “resolve” rapidamente, mas ele pode ser elaborado de forma que a vida volte a fazer sentido aos poucos.

    Você não precisa tomar nenhuma grande decisão agora. O foco neste momento é atravessar um dia de cada vez, com apoio.

    Buscar ajuda é um passo muito importante de cuidado consigo mesma, especialmente quando a dor parece maior do que você consegue suportar sozinha.

    Estou aqui para o que precisar.


  • Boa tarde! Gostaria de saber se é normal, eu querer fazer tudo de uma vez, como; Falar rápido dem

    Boa tarde!
    Gostaria de saber se é normal, eu querer fazer tudo de uma vez, como;
    Falar rápido demais, as pessoas acabam não entendendo o que eu falo. Escrever acontece a mesma coisa, sempre quero acelerar as coisas. Isso é normal? Fico impaciente quando vou fazer as coisas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Boa tarde! Esse padrão de querer fazer tudo muito rápido, falar aceleradamente e sentir impaciência é relativamente comum, mas pode estar relacionado a sintomas de ansiedade, excesso de autocobrança, impulsividade ou sobrecarga mental.

    O mais importante é observar se isso tem te causado prejuízos, como dificuldade na comunicação, estresse constante ou sensação de não conseguir desacelerar mesmo quando gostaria.

    Quando esse ritmo interno começa a gerar desconforto ou impacto na qualidade de vida, vale a pena buscar ajuda psicológica, pois existem estratégias que ajudam a desenvolver mais equilíbrio, melhorar a clareza ao se expressar e reduzir essa sensação de urgência constante.

    Se precisar de ajuda, estou à disposição.


  • Fui abusada pelo meu pai durante três anos e em alguns episódios na adolescência (dos meus 9 aos 12

    Fui abusada pelo meu pai durante três anos e em alguns episódios na adolescência (dos meus 9 aos 12 aproximadamente). Comecei a encarar quando fui embora de casa pra estudar, aos 19. Desde os 17 tomo antidepressivo e ansiolítico e sofro de muitas fobias. Minha pergunta é relacionada a ansiedade noturna, mas que me afeta o tempo todo. Me assusto com muita facilidade. Sonho que estou brigando com ele. ou que estou transando voluntariamente com ele. Chutando ele. Gritando, correndo... Isso a anos. Não aguento mais. Essa situação de pânico me persegue e quando acho que estou melhorando meu corpo me mostra que não. Taquicardia, dor no peito, acordar encharcada de suor. Estou com a sensação de que não vou melhorar. Qual o tratamento eu posso fazer pra terror noturno (alguma forma de amenizar)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    Sinto muito que você tenha passado por experiências tão dolorosas. O que você descreve é uma reação muito comum em pessoas que sofreram abuso, principalmente quando o trauma aconteceu na infância.

    Esses sintomas de pesadelos recorrentes, sustos frequentes, sensação de ameaça constante, taquicardia, suor intenso e medo persistente são compatíveis com um quadro de ansiedade traumática, muitas vezes relacionado ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

    O “terror noturno” que você descreve e os sonhos angustiantes acontecem porque o cérebro ainda está tentando processar e integrar memórias traumáticas que ficaram registradas de forma muito intensa no corpo e no sistema nervoso. Por isso, mesmo quando racionalmente você sabe que está segura, o corpo continua reagindo como se o perigo ainda existisse.

    Existem tratamentos que costumam ajudar bastante nesses casos:
    1. Psicoterapia especializada em trauma
    Abordagens baseadas em evidências, como Terapia Cognitivo-Comportamental focada em trauma ajuda o cérebro a reprocessar essas memórias de forma mais segura, reduzindo a intensidade dos pesadelos e da hipervigilância.
    2. Avaliação psiquiátrica
    Algumas medicações podem ajudar na regulação do sono, redução da ansiedade noturna e diminuição da intensidade dos pesadelos traumáticos.
    3. Técnicas de regulação do sistema nervoso
    Estratégias que trabalham respiração, relaxamento muscular e sensação de segurança corporal podem ajudar a reduzir a ativação fisiológica antes de dormir.

    Um ponto muito importante é que o fato de os sintomas persistirem não significa que você não pode melhorar. Traumas repetidos na infância costumam deixar marcas profundas, mas existem tratamentos eficazes que ajudam a reduzir significativamente o sofrimento e devolver a sensação de segurança interna.

    Se em algum momento você sentir que os sintomas estão insuportáveis ou surgirem pensamentos de desistir de viver, procure ajuda imediata.

    No Brasil, você pode ligar gratuitamente para o CVV – 188, que oferece apoio emocional 24h, com escuta acolhedora e sigilosa.

    Você não está sozinha, e existem caminhos terapêuticos possíveis para que essa dor deixe de ter essa intensidade. Buscar um profissional especializado em trauma pode ser um passo importante nesse processo.

    Conte comigo.


  • Planejo fazer um tratamento psíquico,pois acho que tenho anedonia(não consigo sentir prazer nas cois

    Planejo fazer um tratamento psíquico,pois acho que tenho anedonia(não consigo sentir prazer nas coisas como sentia antes,tambem sinto como se tudo fosse "superficial"),mas não consumo substâncias em excesso,não sou esquizofrênico e não sofro de depressão,o que acha que pode ser?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mariangela  Angeluci Siqueira

    A sensação de não conseguir sentir prazer nas coisas como antes (anedonia) e de perceber tudo como ‘superficial’ pode estar relacionada a diferentes fatores emocionais, como estresse prolongado, ansiedade intensa, esgotamento ou momentos de sobrecarga psicológica. Será que aconteceu algum desses cenários com você?

    Nem sempre esses sintomas significam necessariamente um diagnóstico específico, mas indicam que algo importante pode estar acontecendo sem você perceber e merece atenção e cuidado.

    Muitas vezes, o próprio excesso de autocobrança ou preocupação com o que se está sentindo pode intensificar essa sensação de desconexão.

    O passo que você está considerando — buscar um acompanhamento psicológico — é muito adequado. A terapia vai te ajudar a compreender o que está por trás dessas mudanças, recuperar gradualmente o contato com emoções e encontrar formas de voltar a sentir mais sentido e envolvimento com a vida.

    Buscar esse apoio é um caminho importante para entender melhor o que está acontecendo e cuidar da sua saúde emocional.

    Estou à disposição se quiser agendar uma sessão para conhecer o meu trabalho.


Perguntas frequentes

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