Perguntas do paciente (189)

  • Um adulto escolher se mudar de casa 15 vezes em 2 anos é possivelmente uma característica de autismo

    Um adulto escolher se mudar de casa 15 vezes em 2 anos é possivelmente uma característica de autismo ou há algumas outras condição que a princípio explica melhor isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Essa informação é bastante relevante para entender o comportamento de alguém, mas, por outro lado, é insuficiente para fechar um diagnóstico tão complexo quanto o autismo.

    Normalmente, pessoas com autismo não gostam de mudanças frequentes; elas tendem a preferir a rotina e um local fixo para morar, onde se sintam seguras. No entanto, alguém nessa condição poderia se mudar muito caso surgissem grandes dificuldades de interação nos ambientes novos. Como a pessoa com autismo pode ter desafios na convivência social, ela pode acabar desistindo de locais (como academias, igrejas ou faculdades) quando se sente incompreendida ou sobrecarregada.

    Geralmente, a casa é o local de proteção de quem tem autismo, onde a pessoa consegue controlar melhor o ambiente ao seu redor. Mudar de residência 15 vezes em apenas 2 anos é um comportamento mais comum em outros tipos de transtornos, que envolvem maior impulsividade ou uma instabilidade mais acentuada.

    O ideal é que essa pessoa passe por uma avaliação com um profissional de psicologia ou psiquiatria para entender o que realmente está motivando essa necessidade de mudança constante.


  • Ultimamente to sentindo muita sensação de incapacidade sinto que nunca vou ser capaz ou suficiente p

    Ultimamente to sentindo muita sensação de incapacidade sinto que nunca vou ser capaz ou suficiente pra nada na vida, e isso me gera crises de ansiedade, nunca fiz nada comigo , mais meus pensamentos são muito intenso quando penso essas coisas, querendo ser outras pessoas pra não ter que sofrer com nada na vida, crises de choro desespero tudo de ruim, e uma sensação que isso nunca vai parar ou mudar me sinto angustiada ansiosa por tudo todos os dias é uma luta mental, tenho ansiedade generalizada e acho que posso tá tendo depressao associado a ansiedade muito forte para eu ter esses pensamentos ruins o que isso poderia ser ? (Tomo medicação também antidepressivo e ansiolítico já faz 1)

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    É compreensível que você se sinta assim; em momentos de crise, a sensação de incapacidade pode ser avassaladora. Se você já faz uso de medicação há um ano e os sintomas continuam tão intensos, isso indica que o problema não é passageiro e precisa de uma atenção diferente.

    Muitas pessoas iniciam o tratamento medicamentoso esperando que, com o tempo, os sintomas desapareçam sozinhos. De fato, os remédios ajudam a equilibrar a química cerebral e amenizam o sofrimento imediato, mas eles não mudam a maneira como você age ou como você se enxerga. Quando você diz 'sinto que nunca serei capaz', está revelando uma crença pessoal, algo profundamente ligado à sua autoestima e à sua história de vida.

    Para mudar esses padrões mentais e fortalecer a sua autoimagem, é indispensável o acompanhamento com um psicólogo. Atualmente, parece que o seu sofrimento emocional está 'vencendo' a barreira da medicação. Aumentar a dose nem sempre é a solução definitiva, pois toda medicação tem efeitos colaterais e, sozinha, não ensina novas formas de lidar com a dor.

    É fundamental entendermos a origem desse esgotamento. Pelos sintomas que você descreve — como o desejo de ser outra pessoa e o desespero constante —, é muito provável que existam traumas ou questões emocionais profundas que precisam ser tratadas. A psicoterapia é o caminho para você recuperar o controle da sua vida e parar de sentir que está em uma luta mental constante.


  • Minha casa caio em uma tempestade muito forte...não aconteceu nada comigo mas eu tinha 10 anos de id

    Minha casa caio em uma tempestade muito forte...não aconteceu nada comigo mas eu tinha 10 anos de idade
    Minha mãe teve as pernas quebrada por esse motivo tenho medo de tempestade quando estou sozinha pior ainda quando o céu começa escurecer fico já com muito medo e começa dar vontade de ir ao banheiro fazer o número 2 e faço. Tem alguma explicação? Devo buscar um profissional? Qual?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Sinto muito que você carregue esse medo há tanto tempo. O que você descreve é uma reação muito comum em quem passou por algo tão forte na infância.

    Quando você tinha 10 anos, aquela tempestade foi um perigo real e assustador. Hoje, toda vez que o céu escurece, seu corpo 'lembra' daquele dia e entra em estado de alerta máximo para tentar te proteger, como se o perigo estivesse acontecendo agora de novo. Essa vontade urgente de ir ao banheiro é uma resposta física do seu organismo ao estresse extremo; o corpo acelera tudo para reagir ao medo.

    Estar sozinha piora a situação porque, na infância, você viu sua mãe se machucar e a casa cair, o que traz uma sensação de desamparo muito grande. Sem ninguém por perto hoje, você se sente desprotegida como aquela criança de 10 anos.

    Minha recomendação é que você busque um Psicólogo. Eu já tive pacientes em situações assim, que com a psicoterapia vão perdendo esses medos até não terem mais.

    O tratamento vai te ajudar a mostrar para o seu corpo e para a sua mente que aquela tempestade de anos atrás já passou e que, hoje, você está em segurança. Você não precisa carregar esse peso sozinha.


  • Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche? Gostaria de saber qual abordagem

    Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche?
    Gostaria de saber qual abordagem da psicologia é mais indicada para tratar um comportamento compulsivo visual focado em partes do corpo (podolatria). Sinto que essa busca por estímulo é automática e difícil de controlar, não consigo não erotizar os pés.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    A indicação é profissionais especializados em sexualidade, é importante a psicoterapia com psicólogo especialista em sexualidade. Em relação ao fetiche, é importante verificar qual tipo de sofrimento ele te trás, pois se a pessoa se adapta e não considera sofrimento não precisa de tratamento. Da maneira como descreve, parece que esse fetiche faz com que você fique olhando os pés das pessoas em momentos inapropriados e que de alguma forma te atrapalha em manter o foco em outras coisas. Devemos separar aqui duas coisas, desejo por pés e compulsão. Desejo por pés, pode ser algo que faz parte da expressão sexual, que pode ser bem adaptado a pessoa ou pode trazer algum tipo de problema, como não conseguir se relacionar com alguém que goste por causa dos pés, ou escolher uma pessoa pelos pés e não conseguir avaliar fatores importantes de afinidade, personalidade, etc. A compulsão é um transtorno psicológico, que deve ser bem diagnosticado. Ela é uma relação que se estabelece com o objeto de desejo, onde tem sofrimentos, como a falta de controle, prejuízos em outras áreas da vida (profissional, familiar, social, etc), não conseguir ficar sem isso. Acho importante fazer uma avaliação com psicólogo. Sou especialista clinico em família, sexualidade e em formação para vícios digitais. Fico a disposição.


  • Olá boa noite gostaria saber quando agente sonha pensando alguém no sonho significa o que?

    Olá boa noite gostaria saber quando agente sonha pensando alguém no sonho significa o que?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O sonho é uma construção simbólica de nossa mente, para entender um sonho é preciso entender sobre conteúdos simbólicos da pessoa, não é uma interpretação assim tão direta, embora existam símbolos meio universais, nossa mente faz as próprias associações, ex: para alguém que quase morreu afogado no mar, pode construir o símbolo mar como algo perigoso; para outra pessoa que gosta de surfar todo dia o mar é um símbolo de coisas boas..


  • Porque quando vejo a pessoa que gosto me da forte crises de ansiedade.

    Porque quando vejo a pessoa que gosto me da forte crises de ansiedade.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    É comum as pessoas terem ansiedade ao estarem na presença de alguém que gosta mas que ainda não é algo revelado ou pouco real, pode ser até bem no inicio do relacionamento. Quando estamos apaixonados, temos grande impulso de desejo, uma força muita grande que nos movimenta para esta pessoa. Quanto maior o desejo, mas ele é irracional e de difícil controle. E o fato de alimentar esse desejo e não consuma-lo pode ir criando sintomas, como ansiedade. O fato de algo bom, que é o desejo que tem por essa pessoa, você não conseguir não conseguir liberar o desejo (total ou parcial), lhe gerar algo ruim, como a ansiedade, quer dizer que tem algum conflito interno que lhe impede de viver plenamente o desejo. Se você é bem jovem, e é a primeira vez que esta se sentindo assim, isso é mais comum, mas dependendo da crise de ansiedade, é possível que precise de tratamento. Se você é adulto, você precisa de tratamento. É possível que outros fatores externos impeçam de expressar o que sente por essa pessoa, pode ser um colega de trabalho, uma pessoa comprometida, você pode ter uma orientação ainda não assumida, e vários outros motivos. Sugiro buscar uma avaliação com psicólogo, fico a disposição. Espero que fique bem.


  • Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durant

    Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durante os ultimos anos minha válvula de escape tem sido a pornografia. Gostaria de saber como proceder, como atenuar esse problema e quais medidas tomar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Aos 20 anos, muitas pessoas estão vivendo uma fase de transição importante da vida adulta, marcada por inseguranças, dúvidas sobre o futuro, identidade, relacionamentos e sexualidade. Nesse contexto, buscar prazer e alívio emocional através da masturbação ou da pornografia pode acabar se tornando uma forma rápida de lidar com ansiedade, solidão, frustração ou sensação de vazio.

    O problema geralmente não está apenas na pornografia em si, mas quando esse comportamento passa a funcionar como a principal válvula de escape emocional, criando um padrão compulsivo e difícil de interromper. Em muitos casos, a pessoa percebe que recorre a isso para aliviar tensão, adiar problemas ou buscar conforto imediato — de forma parecida com outros comportamentos impulsivos usados para regulação emocional.

    O mais importante é evitar se tratar com culpa excessiva ou como alguém “sem controle”. O fato de você reconhecer o sofrimento e buscar entender o que está acontecendo já é um passo importante.

    No acompanhamento psicológico, é possível compreender os gatilhos envolvidos, trabalhar impulsividade, ansiedade e autoestima, além de construir formas mais saudáveis de lidar com emoções e relações.


  • Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou

    Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou que sinta desafios eu costumo sofrer, mas permaneço, porém em relações de afeto e tranquilas, em algum momento me encontro com ansiedade e pensamentos de medo excessivo de um dia estragar a relação por não amar de verdade a pessoa ou magoá-la, algo que não sinto em relações desafiadoras, estou ficando com uma pessoa uns meses após sair de uma relação que me era desafiadora e finalmente saí quando senti que deveria ter alguém que me amasse, porém ao me sentir desejada e vista por alguém, comecei a ter ansiedade e aperto no peito novamente, tenho medo de nunca conseguir quebrar esse ciclo e medo de talvez ser uma pessoa incapaz de amar de verdade, queria muito não sentir esses medos e permitir conhecer as pessoas e me relacionar com elas antes de sentir esses sentimentos e acabar com tudo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Antes de tudo, quero acolher o que você compartilhou. Chama atenção o quanto você conseguiu observar um padrão nos seus relacionamentos. Nem sempre é fácil perceber que estamos repetindo um ciclo, e esse já costuma ser um passo importante para conseguir transformá-lo.

    Pelo que você descreve, parece existir uma diferença muito clara entre dois tipos de relação. Quando o relacionamento é difícil, instável ou desafiador, você sofre, mas consegue permanecer. Já quando encontra alguém que demonstra carinho, interesse e disponibilidade emocional, surge uma ansiedade intensa, acompanhada do medo de não amar de verdade, de machucar a outra pessoa ou de descobrir que aquele relacionamento "não é o certo".

    Esse tipo de funcionamento pode acontecer por diferentes motivos, mas uma possibilidade que merece ser explorada é que relações conflituosas tenham se tornado, ao longo da sua história, mais familiares do que relações tranquilas. Quando crescemos ou vivemos experiências importantes marcadas por instabilidade, conflitos ou insegurança, nosso cérebro pode acabar reconhecendo esse tipo de vínculo como algo conhecido. Já uma relação saudável, apesar de desejada, pode ser vivida como algo novo e até ameaçador.

    Outro aspecto que também me chamou atenção é o momento em que esses pensamentos surgem. Você contou que saiu de uma relação desafiadora porque percebeu que gostaria de viver um relacionamento em que fosse amada. No entanto, quando finalmente encontra alguém que lhe oferece justamente isso, aparecem a ansiedade e o aperto no peito. Em alguns casos, isso acontece porque acabamos projetando, sem perceber, os medos e feridas do relacionamento anterior sobre uma nova relação. A pessoa atual passa a carregar, simbolicamente, inseguranças que pertencem à história passada.

    Também me chama atenção que seus pensamentos parecem estar muito mais voltados para o medo de machucar a outra pessoa do que para a ausência de sentimentos por ela. Isso é diferente de simplesmente deixar de amar. Muitas vezes, a ansiedade faz com que a pessoa passe a desconfiar dos próprios sentimentos, procurando certezas que nenhum relacionamento consegue oferecer no início.

    Uma pergunta importante seria: antes dos relacionamentos amorosos, quais referências de relacionamento você teve? Como eram as relações na sua família? Você costuma se sentir confortável quando alguém demonstra carinho e cuidado ou isso desperta um certo estranhamento? Muitas vezes, compreendemos melhor o relacionamento atual quando olhamos para os vínculos que construíram nossa forma de amar.

    Na minha prática clínica, observo que algumas pessoas acabam utilizando, sem perceber, relacionamentos mais tranquilos como uma espécie de "pausa" para aliviar o sofrimento vivido em relações tóxicas ou muito instáveis. No entanto, justamente quando começam a experimentar uma relação segura, surgem a ansiedade e o medo de serem amadas, porque essa experiência ainda não faz parte daquilo que aprenderam como forma de se relacionar. Isso não significa que sejam incapazes de amar, mas que ainda estão aprendendo a permanecer em um vínculo onde não é o conflito que sustenta a conexão.

    Acredito que a psicoterapia seja bastante indicada no seu caso. O objetivo não seria apenas diminuir a ansiedade, mas compreender como essa forma de se relacionar foi construída, quais experiências influenciaram esse ciclo e ajudá-la a desenvolver segurança para viver relações em que exista carinho, estabilidade e intimidade. O fato de você já conseguir identificar esse padrão é um excelente ponto de partida para construir uma maneira diferente de amar e de ser amada.


  • Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapi

    Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapia por um ano, Há dois anos atrás. Aparentemente, parecia uma depressão. A psicóloga me passou que ele tinha um pouco de fobia social. Como ele apresentou uma certa melhora, a psicóloga disse que não havia mais necessidade de terapia. Porém, eu percebo qie ele é diferente, já cheguei a pensar que ele talvez seja autista. Mas, hoje ele (chorando) me disse que não queria nos decepcionar e me contou que ele não se sente um menino e sim menina(desde pequeno). Ele tem 17 anos.Ele não demonstra nenhum estereótipo feminino. Já chegou a se apaixonar por uma menina. Ele diz que apesar de se sentir assim,.sexualmente, ele não tem interesse em se relacionar com menino, e sim, com menina
    Comentou também sobre a mudança de identidade, de transição de gênero e que pode acontecer dd mesmo ele se tornando uma menina ele se relacionar com outra menina. Hoje em dia os jovens tem muito mais informação. Pra mim é um pouco confuso , sei qie mesmo que ele tenha informações, tenho certeza que não é fácil lidar com isso. Pois, sabemos os desafios e situações que iremos enfrentar. Jamais agendei com uma psicóloga, mas gostaríamos de mais esclarecimentos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Imagino que esse momento esteja sendo muito intenso e confuso para vocês como família. Ao mesmo tempo, é importante perceber algo positivo: seu filho conseguiu procurar vocês, falar sobre o sofrimento dele e pedir ajuda novamente. Isso demonstra confiança e desejo de compreender melhor o que está sentindo.

    Na adolescência, especialmente por volta dos 17 anos, é comum existirem muitos questionamentos sobre identidade, pertencimento, corpo, sexualidade e futuro. Hoje os jovens têm muito mais acesso à informação e linguagem para falar sobre essas questões, mas isso não significa que o processo seja simples emocionalmente.

    É importante também diferenciar algumas coisas:

    * identidade de gênero
    * orientação sexual
    * expressão de comportamento

    Uma pessoa pode, por exemplo:

    * se identificar com o gênero feminino
    * sentir atração por meninas
    * e não apresentar estereótipos considerados femininos

    Essas experiências não se anulam.

    Na prática clínica, especialmente na área da sexualidade (que é uma das minhas áreas de atuação), já acompanhei pacientes em diferentes momentos desse processo, inclusive pessoas que passaram pela transição de gênero e outras que, ao longo do acompanhamento, compreenderam suas questões de forma diferente.

    Também já acompanhei casos em que conflitos relacionados à identidade foram inicialmente confundidos com fobia social ou até autismo. Isso acontece porque, durante esse processo, é comum surgir:

    * grande sensibilidade ao olhar e julgamento social
    * isolamento
    * dificuldade de pertencimento
    * retraimento emocional
    * desconforto intenso nas relações sociais

    Muitas vezes, a pessoa passa por uma espécie de “renascimento psicológico”, onde precisa primeiro compreender quem é para depois conseguir se posicionar diante da família e do meio social. Nesse período, é comum um afastamento das relações sociais habituais e uma hipersensibilidade às reações das outras pessoas.

    Por isso, considero muito importante um acompanhamento cuidadoso e especializado, justamente para ajudar a diferenciar:

    * o que faz parte de uma crise de identidade
    * o que pode ser ansiedade social
    * e o que realmente corresponde a outros quadros clínicos

    Isso é importante porque alguns diagnósticos podem acabar funcionando emocionalmente como uma tentativa de encontrar proteção ou explicação para o sofrimento, mas quando mal compreendidos também podem interferir no desenvolvimento da autonomia, identidade e habilidades sociais ao longo do tempo.

    O objetivo da terapia não é “convencer” o jovem de algo, mas ajudá-lo a compreender melhor:

    * quem ele é
    * como essa identidade foi se desenvolvendo
    * quais sentimentos são mais profundos e persistentes
    * quais questões podem estar relacionadas ao sofrimento emocional

    Esse processo precisa acontecer sem pressa e com bastante cuidado, principalmente quando envolve possíveis mudanças corporais e identitárias importantes.

    Além disso, o apoio familiar faz muita diferença. O fato de vocês estarem buscando compreender, em vez de apenas reagir ou julgar, já é algo muito importante para a saúde emocional dele.

    Nesse momento, mais do que encontrar respostas rápidas, o mais importante é criar espaço para diálogo, acolhimento e acompanhamento adequado.


  • Quais são as características de pais com perfil invalidante?

    Quais são as características de pais com perfil invalidante?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Normalmente pais que não tiveram um bom desenvolvimento psicológico. E o potencial de invalidação depende muito de qual período do desenvolvimento que não foi bem vivido. Pais que não tiveram uma boa vivencia desde a infância por exemplo, são pais que as crianças estão brincando numa pracinha e eles ficam controlando a brincadeira desnecessariamente, ficam alertando "perigos" que são mais medos internos e não deixam os filhos se desafiarem em brincadeiras com risco adequado a idade, como correr e poder cair (risco normal). Na adolescência são pais que boicotam o desenvolvimento da sexualidade, que quando o filho começa com interesse saudável começam a colocar medos exagerados e não explicam nada. Não aceitam escolhas de musicas, estilo de vestimentas e escolhas natural da idade. Pais com transtorno borderline, normalmente criam os filhos para que satisfação seu ideal de amor não correspondido, pois como não tiveram o amor ideal tão sonhado, tentem a projetar isso nos filhos, normalmente estes pais sufocam os filhos na infância e na adolescência eles se rebelam. Por isso é muito importante pais com transtorno borderline faziam tratamento psicológico e psiquiátrico. E os filhos fazerem avaliações para ver a necessidade de também se tratarem. Espero ter ajudado.


  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) realmente causa distorções de memória ou a pessoa est

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) realmente causa distorções de memória ou a pessoa está mentindo propositalmente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Pode ser as duas coisas. O TPB causa um funcionamento na pessoa que ela após sofrer as decepções nos relacionamentos, ela tem um efeito de "zerar tudo", ai ela começa tudo de novo e esquece de muita coisa, principalmente conteúdos dos relacionamentos. O Vazio que a pessoa sente após uma decepção, é bem desgastante, e esses processos internos demandam muita energia, surgindo uma ressaca emocional que consequentemente afeta a memória. Sobre a questão da mentira, é super complexo, e de difícil interpretação, pois quem tem o TPB, tem muitas dificuldades nas relações, faz interpretações distorcidas de uma briga ou alguma combinação. Por terem medo de perder as relações, acabam por fazer tudo possível para não perder ou sair perdendo, podendo usar de diversos recursos para isso, como estratégia de se preservar, pois os abandonos causam muito sofrimento. O TPB é bastante complexo, por isso é difícil comparar sintomas ou dinâmica de funcionamento com pessoas que não tenham nenhuma doença mental. Quem tem TPB sofre bastante e necessita de psicoterapia por longo prazo, até conseguir entender melhor sua dinâmica e minimizar os impactos das disfunções nas relações. Espero ter ajudado! Abraço


  • Não gosto de me abrir para outras pessoas e nem me interesso pelos problemas dos outros quando elas

    Não gosto de me abrir para outras pessoas e nem me interesso pelos problemas dos outros quando elas contam para mim. Me incomoda saber de coisas que não perguntei. É normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Deu para perceber pela pergunta curta que não gosta de se abrir. hehe! Porém, se você mesmo não gostando de se expor veio aqui fazer essa pergunta, é por que alguma coisa nisso lhe incomoda, o que seria? a cobrança dos outros? isso atrapalha nas relações? isso muda em diferentes ambientes? é normal termos ambientes, como locais de trabalho que não são saudáveis, e que muitos não queiram se abrir ou ouvir os outros, ou mesmo uma família que tenha um padrão disfuncional, mas se você tem isso com amigos e pessoas que você escolheu se relacionar é diferente. Neste caso, sugere que seja sua personalidade que é assim. Importante saber no que isso lhe atrapalha, se já teve situações ou relações que se deu mal por ser assim e gostaria de ter sido diferente. Normalmente isso acontece com pessoas que são muito práticas e que não tem muito investimento nas subjetividades. A psicoterapia ajuda a se entender melhor e saber usar os recursos para estas situações. Espero ter ajudado.


  • Por onde é possível começar a perder o medo com mulheres após anos de depressão grave e isolamento

    Por onde é possível começar a perder o medo com mulheres após anos de depressão grave e isolamento (ansiedade social)?

    Contexto: Minha depressão começou no Ensino Médio. Terminei, fiquei quatro anos definhando, e então foi dado início ao tratamento (oito anos ao todo). Veio a pandemia, mais de um ano de lockdown, e então passei a ter uma grande melhora. Minha depressão entrou em remissão tem um ano, minha ansiedade social está controlada em boa parte. Faço acompanhamento com psiquiatra e psicóloga.
    Estou recomeçando a minha vida do zero após anos e anos de isolamento. Já aprendi dois idiomas, comecei a sair mais e sozinho, voltei a ter minha autonomia, cuidado comigo, faço academia, yoga, me matei de estudar pra entrar num curso muito concorrido na federal, voltei a sair com meus amigos e até fiz novas amizades e é isso. Acontece que quanto mais eu vou melhorando, maior a minha solidão vai ficando. O meu anseio por contato humano, desejo e a libido acabam ficando muito altos. Eu não quero pagar por profissional (não sou virgem), pois eu necessito de conexão. Sou introvertido.

    Agora para a questão da pergunta: Eu estou voltando a desenvolver minhas habilidades sociais. Consigo falar com mulheres normalmente quando não envolve atração física/sexual. Como esse desejo somado a solidão tem aumentado muito, abordei minha psicóloga para ver se há maneira de eu começar a me expor de forma gradual ou de contornar isso. Não tive êxito. Meu tratamento é pelo SUS. Então comecei a puxar assunto pelo instagram e whatsapp para ir me expondo. Só que esses dias tive uma crise de pânico após estar rodeado de mulheres na mesa em um pub. Consegui contornar a crise, mas percebi que eu ainda não consigo flertar pessoalmente ou ter um date ou qualquer coisa do tipo e eu quero muito melhorar isso, pois minha mente e meu corpo estão clamando por isso, mas a minha ansiedade social nesse quesito está me bloqueando.

    Não sei qual profissional procurar ou então qual outra forma de abordar esse assunto com a minha psicóloga para que eu possa ter o acompanhamento dela, de uma profissional da saúde. Só sei que isso está acabando comigo. É algo muito novo pra mim, pois passei boa parte da minha vida sem desejo algum.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Seria importante conseguir trabalhar isso com sua psicóloga, você poderia numa consulta abordar somente isso, como você disse que é no SUS talvez tenha poucas consultas e seja difícil trabalhar isso. Um dos meios de tratar isso é justamente falar sobre com alguém especializado. O caminho da exposição gradual você já esta fazendo, mas precisa de ajuda frequente para entender como se da o bloqueio a cada situação. O isolamento te casou um grande medo de relações e a relação sexual/conjugal é normalmente a mais difícil delas, onde expomos nosso lado mais sensível. Sou psicólogo especialista em casal e sexualidade. Já ajudei pessoas na sua situação, e você precisaria de um profissional dessa área. Uma dica que dou é alguma atividade com arte, ajuda bastante a lidar com a sexualidade. Espero que fique bem e consiga viver novas aventuras por ai. Abraço!


  • Boa tarde Há 1 mês e meio, estou com dificuldades para adormecer e isso vem afetando meu estilo d

    Boa tarde

    Há 1 mês e meio, estou com dificuldades para adormecer e isso vem afetando meu estilo de vida.
    A primeira noite de insônia veio na TPM.
    Os dias seguintes após a insônia, desgastei meu corpo (ao invés de relaxar) e de lá pra cá, tive dois resfriados de repetição (já melhorei) e agora, todo anoitecer me dá vontade de chorar, além de estranhar meu quarto. Sim, já faxinei meu quarto, tirei coisas que estavam acumuladas, mas sinto que o ambiente tem algo errado (e tenho certeza que não tá).
    Os sintomas mais intensos vem na TPM e na menstruação, onde eu tenho crise de choro do nada, ansiedade.

    Devo procurar um psicólogo ou ginecologista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Primeiramente, é importante consultar o ginecologista para examinar as questões da menstruação, que parecem estar intensificando os sintomas. Pelo ponto de vista psicológico, é comum que mulheres que estejam com problemas de humor, passarem a ter uma TPM mais intensa nas questões de humor, por exemplo, mulheres com transtorno bipolar tendem a ter TPM super intensas. O anoitecer e o dormir são um encontro com nosso intimo, e a dificuldade de dormir muitas vezes é por que tem algum problema que esta nos incomodando muito, que durante o dia fugimos, muitas vezes executando várias tarefas, e mesmo assim a aflição não vai embora. Arrumar coisas fora é um recurso de tentar aliviar a tensão interna, mas muitas vezes o alivio é bem temporário. Não será o ambiente interno que tem alguma coisa? Atendi alguns casos que, após identificarmos o problema que causava angustia e ir aprendendo a lidar com ele, a pessoa conseguiu dormir melhor. Só identificar o que incomoda já diminui a angustia. Aconteceu alguma coisa diferente na sua vida nesse 1 mês e meio atras? Espero ter ajudado. Fique bem!


  • Sentir confusao mental e psicose e obsessão religiosa depois de um relacionamento toxico de mais de

    Sentir confusao mental e psicose e obsessão religiosa depois de um relacionamento toxico de mais de 10 anos é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    É normal depois de sair de um relacionamento tóxico que você tenha crise parecida com alguém que pare de usar droga. Se a pessoa que o largou exercia sobre você uma violência psicológica, criando medos em você, após sair do relacionamento sem ter ajuda profissional, é comum que seja pego de surpresa por esse conteúdo que foi estimulado em sua mente. quando somos agredidos por alguém temos um limite até onde conseguimos resistir e se defender, quando não conseguimos mais nos defender acabamos introjetando essa violencia sem nenhuma critica, após colocar isso para dentro sem critica, esse conteúdo fica dentro de nós, e se não tratado iremos reproduzi-lo, sem nenhum estimulo. Parece que é o que se passa com você, a violência de fora saiu, mas agora ela aparece dentro de você, inicialmente pode parecer pior, pois antes havia uma figura real da violência, mas agora é o trauma dentro de ti que aparece. è fundamental que procure ajuda. Já atendi pacientes nessa situação, essas crises podem diminuir, mas podem piorar, tem que avaliar com calma como que se deu esse relacionamento, como você foi construindo esse trauma. Espero que melhore. Fique bem! Abraço


  • Minha namorada pediu tempo por questões familiares, mas como é meu primeiro namoro, não soube lidar

    Minha namorada pediu tempo por questões familiares, mas como é meu primeiro namoro, não soube lidar com isso, tive crises de ansiedade, emagreci e infelizmente não dei o espaço e o tempo que ela queria( ela sempre fala que estou repetindo muito as coisas). Eu não soube lidar com a minha dor, com o vazio que ficou.Pois bem essa semana optamos por terminar , mas assim que ela resolver as questões familiares dela tentar o relacionamento, para ver o que acontece.Depois que terminamos sem a questão do tempo estou me sentindo melhor e estou respeitando o espaço dela. Mas tenho medo do fato de eu não ter respeitado o espaço dela anteriormente, tenha colocado tudo a perder. Vocês acreditam que ela pode querer retomar esse relacionamento? Ela estabeleceu um prazo de 2 meses, esse tempo todo que me deu uma angústia e crises de ansiedade e medo .Vivi um novembro terrível, doloroso, onde não respeitei o tempo dela e não soube lidar com as minhas emoções que são novas para mim, é o primeiro relacionamento .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O primeiro namoro normalmente é bem difícil, temos muito mais insegurança e duvidas. Pelo visto você deve ter sofrido bastante. Se ela já namorou antes, deve ter mais experiencia, ficando mais fácil, dar esse tempo e tomar esse tipo de decisão. Na área dos relacionamentos, existem diferentes maneiras de pensar e interpretar. quero trazer duas linhas de pensamentos para você refletir. Existe a linha da relação, você quer muito continuar esse relacionamento, não quer perde-lo e esta se esforçando para entender esse tempo dela, o que ela parece lidar tranquilamente, essa diferença entre vocês coloca um desequilíbrio de autonomia, onde ela tem mais e você menos, pode ser que ela consiga ir te ajudando e apoiando nessa autonomia dentro da relação, mas pode ser que não, e que esse problema possa surgir mais tarde e ser mais difícil, caso você não aumente a autonomia e segurança dentro da relação. Outra linha de reflexão, é na tua evolução em relacionamentos, caso ela não volte com você, terá a oportunidade de lidar com a primeira perda, essa é uma experiencia bem dolorosa, mas super importante, lidar bem com a primeira perda ajuda muito a ir lidando com os próximos relacionamentos, pois não vive bem um relacionamento quem não aprende a lidar com a perda ou a possibilidade de perde-lo. Os relacionamentos tóxicos são baseados no medo de perder o outro. então se acontecer, pense que pode ter sido melhor perder agora, que mais tarde poderia ser pior. O sofrimento é uma experiencia humana extremamente necessária para nos constituirmos maduros. Espero ter ajudado e que fique bem! Abraço!


  • Eu vivo me comparando com qualquer pessoas ou menina, e automaticamente eu me sinto muito triste dep

    Eu vivo me comparando com qualquer pessoas ou menina, e automaticamente eu me sinto muito triste deprimida e uma vontade de chorar muito, parece que minhas inseguranças aumentam e que essas pessoas são mais segura não sei, eu todo antidepressivo também e tenho problemas psicológicos como ansiedade generalizada e a depressao também eu acho, sempre me sinto inferior a qualquer coisas as vezes não quero que as pessoas me vejam, só quero ficar sozinha muitas vezes, não é sempre mais esse sentimento de baixa autoestima eu tenho muito forte e me sinto muito pequena uma sensação de inutilidade, o que isso significa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Bom dia! Isso tudo que você relata, depende muito a idade que você tem. Essas inseguranças são muito comuns na adolescência e tendem a irem diminuindo no inicio da idade adulta. Pelo que você relata parece ter alguns sintomas de ansiedade (comparações, pressa em ser tão segura quanto outros parecem) e depressão (inutilidade, crise na autoestima, chorar muito, sentir inferior). É normal no inicio da adolescência a descoberta do novo corpo adulto, da perda do mundo infantil, essa descoberta do mundo adulto pode ser bem frustrante inicialmente. A crise da adolescência é necessária, pois é partir dela que a pessoa vai se esforçar e descobrir forças para se tornar aquilo que quer ser, não é para ninguém se sentir pronto nessa fase, isso é um indicativo ruim de desenvolvimento e vai fazer falta mais tarde. Um fator extremamente importante nestas situações são o avanço das redes socais. A construção de imagens e personagens perfeitos na internet, cria uma sensação de que tem um padrão muito acima de nós. Os jovens tem sofrido muito com isso, várias pesquisas apontam essa realidade. Isso faz com que muitas pessoas sofram crises de autoestima e não tenham motivação de viver da sua forma. Perceba se essa vida virtual esta te influenciando. Recomendo viver experiencias no mundo real e buscar o sentido delas, olhar as pessoas na rua, ver amigos próximos, de perto temos várias imperfeições e passamos por vários problemas, muita gente passa por isso que esta passando e também se sente assim. Fazer psicoterapia é bem importante. Espero que fique bem, e que eu tenha te ajudado a refletir um pouco. Abraço!


  • Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino

    Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino assunto de punho sexual, com muitos palavrões, não sei o que fazer .
    Recolhi o celular dele por medo de ser um pedófilo do outro lado .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    É compreensível que você tenha se assustado. Muitos pais ficam em choque quando se deparam com conversas sexuais dos filhos na internet, principalmente envolvendo pessoas desconhecidas. Sua preocupação com a segurança dele faz sentido.

    Na adolescência, especialmente por volta dessa idade, é comum existir curiosidade sexual, exploração da identidade e busca por conexão social online. Isso não significa automaticamente que exista algo “errado” com seu filho. O mais importante agora é como essa situação será conduzida.

    O Discord e outras plataformas semelhantes realmente podem apresentar riscos, principalmente porque possuem pouca supervisão, facilidade de anonimato e grupos privados. Isso aumenta a possibilidade de contato com pessoas mal-intencionadas, incluindo adultos se passando por adolescentes.

    Por isso, recolher o celular no impulso do susto pode acontecer, mas o passo mais importante depois é a conversa.

    Tente evitar abordagens apenas punitivas ou muito invasivas, porque isso pode fazer com que ele passe a esconder ainda mais as experiências online. O ideal é construir um espaço onde ele consiga conversar sem sentir apenas medo ou vergonha.

    Alguns pontos importantes nesse momento:

    - entender com quem ele estava conversando
    - orientar sobre riscos na internet e exposição sexual online
    - conversar sobre privacidade e segurança digital
    - supervisionar jogos e aplicativos de forma gradual e consciente
    - buscar ambientes online mais seguros e adequados para a idade

    Na prática clínica com adolescentes e famílias, é muito comum os pais sentirem dificuldade em lidar com essas mudanças, especialmente quando sexualidade e internet se misturam. Muitas vezes, o adolescente está buscando curiosidade, pertencimento ou exploração da identidade, enquanto os pais enxergam apenas risco — e ambos acabam ficando distantes emocionalmente.

    Nesses casos, o trabalho com orientação parental ou terapia familiar pode ajudar bastante a reconstruir diálogo, segurança e confiança entre pais e filhos.

    O mais importante agora não é apenas controlar o celular, mas entender o que seu filho está buscando emocionalmente nesse espaço online e ajudá-lo a desenvolver formas mais seguras de viver essa fase.


  • Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema q

    Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema que causa desconforto em ambos, a pornografia. Eu já consumi a anos atrás, mas consegui me livrar, mas é algo que até hj as vezes aparece na mente como uma ideia de se ver, mas mesmo assim, opto por não ver. Meu namorado já vem de um histórico como a maioria dos homens, de crescer vendo pornografia e ser tratado como algo normal. Já peguei mais de uma vez no celular e já foi motivo de piorar meus problemas psicológicos, e um quase término. De princípio ele não aceitava tratamento pois tinha preconceito. Uma vez ele teve coragem e me confidenciou que além da pornografia já chegou a olhar pra outras mulheres e desejar, e que tinha consciência que era errado. E isso normalmente acontecia quando a gente brigava. Recentemente ele começou a falar mais abertamente sobre o uso, e até falou para os pais dele, que ele esconde quase tudo. Naquele momento eu pensei que fosse o fim, mas não foi. Eu noto a diferença de comportamento quando ele assiste pornografia nas relações sexuais que temos. E perguntei se ele havia consumido novamente e ele confirmou. A primeira vez eu senti nojo dele e de mim, mas tento não focar nisso, pois é um problema dele, não diz sobre mim. Mas como somos um casal isso afeta. Hj ele diz que aceita tratamento. Então estou em busca de selecionar alguns profissionais que podem auxiliar ele a parar de vez com isso e ter mais alto controle. Ele é do tipo que acredita que homem não demonstra fraquezas e tem que lidar com tudo sozinho, mas na verdade quem tem lidado com os problemas dele sou eu. Também preciso voltar a fazer, e pretendo, mas já deixo claro, que o uso de pornografia não é algo que aceitamos no nosso relacionamento e já conversamos sobre. Então não é algo pra ser aceito como normal, pois já existem estudos que comprovam que esses estímulos não tem benefício algum. Gostaria de conhecer profissionais que trabalham com isso, e como poderiam nos ajudar com práticas confiáveis e seguras.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O que vocês estão vivendo parece ir além de uma simples discussão sobre pornografia “ser certa ou errada”. Pelo seu relato, existe um sofrimento emocional real dentro da relação, impacto na intimidade do casal, desgaste psicológico e uma dinâmica que aos poucos acabou afetando confiança, conexão e segurança emocional entre vocês.

    Um ponto importante é que o fato dele ter conseguido reconhecer o problema, falar sobre isso com você e até com os próprios pais já demonstra um movimento diferente do que normalmente acontece em muitos casos marcados por negação e ocultação. Isso costuma ser um passo importante no processo de mudança.

    Também é importante entender que, em alguns casos, o uso frequente da pornografia não está ligado apenas ao desejo sexual, mas funciona como uma forma de regulação emocional: alívio de ansiedade, frustração, raiva, solidão, insegurança ou dificuldade de lidar com emoções. Muitas pessoas acabam recorrendo automaticamente ao comportamento principalmente em momentos de estresse, conflitos ou afastamento emocional dentro da relação.

    Além disso, homens que cresceram com a ideia de que precisam “dar conta de tudo sozinhos” frequentemente têm mais dificuldade em procurar ajuda, reconhecer fragilidades emocionais ou desenvolver outras formas de lidar com sofrimento psicológico sem recorrer ao isolamento, compulsões ou descarga sexual.

    O tratamento costuma envolver muito mais do que apenas “parar de assistir pornografia”. É importante compreender os gatilhos emocionais, trabalhar impulsividade, autoestima, ansiedade, formas de prazer, intimidade emocional e reconstrução da conexão afetiva e sexual do casal.

    Em muitos casos, a combinação entre terapia individual e terapia de casal pode ajudar bastante. A individual auxilia no entendimento dos padrões emocionais e compulsivos, enquanto a terapia de casal ajuda a reconstruir diálogo, confiança, limites combinados e formas mais saudáveis de viver a sexualidade dentro da relação.


  • Eu namoro há oito meses uma outra funcionária da empresa, ninguém da empresa sabe. Semana passada po

    Eu namoro há oito meses uma outra funcionária da empresa, ninguém da empresa sabe. Semana passada por motivos familiares ela pediu um tempo até o fim de Dezembro: a irmã surtou e a mãe está em briga constante com o padrasto dela. Estou tendo crises na empresa, muita falta de ar e choro e uma das crises sem querer acabei me abrindo com a gerente que eu estava namorando alguém da empresa, sem citar o nome. Minha namorada agora está chateada comigo. Eu a amo muito tenho medo de ter destruído a chance de recomeçar com ela. Como posso recuperar a confiança dela? Será que o relacionamento não tem mais salvação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Em muitos casos ainda há, sim, chance de reconstruir a confiança e seguir com o relacionamento, mas isso depende do que vocês conversam daqui para frente e de como cada um está emocionalmente nesse momento.​
    Entendendo o momento dela
    Sua namorada está em uma crise familiar importante (irmã em surto, mãe em conflito com o padrasto), o que costuma ocupar quase toda a energia psíquica da pessoa e reduz bastante a disponibilidade para o namoro. É possível que, ao saber que você conte sobre o relacionamento na empresa justamente nesse período delicado, ela tenha sentido isso como mais uma preocupação para nutrir, e não como um apoio.​
    O que você pode fazer agora
    Alguns passos podem :
    Reconhecer o erro sem se justificar demais: dizer claramente que entende que ela ficou chateada, que não foi sua intenção expô-la e que você se arrependeu de ter falado da relação em um momento de crise para você.​
    Explique o contexto com responsabilidade: contar que você estava em crise de ansiedade, mas sem usar isso como desculpa, e sim como algo que você também está buscando cuidar.​
    Mostrando que é um apoio, não um peso
    Relacionamentos em fase de teste e “tempo” pedem muito mais previsões de atualização do que de dependência. Em vez de pressionar por uma decisão ou mandar muitas mensagens, pode ser mais útil:​
    Ofereça ajuda de forma concreta e leve (“se ​​você quiser conversar ou precisar de algo, estou aqui”), respeitando o espaço e o prazo até o fim de dezembro.​
    Cuidar da sua ansiedade (com psicoterapia, técnicas de respiração, rotina saudável), para que ela o perceba como alguém que consegue se cuidar e, ao mesmo tempo, esteja disponível para apoiá-la, e não alguém que ela precise “salvar” o tempo todo.​
    Sobre recuperar a confiança e “salvação” do vínculo
    A confiança costuma ser reconstruída com três elementos: ritmo, postura consistente e comunicação sincera. Não há como garantir que o relacionamento será retomado, mas você pode aumentar as chances ao:​
    Respeite o limite que ela colocou (o “tempo”).
    Mantenha uma atitude respeitosa, estável e consistente com o que você diz que sente.
    Estar aberto, inclusive, à possibilidade de que ela decida não voltar, e ainda assim usar essa experiência para aprender sobre como lidar melhor com crises emocionais e com a exposição da vida pessoal no ambiente de trabalho.​
    Se perceber que as crises de falta de ar, o choro e o medo de abandono são intensos, buscar acompanhamento psicológico para você pode ser um passo importante tanto para sua saúde emocional quanto para qualquer relacionamento que você queira construir, com essa parceira ou em futuras relações
    Espero que fique bem! Abraço!


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