Perguntas do paciente (189)
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Estou em fase de negação? Não sei exatamente se é isto, mas eu ainda vejo meu ex todos os dias, mesm
Estou em fase de negação? Não sei exatamente se é isto, mas eu ainda vejo meu ex todos os dias, mesmo tendo inúmeras brigas diárias
O pior, sou eu quem procuro e ainda ele me humilha por isso, mas eu não sei como agir e nem como sair desse ciclo que já se repetiu por várias vezes, ele também sempre volta
Eu reconheço, que estou errado, que isso não pode continuar, mas não consigo sair disso
É muito dolorido e vergonhoso, muitas vezes eu acho que nunca vou sair disso e que parece o novo jeito de estar neste relacionamento
Ninguém nem imagina que vivemos issoRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher o que você compartilhou. Chama atenção que você já consegue perceber que esse relacionamento entrou em um ciclo que lhe faz sofrer. Isso é importante, porque muitas pessoas permanecem durante anos sem conseguir reconhecer esse padrão.
Você perguntou se está em uma fase de negação. Pode até existir um pouco de negação em alguns momentos, mas, pelo que você descreve, parece haver algo além disso. Você reconhece que a relação está lhe fazendo mal, percebe que as humilhações continuam acontecendo e, ainda assim, sente uma dificuldade enorme para interromper esse movimento. Isso costuma acontecer quando existe um vínculo muito intenso que mantém o casal unido, mesmo diante do sofrimento.
Uma pergunta importante seria: este foi seu primeiro relacionamento mais significativo? Se sim, a falta de experiência pode tornar muito mais difícil diferenciar a intensidade da paixão da construção de um relacionamento saudável. Se você já teve outros relacionamentos e nunca viveu algo parecido, talvez tenha encontrado justamente nesta relação uma forma de vínculo que despertou uma dependência emocional que você ainda não conhecia em si mesmo.
Também me chama atenção que vocês terminam, brigam, voltam e esse ciclo já aconteceu diversas vezes. Nesses casos, gosto de fazer duas perguntas na psicoterapia: **o que faz vocês voltarem?** E **o que faz vocês terminarem?** Muitas vezes o casal conhece muito bem os motivos das brigas, mas nunca para para compreender o que continua mantendo os dois ligados um ao outro. Entender essas duas forças é fundamental.
É relativamente comum alguns casais se unirem por uma química muito intensa, uma paixão muito forte, um desejo que parece irresistível. O problema é que essa intensidade, sozinha, não sustenta um relacionamento saudável. Algumas pessoas acabam confundindo essa explosão emocional com prova de amor e passam a acreditar que relacionamentos tranquilos são "sem graça". Com o tempo, a paixão intensa continua atraindo o casal, enquanto a convivência cotidiana produz cada vez mais sofrimento.
Você comentou algo que considero muito importante: "parece o novo jeito de estar neste relacionamento". Essa frase mostra que existe o risco de esse funcionamento começar a ser visto como normal. Quando isso acontece, as brigas, as separações e as reconciliações deixam de ser exceções e passam a ser a própria forma como o relacionamento funciona.
Também chamou minha atenção o fato de você dizer que é quem procura e que acaba sendo humilhado. Isso costuma desgastar muito a autoestima. Com o passar do tempo, algumas pessoas deixam de lutar apenas pelo relacionamento e passam a lutar para recuperar a própria dignidade dentro dele. Quanto mais tentam, mais machucadas acabam ficando.
Na minha prática clínica, observo que muitas pessoas se culpam por não conseguir colocar um ponto final, quando, na verdade, ainda não compreenderam o que as faz voltar. Enquanto essa necessidade permanecer desconhecida, a tendência é que o ciclo se repita, mesmo quando existe a decisão racional de terminar.
Costumo fazer uma comparação que ajuda alguns pacientes a refletirem. Imagine alguém que recebe um cartão de crédito sem limite. Gastar tudo em um único dia pode gerar uma sensação muito prazerosa naquele momento, mas, se isso se torna o modo habitual de viver, as consequências aparecem depois. Alguns relacionamentos funcionam de forma parecida: oferecem momentos de prazer e intensidade muito grandes, mas cobram um preço emocional igualmente alto. A intensidade da paixão não é, por si só, um indicador de que aquele relacionamento conseguirá sustentar uma vida em comum.
Acredito que a psicoterapia pode ajudá-lo bastante. O objetivo não seria apenas ajudá-lo a terminar ou voltar, mas compreender por que esse vínculo se tornou tão difícil de romper, fortalecer sua autoestima e ajudá-lo a construir uma forma de se relacionar em que carinho, respeito e segurança tenham mais espaço do que sofrimento e instabilidade. Muitas vezes, quando entendemos o que nos prende a um relacionamento, deixamos de precisar repetir esse ciclo para conseguir seguir em frente.
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Como curar uma ferida de ser rejeitado por uma ex ? Eu e minha ex terminamos mas porém eu e ela tive
Como curar uma ferida de ser rejeitado por uma ex ? Eu e minha ex terminamos mas porém eu e ela tivemos várias recaídas , mas meu racional me dizia que não valia a pena voltar, nossas ideias de futuro não se enquadrava( ela queria que eu aceitasse morar no porão da casa dela onde é o único espaço que daria para construir algo , se fosse para comprar um apê ou alugar algo ela disse que eu que teria que me virar sozinho por que já que tinha o porão da casa dela e eu não quis ir então eu que me virasse ,certa vez ela ameaçou terminar comigo por que eu disse que não iria na casa dela naquele dia por que eu estava cansado ,eu trabalhava e fazia faculdade, e ela disse que se caso eu não fosse ela terminaria e depois de terminar eu perguntei se ela se arrependia de ter ameaçado tá tas vezes terminar comigo se ela estava certa , e ela disse que estava certa si. Por que eu deveria dar mais prioridade a ela e disse que não se arrependia e dentre outras coisas que não concordamos ,porém paramos de ficar e ela começou a namorar com outra pessoa e eu implorei pra voltar e disse que aceitaria o que ela me propôs e que me doaria mais no relacionamento para ela enfim me aceitar de volta , estou sofrendo com isso tudo as vezes me pego angustiado mesmo sabendo lá no fundo que se eu realmente estivesse com ela não iríamos tão longe assim haja vista que ela não queria mudança alguma eu quero que essa dor passe.obs: trabalhamos no mesmo trabalho o pai dela e nosso chefe e frequentamos a mesma igreja ao qual ela irá começar a levá-lo , como esquecer como me curar disso tudo ??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Bom dia! Espero que esteja bem! Esse sentimento de rejeição é muito difícil, você estar sofrendo é um sinal de que consegue fluir seus sentimentos, isso é saudável. A construção de um relacionamento tem a parte do afeto trocado, do carinho, de estar junto, isso te machucou, a perda disso e como ela agiu contigo. Outro fator importante do relacionamento é a parte desse contrato, que são as combinações, planos, compromisso, que vocês divergiram. Pelo seu relato ela parece bem decidida a ficar morando na casa dela e quer que a pessoa que esteja com ela more lá. Nesse ponto ela sente que você não a apoiou. Você, quer morar em outro lugar e sente que ela não considerou. Você deu o braço a torcer e cedeu a ela, mas você não escreveu a reação dela com isso. Porém você mesmo, entende que não teriam futuro. Isso indica que você pode estar tentando fugir desse sentimento do fim, de viver essa angustia. Essa experiencia de rejeição, de não se sentir amado, é muito dura, mas é uma experiencia extremamente importante para aprender a ter relações saudáveis futuramente. Conseguindo lidar com isso você terá muito mais força para outros relacionamentos e sentirá confiança em achar alguém com planos mais próximos ao seu. O pai dela é seu chefe e dela e vocês frequentam a mesma igreja, provavelmente deve morar em cidade pequena. Seria interessante diminuir esse convívio até superar essa dor. Fazer psicoterapia nessa situação pode te ajudar a conseguir lidar melhor com isso, sou especialista rem relacionamentos. Fico a disposição. Abraço!
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Como saber se o que eu sinto é amor ou somente apego aos momentos bons que o relacionamento tinha ?
Como saber se o que eu sinto é amor ou somente apego aos momentos bons que o relacionamento tinha ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma das perguntas mais difíceis que costumam surgir após o desgaste ou o término de um relacionamento. E, na prática clínica, percebo que ela raramente aparece quando a relação está bem. Geralmente ela surge justamente quando existe dor, saudade, culpa ou muita dúvida, o que torna ainda mais difícil enxergar os próprios sentimentos com clareza.
Uma primeira reflexão importante é lembrar que os relacionamentos passam por fases. No início, normalmente existe o encantamento e a paixão. Com o tempo, o casal aumenta o compromisso, passa a dividir responsabilidades e começa a conhecer profundamente quem o outro realmente é. É justamente nessa fase que aparecem as diferenças, os conflitos e a necessidade de aprender a conviver. O amor deixa de depender apenas da intensidade das emoções e passa a depender também da capacidade do casal de construir uma vida juntos.
Quando acontece um término, também existe um processo. Muitas pessoas passam por momentos de negação, tristeza, saudade, idealização e reorganização da própria vida. Nesse período, é bastante comum que a mente selecione principalmente as boas lembranças do relacionamento e diminua o peso das dificuldades que levaram à separação. Por isso, sentir muita falta dos momentos felizes não significa, necessariamente, que o relacionamento ainda deva continuar.
Também é importante diferenciar algumas formas de saudade. Às vezes sentimos falta da pessoa. Outras vezes sentimos falta da rotina, da companhia, dos planos, da família construída, da intimidade ou da segurança que aquele relacionamento proporcionava. São lutos diferentes e frequentemente acabam sendo confundidos como se fossem apenas "amor".
Uma pergunta que costuma ajudar bastante é: **se essa pessoa voltasse hoje exatamente como era no momento em que vocês terminaram, sem nenhuma mudança, você gostaria de recomeçar esse relacionamento?** Muitas vezes a resposta não está relacionada à pessoa, mas à esperança de que ela pudesse ser diferente. Em outras situações, a pessoa percebe que sente falta do relacionamento que existiu no passado, e não da forma como ele estava no presente.
Outra reflexão importante é entender por que o relacionamento terminou. Vocês brigavam sempre pelos mesmos motivos? Eram conflitos que poderiam ser aprendidos e resolvidos ou existiam diferenças muito profundas entre vocês? Algumas pessoas percebem, após a separação, que terminaram por dificuldades que poderiam ter sido trabalhadas. Outras descobrem exatamente o contrário: estavam acostumadas a um relacionamento que já não lhes fazia bem e passaram a sentir falta apenas dos momentos bons que existiam dentro de um contexto de muito sofrimento.
Na psicoterapia de relacionamentos, costumamos investigar justamente essa história. Não buscamos responder rapidamente se o que existe é amor ou apego, mas compreender como esse vínculo foi construído, quais necessidades emocionais ele atendia e quais motivos levaram ao desgaste. Quando entendemos a função que aquele relacionamento ocupava na nossa vida, essa dúvida costuma perder força e dar lugar a uma compreensão muito mais sólida.
Se essa pergunta tem lhe acompanhado com frequência, acredito que a psicoterapia possa ajudá-lo(a). Além de elaborar o luto pelo relacionamento, ela permite compreender sua forma de amar, os padrões que costuma repetir nas relações e construir escolhas mais conscientes para os próximos vínculos. Muitas vezes, a resposta não está apenas em descobrir se era amor ou apego, mas em entender por que esse relacionamento teve um significado tão importante na sua história.
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Eu e minha ex ficamos 1 ano e 4 meses ,porém no namoro eu não conseguir enxergar o nosso relacioname
Eu e minha ex ficamos 1 ano e 4 meses ,porém no namoro eu não conseguir enxergar o nosso relacionamento indo para frente no quesito casamento ! Porém depois de terminar ficamos 2 anos tendo recaídas , logo após os dois anos ela se afastou e disse que estava conhecendo outro pessoa , depois de saber disso eu fiquei extremamente chateado e comecei a fazer o que eu nunca achei que iria fazer , comecei a mandar mensagem implorando para voltar , prometi até casamento, como explicar esse sentimento de querer voltar para uma pessoa que lá no fundo eu não a amo ! Mas gostaria de tentar novamente.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Vou tentar explicar aqui a partir das informações que você enviou. Seu namoro teve um tempo menor que o tempo de recaídas, isso normalmente indica algumas coisas. Que os dois não estavam prontos para um relacionamento sério, pois nesses dois anos ficaram só em recaídas sem nada sério, pois nem assumiram compromisso entre vocês nem com outras pessoas. Pelo que você fala, não queria dar um passo a frente "casar", mas também não queria dar um passo atrás "terminar". Tem grandes chances de você ter controlado a relação de forma diferente do que ela queria, provavelmente ela quer algo sério, deu bom tempo para você e agora desistiu. Acredito que você queria continuar na relação do jeito que estava e acabou perdendo. è muito comum, alguém não querer um relacionamento sério mas não querer perder a pessoa, deve refletir sobre o que ela era conveniente para você, o que você gostava nessa forma? e o ponto de que você levou a relação da forma que queria até então, tinha uma sensação de controle sobre o outro e agora que ela foi conhecer outra pessoa, perdeu esse controle. A questão de casar, depende de vários fatores como: idade, crenças, cultura e outros. Para pessoas jovens e dependendo do tipo de crenças e cultura, esse tempo pode ser pouco para já casar. Por outro lado, para alguém que tem mais de 40 anos, esse tempo pode ser longo para esperar, esse tempo depende de muitos fatores. É muito importante você refletir profundamente sobre "por que você quer tentar novamente? pode ser uma fase, de quem perdeu algo, e que pode passar brevemente. É importante fazer essa reflexão sobre essa angustia ser passageira, e ela pode te ajudar a refletir melhor sobre que tipo de relacionamento espera daqui para frente, e que tipo de pessoa, o que faltava nela ou na relação? Espero que minhas considerações lhe ajudem e que fique bem. Abraço!
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Olá! Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei
Olá!
Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei me expressar e quando eu fico sobre pressão geralmente começo a chorar sem para, meu parceiro acha que prefiro ignorar ele ou que eu não tem o que dizer, mas na verdade minha mente fica a mil, mas não consigo tira da mente e passa pra ele e isso me mata por dentro. Como que faço para não ter dificuldade em querer conversar, nem fugir, nem ignorar a situação e não ficar na defensiva? tenho muito a falar mas sinto um bloqueio na hora principalmente quando sou pressionada a ter uma conversa seria.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher o que você compartilhou. O próprio fato de conseguir escrever essa pergunta mostra algo importante: você **tem o que dizer**. O problema não parece ser falta de pensamentos ou sentimentos, mas a dificuldade de conseguir expressá-los justamente quando mais precisa.
Você descreve uma situação bastante comum na psicoterapia de relacionamentos. Enquanto seu parceiro interpreta seu silêncio como desinteresse, indiferença ou falta de argumentos, por dentro você relata exatamente o contrário: sua mente acelera, muitas ideias aparecem ao mesmo tempo, as emoções aumentam e você acaba chorando. Isso costuma gerar um sofrimento enorme, porque a pessoa sente que não está sendo compreendida nem consegue mostrar o que realmente está vivendo.
Uma pergunta importante seria: essa dificuldade acontece apenas com seu parceiro ou sempre fez parte da sua forma de se relacionar? Você conseguia expressar suas opiniões na infância e na adolescência? Na sua família havia espaço para discordar, falar dos sentimentos e ser ouvida, ou normalmente as decisões já estavam tomadas e sua opinião tinha pouco espaço?
Muitas pessoas que apresentam esse bloqueio cresceram em ambientes onde não existia uma verdadeira "democracia emocional". Em algumas famílias, expressar sentimentos gerava críticas, punições ou conflitos. Em outras, simplesmente não havia espaço para que os filhos fossem escutados. Com o tempo, a pessoa aprende que é mais seguro guardar o que sente do que correr o risco de não ser compreendida. Na vida adulta, mesmo quando encontra alguém disposto a conversar, esse bloqueio continua aparecendo.
Também vale olhar para o relacionamento atual. Como seu parceiro costuma receber aquilo que você consegue falar? Ele consegue ouvir com calma ou as conversas acabam acontecendo em momentos de muita pressão? Porque, mesmo quando essa dificuldade já existia antes, a forma como o casal conversa pode facilitar ou dificultar ainda mais esse processo.
Outro aspecto que me chamou atenção foi o choro. Muitas vezes ele não significa falta de maturidade ou incapacidade de conversar. Pelo contrário. Em algumas pessoas, a emoção cresce tão rapidamente que acaba "ocupando o lugar" das palavras. Enquanto tenta organizar tudo o que está sentindo, o corpo responde primeiro. Isso costuma acontecer principalmente quando a conversa envolve medo de decepcionar, de ser julgada, de causar uma briga ou de perder a pessoa que ama.
Na minha prática clínica, vejo com frequência pessoas que dizem exatamente a mesma frase que você escreveu: "eu tenho muito para falar, mas trava". Nesses casos, normalmente não trabalhamos apenas técnicas de comunicação. Procuramos compreender como essa forma de se relacionar foi construída ao longo da vida, fortalecendo a segurança para expressar opiniões, sentimentos e necessidades sem viver esse nível de sofrimento.
Acredito que a psicoterapia individual pode ajudá-la bastante a desenvolver essa capacidade de se expressar com mais liberdade e compreender a origem desse bloqueio. Se essa dificuldade já está afetando a dinâmica entre vocês, a terapia de casal também pode ser uma excelente alternativa. Muitas vezes, além de ajudar quem tem dificuldade para falar, ela ensina o parceiro a criar um ambiente em que conversar deixe de ser vivido como um momento de pressão e passe a ser um espaço de acolhimento e construção conjunta.
Enquanto essa habilidade ainda está sendo construída, você não precisa exigir de si mesma que consiga dizer tudo exatamente no momento da discussão. Muitas pessoas conseguem se expressar melhor quando a intensidade emocional diminui. Uma estratégia inicial pode ser, depois que você se acalmar, escrever tudo o que gostaria de ter conseguido dizer naquela conversa. Não precisa ser perfeito e nem necessariamente entregar esse texto ao seu parceiro. O objetivo é organizar seus próprios pensamentos. Com o tempo, esse exercício costuma facilitar que essas palavras comecem a surgir durante a conversa, e não apenas depois dela. O mais importante é não desistir de se expressar por causa das primeiras tentativas frustradas. A comunicação também é uma habilidade que pode ser aprendida.
Pelo que você escreveu, não me parece que falte amor ou vontade de resolver os problemas. Parece que existe alguém que deseja muito ser compreendida, mas que ainda não encontrou uma forma segura de transformar aquilo que sente em palavras. E isso, felizmente, é algo que pode ser desenvolvido com ajuda profissional.
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Como sair mais rápido da fase de negação do luto do divórcio?
Como sair mais rápido da fase de negação do luto do divórcio?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O luto de um divórcio costuma ser um dos processos emocionais mais difíceis da vida adulta. Quando existe uma separação, não perdemos apenas uma pessoa. Também perdemos uma rotina, planos para o futuro, uma identidade construída como casal e, muitas vezes, uma parte importante da forma como imaginávamos nossa vida.
A fase de negação costuma acontecer porque a mente ainda está tentando conciliar duas realidades: a vida que existia antes e a nova realidade que começou após a separação. Por isso, muitas pessoas continuam imaginando que tudo pode voltar a ser como era ou têm dificuldade de aceitar que aquela etapa realmente terminou.
Uma pergunta importante é: **quem decidiu pelo divórcio?** Quando a decisão parte da outra pessoa, é comum que a negação venha acompanhada da esperança de reconciliação. Quando a decisão parte de quem está sofrendo, muitas vezes a negação aparece na forma de culpa, dúvidas sobre a escolha ou arrependimento. Embora os sentimentos sejam diferentes, ambos exigem um processo de elaboração.
Também considero fundamental compreender a história daquele relacionamento. O que levou ao término? Houve acontecimentos específicos ou foi um desgaste construído ao longo do tempo? Entender essa trajetória costuma ser muito mais útil do que apenas tentar "esquecer" o relacionamento.
Outro ponto importante é assumir a própria responsabilidade pela história vivida. Isso não significa carregar toda a culpa pelo fim do casamento, mas reconhecer quais escolhas foram suas, quais pertenciam ao outro e o que cada um poderia ou não ter feito diferente. Quando conseguimos olhar para isso com honestidade, deixamos de gastar tanta energia tentando mudar um passado que já não pode ser alterado.
Na minha prática clínica, também costumo falar sobre **responsabilidade afetiva**, inclusive após o término. Sempre que possível, é saudável desejar não apenas reconstruir a própria vida, mas também permitir que o outro siga o caminho dele. Isso não significa concordar com tudo o que aconteceu ou minimizar o sofrimento, mas compreender que permanecer preso ao desejo de vingança, de punição ou de que o outro reconheça todos os erros costuma prolongar o próprio luto.
Da mesma forma, se você foi profundamente machucado(a), tente não esperar que seja justamente quem lhe feriu a pessoa que irá reparar essa dor. Muitas vezes, esse reconhecimento nunca acontece da forma que imaginamos. A reconstrução costuma ocorrer através de outras relações, do apoio de pessoas significativas e do fortalecimento da relação consigo mesmo.
Uma estratégia que costuma ajudar é separar, de forma consciente, dois espaços na sua vida. Um espaço para elaborar o término — permitindo-se sentir, refletir e compreender o que aconteceu — e outro para voltar a investir em você, retomando projetos, vínculos, interesses e objetivos que existam para além daquele casamento. Essas duas tarefas precisam caminhar juntas.
A psicoterapia costuma acelerar bastante esse processo, não porque faça a dor desaparecer rapidamente, mas porque ajuda a dar sentido ao que foi vivido. Em vez de permanecer preso apenas à pergunta "como faço para esquecer?", a pessoa passa a compreender por que aquele relacionamento foi importante, o que aprendeu com ele e como pode construir vínculos mais saudáveis no futuro.
O objetivo do luto não é apagar a história, mas conseguir olhar para ela sem que ela continue impedindo você de viver a próxima etapa da sua vida.
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Estou namorando a 7 meses , minha namorada tem dois filhos pequenos de um relacionamento que a deixo
Estou namorando a 7 meses , minha namorada tem dois filhos pequenos de um relacionamento que a deixou muitas marcas pois o ex era abusivo , batia e torturava psicologicamente, eu tento fazer de tudo digo que amo e faço de tudo mas ela já me falou que não consegue mais amar ninguém por causa do sofrimento que ela teve mas que está tentando me amar mas não promete nada e nem a me tratar bem , fico sem saber o que fazer pq tem hora que estamos bem mas tem hora que ela se distância, estou tendo paciência, agora vamos morar juntos o que eu devo fazer ? Estou confuso.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero reconhecer que sua dúvida demonstra preocupação com o relacionamento e com o bem-estar da sua parceira. Pelo que você descreve, você parece estar tentando compreender o que ela viveu, e isso já é um passo importante.
O que me chamou atenção foi uma informação muito significativa: sua namorada disse que, neste momento, **não consegue amar ninguém como gostaria**, que está tentando construir esse sentimento, mas que não pode prometer isso e nem mesmo garantir que conseguirá tratá-lo bem. Essa é uma fala muito importante e merece ser levada a sério, não porque signifique que o relacionamento não tenha futuro, mas porque ela está sinalizando quais são os limites emocionais dela hoje.
Pelo seu relato, ela saiu de um relacionamento marcado por violência física e psicológica. Pessoas que viveram esse tipo de experiência costumam precisar de tempo para reconstruir a confiança, a segurança e a capacidade de se entregar novamente a uma relação. Muitas vezes, o amor não desaparece, mas o medo de sofrer novamente acaba ocupando muito espaço.
Ao mesmo tempo, uma reflexão importante é sobre você. Você diz que faz de tudo, demonstra amor e tem muita paciência. Mas isso levanta uma pergunta que considero fundamental: **o que faz você investir tanto em alguém que lhe diz claramente que ainda não sabe se conseguirá corresponder ao seu amor?**
Essa pergunta não é para julgá-lo, mas para ajudá-lo a compreender sua própria forma de se relacionar. Algumas pessoas acabam assumindo a missão de "amar pelos dois", acreditando que, se demonstrarem carinho suficiente, conseguirão curar as feridas do parceiro. Infelizmente, por mais amor que exista, ninguém consegue fazer sozinho o trabalho emocional que pertence ao outro.
Também me chamou atenção o fato de vocês estarem planejando morar juntos após apenas sete meses de relacionamento, enquanto ela ainda está tentando reorganizar a própria vida, lidar com os traumas do relacionamento anterior e cuidar de dois filhos pequenos. Essa mudança representa um passo muito grande para qualquer casal e exige que ambos estejam emocionalmente preparados.
Por isso, eu me perguntaria: **por que morar juntos agora?** Essa decisão está acontecendo porque ambos sentem que o relacionamento amadureceu naturalmente ou porque outras necessidades estão acelerando esse processo? Às vezes existem questões financeiras, necessidade de ajuda com os filhos, desejo de reconstruir rapidamente uma família ou medo da solidão. Tudo isso é compreensível, mas merece ser diferenciado da decisão de construir uma vida a dois.
Outro ponto importante é que pessoas que passaram por relacionamentos abusivos, algumas vezes, têm dificuldade de colocar limites claros. Em certos casos, acabam dizendo "sim" para situações que ainda não conseguem sustentar emocionalmente, justamente porque aprenderam, ao longo da vida, que negar ou contrariar alguém poderia trazer consequências difíceis. Por isso, vale a pena refletir se ela realmente está pronta para esse passo ou se ainda está tentando corresponder às expectativas de quem está ao lado dela.
Na psicoterapia de casal e nos atendimentos sobre relacionamentos, costumamos dizer que o ritmo do relacionamento precisa respeitar o ritmo de recuperação emocional de quem sofreu. Tentar acelerar esse processo costuma gerar mais ansiedade para ambos. O amor pode ser um apoio importante, mas ele não substitui o tempo necessário para elaborar um trauma.
Acredito que esse momento pede bastante diálogo e cautela. Talvez seja mais importante construir uma base sólida de confiança antes de assumir mudanças tão grandes quanto morar juntos. Também considero que sua namorada poderia se beneficiar de uma psicoterapia individual para elaborar os traumas vividos no relacionamento anterior, enquanto você também teria espaço para compreender por que se sente tão mobilizado a investir em alguém que, honestamente, lhe diz que ainda não consegue oferecer tudo o que gostaria. Esse cuidado com os dois costuma aumentar muito as chances de que a relação seja construída de forma mais saudável e segura.
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Minha sobrinha disse numa rede social que acha q gosta de mulher. Acontece q ela tem 18 anos e nunca
Minha sobrinha disse numa rede social que acha q gosta de mulher. Acontece q ela tem 18 anos e nunca apresentou comportamento ou preferencias q sugerisse homossexualidade. Tudo se deu recentemente quando ela estreitou laços com uma colega de aula e começou a frequentar academia com a mesma. Falei pra minha cunhada procurar ajuda esoecializada para saber como agir nesse caso. Fiz o certo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Aos 18 anos, muitas pessoas estão vivendo uma fase intensa de descoberta emocional, afetiva e da própria identidade. Nem sempre questões relacionadas à sexualidade aparecem de forma “evidente” durante a infância ou adolescência, e orientação sexual não pode ser definida apenas por comportamentos, gostos ou estereótipos anteriores.
Também é importante diferenciar quem está sofrendo mais com essa situação neste momento: sua sobrinha, que pode estar tentando compreender os próprios sentimentos, ou a família, que talvez esteja lidando com dúvidas, inseguranças ou medo sobre como agir.
Ter proximidade com uma amiga, frequentar os mesmos ambientes ou criar vínculos mais intensos não significa automaticamente algo definitivo, mas pode fazer parte de um processo de autoconhecimento e experimentação emocional, algo relativamente comum nessa fase da vida. Algumas pessoas confirmam esses sentimentos ao longo do tempo, enquanto outras percebem que estavam vivendo uma fase de questionamentos e descobertas.
Mais importante do que tentar “definir” rapidamente o que está acontecendo é criar um ambiente de diálogo, acolhimento e escuta, sem pressão ou julgamento. Quando existe sofrimento emocional, conflitos familiares ou dificuldade para lidar com essas mudanças, um acompanhamento psicológico pode ajudar tanto a pessoa quanto a família a compreender melhor esse processo de forma saudável e respeitosa.
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Como a Logoterapia pode ajudar em situações familiares difíceis?
Como a Logoterapia pode ajudar em situações familiares difíceis?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A Logoterapia trabalha muito a ideia de encontrar sentido mesmo em situações difíceis da vida, inclusive dentro das relações familiares.
Em famílias emocionalmente complexas, muitas pessoas acabam vivendo:
* culpa
* sensação de obrigação constante
* dificuldade de autonomia
* conflitos entre agradar os outros e viver a própria vida
Quando isso acontece, a pessoa pode perder o senso de identidade e passar a viver apenas tentando suportar as relações familiares.
Na prática clínica, é comum observar que dificuldades familiares acabam impactando:
* autoestima
* relacionamentos amorosos
* sexualidade
* capacidade de tomar decisões
* construção da autonomia emocional
A Logoterapia pode ajudar justamente no desenvolvimento de responsabilidade emocional sem que a pessoa precise abandonar a própria individualidade. Isso envolve compreender:
* quais responsabilidades realmente fazem sentido
* quais papéis foram assumidos por culpa ou medo
* como construir relações mais saudáveis e maduras
Muitas vezes, o sofrimento não vem apenas da família em si, mas da dificuldade de encontrar um sentido pessoal dentro dessas relações.
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Como a Terapia Sistêmica pode auxiliar no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Como a Terapia Sistêmica pode auxiliar no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A terapia sistêmica individual (com um paciente) vai trabalhar as relações do paciente, ajudando a entender como que a pessoa se relaciona, fortalecendo as relações, os sintomas diminuem, pois o TOC tem uma origem na dificuldade de manter relações com trocas de sentimento com confiança. Na modalidade onde participam integrantes da família (2 ou mais pacientes/clientes), trabalhamos todas as relações, e a família consegue entender melhor como a pessoa com TOC age e mudar a forma de se relacionar, isso potencializa a capacidade de relações. Exemplo prático: quando trabalhos com a família, explicamos o ciclo dos sintomas e trabalhamos a aceitação, ajudando quem tem TOC a não sentir pressão, assim, ninguém mais "briga contra o sintoma" e focamos as energias para fortalecer as relações, criar outros caminhos seguros, isso ajuda na diminuição e não aumento dos sintomas. Os sintomas de ansiedade (como TOC), aumentam quando a família e pessoas na voltam não aceitam e colocam mais ansiedade ou agressividade no processo.
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Como a terapia sistêmica é aplicada em casos de Deficiência Intelectual (DI)?
Como a terapia sistêmica é aplicada em casos de Deficiência Intelectual (DI)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa tarde! A terapia sistêmica tem foco no entendimento do sistema familiar. Na terapia individual sistêmica, entendemos como o paciente funciona dentro da família, como ele e a DI interage dentro do sistema familiar. Após analisar como é a DI, quais aspectos de fragilidade (Ex: dificuldade na fala ou na parte executiva?), podemos adaptar como o sistema familiar, outros integrantes, conseguem complementar estas dificuldades. Um aspecto comum de tratarmos nestes casos é o entendimento da família com o diagnóstico, normalmente a família não entende muito bem o tipo de limitação, pois a DI é um campo enorme e pode se expressar em diferentes áreas. Na terapia familiar sistêmica, conseguimos tratar isso melhor, vamos entender como cada um se relaciona com o paciente com DI, é comum padrões de interação como: alguém que não entende a limitação e age como se o paciente com DI tivesse plenas capacidades; outro que o protege e não cobra nada e deixa a pessoa com DI não explorar o que tem condições; outro que na duvida evita a pessoa e vive a sua vida. São várias situações, dinâmicas desse tipo de tratamento, tentei trazer o que é mais comum. Espero ter ajudado. Abraço
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meu esposo falou uma vez pra mim que não queria saber da ex mulher do filho dele não queria abri con
meu esposo falou uma vez pra mim que não queria saber da ex mulher do filho dele não queria abri conversas sobre assunto q não levava ao assunto do filho a ex dele postou uma foto do filho e ele comentou q parece com ele e ela respondeu com sim e ele reagiu com um coração pra ela.... fiquei pensando se ele não quer assunto com ela então pq ele comentou na foto pq a criança só tem 5 anos ela não vai olha o comentário e também já q ele não quer saber dela pq ele tem salvo o contato dela. Como lidar com isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, parece que essa situação despertou insegurança, dúvida e talvez medo de existir algum sentimento escondido nessa relação entre eles. Isso pode gerar bastante sofrimento emocional, principalmente quando já existe sensibilidade em relação ao passado do parceiro.
Ao mesmo tempo, é importante tentar diferenciar o que é um comportamento necessariamente afetivo/conjugal do que faz parte da função de pai. Quando existe um filho, principalmente ainda pequeno, o contato entre os pais costuma continuar acontecendo de alguma forma, mesmo após o término do relacionamento. Ter o contato salvo, comentar uma foto do filho ou responder algo relacionado à criança não significa automaticamente interesse amoroso pela ex-companheira.
Inclusive, manter uma comunicação minimamente saudável entre os pais costuma ser importante para o bem-estar da criança e para evitar conflitos familiares maiores no futuro. Quando um dos pais tenta cortar totalmente o contato necessário relacionado ao filho, isso pode acabar gerando ainda mais tensão, conflitos e dificuldades na convivência entre todos os envolvidos.
O que costuma gerar mais sofrimento nesses casos muitas vezes não é apenas o comportamento em si, mas os pensamentos e interpretações que surgem a partir dele. Quando a insegurança aumenta, pequenos acontecimentos podem ganhar um peso emocional muito maior.
Talvez o mais importante seja tentar conversar com ele de forma aberta sobre como você se sentiu, sem transformar isso imediatamente em acusação ou prova de algo. Relações saudáveis precisam de diálogo, segurança emocional e construção de confiança ao longo do tempo.
Se essas situações têm despertado sofrimento frequente, ciúmes intensos ou dificuldade de confiar, um acompanhamento psicológico também pode ajudar bastante a compreender melhor essas emoções e fortalecer a relação.
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Quais são as consequências do preconceito e da discriminação para as pessoas com Transtorno do Desen
Quais são as consequências do preconceito e da discriminação para as pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O preconceito e a discriminação tendem a gerar muito sofrimento emocional e dificultar a autonomia e a inclusão social das pessoas com Deficiência Intelectual, especialmente quando o ambiente não compreende seus limites e potencialidades.
Consequências emocionais e na autoestima
Quando uma pessoa com Deficiência Intelectual é rotulada como “preguiçosa”, “incapaz” ou “infantil”, acaba correndo o risco de entender esses rótulos, o que chamamos de autoestigma. Isso pode levar a baixa autoestima, sentimentos de culpa, vergonha, ansiedade e até quadros depressivos, fazendo com que ela se sinta menos digna de oportunidades e reconhecimento.
Impacto nas relações, escola e trabalho
O preconceito também aparece em atitudes concretas, como excluir de atividades, não adaptar tarefas, falar “por cima” da pessoa ou não levá-la a sério. Isso pode gerar isolamento social, dificuldades de inserção na escola e no trabalho, menos acesso a oportunidades e maior dependência dos outros, mesmo quando uma pessoa tem condições de fazer mais se receber apoio adequado.
Quando “parece normal”, mas tem déficits específicos
Na Deficiência Intelectual, é comum uma pessoa ter áreas de funcionamento preservadas e outras com déficit: por exemplo, entender bem o que é dito (área verbal) mas ter muita dificuldade na execução prática (funções executivas). Nesses casos, familiares e pessoas próximas, por não verem sinais físicos ou “um jeito típico de doente”, podem achar que “está fazendo corpo mole” e cobrar metas que estão além do que ela consegue naquele momento, aumentando a frustração, os conflitos e a sensação de fracasso para todos.
Importância da avaliação e do trabalho com a família
Uma avaliação psicológica e, muitas vezes, neuropsicológica ajuda a mapear quais áreas estão na média e quais apresentam déficits, orientando melhor as expectativas e disciplinas. O trabalho terapêutico com a família é fundamental para:
Ajudar a compreender o diagnóstico sem redução à pessoa inteira.
Ajustar cobranças nas áreas comprometidas, estimulando sem exigência o que é inviável e valorizando os pontos fortes, para que uma pessoa possa se desenvolver dentro do seu ritmo e das suas possibilidades reais.
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Estou me sentindo insegura em relação ao meu namorado ter muitas amigas. Principalmente uma em espec
Estou me sentindo insegura em relação ao meu namorado ter muitas amigas. Principalmente uma em específico que ele já gostou e ficou com ela logo antes de ter começado a ficar comigo e mesmo depois de a gente ter começado a namorar entre nunca parou de falar com ela. Ele sempre me trata muito bem e faz muito por mim, mas eu tenho um trauma e me sinto insegura com isso.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher o que você está sentindo. A insegurança dentro de um relacionamento costuma gerar muito sofrimento, principalmente quando existe uma experiência anterior de traição, abandono ou alguma situação que abalou sua confiança. O fato de você sentir esse medo não significa, automaticamente, que seu namorado esteja fazendo algo errado.
Pelo que você contou, existe um detalhe que naturalmente desperta dúvidas: ele já teve interesse por essa amiga e chegou a ficar com ela pouco antes de iniciar o relacionamento com você. É compreensível que essa história faça você prestar mais atenção nessa amizade do que nas outras.
Ao mesmo tempo, você também trouxe uma informação importante: ele a trata bem, demonstra carinho e faz muito por você. Isso significa que sua insegurança não pode ser analisada apenas pelo comportamento dele, mas também pela forma como essa situação encontra suas experiências anteriores e seus medos atuais.
Uma pergunta que considero importante é: essa insegurança aparece apenas por causa dessa amiga ou você já percebeu esse medo em outros relacionamentos? Quando existe um trauma anterior, às vezes acabamos olhando para uma situação real, mas interpretando-a através de uma dor antiga. Isso não significa que a preocupação seja "coisa da sua cabeça", mas que ela pode estar sendo intensificada pela sua história.
Também acho importante conhecer melhor a forma como seu namorado constrói amizades. Essa amizade faz parte do grupo social dele há muitos anos? Ele costuma manter amizades próximas com homens e mulheres? Como ele apresenta essas amizades para você? Você sente que existe transparência ou percebe situações escondidas, segredos ou mudanças de comportamento quando o assunto é essa amiga?
No início de um relacionamento, ainda estamos conhecendo profundamente quem é a outra pessoa. É natural observar como ela se relaciona com a família, com os amigos, com antigos relacionamentos e também como lida com os próprios limites. Esse período de observação faz parte da construção da confiança. Confiar não significa deixar de prestar atenção; significa permitir que o tempo mostre quem aquela pessoa realmente é.
Também considero importante conversar com ele sobre esse assunto, mas procurando compreender antes de acusar. Você pode tentar entender como ele enxerga essa amizade hoje, o que aconteceu entre eles no passado e como ele pensa os limites dessa relação agora que está comprometido com você. Muitas vezes, uma boa conversa esclarece dúvidas que a ansiedade, sozinha, acaba aumentando.
Na psicoterapia de relacionamentos, costumamos diferenciar duas coisas: **o comportamento do parceiro e a história emocional de quem está sofrendo**. Em alguns casos, realmente existem atitudes que justificam a insegurança. Em outros, o parceiro é confiável, mas a dor de experiências passadas faz com que a pessoa permaneça em constante estado de alerta. Compreender essa diferença é fundamental para que você não viva refém do medo, mas também não ignore sinais importantes caso eles existam.
Se essa insegurança continuar causando sofrimento ou começar a afetar a relação entre vocês, a psicoterapia pode ajudá-la bastante. O objetivo não é apenas diminuir o ciúme, mas compreender como sua forma de confiar foi construída ao longo da vida e fortalecer sua segurança emocional para que você consiga avaliar o relacionamento pelo que ele realmente é hoje, e não apenas pelo que teme que possa acontecer.
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Recentemente me descobri uma mulher lésbica depois de uma vida toda sendo reprimida (tenho 22 anos),
Recentemente me descobri uma mulher lésbica depois de uma vida toda sendo reprimida (tenho 22 anos), há pouco menos de um mês eu comecei a namorar uma menina, ela foi a primeira garota com quem eu fiquei e nós começamos a namorar muito rápido. Há uns dias atrás ela me contou que é um homem trans, ela já sabia antes mas nunca tinha me dito, ela também disse que não vai fazer transição e que eu posso continuar tratando ela no feminino, mas agora eu não consigo parar de pensar nisso. Pensei em terminar com ela mas me sinto uma completa transfóbica por isso, mas ao mesmo tempo ficar nesse relacionamento vai me trazer sofrimento, eu sinto que agora que eu finalmente comecei a viver a minha sexualidade eu acabei presa em um homem de novo. Eu estou sendo transfóbica?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não, você não está sendo transfóbico; você está sendo bem honesto com o que sente. Vou te trazer algumas reflexões.
Primeiro, você acabou de conseguir se reconhecer enquanto mulher lésbica, depois de uma vida inteira de repressão. Esse é um processo bem difícil, que implica ressignificar a sua sexualidade pelo menos desde a adolescência, o que torna mais lento o amadurecimento das relações amorosas na vida adulta. Então não tem como se cobrar que “já saia bem” logo de início; é normal que tudo seja muito confuso e que, às vezes, a gente vá com “muita sede ao pote”.
Sobre seu relacionamento atual: é comum que pessoas trans não contem logo de início que são trans, porque estão acostumadas a sofrer preconceito e exclusão. Isso não torna errado o fato de você desejar se relacionar com uma mulher; querer se relacionar com mulheres é uma expressão do seu desejo, não é preconceito.
Pense assim: se eu saio para comer pastel e chego em um restaurante onde não tem pastel, posso ir embora e procurar outro lugar. Isso não é preconceito, é escolher de acordo com o que deseja. Preconceito seria hostilizar aquilo que é diferente do seu desejo.
Em nossa trajetória de relacionamentos, vamos conhecendo pessoas e experimentando o que gostamos e o que não gostamos, seja em aspectos da relação (como jeito de se comunicar, de se comprometer) seja em características físicas e de expressão (cabelo, estilo, expressão de gênero, gosto musical, etc.). Você está bem no início dessa construção.
A recomendação é: tente deixar isso o mais leve possível e não se cobrar tanto. Imagine uma amiga hétero que namora desde os 14 anos: ela tem muito mais experiência em relacionamentos do que você, que está começando agora a viver a sua sexualidade de forma mais livre. Você está aprendendo, e está tudo bem.
Espero ter ajudado. Abraço.
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Sou casado por 25 anos ,minha esposa descobriu que cometi muitas traições no passado ,do inicio do c
Sou casado por 25 anos ,minha esposa descobriu que cometi muitas traições no passado ,do inicio do casamento até 10 anos atrás.Há 10 anos atras fiz uma promessa que não iria mais cometer estes erros tão graves e desde então nunca mais nem cheguei perto de outra pessoa com segundas intenções. Porém a cerca de 1 mês minha esposa descobriu e eu acabei confessando toda a verdade a ela,não escondo mais nada dela desde então.mas ela não aceita de jeito nenhum voltar o relacionamento,pois acha que ainda estou mentindo,mas não estou mais de 10 anos pra cá.Ela é a mulher da minha vida,não sei o motivo que fiz tanta besteira e fiz tanto mal a ela e ao meu filho.Não sei viver sem ela,não estou suportando de tanta saudade e ficar longe deles para mim está insuportável e estou pensando em fazer muita coisa errada se ela não me perdoar.Sei que ela tem todo direito de não me querer mais pelo que eu fiz no passado,mas a verdade que não sei viver sem ela.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero reconhecer a coragem de escrever sobre isso. Não é simples assumir erros dessa dimensão e falar deles de forma tão aberta.
Pelo que você relata, existem duas histórias acontecendo ao mesmo tempo. A primeira é a das traições, que aconteceram ao longo dos primeiros anos do casamento. A segunda começou há cerca de um mês, quando sua esposa descobriu tudo e, para ela, essa dor passou a existir apenas agora. Embora os fatos tenham acontecido há anos, o sofrimento dela é atual.
Também me chamou atenção algo importante: você relata que há cerca de dez anos tomou a decisão de mudar, fez uma promessa a si mesmo e nunca mais voltou a trair. Isso mostra que alguma transformação aconteceu dentro de você. No entanto, é compreensível que sua esposa ainda não consiga confiar nisso. Para ela, a imagem que existia do casamento mudou completamente em pouco tempo, e a reconstrução da confiança costuma ser muito mais lenta do que a descoberta da verdade.
Outro aspecto que merece reflexão é a culpa. Pelo que você escreveu, ela parece ocupar um espaço muito grande hoje. A culpa pode ter um papel importante quando nos ajuda a reconhecer os erros e mudar de comportamento. Porém, quando ela passa a destruir a própria pessoa, deixa de contribuir para reparar o que aconteceu.
Uma pergunta que eu faria é: quando você diz que fez mal também ao seu filho, a que exatamente você se refere? Ele tinha conhecimento dessas traições ou o sofrimento dele está relacionado às consequências que a descoberta trouxe para a família agora? Essa diferença é importante, porque muitas vezes carregamos culpas maiores do que os danos que realmente conseguimos identificar.
Também acho importante refletir sobre outra questão: você sente falta da sua esposa porque percebe quem ela sempre foi para você ou porque a possibilidade de perdê-la fez você enxergar o tamanho desse vínculo? Essa resposta não serve para diminuir seus sentimentos, mas para ajudá-lo a compreender o significado dessa dor.
Você escreveu uma frase que me preocupou bastante: **"estou pensando em fazer muita coisa errada se ela não me perdoar."** Quando o sofrimento chega a esse ponto, é muito importante procurar ajuda profissional o quanto antes. Independentemente do futuro do casamento, sua vida tem valor e merece cuidado. Nenhuma decisão tomada em um momento de desespero costuma representar aquilo que realmente queremos.
Na minha prática clínica, trabalhando com relacionamentos e terapia de casal, costumo dizer que pedir perdão é um movimento importante, mas aceitar ou não esse perdão pertence à outra pessoa. A responsabilidade afetiva, nesse momento, também significa respeitar o tempo dela para elaborar tudo o que descobriu. Algumas relações conseguem ser reconstruídas; outras não. E, em ambos os casos, existe um trabalho importante para que cada pessoa consiga seguir sua vida da forma mais saudável possível.
Caso sua esposa esteja aberta, a terapia de casal pode ser um espaço seguro para compreender o que aconteceu, avaliar se ainda existe possibilidade de reconstrução e, quando isso não for possível, ajudar o casal a atravessar esse processo com mais respeito e menos sofrimento. Paralelamente, considero fundamental que você também faça psicoterapia individual. Além de compreender os motivos que o levaram a repetir esse comportamento durante tantos anos, esse será um espaço importante para elaborar a culpa, fortalecer sua saúde emocional e enfrentar este momento sem precisar machucar ainda mais a si mesmo.
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Eu preciso de ajuda. Estou a Seis anos jogando sem parar, já perdi absolutamente tudo, não tenho mai
Eu preciso de ajuda. Estou a Seis anos jogando sem parar, já perdi absolutamente tudo, não tenho mais nenhum recurso financeiro. Hoje, deve agiotas, família e amigos. Preciso de ajuda.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero reconhecer a coragem que você teve ao escrever essa mensagem. Muitas pessoas que desenvolvem um problema com jogos de aposta passam muito tempo tentando resolver tudo sozinhas, escondendo as dívidas e o sofrimento. O fato de você conseguir dizer "eu preciso de ajuda" já representa um passo muito importante.
Pelo que você descreve, a situação deixou de ser apenas uma dificuldade para controlar o jogo. Você relata ter perdido seus recursos financeiros, acumulado dívidas com familiares, amigos e agiotas. Isso mostra que o problema já está trazendo consequências importantes para diferentes áreas da sua vida e merece atenção imediata.
A primeira pergunta que eu faria é: alguém próximo sabe de tudo o que está acontecendo? Manter esse tipo de sofrimento em segredo costuma aumentar ainda mais a culpa, a vergonha e a sensação de estar sozinho. Assim como você encontrou coragem para escrever aqui, acredito que seja muito importante contar a pelo menos uma pessoa de confiança da sua família ou da sua rede de apoio. Nesse momento, tentar resolver tudo sozinho costuma ser muito difícil.
Também considero fundamental que você procure ajuda profissional o quanto antes. Na psicoterapia, trabalhamos não apenas o comportamento de apostar, mas principalmente o que o jogo passou a representar na sua vida. Em muitos casos, a aposta deixa de ser apenas uma tentativa de ganhar dinheiro e passa a funcionar como uma forma de aliviar ansiedade, frustrações, sentimentos de vazio ou até a esperança de recuperar rapidamente aquilo que foi perdido. Infelizmente, esse ciclo costuma aprofundar ainda mais o sofrimento.
Como você relata uma situação financeira muito comprometida, compreendo que iniciar um tratamento particular possa parecer impossível neste momento. Ainda assim, não deixe de buscar ajuda. Muitas pessoas conseguem iniciar atendimento pela rede pública de saúde, em CAPS ou UBS, e também contar com o apoio financeiro de familiares para viabilizar o tratamento. Quando a família compreende que está diante de uma compulsão e não apenas de uma "falta de força de vontade", costuma participar de forma muito mais efetiva da recuperação.
Outra medida prática que considero importante é utilizar a ferramenta de "autoexclusão das plataformas de apostas", disponibilizada pelo Governo Federal. Ela permite bloquear voluntariamente seu CPF para acesso às casas de apostas autorizadas e impedir novos cadastros, funcionando como uma proteção importante enquanto você inicia o tratamento.
Também gostaria de dizer que você não está sozinho. Infelizmente, milhares de brasileiros têm vivido situações semelhantes, e justamente por isso o tema passou a receber mais atenção dos serviços de saúde e das políticas públicas voltadas às apostas.
Além da psicoterapia, existe um recurso que costuma ajudar muito pessoas que estão enfrentando a compulsão por jogos: os Jogadores Anônimos (JA). É uma irmandade formada por pessoas que compartilham suas experiências e se apoiam mutuamente para manter a abstinência do jogo. Um dos grandes benefícios é que existem reuniões on-line, permitindo participar de qualquer lugar do Brasil, mesmo que não haja um grupo presencial na sua cidade. Muitas pessoas conseguem interromper o ciclo da compulsão justamente porque deixam de enfrentar o problema sozinhas e passam a contar com uma rede de pessoas que já viveram situações muito semelhantes. Você pode encontrar informações sobre reuniões presenciais e virtuais, além dos contatos de acolhimento, no site oficial dos Jogadores Anônimos: Jogadores Anônimos do Brasil. Também existe um grupo específico de reuniões virtuais, com acolhimento inicial e encontros pelo Microsoft Teams, disponível em JA Online. Se estiver em dúvida sobre como participar, os próprios grupos oferecem atendimento por WhatsApp e orientam os primeiros passos. (jogadoresanonimos.com.br)
Por fim, quero fazer um alerta importante. Você mencionou dívidas com agiotas. Além do tratamento psicológico, priorize sua segurança física. Não tente resolver tudo de uma vez nem assumir novas dívidas para recuperar o dinheiro perdido. Esse costuma ser um dos momentos em que muitas pessoas aumentam ainda mais os prejuízos tentando "dar a última cartada".
Na minha prática clínica, costumo trabalhar essas situações envolvendo também a rede de apoio da pessoa. O tratamento costuma ter melhores resultados quando o paciente deixa de enfrentar esse problema sozinho e permite que familiares ou pessoas de confiança participem da construção de limites, da reorganização financeira e da recuperação da saúde emocional. O mais importante agora não é recuperar rapidamente o dinheiro perdido, mas recuperar você. O patrimônio pode ser reconstruído aos poucos. Sua saúde emocional precisa ser a prioridade neste momento.
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Há chances de um relacionamento que já passou por agressões física e verbais ser reconstruído com am
Há chances de um relacionamento que já passou por agressões física e verbais ser reconstruído com amor e sem mágoas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, existe essa possibilidade, mas ela depende de muito mais do que boa vontade ou do sentimento de amor. O primeiro passo é compreender **por que as agressões aconteceram**. Sem essa compreensão, o casal tende apenas a repetir o mesmo ciclo.
Também é importante diferenciar situações de violência isoladas, que aconteceram em um contexto específico, de um padrão de relacionamento abusivo. Quando as agressões passam a fazer parte da forma habitual de resolver conflitos, a reconstrução se torna muito mais complexa e exige um trabalho profundo de ambos.
Uma pergunta importante é: **as agressões aconteceram dos dois lados ou partiram sempre da mesma pessoa?** Como cada um entende hoje o que aconteceu? Existe arrependimento verdadeiro e responsabilização pelos próprios atos ou cada um continua acreditando que apenas reagiu ao comportamento do outro?
Outro aspecto importante é avaliar se existem fatores que estejam mantendo esse ciclo de violência. O uso abusivo de álcool, drogas ou outros comportamentos compulsivos pode reduzir o controle emocional e aumentar significativamente o risco de agressões. Nesses casos, além da terapia de casal, é fundamental tratar também essa dependência, pois dificilmente a dinâmica do relacionamento mudará enquanto esse problema permanecer ativo.
Também considero importante compreender como funciona a relação de poder entre vocês. Existe equilíbrio nas decisões ou um dos dois costuma controlar, intimidar ou impor sua vontade? Relações muito desiguais tendem a favorecer a repetição de comportamentos violentos e dificultam a reconstrução da confiança.
Na terapia de casal, costumamos observar que muitos casais entram em um ciclo no qual pequenos conflitos passam a despertar dores antigas que nunca foram resolvidas. Com o tempo, o casal deixa de discutir apenas o problema do momento e passa a reagir às mágoas acumuladas de meses ou anos. Nessa fase, a comunicação deixa de buscar soluções e passa a servir para atacar, defender-se ou tentar fazer o outro sentir a mesma dor.
Por isso, reconstruir um relacionamento não significa simplesmente "voltar a se amar". Significa aprender **novas formas de se comunicar, resolver conflitos, estabelecer limites e lidar com as emoções**, para que a violência deixe de ser uma possibilidade dentro da relação.
Também considero importante compreender quando esse relacionamento começou a mudar. Houve algum acontecimento marcante? Mudanças financeiras, nascimento dos filhos, interferência de familiares, problemas de saúde, infidelidade ou outras situações que alteraram a dinâmica do casal? Muitas vezes conseguimos identificar o momento em que o relacionamento começou a funcionar de forma diferente, e isso ajuda muito a direcionar o tratamento.
Sobre as mágoas, elas nem sempre desaparecem completamente. O objetivo da terapia não é apagar o passado, mas fazer com que ele deixe de comandar o presente. Muitos casais conseguem lembrar do que viveram sem que isso continue produzindo sofrimento ou novas brigas. Outros percebem, durante o processo terapêutico, que os projetos de vida mudaram e que uma separação respeitosa é a alternativa mais saudável.
Na minha prática clínica com terapia de casal, trabalhamos justamente para compreender como esse ciclo de violência foi construído, quais necessidades emocionais cada um tentava atender através das agressões e como desenvolver maneiras mais saudáveis de se relacionar.
Também costumo dizer aos meus pacientes que **não podemos mudar outra pessoa, mas podemos mudar a forma como nos relacionamos com ela**. Quando uma pessoa decide interromper um ciclo de violência, passa a estabelecer limites, comunicar-se de forma diferente e construir uma convivência mais respeitosa, ela propõe uma nova forma de relacionamento. O outro pode acompanhar essa mudança ou não — essa escolha pertence a ele. Mas sair da lógica da violência e buscar uma relação saudável sempre começa pela decisão de quem não quer mais permanecer naquele ciclo. Quando ambos assumem esse compromisso, as chances de reconstrução aumentam significativamente.
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Minha namorada sente muito ódio da minha ex, isso está afetando nosso relacionamento por consequênci
Minha namorada sente muito ódio da minha ex, isso está afetando nosso relacionamento por consequência ela está distante do meu filho também o que eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero reconhecer sua preocupação. Pelo que você descreve, o problema já deixou de ser apenas entre você e sua namorada. Agora ele também está começando a afetar seu filho, e isso merece atenção para que a situação não se prolongue.
A primeira pergunta que me veio à mente foi: **por que sua namorada sente tanto ódio da sua ex?** Esse sentimento surgiu porque sua ex fez algo diretamente com ela? Porque houve conflitos entre vocês? Ou ela sente necessidade de protegê-lo por acreditar que você sofreu muito no relacionamento anterior? Entender a origem desse sentimento é o primeiro passo para saber como lidar com ele.
Também é importante olhar para a história do relacionamento de vocês. Como foi sua separação? Você e sua ex conseguem manter uma relação respeitosa por causa do filho ou ainda existem muitos conflitos? Quem terminou o relacionamento? Alguém teve dificuldade para aceitar esse término? Em alguns casos, o parceiro atual cria a fantasia de que ainda existe um vínculo amoroso entre os ex-companheiros, quando, na verdade, o que permanece é apenas a necessidade de exercer a parentalidade.
Outro aspecto que merece reflexão é a história da sua namorada. Ela já teve relacionamentos longos? Ela deseja ter filhos? Já pensou em construir uma família? Em recasamentos, é relativamente comum que algumas pessoas sintam dificuldade em lidar com o fato de o parceiro já ter um filho e precisar manter contato com o ex-companheiro por muitos anos. Não necessariamente existe rejeição à criança, mas pode existir sofrimento por ocupar um lugar diferente daquele que imaginavam para si.
Uma situação bastante frequente é o ciúme não ser exatamente da ex-companheira, mas do vínculo permanente que o filho representa. Diferentemente de outros relacionamentos que terminam, quando existem filhos aquela relação nunca desaparece completamente, porque vocês continuarão sendo pai e mãe da mesma criança. Para algumas pessoas, aceitar essa realidade exige um processo de amadurecimento importante.
Também me chamou atenção o fato de você dizer que sua namorada está distante do seu filho. Essa talvez seja a parte que mais merece cuidado. As crianças costumam perceber muito mais do que os adultos imaginam. Mesmo quando ninguém fala diretamente sobre o problema, elas frequentemente sentem quando existe rejeição, tensão ou afastamento. Se você já tentou aproximá-los e isso não aconteceu, seu filho pode começar a interpretar que existe algo errado com ele ou que precisa disputar espaço na sua vida. Por isso, essa situação não costuma ser interessante deixar evoluir por muito tempo.
Ao mesmo tempo, percebo que sua pergunta ficou bastante curta, o que me faz pensar que você mesmo esteja um pouco confuso e sobrecarregado por tudo isso. Acho que seria importante entender melhor como esses conflitos acontecem no dia a dia, há quanto tempo isso vem ocorrendo e como sua namorada fala sobre sua ex e sobre seu filho.
Na minha prática clínica, trabalhando com casais, famílias e recasamentos, esse é um tema relativamente comum. Muitas vezes descobrimos que o conflito aparentemente é com a ex, quando, na realidade, envolve inseguranças, ciúmes, medo de perder espaço ou dificuldades para assumir o papel de companheira de alguém que já constituiu uma família anteriormente. Quando essas questões são compreendidas, o casal costuma encontrar formas muito mais saudáveis de organizar a convivência.
A terapia de casal pode ajudar bastante nesse momento, justamente porque oferece um espaço para compreender essas dinâmicas antes que elas comprometam ainda mais o relacionamento e, principalmente, o vínculo do seu filho com a nova configuração familiar.
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É normal duvidar e questionar em um relacionamento? Eu estou a quase 6 mêses em um relacionamento on
É normal duvidar e questionar em um relacionamento? Eu estou a quase 6 mêses em um relacionamento onde moramos perto mas nunca se vimos. Sempre acontece algo que nos impede de se ver, relacionado a estado mental, contratempos e imprevistos.
Ja ocorreram alguns questionamentos mas sempre nos entendemos, recentemente eu questionei sobre ter visto um cabelo azul em video q ela me mandou e ela disse q era uma manta q ela estava usando e acabou aparecendo, pedi q me mostrasse essa manta para q eu entendesse melhor e agora ela esta me bombardeando de mensagens por ter que se provar e eu ainda duvidar dela. gostaria de saber se ela precisa se provar todas as vezes que eu questionar, pq quando ela me questiona eu faço de tudo pra provar e tranquilizar ela.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero dizer que sua dúvida é compreensível. Quando um relacionamento existe há cerca de seis meses e o casal ainda não conseguiu se encontrar pessoalmente, é natural que apareçam questionamentos, inseguranças e necessidade de entender melhor o que está acontecendo.
Sim, é normal que existam dúvidas em um relacionamento, principalmente quando a convivência acontece quase exclusivamente pela internet e a proximidade vai sendo constantemente adiada. A confiança não nasce pronta; ela vai sendo construída conforme conhecemos a outra pessoa e observamos se aquilo que ela diz corresponde ao que ela faz.
O que me chamou atenção no seu relato não foi apenas o episódio do cabelo azul, mas o contexto como um todo. Vocês moram perto um do outro, estão juntos há cerca de seis meses e, ainda assim, nunca conseguiram se encontrar porque sempre surgem dificuldades relacionadas ao estado emocional, imprevistos ou outros acontecimentos. Isso faz com que a relação evolua em um ritmo diferente do que costuma acontecer na maioria dos relacionamentos.
Uma pergunta importante é: **esse ritmo de aproximação faz sentido para você?** Existem pessoas que realmente precisam de mais tempo para construir intimidade, principalmente quando possuem histórias de traumas, ansiedade intensa, dificuldades sociais ou outros problemas emocionais. Porém, também existem situações em que o excesso de adiamentos acaba alimentando dúvidas e inseguranças em quem está do outro lado.
Também considero importante olhar para a dinâmica de vocês. Pelo que você contou, quando ela faz perguntas, você procura tranquilizá-la e mostrar aquilo que ela precisa para se sentir segura. Já quando você faz um questionamento, ela entende isso como uma obrigação de se provar e reage com muitas mensagens dizendo que está sendo injustiçada.
Vale a pena refletir sobre isso. Em um relacionamento saudável, nenhuma das pessoas deveria viver constantemente tendo que provar inocência. Ao mesmo tempo, quando existem circunstâncias pouco comuns — como seis meses de relacionamento sem um encontro presencial — é natural que algumas dúvidas apareçam. O importante é que elas possam ser conversadas sem que um dos dois precise sentir que está sendo atacado.
Também não podemos ignorar outra possibilidade. Infelizmente, existem pessoas que constroem relacionamentos exclusivamente pela internet e, em alguns casos, acabam aplicando golpes ou criando histórias para evitar o encontro presencial. Não estou dizendo que seja o caso da sua namorada, mas essa é uma hipótese que merece ser considerada com prudência. Por isso, acho saudável que você mantenha uma postura cuidadosa, principalmente se em algum momento surgirem pedidos de dinheiro, ajuda financeira ou justificativas constantes para que o encontro nunca aconteça.
Existe até um documentário bastante conhecido da **MTV, "Catfish: The TV Show"**, que mostra histórias de pessoas que desenvolveram relacionamentos exclusivamente pela internet. Alguns episódios revelam golpes, mas muitos mostram justamente pessoas com dificuldades emocionais profundas, medo de se expor ou insegurança para transformar a relação virtual em um relacionamento real. Isso nos lembra que cada caso precisa ser compreendido com calma, sem conclusões precipitadas.
Na minha prática clínica, costumo dizer que a grande pergunta não é apenas se a outra pessoa é confiável, mas também **se o formato desse relacionamento é compatível com aquilo que você consegue viver de forma saudável**. Algumas pessoas conseguem esperar mais tempo; outras começam a sofrer muito com a falta de contato real, e isso não significa que estejam erradas.
Se essas dúvidas estão se tornando frequentes, talvez seja o momento de vocês conversarem menos sobre provas e mais sobre o futuro da relação. Existe uma previsão concreta para se encontrarem? O que impede isso hoje? O que cada um precisa para que esse relacionamento possa sair do ambiente virtual e se tornar uma experiência vivida na realidade? Muitas vezes, responder a essas perguntas é mais importante do que discutir um detalhe específico de uma fotografia ou de um vídeo.
Perguntas frequentes
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Fiz uma cirurgia da bacia pelve com parafuso no acetábulo 38 dias após sinto estalos e dor quando pa
Com pouco mais de um mês de cirurgia no acetábulo, a região ainda está em…