Perguntas do paciente (189)

  • Olá gostaria de saber claro si tiver resposta para o meu problema .por que não consigo senti desejo

    Olá gostaria de saber claro si tiver resposta para o meu problema .por que não consigo senti desejo prolongado até no início sim mais depois me sinto mal por desaparecer o desejo é não querer mais sexo eu amo sexo só que tô com esse problema

    que me faz mal não sei que deve fazer deve procura qual profissional também não consigo com nenhum ter orgasmo psicologo pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O que você descreve pode ter relação tanto com fatores emocionais quanto físicos, e sim, um psicólogo pode ajudar bastante nisso, especialmente um profissional que trabalhe com sexualidade.

    Pelo que entendi, no início existe desejo, mas depois ele desaparece, e isso acaba gerando sofrimento, insegurança e dificuldade em aproveitar a relação sexual. Além disso, você comentou sobre não conseguir atingir o orgasmo, o que também merece atenção e investigação cuidadosa.

    Na prática clínica com sexualidade, esse tipo de situação aparece com frequência e pode estar relacionado a vários fatores, como:

    * ansiedade durante a relação sexual
    * excesso de preocupação com desempenho
    * dificuldade de conexão emocional ou corporal
    * estresse e cansaço mental
    * culpa ou tensão relacionada à sexualidade
    * experiências negativas anteriores
    * dificuldades hormonais ou físicas

    Muitas pessoas acabam entrando em um ciclo onde:

    * começam a relação com vontade
    * percebem mudanças no desejo ou dificuldade no orgasmo
    * ficam preocupadas ou frustradas
    * aumentam a ansiedade
    * e isso interfere ainda mais na resposta sexual

    Por isso é importante não se culpar nem achar que existe algo “errado” com você como pessoa.

    O ideal costuma ser uma avaliação tanto emocional quanto física. Dependendo do caso, pode ser importante:

    * psicoterapia com foco em sexualidade
    * avaliação médica com urologista, ginecologista ou endocrinologista

    Na terapia sexual, trabalhamos justamente a relação da pessoa com:

    * desejo
    * prazer
    * ansiedade sexual
    * pressão de desempenho
    * dificuldades no orgasmo
    * inseguranças e bloqueios emocionais

    E um ponto importante:
    sexualidade não funciona apenas “na força da vontade”. Quando existe ansiedade, pressão emocional ou desconexão consigo mesmo, o corpo pode responder reduzindo desejo, excitação e prazer.

    Com acompanhamento adequado, isso costuma ter melhora significativa.


  • Existe algum tipo de hipnose para o tratamento de " disfunção é dificuldade de mater ereção " ?

    Existe algum tipo de hipnose para o tratamento de " disfunção é dificuldade de mater ereção " ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Sim, algumas abordagens utilizam hipnose como ferramenta auxiliar no tratamento da disfunção erétil, principalmente quando existe ansiedade, medo de falhar, insegurança ou bloqueios emocionais envolvidos. Porém, é importante entender que a dificuldade de manter ereção pode ter várias causas, e não apenas uma.

    Na prática clínica em terapia sexual, é muito comum encontrarmos fatores como:

    * ansiedade de desempenho
    * medo de decepcionar a parceira
    * pressão ligada à masculinidade
    * excesso de autocobrança
    * consumo frequente de pornografia
    * conflitos no relacionamento
    * estresse e sobrecarga emocional

    Muitos homens entram num ciclo onde o medo de falhar acaba provocando novas falhas, aumentando ainda mais a ansiedade durante o sexo. Isso é mais comum do que parece e não significa fraqueza ou falta de desejo.

    Por isso, antes de buscar apenas soluções rápidas ou exclusivamente medicamentosas, é importante entender a origem da dificuldade. Em muitos casos, a psicoterapia e a terapia sexual ajudam justamente a reconstruir a segurança emocional, reduzir a ansiedade e melhorar a relação com a própria sexualidade.

    Também é importante avaliar causas físicas com um médico urologista, especialmente se os sintomas forem persistentes. Mas quando existe componente emocional e relacional, o acompanhamento psicológico especializado em sexualidade costuma fazer bastante diferença.


  • Olá, estou tomando a paroxetina por causa da hipersexualidade, na primeira semana a minha libido sum

    Olá, estou tomando a paroxetina por causa da hipersexualidade, na primeira semana a minha libido sumiu completamente, me senti muito bem, só que agora ela está voltando de novo. Gostaria de saber, se eu continuar tomando ela, posso voltar a perder a
    libido de novo? Ou devo suspender o medicamento por uns dias e voltar a tomar de novo pra ele tirar a libido novamente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Não é indicado suspender e voltar antidepressivos por conta própria para tentar controlar a libido, porque isso pode causar efeitos colaterais importantes, alterações emocionais e até piora dos sintomas. O ideal é sempre conversar com o médico que acompanha seu caso antes de qualquer ajuste na medicação.

    A paroxetina pode diminuir a libido em algumas pessoas, principalmente no início do tratamento, mas o organismo também pode ir se adaptando ao medicamento ao longo do tempo. Por isso, algumas pessoas percebem mudanças nos efeitos depois das primeiras semanas.

    Na terapia sexual, também é importante avaliar o que realmente está sendo chamado de hipersexualidade. Nem sempre uma libido elevada significa um transtorno ou um comportamento patológico. Muitas vezes a pessoa compara seu desejo sexual ao do parceiro, dos amigos ou de pessoas próximas e conclui que existe algo errado, quando na verdade pode estar diante apenas de diferenças individuais na forma de viver a sexualidade.

    O que costuma definir a necessidade de tratamento não é apenas a intensidade do desejo, mas o sofrimento gerado, a perda de controle sobre comportamentos sexuais ou os prejuízos causados à vida emocional, social, profissional e aos relacionamentos.

    Na prática clínica em terapia sexual, muitas vezes o comportamento sexual excessivo aparece ligado a:

    * ansiedade
    * necessidade de alívio emocional
    * compulsões
    * dificuldades emocionais
    * traumas
    * busca de validação
    * solidão
    * estresse
    * padrões aprendidos ao longo da vida

    Já acompanhei casos em que a medicação ajudou inicialmente, mas o principal avanço aconteceu quando a pessoa começou a compreender, na psicoterapia, qual função emocional a sexualidade ocupava na vida dela.

    Em muitos casos, o objetivo do tratamento não é simplesmente “eliminar a libido”, mas desenvolver uma relação mais saudável, consciente e equilibrada com o desejo sexual, sem sofrimento, culpa ou perda do controle.

    A terapia sexual pode ajudar bastante nesse processo, principalmente junto ao acompanhamento médico adequado.


  • Bom dia, tenho 19 anos, e desde dos 12 anos, mantive uma relação com uma parceira, mensalmente, mas

    Bom dia, tenho 19 anos, e desde dos 12 anos, mantive uma relação com uma parceira, mensalmente, mas a cerca de 1 ano, fiquei sem ter nenhuma relação. Então comecei a me masturbar diariamente, em média durava entre 5 a 10 minutos, mas ao passar dos meses, esse tempo foi diminuindo, e recentemente cronômetei 2 minutos e 50 segundos, não sofro com ansiedade, e tive uma relação aberta com minha parceira.
    Enfim, a minha dúvida e se ao passar do tempo, que fui me masturbando sempre mais rápido, isso foi condicionado meu corpo para buscar o pra fazer mais rápido possível.

    pois na última relação sexual que tive, durou 5 minutos, não foi satisfatório para mim, e nem para minha parceira.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O que você descreve pode ter relação com um condicionamento do corpo e da excitação ao longo do tempo. Quando a masturbação acontece com frequência e de forma muito rápida, especialmente buscando alívio imediato da tensão ou do desejo, o cérebro pode acabar associando prazer e ejaculação a um padrão acelerado. Isso pode influenciar tanto a masturbação quanto a relação sexual.

    Mas é importante observar que a ejaculação precoce nem sempre envolve apenas o tempo. Muitas vezes entram fatores ligados à ansiedade de desempenho, expectativa sobre “satisfazer” a parceira, intensidade do desejo após períodos sem relação sexual e até a forma como a sexualidade foi sendo construída ao longo dos anos.

    Você comentou que ficou um período maior sem relações, e isso também pode aumentar a intensidade da excitação e a preocupação com o desempenho no momento do sexo. Outra questão importante é entender o que significa “não satisfatório” para você e para sua parceira, porque muitos homens acabam associando satisfação apenas à duração da relação, quando sexualidade envolve conexão, intimidade, estímulo e comunicação no casal.

    Em alguns casos, masturbação frequente associada à pornografia também pode influenciar a maneira como o cérebro responde ao prazer e à excitação, aumentando a pressa, a impulsividade sexual ou a autocobrança durante o sexo.

    A boa notícia é que isso tem tratamento e costuma melhorar bastante quando se trabalha controle da excitação, ansiedade, hábitos ligados à masturbação e compreensão da própria sexualidade. Terapia sexual e acompanhamento psicológico podem ajudar muito nesse processo.


  • O vicio em pornográfia pode fazer com que um hétero sexual perca o tesão em mulheres e só sinta atra

    O vicio em pornográfia pode fazer com que um hétero sexual perca o tesão em mulheres e só sinta atração por transsexuais? Isso no caso dos homens. Se sim, isso é reversível?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O uso frequente de pornografia pode, em alguns casos, influenciar a forma como a excitação sexual se organiza, principalmente quando se torna um padrão compulsivo ou muito frequente. Isso pode levar a uma necessidade crescente de estímulos mais específicos ou intensos para gerar excitação, além de impactar o interesse em relações sexuais reais.

    No entanto, a sexualidade humana é complexa e não pode ser explicada apenas por um único fator. Mudanças no padrão de desejo podem estar relacionadas tanto ao tipo de estímulo consumido quanto a aspectos emocionais, relacionais e da própria história sexual de cada pessoa.

    Quando há sofrimento ou perda de controle nesse padrão, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esses mecanismos, reduzir a compulsão e reorganizar a forma como o desejo e a sexualidade são vivenciados. Em muitos casos, há sim possibilidade de reversão ou reorganização desse padrão com tratamento adequado.


  • Anorgasmia ,ela pode ser uma "doença"masculina?

    Anorgasmia ,ela pode ser uma "doença"masculina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Sim, a anorgasmia também pode acontecer em homens. Ela é caracterizada pela dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo, mesmo quando existe desejo, excitação e estímulo sexual.

    Muitas pessoas associam esse tema apenas às mulheres, mas homens também podem passar por isso, e normalmente isso gera bastante sofrimento, frustração e insegurança.

    Na sexualidade masculina, a anorgasmia pode aparecer de diferentes formas:

    * dificuldade frequente para chegar ao orgasmo
    * demora excessiva
    * perda do orgasmo durante a relação
    * conseguir orgasmo sozinho, mas não com outra pessoa
    * sensação de prazer reduzido

    As causas podem ser tanto físicas quanto emocionais. Entre as mais comuns estão:

    * ansiedade de desempenho
    * excesso de pressão durante o sexo
    * estresse e cansaço mental
    * uso excessivo de pornografia ou masturbação muito condicionada
    * conflitos emocionais relacionados à sexualidade
    * efeitos de medicamentos
    * alterações hormonais ou neurológicas

    Na prática clínica com sexualidade masculina, é bastante comum observar homens que entram em um estado de vigilância e cobrança durante a relação sexual, dificultando o relaxamento necessário para o orgasmo acontecer.

    Por isso, é importante não enxergar isso apenas como um “problema físico” ou sinal de falta de masculinidade.

    O ideal é uma avaliação mais ampla, que pode envolver:

    * psicoterapia com foco em sexualidade
    * avaliação médica com urologista ou endocrinologista

    A terapia sexual pode ajudar bastante a compreender:

    * como sua ansiedade interfere no prazer
    * quais padrões emocionais estão envolvidos
    * como reconstruir uma relação mais saudável com o próprio corpo e sexualidade

    E um ponto importante:
    o orgasmo não depende apenas do corpo funcionar, mas também da forma como a pessoa vive emocionalmente a experiência sexual.


  • É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima

    É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima de aluenação parental e sofrendo maus tratos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    É possível mas é bem difícil e muito provável que só áudio não seja o suficiente. A prova da alienação parental é bem difícil, por vários fatores, vou citar alguns:
    - Sempre existe uma suspeita sobre quem gravou e as circunstancias, uma criança pode ser suscetível a ser induzida.
    - Muitas vezes, quem não entende da area acha que um conteúdo será super bom para identificar e não é, precisa de ajuda de quem entende para saber se é conteudo relevante e se realmente é o que a justiçca chama de alienação.
    - o termo "alienação parental" é bem controverso, pois não é um conceito que veio da psicologia, foi algo que veio da justiça, então ele não é necessariamente uma condição psicológica.
    - a justiça é muito complexa e incerta, não tem garantia de que o genitor(a) que é a vitima consiga provar, e pode acabar sendo o contrário, pois os julgadores não entende dos fenomemos psicológicos, as pericias deixam muito a desejar, depende muito de qual vara, quais profissionais que são destinados para as pericias, normalmente não é alguém concursado e é muito raro que seja um especialista clinico em família, normalmente são profissionais que entendem de avaliação individual e não da dinâmica das relações familiares, acaba que o profissional identifica sintomas mas não sabe qual a dinâmica relacional que o criou.

    Existem outros complicadores, mas isso estenderia muito. Trabalho faz muitos anos com isso, o que indico: Só vale a pena denunciar se a dita "alienação parental" for grave, normalmente é melhor buscar outros meios como psicoterapia familiar. Ajudo vários genitores a lidar com estas situações, e se for o caso, amadurecer bem a possibilidade de uma denuncia, pois muitas vezes expõem a criança, gera muito sofrimento a todos, gasta-se muito tempo e dinheiro e a situação pode ficar pior. Minha sugestão é essa, pense bem, procure mais de um profissional, não caia na conversa do primeiro advogado que disser que é fácil ganhar, pois sempre envolve muitos riscos e pouca garantia. Espero que tenha lhe ajudado! Se precisar, fico a disposição. Abraço


  • Tenho um relacionamento de 4 anos e há 2 ele admitiu que possui compulsão sexual. Participo de algumas

    Tenho um relacionamento de 4 anos e há 2 ele admitiu que possui compulsão sexual. Participo de algumas fantasias e tb obtenho prazer mas tenho questoes como: se eu nao quiser em uma das epocas de compulsão? Ele se recusa a tratar ou procurar grupos de apoios. O que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    Antes de tudo, é importante lembrar que participar de fantasias e práticas sexuais no relacionamento só é saudável quando existe desejo, consentimento e liberdade dos dois lados. O fato de você gostar de algumas experiências não significa que precise aceitar tudo ou estar disponível o tempo inteiro.

    Quando existe compulsão sexual, muitas vezes a sexualidade deixa de funcionar apenas como prazer e passa a ocupar também funções emocionais, como:

    * aliviar ansiedade
    * lidar com estresse
    * compensar frustrações
    * regular emoções difíceis
    * buscar sensação constante de novidade ou excitação

    Na prática clínica em terapia sexual e terapia de casal, um dos sinais de alerta é justamente quando a relação começa a girar em torno da compulsão, fazendo o parceiro sentir medo de frustrar o outro, culpa ao negar sexo ou pressão para acompanhar ritmos que não consegue sustentar emocionalmente.

    É importante entender que você tem direito de não querer em determinados momentos. Consentimento dentro do relacionamento também inclui poder dizer “não” sem medo de punição emocional, afastamento ou conflito.

    Outro ponto importante é que ninguém consegue tratar sozinho uma compulsão se não reconhecer o problema e não desejar ajuda. Você pode acolher, conversar e incentivar, mas não consegue assumir a responsabilidade pelo tratamento dele.

    Também vale investigar:

    * como está a dinâmica emocional do casal
    * se existe dependência emocional
    * se a sexualidade virou a principal forma de conexão entre vocês
    * se você está ultrapassando limites pessoais para manter o relacionamento
    * quais impactos isso está trazendo para sua saúde emocional

    A terapia sexual e a terapia de casal costumam ajudar bastante nesses casos, principalmente para diferenciar desejo saudável, incompatibilidades sexuais, compulsão sexual e dificuldades emocionais do relacionamento. Muitas vezes, quando o casal começa a entender melhor a função emocional que o sexo ocupa na relação, fica mais fácil construir limites, diálogo e intimidade de forma mais saudável.


  • Q que é transtorno de identidade sexual na inf/ãncia?

    Q que é transtorno de identidade sexual na inf/ãncia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Regis Soster Santa Maria

    O termo mais atualizado para o que antigamente se chamava “transtorno de identidade sexual na infância” é disforia de gênero na infância ou incongruência de gênero, e não se trata de “vontade de chamar atenção”, mas de um quadro de sofrimento ligado à identidade de gênero da criança.​
    Conceito de forma
    Fala-se em disforia de gênero quando há um desconforto intenso porque o gênero vívido pela criança (como ela se sente por dentro) não corresponde ao gênero que lhe foi atribuído ao nascer.​


    Esse desconforto precisa durar pelo menos alguns meses, ser persistente e trazer prejuízos emocionais, sociais ou escolares para ser considerado um quadro clínico, e não apenas uma fase de exploração.


    Como isso pode aparecer na infância
    A criança pode insistir repetidamente que “é” do outro gênero, roupas preferidas, brinquedos e brincadeiras geralmente associadas ao outro gênero e escolher esses colegas como principais companhias.


    Também pode demonstrar fortes incômodos com seu corpo (genitália, características esperadas na puberdade) e desejar ter o corpo típico do gênero com o qual se identifica, o que costuma vir acompanhado de sofrimento, ansiedade ou tristeza.


    Não é “fantasia” nem “culpa da criação”
    Identidade de gênero é um aspecto central da identidade humana, resultado de fatores biológicos, psicológicos e sociais; não se trata de “moda”, “falta de limites” ou algo que os pais “ensinaram”.


    É importante diferenciar a criança que apenas gosta de comportamentos considerados “do outro sexo” (expressão de gênero mais flexível) que sofre por se perceber em um gênero diferente do que lhe foi designado.​


    O que se faz no acompanhamento
    Em crianças, as principais recomendações das diretrizes atuais são orientação psicológica, escuta comprometida e orientação à família e à escola, evitando orientações médicas irreversíveis antes da puberdade.


    O foco é reduzir o sofrimento, prevenir o bullying e a depressão, ajudar a criança a nomear o que sente e apoiar a família a construir um ambiente seguro, mesmo quando ainda há dúvidas sobre o desenvolvimento futuro dessa identidade.


    Orientação aos pais e cuidadores
    Pais não precisa “apressar decisões”, mas também não é adequado ignorar ou punir o que a criança expressa; o caminho mais protetivo costuma ser acolhedor, observar e buscar orientação profissional especializada.


    Dúvidas sobre “é uma fase ou é definitivo?” são comuns, e o objetivo do acompanhamento não é forçar a criança a ser de um jeito ou de outro, mas ajudá-la a se desenvolver com menos sofrimento e mais segurança em relação a si mesma.



    Sobre o tratamento psicológico:
    É muito importante que haja psicoterapia especializada nesses casos, porque a sociedade, em geral, ainda não está preparada para lidar com crianças que vivem essa condição, ou que costumam gerar conflitos e sofrimentos extras. O trabalho clínico parte do conhecimento sobre sexualidade e desenvolvimento infantil e, a partir daí, vamos validar desejos, opiniões e formas de se relacionar, ajudando a criança a acolher o que sente e o que percebe dentro de si. Com o tempo, ela tende a se sentir mais segura, passa a se posicionar melhor na sociedade e nos seus meios de convivência.
    A sociedade ainda não está adaptada para lidar com essas crianças, e isso traz muito sofrimento; por isso, o objetivo é justamente fortalecê-las “de dentro para fora”, para que possam enfrentar melhor essas situações. Antigamente, era bem diferente: uma pessoa recebia a identidade de homem ou de mulher praticamente pronta da estrutura social, desde o nascimento, com raras exceções, e a partir daí buscaria na sociedade os caminhos para viver e se satisfazer. Hoje, como a sociedade está em um processo de transição para aprender a lidar com essa condição, o acompanhamento psicológico se torna extremamente necessário.
    Já atendi e atendo casos assim de crianças com disforia de gênero. No início costuma ser bem difícil, mas, com o tempo, a criança e a família vão se encontrando e também lugares, pessoas e outras famílias que vivem situações semelhantes, o que costuma aliviar bastante a sensação de isolamento. Depois que uma pessoa se estrutura em uma identidade de gênero – que, nesses casos, é uma identidade transsexual (quando há trânsito de um gênero para outro, por exemplo, de “homem” para “mulher”), podendo se reconhecer como homem transexual, mulher transexual, entre outras identidades – uma disforia tende a deixar de existir. Isso porque a disforia é justamente ao conflito e à sensação de inadequação em relação ao gênero; quando esses sintomas diminuem ou cessam, a pessoa não preenche mais critérios para o transtorno.
    Sou especialista clínico em família e sexualidade e fico à disposição caso precisem de tratamento. Desejo que você e sua família encontrem apoio e que essas informações tenham ajudado.


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