Perguntas do paciente (189)
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É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem
É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem?
Eu estou em um relacionamento sério há algum tempo. Um dia, a minha namorada sugeriu de experimentarmos sem camisinha, pois segundo ela eu passaria a não mais querer fazer com camisinha. Assim que começou a menstruação dela nós experimentamos. Pois bem, fizemos isso duas vezes (em dois meses diferentes).
Acontece que ela disse que agora só faremos após o casamento. Perguntei a ela o porquê disso, e ela me explicou os motivos dela. Me senti um pouco enganado, mas entendi e respeitei. Após isso, eu não tenho mais sentido "tesão" durante o sexo com camisinha da mesma forma que eu sentia antes de saber como era a sensação sem proteção. Soma-se o fato dela ter me contato que só transava sem camisinha com o ex, faz me sentir ainda pior.
Agora, me parece que essa minha dificuldade de sentir o "tesão", não digo prazer, é mais da parte psicológica. E eu tenho buscado maneiras de "reeducar" meu cérebro para voltar a sentir essa vontade no sexo que eu sentia antes, mas tem sido muito difícil.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, a sexualidade humana possui grande capacidade de adaptação, e muitas pessoas conseguem voltar a viver o sexo com preservativo de forma satisfatória após experiências sem camisinha. No entanto, ao ler seu relato, me parece importante refletir se a dificuldade que você está vivendo hoje está apenas relacionada à sensação física ou se outros sentimentos passaram a fazer parte dessa experiência.
É verdade que algumas pessoas percebem diferenças de sensibilidade entre relações com e sem preservativo. Porém, considerando que vocês tiveram apenas duas experiências sem camisinha, talvez seja importante pensar se a mudança que você percebeu pode estar relacionada também ao significado emocional que essa situação adquiriu.
Você relata que se sentiu um pouco enganado ao descobrir que aquela experiência teria um caráter temporário e também menciona o fato de sua namorada ter contado que mantinha relações sem preservativo com o ex-companheiro. Essas informações podem gerar sentimentos complexos, como comparação, insegurança, frustração, perda de exclusividade ou até uma sensação de desvalorização dentro da relação.
Às vezes, quando nos sentimos menos importantes, menos desejados ou em uma posição inferior a alguém do passado da outra pessoa, o desejo sexual deixa de ser apenas desejo e passa a carregar sentimentos de comparação, injustiça, rejeição ou desvalorização. Nesses casos, o sofrimento costuma ser muito maior do que a diferença física entre transar com ou sem preservativo.
Também pode ser importante considerar que as pessoas mudam ao longo da vida e dos relacionamentos. É possível, por exemplo, que sua namorada tenha tido experiências anteriores que a fizeram ser mais cuidadosa hoje. Também pode acontecer de decisões relacionadas à sexualidade terem sido tomadas em momentos diferentes da vida, em contextos diferentes e com expectativas diferentes, sem que isso signifique necessariamente maior ou menor amor ou importância por um parceiro.
Outra possibilidade é que, ao dizer que prefere voltar a ter relações sem preservativo apenas após o casamento, ela esteja expressando uma necessidade maior de segurança, compromisso ou uma forma diferente de construir a intimidade dentro do relacionamento.
Ao ler seu relato, fiquei com a impressão de que talvez você tenha encontrado rapidamente uma explicação para o que aconteceu — de que ela teria dado ao ex algo que não está disposta a dar a você — e interrompido uma investigação mais profunda sobre como essas decisões foram construídas na história dela. Como foi que ela chegou à decisão de não usar preservativo no relacionamento anterior? O que mudou desde então? Como ela entende essas diferenças hoje? Essas perguntas podem ajudar a construir uma compreensão mais ampla da situação.
Também pode ser interessante se perguntar: o que exatamente mudou para você? Foi a sensação física? A forma como você passou a perceber sua parceira? O sentimento de confiança? A maneira como passou a se enxergar dentro da relação?
Muitas vezes, acreditamos que estamos tentando recuperar uma sensação física, quando, na verdade, estamos tentando recuperar um sentimento que existia antes daquela experiência.
Por isso, talvez a pergunta principal não seja apenas "como reaprender a transar com camisinha?", mas "o que essa experiência passou a significar para mim dentro desse relacionamento?". Compreender isso costuma ser mais importante para a vida sexual e para a relação do que a própria diferença física entre usar ou não preservativo.
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Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na
Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na minha cabeça, com personagens, acontecimentos e “episódios”, às vezes recriando minha própria vida de formas diferentes ou criando qualquer cenário que eu queira.
Durante esses momentos costumo andar em círculos, girar objetos (quando era criança era sacola/corda, hoje é mais lápis) e fazer sons com a boca. Isso acontece quando estou entediado ou quando vejo algo que me inspira. Eu acho divertido e consigo parar quando quero, mas comecei a fazer escondido por vergonha, porque eu nunca vi ninguém fazer isso, de andar de um lado para o outro fazendo sons e girando lápis enquanto imagina…
Além disso, desde criança tenho dificuldades como procrastinação, esquecer coisas, deixar tarefas para última hora, dificuldade em terminar atividades e começar tarefas chatas. Também tenho histórico de ansiedade/depressão e muita timidez, com medo de julgamento e dificuldade social.
Quero entender se isso pode ter relação com alguma condição como TDAH ou outra questão, ou se é apenas meu jeito de funcionarRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ao ler seu relato, me chamou atenção que você descreve sua imaginação como algo que sempre foi divertido, rico e presente na sua vida, e não apenas como uma fonte de sofrimento. Isso pode ser uma diferença importante.
Criar histórias contínuas desde a infância, desenvolver personagens, imaginar versões alternativas da própria vida ou construir cenários complexos costuma ser visto, muitas vezes, apenas pelo ponto de vista patológico, como uma forma de fuga da realidade. No entanto, em algumas pessoas, essa capacidade pode representar também uma forma muito potente, criativa e sofisticada de perceber, elaborar e experimentar a realidade.
Em alguns casos, especialmente quando a criança cresce em ambientes que oferecem poucos estímulos compatíveis com sua forma de pensar, sentir ou imaginar, o mundo interno pode se tornar um espaço importante de criação, expressão e desenvolvimento pessoal. Isso não significa necessariamente que exista um transtorno.
Também chamou minha atenção o fato de que esses processos parecem surgir tanto a partir de estímulos externos quanto do próprio ócio. Muitas pessoas com grande potencial criativo, artístico ou intelectual relatam justamente que os momentos de tédio, silêncio ou falta de estímulo acabam se transformando em momentos de intensa criação mental, imaginação e elaboração interna.
Por outro lado, você também descreve características que podem estar associadas a diferentes formas de funcionamento neurodivergente, como dificuldades de atenção, procrastinação, dificuldade de iniciar tarefas pouco interessantes, ansiedade, timidez e receio de julgamento. Por isso, faz sentido considerar hipóteses como TDAH ou outras formas de neurodivergência, mas talvez sem a necessidade de encontrar uma única explicação para tudo o que você vive.
Uma possibilidade que algumas pessoas acabam descobrindo mais tarde na vida é a de altas habilidades/superdotação, especialmente quando existe uma combinação de imaginação intensa, curiosidade persistente, grande sensibilidade, riqueza simbólica e uma percepção de mundo que parece funcionar de maneira diferente da maioria das pessoas. Isso não significa que seja o seu caso, mas pode ser uma linha interessante de investigação e autoconhecimento.
Uma pergunta que considero importante é: quando você imaginava essas histórias, você sentia que estava fugindo da sua vida ou sentia que estava vivendo uma parte importante de quem você era?
Também me pergunto se você já teve oportunidade de transformar essa capacidade imaginativa em alguma forma de expressão, como escrita, desenho, música, teatro, jogos, criação de histórias ou outras formas de arte. Em alguns casos, ansiedade, sofrimento ou sensação de inadequação podem surgir não porque exista um excesso de imaginação, mas porque a pessoa não encontrou espaços, incentivos ou relações que ajudassem a desenvolver e integrar esse potencial.
Além disso, talvez seja importante compreender como essas diferentes características se relacionam entre si. Quais são suas potencialidades? Quais são suas dificuldades? Em quais situações elas se ajudam, se compensam ou entram em conflito? Muitas vezes, esse entendimento mais amplo e dinâmico é mais útil do que tentar encontrar um único diagnóstico capaz de explicar toda a experiência de uma pessoa.
Antes de procurar apenas qual diagnóstico explica você, talvez também valha a pena investigar quais potencialidades da sua forma de pensar, imaginar e sentir nunca encontraram espaço suficiente para se desenvolver. Uma avaliação psicológica pode ajudar justamente nesse processo: não apenas identificar sintomas, mas compreender quem você é, como funciona e quais recursos internos podem estar esperando uma oportunidade de expressão.
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O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abert
O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abertos e você sente que você e seu corpo estão cochilando, mas os seus olhos ainda estão abertos e você consegue ver o que está na sua volta mesmo cochilando, e tem horas que você consegue fechar os olhos e dormir, só que quando você abre, você percebe que às vezes você tá acordada e ao mesmo tempo pode acabar voltando a dormir, e tem vezes que quando você quer mexer o dedo, se auto acordar ou até mesmo falar, você tem que fazer um esforço grande ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve parece estar relacionado a alterações que podem acontecer nos estados de transição entre sono e vigília. Embora seja difícil identificar exatamente o que está acontecendo apenas pelo seu relato, a sensação de estar parcialmente acordada, perceber o ambiente ao redor e ao mesmo tempo sentir dificuldade para se movimentar ou falar é uma experiência que algumas pessoas vivenciam.
Algo interessante é que a consciência humana não funciona apenas como um interruptor que está totalmente ligado ou desligado. Existem estados intermediários. Algumas pessoas experimentam sensações semelhantes durante práticas meditativas profundas, estados de relaxamento intenso ou em determinados momentos de transição do sono. Nesses casos, diferentes aspectos da percepção, da atenção e do controle corporal podem parecer funcionar de maneiras diferentes ao mesmo tempo.
Também seria importante compreender como isso começou. Você percebe alguma mudança recente na sua rotina, no seu sono, nos níveis de estresse ou em outras áreas da sua vida? Como é sua relação com o descanso? Existe privação de sono, excesso de responsabilidades ou períodos de preocupação intensa?
Outro ponto importante é observar o uso de substâncias que possam interferir no sono e na consciência, incluindo cafeína, energéticos, álcool, medicamentos ou outras substâncias psicoativas, mesmo aquelas consideradas lícitas.
Além disso, vale se perguntar se alguém já observou esses episódios acontecendo. Como existe uma alteração na forma como você percebe a experiência naquele momento, uma pessoa de fora às vezes consegue notar detalhes importantes que você não percebe ou não se recorda depois.
Independentemente da causa, costuma ser útil evitar entrar em uma luta contra o sintoma. Muitas pessoas ficam assustadas quando essas experiências acontecem e acabam ficando ainda mais vigilantes e preocupadas. Compreender melhor o fenômeno costuma ajudar a reduzir o medo e a sensação de perda de controle.
Ao mesmo tempo, se esses episódios forem frequentes, estiverem aumentando, causando sofrimento importante ou não parecerem relacionados a fatores como cansaço, estresse ou alterações do sono, uma avaliação médica, especialmente com um neurologista, pode ser importante para investigar outras possibilidades.
Mais do que compreender apenas o que acontece durante esses episódios, costuma ser valioso entender por que eles estão acontecendo neste momento da sua vida e qual contexto pode estar contribuindo para isso.
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Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p
Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua pergunta é muito pertinente. Quando se fala em automutilação, muitas pessoas pensam apenas em cortes ou queimaduras, mas, do ponto de vista profissional, o mais importante geralmente não é apenas o tipo de lesão, mas a função que aquele comportamento exerce na vida da pessoa.
Morder os próprios lábios, bochechas ou outras partes do corpo pode acontecer de forma automática, pouco consciente ou como uma tentativa de aliviar ansiedade, tensão, sentimentos difíceis ou até uma sensação de vazio e falta de ânimo. Mesmo quando não existe a intenção de causar um ferimento importante, esses comportamentos merecem atenção, principalmente quando passam a ser frequentes ou quando a pessoa percebe que está recorrendo a eles para lidar com o sofrimento.
Algo que me chamou atenção no seu relato é que você associa esse hábito não apenas à ansiedade, mas também à falta de motivação e ânimo para a vida. Isso sugere que talvez exista algo mais amplo merecendo cuidado e compreensão.
Também pode ser interessante observar em quais momentos isso costuma acontecer. Existe algum sentimento, situação, pensamento ou contexto que antecede esse comportamento? Ele aparece mais quando você está sozinho, ansioso, frustrado, entediado ou diante de conflitos nos relacionamentos? Muitas vezes, compreender esses padrões ajuda mais do que apenas tentar interromper o hábito.
Da mesma forma, pode ser importante se perguntar quando esse comportamento começou, se ele mudou de intensidade ao longo do tempo e o que estava acontecendo na sua vida quando percebeu esse aumento. Algumas pessoas convivem com esses hábitos desde a infância, enquanto outras percebem que eles surgiram ou se intensificaram em momentos de maior ansiedade, perdas, dificuldades afetivas ou fases de maior sofrimento.
Também vale a pena refletir sobre o que fez você procurar entender isso justamente agora. Às vezes, o que nos leva a buscar ajuda ou fazer uma pergunta é tão importante quanto o próprio comportamento. O aumento da frequência, um desconforto maior, alguma mudança na vida ou simplesmente a percepção de que algo merece ser cuidado podem ser pistas importantes.
Além disso, algumas formas de autoagressão podem ocorrer de maneira pouco consciente ou involuntária, e isso não significa que devam ser ignoradas. O sofrimento merece atenção mesmo quando ele não se apresenta da forma mais conhecida ou mais intensa.
Independentemente da classificação, acredito que vale a pena conversar sobre isso com um psicólogo. Mais importante do que dar um nome ao comportamento é compreender qual função ele está exercendo na sua vida e encontrar formas mais saudáveis de lidar com aquilo que está por trás dele.
Nem sempre o sofrimento se apresenta através das formas mais conhecidas de autoagressão. Às vezes, mais importante do que perguntar "isso é automutilação?" é compreender "o que essa parte de mim está tentando suportar ou comunicar?". O fato de você estar refletindo sobre isso e buscando compreender melhor o que acontece já é um passo importante de cuidado consigo mesmo.
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eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sob
eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sobre-excitabilidades (intelectual, emocional, imaginativa, sensorial e psicomotora) e vários sinais associados a altas habilidades/superdotação. Isso pode indicar uma dupla excepcionalidade (TDAH/TEA junto com altas habilidades)? Existe alguma avaliação que eu possa fazer para investigar isso?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, existe a possibilidade de uma pessoa apresentar o que se chama de dupla excepcionalidade, ou seja, coexistirem características de altas habilidades/superdotação com condições como TDAH ou TEA. Entretanto, essa é uma área complexa e que exige bastante cuidado, porque algumas características podem se parecer entre si e, em alguns casos, tanto habilidades elevadas quanto dificuldades emocionais, sociais ou atencionais podem influenciar a forma como a pessoa se apresenta.
As chamadas sobre-excitabilidades descritas por Dabrowski, como a intensidade intelectual, emocional, imaginativa, sensorial e psicomotora, podem estar presentes em pessoas com altas habilidades, mas não são suficientes, isoladamente, para confirmar um diagnóstico. Da mesma forma, algumas características podem se sobrepor a manifestações do TDAH, do TEA, da ansiedade ou até mesmo de estilos particulares de personalidade.
Numa análise mais global e fácil de compreender, considero importante identificar quais são as suas potencialidades, quais são as suas dificuldades e quais características fazem parte do seu funcionamento neurodivergente. Além disso, é fundamental compreender como tudo isso se relaciona: se existem reforços, compensações ou até conflitos entre essas características, o que te ajuda e o que acaba trazendo prejuízos para sua vida.
Esse entendimento mais dinâmico costuma ser muito valioso. Em muitos casos, não é uma característica isolada que explica a pessoa, mas a forma como diferentes aspectos do seu funcionamento se organizam ao longo da vida. Por isso, além da ajuda profissional, as pessoas próximas, como familiares, amigos e parceiros, podem contribuir bastante, pois muitas vezes ajudam a perceber qualidades, dificuldades e padrões que nem sempre conseguimos observar sozinhos.
Além dos estudos e do trabalho, compreender como essas características aparecem nos relacionamentos, na vida afetiva e na convivência familiar costuma ser muito importante, pois muitas vezes é nesses contextos que percebemos tanto os talentos quanto as dificuldades. As relações humanas frequentemente revelam aspectos do funcionamento que testes e listas de características, sozinhos, não conseguem captar.
Existem avaliações psicológicas e neuropsicológicas que podem auxiliar nessa investigação. Mais importante do que acumular rótulos é construir uma compreensão ampla do seu funcionamento, das suas potencialidades, das suas dificuldades e da forma como tudo isso se expressa nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida.
Bons diagnósticos geralmente não surgem apenas da soma de características isoladas, mas da tentativa de compreender a pessoa em sua complexidade.
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Olá! Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por
Olá!
Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por isso desde pequeno, ainda mais considerando que sou uma pessoa LGBTQIA+. Hoje ainda permaneco com crenças que não fazem sentido para mim, mas sinto que muitas vezes fico tomado pelo medo ou ansiedade, o que inclusive afeta o meu relacionamento atual. Devo procurar um psicólogo e/ou psiquiatra?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, me parece que a questão principal não é apenas a existência dessas crenças, mas o impacto que elas continuam tendo na sua vida, nos seus sentimentos e no seu relacionamento atual.
Muitas pessoas conseguem perceber racionalmente que determinadas crenças não fazem mais sentido, mas ainda assim continuam sentindo medo, ansiedade, culpa ou insegurança quando tentam agir de forma diferente. Isso acontece porque crenças importantes costumam ser construídas ao longo de muitos anos, através das experiências vividas, dos relacionamentos, da família, da cultura e dos contextos sociais dos quais fazemos parte.
Quando somos crianças, normalmente não temos liberdade, experiência ou recursos para questionar aquilo que nos é ensinado. Muitas ideias acabam sendo incorporadas como verdades absolutas porque dependemos das pessoas que cuidam de nós. Mais tarde, na vida adulta, podemos desenvolver senso crítico e perceber que algumas dessas crenças já não fazem sentido, mas isso não significa que elas deixem de produzir medo, insegurança ou ansiedade de forma imediata.
No caso das pessoas LGBTQIAPN+, também é importante considerar que as construções sobre sexualidade, identidade e relacionamentos mudaram muito entre as gerações. Muitas pessoas cresceram em contextos familiares, religiosos e sociais bastante diferentes dos que existem hoje e, por isso, acabam convivendo com conflitos entre aquilo que aprenderam sobre si mesmas e aquilo que desejam construir na vida adulta.
Muitas dessas crenças não afetam apenas a forma como a pessoa se percebe, mas também a maneira como constrói relacionamentos, expressa afeto, estabelece limites, lida com rejeições e desenvolve seu sentimento de pertencimento. Em alguns casos, a pessoa já sabe quem é e o que deseja para sua vida, mas ainda encontra dificuldades para viver isso com tranquilidade devido a medos e sentimentos que foram construídos ao longo de sua história.
Algo que me chamou atenção no seu relato é que você menciona que o medo e a ansiedade já estão afetando seu relacionamento. Quando dificuldades emocionais começam a impactar áreas importantes da vida, geralmente vale a pena olhar para elas com mais cuidado.
A psicoterapia pode ajudar justamente a compreender de onde essas crenças surgiram, qual função elas tiveram na sua história e por que continuam exercendo tanta influência mesmo quando você já percebe que não fazem mais sentido. Além disso, pode auxiliar no fortalecimento da autoestima, na construção da identidade, no manejo da ansiedade e no desenvolvimento de relacionamentos mais saudáveis e coerentes com aquilo que você deseja viver.
Sobre procurar também um psiquiatra, uma avaliação inicial com um psicólogo pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo e verificar se existe necessidade de um encaminhamento complementar. Nem toda ansiedade exige tratamento medicamentoso, mas em alguns casos uma avaliação psiquiátrica pode ser útil.
O fato de você já estar refletindo sobre essas questões demonstra algo importante: existe uma parte sua que está questionando crenças antigas e buscando construir uma vida mais coerente com quem você é hoje. Esse costuma ser um passo muito valioso dentro de qualquer processo terapêutico.
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Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es
Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Seu relato traz alguns elementos que podem estar relacionados à ansiedade, mas antes de qualquer conclusão eu teria curiosidade de entender melhor alguns aspectos da sua história.
Há quanto tempo esses sintomas acontecem? Eles surgiram de forma repentina ou foram aumentando aos poucos? Ocorrem apenas quando você sai de casa ou também aparecem em outras situações do dia a dia? Existem lugares, horários ou circunstâncias específicas que costumam desencadear esse desconforto?
Também me chamou atenção o fato de que você fez praticamente o mesmo percurso na ida e na volta, mas viveu experiências muito diferentes. Por isso, uma pergunta importante seria: o que aconteceu entre esses dois momentos? Você almoçou, descansou, recebeu alguma notícia boa, sentiu que tudo correu bem ou estava acompanhado de alguém com quem se sente seguro?
Em muitos quadros de ansiedade, especialmente quando existe uma preocupação constante com os sintomas físicos, a atenção acaba ficando muito voltada para o próprio corpo. Quanto mais a pessoa monitora sinais como cansaço, respiração, batimentos ou sensações desagradáveis, mais intensos eles podem parecer. Isso pode criar um ciclo onde o medo dos sintomas acaba produzindo ainda mais sintomas.
Por outro lado, a forma como os relacionamentos influenciam a ansiedade varia bastante de pessoa para pessoa. Algumas encontram alívio na presença de alguém de confiança e percebem redução dos sintomas durante conversas ou interações sociais. Outras vivenciam justamente o contrário, especialmente em quadros de ansiedade social, onde situações envolvendo exposição, avaliação, críticas, rejeição ou contato com outras pessoas podem aumentar significativamente o desconforto.
Por isso, também seria importante observar se a presença de outras pessoas costuma aliviar ou aumentar seus sintomas. Você tem passado muito tempo sozinho? Tem evitado encontros, conversas ou ambientes sociais? Ou percebe que o desconforto aparece justamente quando está perto de outras pessoas?
Quando falamos de ansiedade social, muitas vezes não estamos falando apenas do medo das pessoas em si. Em alguns casos, existe uma história de experiências relacionais difíceis, situações de humilhação, críticas excessivas, rejeições ou outros acontecimentos que fizeram a pessoa aprender a associar determinados contextos sociais a perigo ou sofrimento emocional.
Nessas situações, o tratamento geralmente envolve compreender melhor essas experiências, desenvolver recursos emocionais para lidar com elas e construir gradualmente novas experiências de segurança nas relações. Ao mesmo tempo, também pode ser importante aprender a identificar relações ou contextos que continuam produzindo sofrimento e que merecem limites ou proteção.
Como você ainda não realizou exames médicos, também considero importante uma avaliação clínica para descartar possíveis causas físicas para esse cansaço e desconforto.
De modo geral, seu relato sugere que fatores relacionados à atenção, aos pensamentos, às emoções e aos relacionamentos podem estar influenciando significativamente a forma como você está vivendo essas situações. Entender melhor em quais circunstâncias os sintomas aparecem, aumentam ou diminuem costuma ser um passo importante para compreender o que realmente está acontecendo.
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Se eu estou fazendo terapia com um psicólogo e vou começar a ir pra outro,o que eu deveria fazer?
Se eu estou fazendo terapia com um psicólogo e vou começar a ir pra outro,o que eu deveria fazer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Você não precisa pedir autorização para trocar de psicólogo. Buscar outro profissional faz parte do seu direito como paciente e, em alguns momentos da vida, pode ser uma decisão muito saudável.
Ao mesmo tempo, uma reflexão importante é tentar compreender o que está motivando essa mudança. Existem situações em que a troca acontece porque os objetivos mudaram, porque o paciente busca uma abordagem diferente ou porque não encontrou naquele profissional o que precisava naquele momento. Em outros casos, a vontade de trocar pode estar relacionada a dificuldades que também aparecem em outras relações da vida e que merecem ser compreendidas com mais profundidade.
Estudos mostram que a qualidade da relação entre psicólogo e paciente está diretamente associada aos resultados do tratamento. Por isso, sempre que possível, costuma ser muito valioso conversar sobre a própria relação terapêutica, sobre aquilo que você sente que não está conseguindo alcançar, sobre suas expectativas, dúvidas ou insatisfações com o processo.
Ao longo da prática clínica, não é raro ver pacientes chegarem a uma sessão decididos a encerrar a terapia e, durante a conversa, perceberem que existiam questões importantes que ainda não haviam sido compreendidas. Da mesma forma, também existem situações em que a decisão de encerrar faz sentido e representa um movimento saudável, seja porque os objetivos foram alcançados, seja porque mudanças na vida da pessoa tornaram necessário outro formato de acompanhamento.
A forma como encerramos relações também costuma dizer algo sobre a maneira como lidamos com vínculos, conflitos, expectativas e despedidas. Muitas vezes, uma finalização clara e respeitosa ajuda tanto o paciente quanto o profissional a compreenderem melhor o caminho percorrido.
Se você já decidiu iniciar acompanhamento com outro psicólogo, isso não impede que faça uma ou algumas sessões de encerramento com o profissional atual. Em muitos casos, essa transição organizada contribui para que o novo processo terapêutico comece de forma mais consciente e produtiva.
Mais importante do que permanecer ou trocar de terapeuta é conseguir encontrar um espaço onde você se sinta seguro para trabalhar aquilo que realmente precisa ser desenvolvido na sua vida.
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Há algumas semanas, minha esposa descobriu que eu estava trocando mensagens com outras mulheres. Ape
Há algumas semanas, minha esposa descobriu que eu estava trocando mensagens com outras mulheres. Apesar de não ter havido contato físico, ela reagiu de forma muito intensa, chegando a ameaçar tirar a própria vida e tentar se ferir. Desde então, passamos por momentos muito difíceis, incluindo discussões e uma viagem bastante desgastante. Recentemente, porém, ela mudou sua postura, reconheceu falhas no relacionamento e demonstrou interesse em reconstruirmos o casamento.
Diante dessa situação, sinto-me dividido entre tentar recomeçar a relação ou seguir em frente com uma separação. Tenho medo de permanecer no casamento sem estar verdadeiramente decidido e acabar magoando minha esposa novamente, mas também me sinto culpado ao pensar em encerrar uma história de três anos de casamento. Como lidar com essa indecisão, compreender melhor meus sentimentos e tomar uma decisão emocionalmente saudável para mim e para minha esposa?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
• Sua dúvida é bastante compreensível e, na prática clínica, muitas pessoas se encontram justamente nesse lugar de conflito: não saber se desejam reconstruir o relacionamento ou se permanecem apenas por culpa, responsabilidade ou medo das consequências de uma separação.
• Antes de decidir se deve permanecer ou terminar, talvez seja importante compreender melhor o que aconteceu antes mesmo da descoberta das mensagens. O que levou você a buscar essas conversas? Foi um episódio isolado, um impulso momentâneo, um hábito que já existia ou um sinal de que havia necessidades emocionais, afetivas ou sexuais que não estavam encontrando espaço dentro do relacionamento?
• Também pode ser importante refletir sobre sua própria história afetiva. Este é seu primeiro relacionamento sério? Você já viveu outras relações longas? Consegue identificar como costuma lidar com as diferentes fases do desejo, da intimidade e da rotina nos relacionamentos? Muitas pessoas interpretam oscilações naturais do vínculo como prova de que o amor acabou, quando, na verdade, estão vivendo transformações esperadas das relações de longo prazo.
• Outro aspecto que me chamou atenção foi a intensidade da reação da sua esposa. Quando uma pessoa ameaça tirar a própria vida ou tenta se ferir diante da possibilidade de perda do relacionamento, isso merece ser levado muito a sério. Nesses casos, além do sofrimento do casal, pode existir um sofrimento individual importante que necessita de acompanhamento profissional.
• Ao mesmo tempo, é importante diferenciar responsabilidade afetiva de responsabilidade pela vida do outro. A responsabilidade afetiva envolve comunicar-se com respeito, agir com cuidado e considerar o impacto das próprias decisões. Porém, permanecer em um relacionamento exclusivamente por medo de que a outra pessoa sofra, se machuque ou não consiga lidar com a separação costuma aumentar o sofrimento de ambos a longo prazo.
• Muitas vezes, quando existe dependência emocional importante, o processo de separação precisa ser construído de forma mais cuidadosa, envolvendo rede de apoio, familiares, amigos próximos e acompanhamento psicológico. Na prática clínica, acompanhei situações em que a construção de uma separação responsável fez grande diferença para a segurança emocional das pessoas envolvidas.
• Também vale refletir sobre o que significa, para você, reconstruir esse casamento. Você deseja reconstruir a relação porque ainda existe desejo de compartilhar a vida com sua esposa ou porque sente culpa pelo sofrimento que ela está vivendo? Da mesma forma, a decisão de terminar surge porque você realmente não deseja mais permanecer ou porque se sente emocionalmente esgotado pelos acontecimentos recentes?
• O fato de sua esposa ter reconhecido dificuldades do relacionamento e demonstrado desejo de mudança pode representar uma oportunidade importante de diálogo. No entanto, reconstruir um relacionamento geralmente exige mais do que arrependimento ou culpa: exige compreender quais dinâmicas levaram o casal até esse ponto e se ambos desejam, de fato, construir uma nova forma de se relacionar.
• Nesses casos, tanto a psicoterapia individual quanto a terapia de casal podem ser muito úteis. A terapia de casal não serve apenas para salvar relacionamentos; ela também pode ajudar o casal a compreender se deseja reconstruir a relação ou, em alguns casos, a construir uma separação mais consciente, respeitosa e emocionalmente segura para ambos.
• Talvez a pergunta mais importante neste momento não seja apenas "devo ficar ou terminar?", mas sim: "o que me fez chegar até aqui?", "o que eu realmente desejo para minha vida afetiva?" e "como posso tomar uma decisão que seja responsável tanto comigo quanto com a pessoa que compartilhou essa história comigo?".
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Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade
Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade para comer fora de casa, estar em lugares fora da minha rotina ou até mesmo fazer refeições na presença de outras pessoas. Também tenho um medo muito grande de passar mal ou vomitar, e isso acaba aumentando ainda mais minha ansiedade nessas situações.
Já fiz acompanhamento psicológico em outros momentos da minha vida, mas sinto que não tive a melhora que esperava. Com o passar dos anos, percebo que esse problema continua me limitando e fazendo com que eu evite situações que gostaria de viver normalmente.
Eu tento lidar com isso da melhor forma possível. Já procurei técnicas para me acalmar, tentei me expor aos poucos às situações que me causam desconforto e busquei mudar alguns comportamentos, mas ainda sinto que a ansiedade continua muito presente.
Gostaria de saber se existem abordagens terapêuticas mais indicadas para casos como o meu e como posso saber se vale a pena tentar a terapia novamente, mesmo não tendo tido bons resultados nas experiências anteriores.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
• O que você descreve parece causar um sofrimento importante e, antes de qualquer coisa, gostaria de destacar algo que considero muito relevante: apesar de todas essas dificuldades, você continuou tentando viver, se expor, buscar informações e procurar tratamento. Isso demonstra um esforço e uma capacidade de enfrentamento que, muitas vezes, a própria pessoa deixa de reconhecer em si mesma.
• Também me chamou atenção o fato de você relatar que essas dificuldades estão presentes desde a infância e envolvem não apenas a alimentação, mas também estar fora da rotina, estar em determinados lugares e se expor à presença de outras pessoas. Isso sugere que talvez estejamos diante de algo mais complexo do que apenas um sintoma isolado de ansiedade.
• Do ponto de vista psicológico, a alimentação possui um significado muito profundo no desenvolvimento humano. Comer não está relacionado apenas à nutrição, mas também às primeiras experiências de cuidado, proteção, segurança, confiança e convivência com outras pessoas. Por isso, em alguns casos, dificuldades relacionadas à alimentação, especialmente em situações sociais ou fora de ambientes considerados seguros, podem estar associadas a formas mais amplas de vivenciar as relações, a proteção e a sensação de segurança no mundo.
• Isso não significa que exista uma única explicação para o que você está vivendo, mas pode ser um indicativo de que o sofrimento não esteja apenas no ato de comer ou no medo de passar mal, e sim em uma dinâmica emocional e relacional mais ampla, que merece ser compreendida com cuidado.
• Você também mencionou algo muito importante: tentou técnicas de relaxamento, mudanças comportamentais e exposição gradual, mas sentiu que a melhora não foi a esperada. Em alguns casos, essas estratégias ajudam bastante; em outros, a pessoa percebe que, embora consiga controlar parcialmente os sintomas, continua sem compreender por que determinadas situações despertam tanto sofrimento.
• Por isso, talvez uma pergunta importante não seja apenas "como parar de sentir ansiedade?", mas também: "o que essas situações representam para mim?", "quando comecei a me sentir insegura dessa forma?" e "como eu aprendi a me relacionar com proteção, cuidado, exposição e convivência com outras pessoas ao longo da minha vida?".
• Também pode ser útil refletir se existem pessoas, lugares ou situações em que você consegue se sentir relativamente segura. Muitas vezes, compreender onde o sofrimento diminui pode ser tão importante quanto entender onde ele aumenta.
• Sobre voltar à terapia, acredito que sua experiência anterior não significa necessariamente que a psicoterapia não possa ajudá-la. Existem diferentes formas de compreender e trabalhar o sofrimento psicológico, e encontrar um profissional e uma abordagem com os quais você se sinta compreendida pode fazer uma grande diferença.
• O fato de você continuar buscando entender o que acontece consigo, mesmo após experiências frustrantes, demonstra que ainda existe uma parte sua que acredita que é possível viver com menos sofrimento. E, sinceramente, acredito que essa esperança merece ser levada a sério.
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Qual é o papel da rede de apoio familiar no manejo terapêutico de indivíduos com Transtorno de Perso
Qual é o papel da rede de apoio familiar no manejo terapêutico de indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A rede de apoio familiar costuma ter um papel muito importante no manejo terapêutico de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Isso acontece porque os sintomas geralmente não afetam apenas o paciente, mas também seus relacionamentos mais próximos, especialmente familiares, parceiros e pessoas com quem existe vínculo afetivo significativo.
Pessoas com TPB frequentemente vivenciam as relações de forma muito intensa. Medos de abandono, dificuldades na regulação dos sentimentos, impulsividade e mudanças rápidas na forma de perceber a si mesmas e aos outros podem gerar ciclos de aproximação, afastamento, conflitos e reconciliações que acabam envolvendo toda a família.
Por esse motivo, uma rede de apoio saudável não se resume apenas a oferecer carinho ou compreensão. Muitas vezes ela também precisa aprender a lidar com situações difíceis sem entrar nos ciclos relacionais produzidos pelos sintomas. Um dos desafios mais importantes é encontrar um equilíbrio entre acolher o sofrimento da pessoa e, ao mesmo tempo, manter limites claros e consistentes.
Na prática clínica, costuma ser muito útil quando os familiares conseguem compreender melhor o transtorno, reconhecer seus próprios limites e desenvolver formas mais estáveis de comunicação. Validar o sofrimento de alguém não significa concordar com todos os seus comportamentos. Da mesma forma, estabelecer limites não significa abandono ou rejeição.
Uma reflexão importante é que pacientes com TPB frequentemente vivem muito próximos dos limites das relações, testando, consciente ou inconscientemente, a estabilidade dos vínculos. Quando a família aprende a se manter firme, previsível e emocionalmente disponível, sem reagir de forma impulsiva a cada crise, ela pode se tornar um importante fator de proteção e estabilidade.
Por isso, em muitos casos, o trabalho terapêutico não beneficia apenas o paciente, mas também os familiares. Quanto mais os membros da rede de apoio conseguem compreender a dinâmica relacional envolvida, maiores tendem a ser as possibilidades de construção de relações mais seguras, estáveis e saudáveis para todos os envolvidos.
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Como os fatores sociais podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais?
Como os fatores sociais podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando pensamos em saúde mental, é comum imaginar que os transtornos psicológicos surgem apenas por fatores biológicos ou individuais. No entanto, o ser humano se desenvolve dentro de relações e contextos sociais que influenciam profundamente a forma como percebe a si mesmo, os outros e o mundo.
As relações familiares, amizades, relacionamentos afetivos, experiências escolares, ambientes de trabalho e a participação em grupos sociais podem contribuir tanto para a proteção quanto para a vulnerabilidade da saúde mental.
Por exemplo, crescer em ambientes marcados por violência, críticas constantes, rejeição, exclusão ou dificuldades de acolhimento pode influenciar a forma como a pessoa constrói sua autoestima, sua identidade e suas relações ao longo da vida. Da mesma forma, experiências de discriminação, preconceito ou não pertencimento podem gerar sofrimento psicológico significativo.
Por outro lado, a presença de vínculos saudáveis costuma funcionar como um importante fator de proteção. Um dos estudos mais conhecidos sobre saúde mental e desenvolvimento humano, que acompanha pessoas ao longo de décadas, observou que a qualidade das relações afetivas está entre os fatores mais associados à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida, mesmo entre pessoas que enfrentam dificuldades emocionais ou transtornos mentais.
Isso não significa que os relacionamentos resolvam todos os problemas, mas mostra que os seres humanos tendem a se desenvolver melhor quando encontram espaços de confiança, apoio, pertencimento e reconhecimento.
Por isso, compreender um transtorno mental não significa olhar apenas para os sintomas. Muitas vezes é necessário compreender também a história da pessoa, seus relacionamentos, os contextos em que viveu e os significados que construiu ao longo da vida.
A psicoterapia pode ajudar justamente nesse processo, auxiliando a pessoa a compreender seus padrões de relacionamento, fortalecer recursos emocionais e construir formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesma e com os outros.
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Como cortar laços com família ruim e disfuncional? Meus pais me "aceitam" gay desde que eu não tenha
Como cortar laços com família ruim e disfuncional? Meus pais me "aceitam" gay desde que eu não tenha determinados comportamentos. Como lidar com o corte de laços familiares pois sinto que não pertenço aqui sendo que até mesmo minha mãe disse que meu sobrinho nasceu na família errada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua pergunta me faz pensar primeiro no sofrimento que existe por trás dela. Geralmente, quando uma pessoa cogita romper totalmente os laços familiares, não estamos falando apenas de uma divergência de opiniões, mas de uma sensação profunda de não pertencimento, rejeição ou exclusão dentro de um espaço que deveria oferecer acolhimento e proteção.
Pelo que você descreve, parece existir uma aceitação condicionada: você pode ser quem é, desde que não expresse determinadas partes da sua identidade. Para muitas pessoas LGBTQIAPN+, isso pode ser vivido como uma forma muito dolorosa de convivência, porque a mensagem recebida não é exatamente de aceitação, mas de tolerância dentro de certos limites.
Também é importante entender em que momento do seu processo você está. Existe uma grande diferença entre alguém que está começando a compreender e assumir sua identidade e alguém que já percorreu esse caminho há muitos anos. O desenvolvimento da identidade costuma acontecer primeiro dentro da própria pessoa, depois nas relações mais próximas e, aos poucos, no meio social. Por isso, essa fase inicial costuma ser especialmente sensível e vulnerável.
Outro aspecto fundamental é a questão da independência. Antes de qualquer decisão importante, vale refletir sobre sua capacidade de sustentar emocionalmente, socialmente e financeiramente essa escolha. Em alguns casos, romper com a família sem possuir uma rede de apoio pode levar a novas formas de dependência e sofrimento. Em outros, certos limites, afastamentos temporários ou até rompimentos podem ser necessários para proteger a saúde emocional da pessoa.
Também considero importante observar quais apoios você possui hoje. Nem sempre o suporte necessário virá da família de origem. Muitas pessoas encontram acolhimento em amizades, grupos de convivência, relacionamentos, comunidades ou espaços terapêuticos que ajudam a fortalecer a identidade e a sensação de pertencimento.
A frase que você relata sobre seu sobrinho ter nascido "na família errada" também chama atenção. Mais do que analisar a intenção de quem falou, vale compreender como essa mensagem foi recebida por você e o quanto ela reforça sentimentos que talvez já estivessem presentes há muito tempo.
Na prática clínica, vejo que algumas famílias conseguem amadurecer ao longo do tempo e ampliar sua capacidade de acolhimento. Outras mantêm padrões de rejeição que acabam produzindo sofrimento contínuo. Por isso, mais importante do que decidir rapidamente entre permanecer ou romper é compreender qual é o impacto dessa relação na sua vida hoje e quais limites são necessários para preservar sua saúde emocional.
A psicoterapia pode ajudar muito nesse processo, não para dizer se você deve ou não cortar laços familiares, mas para fortalecer sua identidade, compreender sua história, construir autonomia e encontrar formas mais saudáveis de se relacionar com sua família ou, quando necessário, construir novas referências de pertencimento e apoio.
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É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso?
É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso? Pois eu gosto muito do grupo, me sentia "confortável"/bem ao assisti-las e acompanhava bastante conteúdos das integrantes, que não eram apenas sobre música especificamente.
Era quase como se eu me sentisse um amigo mesmo, estava engajado ao ponto de defender o grupo contra haters, sem xingar e sem ofender, apenas mostrando contrapontos a alguns comentários negativos.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, não me parece estranho imaginar conversas ou interações com pessoas que admiramos. Isso pode acontecer com artistas, personagens, atletas, influenciadores, grupos musicais e até autores que acompanhamos há muito tempo.
Quando passamos muitas horas consumindo conteúdos de alguém, acompanhando sua rotina, entrevistas, histórias e momentos pessoais, nosso cérebro acaba desenvolvendo uma sensação de familiaridade. É como se conhecêssemos aquela pessoa, mesmo que a relação exista apenas de um lado.
Na psicologia, isso costuma ser compreendido como uma forma de vínculo emocional ou identificação, algo relativamente comum e que pode acontecer em diferentes intensidades.
Também me chama atenção a sensação de conforto que você descreve. Muitas vezes, grupos, artistas e comunidades passam a representar mais do que entretenimento. Eles podem oferecer:
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* sensação de pertencimento
* companhia emocional
* identificação com valores e histórias
* acolhimento em momentos difíceis
* conexão com outras pessoas que compartilham os mesmos interesses
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Por isso, talvez uma pergunta interessante não seja apenas se isso é normal, mas o que esse grupo representava para você naquele momento da sua vida. O que você encontrava ali que fazia tão bem? Companhia? Compreensão? Diversão? Sentimento de fazer parte de algo?
Outro aspecto interessante é que, durante o desenvolvimento da nossa identidade, é muito comum termos figuras de admiração e idealização. Artistas, atletas, influenciadores e pessoas que admiramos podem representar características que gostaríamos de desenvolver em nós mesmos, como talento, coragem, popularidade, carisma, capacidade de se relacionar ou de ser reconhecido pelos outros.
Inclusive, durante o desenvolvimento afetivo e da sexualidade, essas figuras frequentemente participam das nossas fantasias, inspirações e modelos de identificação. Elas podem nos ajudar a compreender melhor quem somos, quem gostaríamos de ser e quais qualidades admiramos nas outras pessoas. Por isso, admirar alguém intensamente em determinados momentos da vida costuma fazer parte do desenvolvimento humano.
O aspecto que costuma merecer mais atenção não é imaginar conversas ou sentir proximidade emocional, mas quando essas experiências passam a substituir relacionamentos reais, geram sofrimento significativo ou levam a comportamentos que começam a trazer prejuízos para a vida da pessoa. Isso pode incluir, por exemplo:
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* conflitos frequentes na internet
* discussões que geram desgaste emocional
* exposição excessiva
* situações que acabam prejudicando relacionamentos, estudos, trabalho ou bem-estar
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Se esse interesse coexistia com amizades, estudos, trabalho, família e outras relações importantes, provavelmente estamos falando de uma experiência humana bastante comum de admiração, identificação e pertencimento.
Às vezes, quando admiramos muito alguém, estamos aprendendo menos sobre aquela pessoa e mais sobre nós mesmos.
A psicoterapia pode ajudar a compreender melhor o significado emocional desses vínculos e o que eles revelam sobre as necessidades, interesses, relações e aspectos da identidade que estamos construindo ao longo da vida.
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Relações parassociais podem ser um sintoma de uma falta de profundidade nas relações reais?
Relações parassociais podem ser um sintoma de uma falta de profundidade nas relações reais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Nem sempre. Relações parassociais fazem parte da experiência humana e acontecem quando desenvolvemos um sentimento de proximidade, admiração ou conexão com pessoas que não possuem uma relação direta conosco, como artistas, influenciadores, atletas ou figuras públicas.
Por si só, isso não representa um problema psicológico. Muitas vezes essas relações podem até inspirar aprendizados, motivação ou sensação de pertencimento.
No entanto, vale a pena observar quando elas passam a ocupar um espaço maior do que os relacionamentos reais. Nesses casos, pode ser importante refletir sobre:
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* como estão suas amizades e relacionamentos atuais
* se existe dificuldade para criar intimidade com pessoas reais
* se há medo de rejeição, críticas ou conflitos
* se as relações parassociais parecem mais seguras do que as relações presenciais
* quanto tempo e energia emocional estão sendo investidos nessas conexões
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Na psicoterapia, algumas pessoas percebem que determinadas relações parassociais funcionam como uma forma de suprir necessidades emocionais legítimas, como pertencimento, admiração, companhia ou identificação. Isso não significa necessariamente falta de profundidade nas relações reais, mas pode indicar que existem necessidades afetivas importantes buscando espaço de expressão.
Também é interessante observar que relações reais exigem negociação, frustração, diferenças e vulnerabilidade. Já as relações parassociais costumam oferecer uma conexão mais controlada e previsível, sem os riscos emocionais presentes nos vínculos do dia a dia.
Por isso, mais importante do que perguntar se elas são um problema, costuma ser investigar qual função elas estão desempenhando na vida da pessoa e como se relacionam com seus vínculos familiares, afetivos e sociais.
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Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado
Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, o que parece estar causando sofrimento não são apenas as perguntas em si, mas a sensação constante de precisar justificar seu passado, suas amizades e suas escolhas para que a outra pessoa se sinta tranquila.
Em um relacionamento saudável, conhecer a história do outro faz parte da construção da intimidade. Porém, existe uma diferença importante entre a curiosidade genuína e um padrão de questionamentos que gera tensão, insegurança e a sensação de estar sendo constantemente avaliada.
Algo que chama atenção no seu relato é que vocês se conhecem há apenas um mês e você já percebe que está deixando de aproveitar os momentos bons por antecipar possíveis questionamentos. Quando a pessoa passa a medir suas palavras, revisar comportamentos ou sentir medo de que qualquer assunto gere uma nova discussão, vale a pena olhar para essa dinâmica com cuidado.
Também é importante lembrar que compreender o passado de alguém não significa exigir explicações detalhadas sobre tudo o que aconteceu antes da relação. A confiança costuma ser construída no presente, através das atitudes, do respeito e da convivência.
Muitas vezes, comportamentos como esses podem estar relacionados a:
* inseguranças pessoais
* experiências negativas em relacionamentos anteriores
* medo de abandono
* necessidade excessiva de controle
* dificuldades na construção da confiança
Isso não significa que exista má intenção por parte dele, mas mostra que existe uma dinâmica que merece atenção, especialmente porque já está trazendo sofrimento para você.
Também considero importante observar não apenas o conteúdo das perguntas, mas a forma como ele costuma se relacionar. Entender como foram os relacionamentos anteriores dele, como ele lida com inseguranças, rejeições, confiança e autonomia pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.
Na prática clínica, encontramos situações bastante diferentes. Algumas pessoas iniciam relacionamentos com muita insegurança, necessidade de confirmação e medo de perder o parceiro. À medida que a confiança é construída, esses comportamentos tendem a diminuir naturalmente.
Por outro lado, também existem casos em que a necessidade de controle aumenta progressivamente, levando a questionamentos cada vez mais frequentes, monitoramento excessivo, invasão de privacidade e dificuldades em respeitar a individualidade do outro. Por isso, mais do que analisar episódios isolados, costuma ser importante observar a direção para a qual a relação está caminhando.
Uma pergunta que pode ser útil fazer a si mesma é: ao longo desse mês, você percebe que existe uma construção gradual de confiança entre vocês ou sente que as exigências e os questionamentos estão aumentando?
Também pode ser importante observar como ele reage quando percebe que você fica desconfortável com esses questionamentos. Ele consegue escutar quando você diz que algo a incomoda? Demonstra preocupação com o que você está sentindo? Tenta ajustar o próprio comportamento? Ou a conversa volta sempre para justificar os motivos dele e a necessidade dele de obter mais respostas?
Nas relações saudáveis, não é apenas importante que uma pessoa consiga expressar suas inseguranças, mas também que consiga perceber o impacto que seus comportamentos produzem no parceiro. A forma como alguém reage ao sofrimento do outro costuma dizer muito sobre a capacidade de construir confiança, respeito e intimidade.
A psicoterapia pode ajudar bastante a compreender seus próprios limites dentro da relação, identificar o que é saudável para você e desenvolver mais segurança para lidar com situações que geram desconforto. Em alguns casos, quando o relacionamento continua e ambos estão dispostos a compreender melhor essas dificuldades, a terapia de casal também pode ser uma ferramenta valiosa.
Relacionamentos saudáveis costumam permitir que as pessoas se sintam cada vez mais livres para serem quem são, e não cada vez mais preocupadas com o que podem dizer ou fazer.
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Estou numa relação e aconteceu uma interação com um amigo que me deixou desconfortável. O meu parcei
Estou numa relação e aconteceu uma interação com um amigo que me deixou desconfortável. O meu parceiro não ficou incomodado quando lhe contei, mas desde então tenho pensamentos repetitivos sobre se fiz algo errado. Passo muito tempo a rever mentalmente o que aconteceu, a analisar cada detalhe e a sentir culpa, apesar de procurar confirmação junto de outras pessoas. Como posso lidar com esta necessidade constante de ter a certeza de que não fiz algo errado? Sinto a necessidade de perguntar a toda a gente se considera traição, se eu agi errado, e minha cabeça fica o tempo todo “isso é traição” “coitado do seu namorado, vc não merece ele” “será que eu dei abertura?” “Será que eu fiz com intenção?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo seu relato, parece que o sofrimento maior não está necessariamente no que aconteceu, mas na necessidade constante de ter certeza absoluta de que não fez nada errado.
Algo que chama atenção é que você conversou com seu parceiro sobre a situação e ele não demonstrou incômodo. Mesmo assim, sua mente continua revisitando o acontecimento, analisando detalhes, buscando explicações e procurando confirmação de outras pessoas.
Quando entramos nesse ciclo, muitas vezes acontece algo parecido com:
* revisar mentalmente a situação repetidas vezes
* procurar sinais de que houve erro ou traição
* buscar confirmação com amigos, familiares ou desconhecidos
* sentir alívio temporário após receber uma resposta
* voltar a duvidar pouco tempo depois
Nesses casos, o problema pode deixar de ser o acontecimento em si e passar a ser a relação que a pessoa desenvolve com a dúvida e a culpa.
Também vale refletir sobre:
* qual foi exatamente a interação que gerou desconforto
* quais valores você possui sobre fidelidade e compromisso
* se existe medo de decepcionar quem você ama
* como costuma lidar com erros e imperfeições na sua vida
* se você tende a assumir responsabilidade excessiva pelos acontecimentos
Na psicoterapia de relacionamentos, frequentemente observamos pessoas que sofrem não apenas por aquilo que fizeram, mas pela dificuldade de tolerar a incerteza. A busca constante por garantias pode acabar alimentando ainda mais a ansiedade, porque nenhuma resposta parece suficiente por muito tempo.
Outro aspecto importante é que relacionamentos saudáveis não dependem de perfeição. Todos nós teremos situações ambíguas, dúvidas e interações que podem ser interpretadas de formas diferentes. O mais importante costuma ser a intenção, a honestidade e a capacidade de dialogar sobre o que aconteceu.
Se esses pensamentos estão consumindo muito tempo, gerando sofrimento ou dificultando sua vida cotidiana, a psicoterapia pode ajudar a compreender melhor a origem dessa culpa, fortalecer a confiança em si mesma e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com a dúvida sem precisar buscar confirmação constantemente.
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Olá. Gostaria de saber qual é a eficácia da combinação entre a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC
Olá. Gostaria de saber qual é a eficácia da combinação entre a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e o EMDR para tratar o vício/compulsão em pornografia que se iniciou ainda na infância. Percebo que esse comportamento está profundamente enraizado e diretamente ligado a traumas e vivências dessa época. Gostaria de entender como essas abordagens atuam juntas para reprocessar o passado e regular a impulsividade no presente.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
• Sua pergunta é muito importante, principalmente porque você identifica algo que observamos com frequência na prática clínica: quando um comportamento compulsivo relacionado à pornografia se inicia ainda na infância, muitas vezes ele não pode ser compreendido apenas como um hábito ou uma questão de controle de impulsos.
• Tanto a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) quanto o EMDR possuem evidências científicas e podem ser úteis em diferentes situações clínicas. No entanto, quando estamos falando de comportamentos que começaram muito cedo e parecem estar profundamente relacionados a experiências traumáticas, emocionais e relacionais, geralmente é importante ampliar a compreensão para além da técnica utilizada.
• A sexualidade é a área que estuda o desenvolvimento das relações humanas ao longo da vida. Isso inclui como aprendemos a nos relacionar com o cuidado, o prazer, o corpo, a intimidade, o desejo, a proteção e o sofrimento desde a infância. Experiências traumáticas ou relacionais difíceis podem influenciar profundamente a forma como a pessoa aprende a buscar prazer, regular emoções e lidar com o próprio sofrimento.
• Em alguns casos, comportamentos compulsivos relacionados à pornografia podem funcionar, ao longo dos anos, como uma forma de compensar dores emocionais, aliviar ansiedade, lidar com sentimentos de inadequação, solidão ou experiências traumáticas que não conseguiram ser elaboradas de outras maneiras.
• Por isso, quando existe uma relação importante entre trauma precoce e comportamento compulsivo, costuma ser necessário um trabalho psicoterapêutico mais profundo e duradouro. Afinal, estamos falando de formas de funcionamento que, muitas vezes, foram construídas e reforçadas durante anos ou décadas, dentro de relações significativas e em períodos importantes do desenvolvimento.
• Uma reflexão que costumo fazer com pacientes é a seguinte: se um determinado modo de lidar com o sofrimento foi construído ao longo de muitos anos, é natural que a construção de novas formas de viver o desejo, o prazer e os relacionamentos também demande tempo. Isso não significa que a melhora seja impossível, mas que o processo costuma exigir paciência, continuidade e um espaço terapêutico suficientemente seguro.
• Nesse sentido, além das técnicas específicas, um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento costuma ser a construção de uma relação terapêutica forte, estável e baseada em aceitação, confiança e compreensão. É dentro dessa relação que muitas pessoas conseguem, gradualmente, revisitar experiências dolorosas, elaborar traumas e construir formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesmas, com o desejo e com os outros.
• Na prática clínica em sexualidade, frequentemente observamos que o objetivo do tratamento não é apenas reduzir o comportamento compulsivo, mas compreender a função que ele exerceu na vida da pessoa e ajudá-la a desenvolver outras maneiras de experimentar prazer, intimidade, segurança emocional e relacionamento.
• Por isso, mais importante do que encontrar uma técnica específica costuma ser encontrar um profissional com quem você consiga construir uma relação terapêutica consistente e que tenha experiência em compreender a sexualidade humana, os traumas e os relacionamentos em sua complexidade.
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Olá. Ultimamente tenho notado uma oscilação constante de humor, caracterizada por irritabilidade ext
Olá. Ultimamente tenho notado uma oscilação constante de humor, caracterizada por irritabilidade extrema, estresse frequente e episódios de raiva sem um motivo aparente. Gostaria de saber quais condições de saúde mental ou fatores biológicos costumam estar associados a esse quadro de irritabilidade persistente
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
• A irritabilidade persistente pode estar associada a diferentes fatores psicológicos, biológicos e relacionais. Por isso, embora muitas pessoas pensem inicialmente apenas em transtornos psiquiátricos específicos, geralmente é importante compreender o contexto mais amplo em que esse sofrimento está acontecendo.
• Do ponto de vista biológico, alterações do sono, estresse prolongado, uso de substâncias, algumas condições hormonais e diferentes transtornos mentais podem contribuir para quadros de irritabilidade intensa e persistente. No entanto, a irritabilidade também pode ser entendida como uma forma de expressão emocional diante de situações que a pessoa não consegue elaborar, comunicar ou modificar.
• Uma pergunta importante é: desde quando isso começou? Houve alguma mudança significativa na sua vida, nos seus relacionamentos, no trabalho, na família ou na forma como você se percebe? Muitas vezes, a irritabilidade não surge isoladamente, mas como resultado de um processo de sofrimento que foi se acumulando ao longo do tempo.
• Também pode ser útil observar se essa irritabilidade aparece com todas as pessoas ou se ela se intensifica em determinados contextos e relações. Algumas pessoas percebem que ficam mais irritadas em ambientes onde se sentem cobradas, desvalorizadas, incompreendidas ou impedidas de expressar aquilo que realmente sentem.
• Na prática clínica, é relativamente comum encontrar pessoas que passam anos tentando controlar a própria raiva, quando, na verdade, o sofrimento principal está em outro lugar: sentimentos de frustração, impotência, sobrecarga, insegurança, medo, desamparo ou dificuldades importantes nos relacionamentos.
• A forma como nos relacionamos com as outras pessoas influencia diretamente a forma como vivemos nossas emoções. Por isso, compreender a irritabilidade não significa apenas perguntar "qual transtorno pode causar isso?", mas também investigar "o que essa irritabilidade está tentando comunicar sobre a forma como estou vivendo e me relacionando?".
• Outro aspecto importante é observar se existem momentos ou pessoas com quem você consegue relaxar mais e sentir menos irritação. Às vezes, entender onde o sofrimento diminui pode ser tão importante quanto compreender onde ele aumenta.
• Caso essa irritabilidade esteja causando sofrimento significativo ou prejuízos nos relacionamentos, no trabalho ou na qualidade de vida, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender melhor sua origem e identificar quais formas de tratamento podem ser mais adequadas para o seu caso.
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Estou a passar por uma situação que me está a causar muita angústia. Há cerca de dois anos tive uma
Estou a passar por uma situação que me está a causar muita angústia. Há cerca de dois anos tive uma conversa por mensagens com uma pessoa que conhecia do passado, com quem tinha tido uma experiência típica da pré-adolescência, sem qualquer relação amorosa ou sentimento romântico envolvido mas que ja rolou uns beijos
Na altura não vi nada de problemático nessa conversa. Falámos sobre assuntos normais, como estudos, amizades em comum e outros temas do dia a dia. No entanto, recentemente comecei a questionar-me sobre essa interação e a sentir muita culpa.
O problema é que não me lembro da conversa em detalhe, apenas dos temas gerais. Por isso surgem pensamentos constantes como: 'E se eu tiver dado abertura?', 'E se houve algum flerte e eu não me lembro?', 'E se tive alguma intenção inadequada sem perceber?', 'E se fiz algo que vai contra os meus valores?'
Já falei sobre isto com o meu parceiro e ele não ficou incomodado nem desconfiou de mim. Mesmo assim, continuo a duvidar de mim própria e a sentir necessidade de procurar a opinião de outras pessoas para ter a certeza de que não fiz nada de errado.
Gostaria de perceber porque é que fico tão presa a estas dúvidas sobre acontecimentos passados, especialmente quando não me lembro de todos os detalhes, e porque a tranquilização dos outros parece não ser suficiente para me deixar em pazRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
• O que mais me chamou atenção no seu relato foi que o sofrimento parece não estar mais na conversa que aconteceu há dois anos, mas na necessidade de ter certeza absoluta sobre o que ela significou. Isso costuma ser muito mais angustiante do que o próprio acontecimento.
• Pelo que você descreveu, você lembra apenas dos temas gerais da conversa e não se recorda de nenhum episódio específico que tenha lhe causado estranheza naquele momento. Ainda assim, hoje surgem pensamentos como: "E se eu tiver dado abertura?", "E se houve algum flerte?", "E se fiz algo contra os meus valores?". Perceba que todas essas perguntas têm algo em comum: elas não procuram compreender o que aconteceu, mas eliminar completamente qualquer possibilidade de dúvida.
• Também é interessante observar que você conversou com seu parceiro, ele não interpretou a situação como um problema, mas isso não foi suficiente para diminuir sua angústia. Quando a tranquilização das outras pessoas alivia apenas por pouco tempo ou não alivia, muitas vezes percebemos que a origem do sofrimento não está na resposta do outro, mas em um conflito interno que continua ativo.
• Também me pergunto se essa conversa não reativou simbolicamente uma fase importante da sua vida. Não necessariamente um desejo por essa pessoa, mas lembranças de uma forma diferente de viver os relacionamentos. Na adolescência, muitas experiências são marcadas pela descoberta, pela curiosidade, pela aventura, pela idealização do amor e por uma vivência do prazer com menos responsabilidades e compromissos do que costumamos encontrar na vida adulta.
• Quando entramos em um relacionamento estável, o desejo passa a conviver com escolhas, responsabilidade afetiva, fidelidade e projetos em comum. Às vezes, revisitar uma lembrança da adolescência pode despertar saudade daquela sensação de liberdade, de descobrir o outro sem tantas preocupações. Isso não significa, necessariamente, vontade de trair ou de abandonar o relacionamento atual. Pode significar apenas que uma etapa importante do seu desenvolvimento afetivo e sexual foi relembrada.
• Na psicologia da sexualidade, compreendemos que é natural revisitarmos experiências marcantes do nosso desenvolvimento. O desejo faz parte da vida humana e continua existindo mesmo quando escolhemos construir um relacionamento comprometido. O que diferencia um relacionamento saudável não é a ausência completa de desejos ou lembranças, mas a forma como lidamos com eles e as escolhas que fazemos a partir deles.
• Muitas pessoas, ao perceberem esse movimento natural, passam a lutar contra ele. Tentam provar para si mesmas que nunca sentiram nada, que jamais poderiam ter tido qualquer intenção ou que precisam lembrar exatamente de tudo para terem certeza de que são uma pessoa correta. Paradoxalmente, quanto mais brigamos contra uma lembrança ou contra o próprio desejo, mais espaço eles costumam ocupar na nossa mente.
• Talvez também seja importante olhar para o momento atual do seu relacionamento. Como vocês estão hoje? Você tem conseguido viver esse relacionamento de forma tranquila ou sente que vem convivendo com muito medo de errar, decepcionar ou não corresponder às próprias expectativas? Às vezes, conflitos atuais fazem a mente revisitar situações antigas em busca de uma explicação para uma culpa que, na verdade, está sendo vivida no presente.
• Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja "o que exatamente aconteceu naquela conversa?", mas "o que essa lembrança passou a representar hoje?". Ela desperta culpa porque realmente houve algo incompatível com seus valores ou porque colocou você novamente em contato com uma fase importante da sua história, do seu desenvolvimento afetivo e da forma como aprendeu a viver o desejo?
• Se essa necessidade constante de revisar acontecimentos, buscar garantias e questionar a própria memória tem sido frequente e está causando sofrimento importante, vale a pena procurar um psicólogo. Mais do que descobrir se houve ou não algum erro naquela conversa, o tratamento pode ajudá-la a compreender por que essa lembrança ganhou tanto espaço hoje e construir uma relação mais tranquila consigo mesma, com o desejo e com seus relacionamentos.
Perguntas frequentes
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Fiz uma cirurgia da bacia pelve com parafuso no acetábulo 38 dias após sinto estalos e dor quando pa
Com pouco mais de um mês de cirurgia no acetábulo, a região ainda está em…