Perguntas do paciente (184)

  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Olá. O que você chama de 'vício' em pornografia raramente é só um hábito a ser eliminado — costuma ser um sintoma, algo que cumpre uma função psíquica, muitas vezes aliviando ansiedade, solidão ou tensões que não encontram outro destino. Por isso, tentar 'se livrar' apenas pela força de vontade tende a gerar culpa e recaídas. O caminho mais eficaz é investigar o que esse consumo está tentando te dizer e como ele se relaciona com sua vida afetiva e sexual. Isso pode ser trabalhado em um processo terapêutico, presencial ou online. Fico à disposição para conversarmos.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Olá. O que você descreve é mais comum do que parece e não significa, por si só, que o amor acabou. Existe uma diferença entre o apaixonamento — aquela fase inicial de animação, intensidade e idealização — e o amar, algo mais estável, construído no cotidiano. É esperado que a 'sensação gostosa' dos primeiros anos se transforme; a questão não é recuperar exatamente o que você sentia antes, mas entender o que o amor passou a ocupar na sua vida hoje. Você mesma aponta dados importantes: ao lado dele você não se sente presa, a conversa flui até tarde e ele demonstra cuidado pelas atitudes. Isso não é pouco. Talvez sua ansiedade não esteja dizendo que você não o ama, mas que algo em você — um medo de se perder nessa relação, uma dificuldade em reconhecer o que sente, uma parte sua que pede espaço — precisa ser escutado. Confundir amor com rotina, carência ou ansiedade é justamente o trabalho de se conhecer, e isso raramente se resolve com pressa ou com uma resposta definitiva. Um processo terapêutico pode te ajudar a separar o que é medo, o que é cansaço e o que é desejo. Fico à disposição para conversarmos.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Olá. Primeiro, quero acolher sua angústia e te dizer algo importante: o que você descreve não é um quadro de vício ou dependência. Você fica meses sem acessar e não sente vontade; o acesso foi pontual e durou minutos. O que te mobiliza não é o hábito, mas a reação intensa que esses conteúdos estranhos despertam em você — choque, culpa, sensação de sujeira. Isso não te torna 'viciada'; aponta para um conflito psíquico profundo que merece escuta, não julgamento. O conteúdo bizarro funcionou como uma ruptura: um encontro com uma face crua e assustadora da sexualidade que você, por razões que precisam ser compreendidas, mantém distante. E a culpa que você sente não é prova de que fez algo errado — ela fala de uma voz interna muito severa que te julga. Você buscou ajuda, e isso é coragem. Um processo terapêutico, de preferência psicanalítico, pode te ajudar a nomear essa angústia e a reconstruir sua relação com seu corpo e sua sexualidade, no seu tempo e sem julgamento. Fico à disposição para conversarmos online."


  • Estou namorando a 7 meses , minha namorada tem dois filhos pequenos de um relacionamento que a deixo

    Estou namorando a 7 meses , minha namorada tem dois filhos pequenos de um relacionamento que a deixou muitas marcas pois o ex era abusivo , batia e torturava psicologicamente, eu tento fazer de tudo digo que amo e faço de tudo mas ela já me falou que não consegue mais amar ninguém por causa do sofrimento que ela teve mas que está tentando me amar mas não promete nada e nem a me tratar bem , fico sem saber o que fazer pq tem hora que estamos bem mas tem hora que ela se distância, estou tendo paciência, agora vamos morar juntos o que eu devo fazer ? Estou confuso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    O que você descreve é uma situação delicada, e sua confusão faz todo sentido. Quando alguém vive um relacionamento abusivo, o trauma não fica só na memória — ele marca o corpo e a forma como essa pessoa vai se relacionar com o afeto dali em diante. A experiência traumática pode paralisar a capacidade de amar, porque o outro passa a ser vivido como uma ameaça, mesmo quando não é. O que sua namorada está dizendo é verdade: ela não consegue amar agora, e isso não depende do quanto você se esforça. Seu amor, por maior que seja, não tem o poder de desfazer sozinho as marcas que outro homem deixou. Morar juntos pode intensificar esse jogo de aproximação e distanciamento, e o risco é você ficar numa posição de esperar por algo que talvez não venha. O amor não sustenta uma relação sozinho — é preciso que ela também queira se responsabilizar pelo próprio desejo. Antes de morar junto, talvez seja hora de uma conversa honesta com você mesmo sobre até onde você pode ir sem se perder. Um tratamento psicanalítico pode ajudá-la e a você também em lidar com essa situação.


  • Minha sobrinha disse numa rede social que acha q gosta de mulher. Acontece q ela tem 18 anos e nunca

    Minha sobrinha disse numa rede social que acha q gosta de mulher. Acontece q ela tem 18 anos e nunca apresentou comportamento ou preferencias q sugerisse homossexualidade. Tudo se deu recentemente quando ela estreitou laços com uma colega de aula e começou a frequentar academia com a mesma. Falei pra minha cunhada procurar ajuda esoecializada para saber como agir nesse caso. Fiz o certo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Sua preocupação é compreensível. Aos 18, a identidade sexual é fluida e em construção, e novas descobertas podem surgir naturalmente. Chamar "ajuda especializada" pode ser correto se o objetivo for oferecer um espaço de apoio e escuta profissional para sua sobrinha explorar seus sentimentos e para a família aprender a lidar com isso de forma saudável. É crucial, porém, que essa ajuda não vise "corrigir" ou "mudar" sua orientação sexual, pois a homossexualidade não é patologia. O mais importante é a aceitação incondicional e o diálogo aberto, garantindo que ela se sinta amada e segura.


  • Olá tenho uma dúvida muito séria meu companheiro vez em outra faz uso de cocaína isso não é sempre é

    Olá tenho uma dúvida muito séria meu companheiro vez em outra faz uso de cocaína isso não é sempre é de vez em quando porém ele quando usa isso busca ver vídeos de sexo com trans, busca site gay, e diz que queria me ver tradando com outro homem e que esse homem tbm penetrasse ele, eu disse que não consigo ter uma terceira pessoa na relação sexual ele disse respeitar mais disse que quer então que eu penetre ele e ele só faz isso quando cheira cocaína eu já disse que quando ele usa isso só me afasta dele disse pq vc não me pede isso tudo quando não usa isso ele disse que precisa disso para querer fazer precisa da droga eu falei que deste jeito não dá pq sou contra o uso de drogas perguntei se ele é bissexual ele diz não saber mais percebo que ele quando está sem o uso desta droga e faz sexo comigo pede sempre sexo anal percebo que ele gosta muito mais sem o uso da droga ele não pede pra ser penetrado não consigo entender ele já disse se ele quiser seguir a vida dele ter um relacionamento com um trans que seja feliz, mais ele diz me amar e que não vai transar com nenhum sem eu estar junto mais quando infelizmente faz o uso desta droga fica horas vendo vídeos de trans e entra no site gay me deixa as vezes de lado pq sabe o quanto eu sou contra o uso de drogas, queria saber se ele faz isso por medo de assumir querer ter um trans na vida dele ou até um gay sei que ele tbm gosta de mulher pq ele já teve muitos outros relacionamentos com mulheres é pai mais tento entender e quando eu ameaço ir embora ele implora e diz que não irá mais usar drogas eu disse meu problema não está em ele ser bissexual ou sei lá o que mais a droga e ele só age assim com o uso dela preciso entender isso obrigada e desculpa o texto

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Seu relato mostra como a cocaína se tornou um "passaporte" para fantasias que seu companheiro não consegue assumir sóbrio. O problema não está na orientação sexual, mas nesse mecanismo onde a droga libera desejos que depois são negados - como se não fossem "dele". Quando você ameaça ir embora, ele implora, mas o ciclo se repete: isso revela um conflito entre o que ele deseja e o que consegue admitir.

    A chave não está em definir se ele é bi ou não, mas em entender por que só com a droga essas fantasias emergem. É possível que a cocaína cumpra duas funções: desinibir sexualmente e, ao mesmo tempo, servir de álibi ("foi a droga, não eu"). Enquanto esse jogo continuar, ele não precisará encarar o que essas práticas realmente significam para ele.

    Você já deixou claro seus limites - agora resta saber se ele escolherá investigar essas questões na análise ou seguir refém desse ciclo. O convite está feito. Às vezes, o que parece vício ou sexualidade é, no fundo, um sintoma de algo mais profundo que clama para ser ouvido.


  • Olá! Eu tenho 30 anos, sou casado e possuo uma libido muito alta desde a adolescência. Sempre procur

    Olá! Eu tenho 30 anos, sou casado e possuo uma libido muito alta desde a adolescência. Sempre procurei domar este desejo para não incorrer em situações que prejudiquem minha saúde ou vida social.
    Parece que não importa o quão satisfatória seja a relação sexual ou quantas vezes elas ocorram, minha libido torna a subir em poucas horas (se houver estímulo, volta em poucos minutos...). Tirando a fase da adolescência (época difícil para segurar as emoções...), isso não era um problema na vida adulta, pois me casei aos 20 anos e sempre consegui satisfazer os meus desejos em uma frequência que me mantinha sob controle.
    No início do casamento, tínhamos, pelo menos, 1 relação sexual por dia, sendo que comumente chegávamos à 3 diariamente.
    Não demorou muito e tivemos 1 filho. A rotina foi ficando mais árdua e, naturalmente, a frequência reduziu bastante (2 à 5 vezes semanalmente).
    Porém, atualmente, estou tendo apenas 4 à 6 relações sexuais por MÊS. Eu procuro sempre seguir algumas regras sociais impostas por mim mesmo para conseguir canalizar o meu desejo somente para a minha esposa, pois abomino a possibilidade de traí-la, mas está muito, muito difícil me concentrar no dia a dia e, mais importante ainda, me manter fiel à minha esposa, pois esta frequência está muito baixa para mim.
    No quesito de controle da libido, a masturbação praticamente não serve para nada, então somente a relação sexual pode me ajudar a me manter sob controle por algumas horas.
    Eu conversei com minha esposa sobre o tema e ela me indicou procurar ajuda, pois, para ela, a frequência está bem saudável, dado que o sexo é muito satisfatório (ela consegue ter 2 ou mais orgasmos por relação). Mesmo no início do casamento, manter uma rotina com a quantidade de relações sexuais que tínhamos, ela já considerava puxado, mas atualmente, ela já não consegue mais atender à esta minha demanda.
    O meu maior medo, é alguma mulher perceber essa minha fraqueza e procurar explorá-la (já aconteceu tentativas antes, mas pelas regras que eu procuro seguir, eu consegui resistir). Eu não quero trair minha esposa por nada. Não quero perder a minha família.
    Também não vou ficar fazendo chantagem para a minha esposa, insinuando que se ela não aumentar a frequência, eu posso traí-la. Isso não seria saudável.
    Atualmente, estou procurando me exercitar bastante, o que, para meu espanto, tem funcionado um pouco (estou conseguindo me concentrar muito mais no dia a dia).
    Vocês já trataram algum caso assim? Teriam alguma indicação de leitura, qualquer coisa?
    Muito obrigado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Seu relato expõe uma inquietação fundamental: como sustentar um casamento e uma vida ética quando o corpo parece demandar mais do que o mundo pode oferecer? Você descreve uma libido que não se aquieta, um desejo que resiste à saciedade, como se o sexo – por mais intenso ou frequente que seja – nunca bastasse. Isso nos leva a uma questão psicanalítica crucial: o que esse excesso está tentando dizer?

    Na psicanálise, entendemos que a sexualidade nunca é apenas sobre o corpo ou o prazer imediato. Ela é linguagem. Seu desejo incessante pode ser um sintoma – não no sentido médico, mas como um “signo” de algo que ainda não foi nomeado. Pode ser um medo inconsciente da passagem do tempo, uma angústia diante da rotina conjugal, ou até mesmo uma forma de manter afastados outros fantasmas (a solidão, a finitude, o peso da responsabilidade). Você menciona que a masturbação "não serve para nada", mas por quê? O que falta nela que só o sexo parece oferecer? A resposta pode revelar que esse não é um problema de quantidade, mas de significado.

    Seu temor de ser "explorado" por outra mulher também chama atenção. Por que imagina que seu desejo é uma fraqueza a ser usada contra você? Há aqui uma contradição: você se vê como vítima potencial de uma sedução alheia, mas também como alguém que não se permite cair. Essa tensão entre ‘querer e não poder’ merece ser investigada. Será que essa libido inesgotável não é, em parte, uma forma de manter-se em estado de alerta – como se o verdadeiro perigo não fosse o desejo, mas o que viria ‘se ele finalmente se acalmasse’?

    Você já percebeu que o exercício físico tem ajudado – não por acaso. Ele age como um sublimação, canalizando energia psíquica para outro lugar. Mas a análise poderia ir além: o que mais poderia ser feito com essa força que não cessa? Talvez haja outras formas de criatividade, outros projetos ou investimentos afetivos que possam dar vazão a esse excesso, sem depender exclusivamente do sexo ou do controle rígido que você impõe a si mesmo.

    Seu sofrimento é real, mas também é uma ‘porta de entrada’. A análise poderia ajudá-lo a decifrar essa mensagem cifrada do seu inconsciente. Juntos, poderíamos explorar:
    - Que ‘outras histórias’ estão escondidas por trás dessa urgência sexual?
    - Como sua relação com o desejo foi moldada na sua vida?
    - O que aconteceria se você ‘não precisasse mais lutar contra si mesmo’?

    Não se trata de "reduzir" sua libido, mas de entendê-la como um ‘sintoma de vida’ – algo que pulsa e pede para ser escutado, não apenas contido. Se quiser dar o próximo passo, estou aqui para acompanhá-lo nessa jornada. Às vezes, o que parece um excesso a ser dominado é, na verdade, uma parte de si que ainda não encontrou seu lugar legítimo no mundo.

    "O desejo é o que resta quando se subtrai da demanda a necessidade" (Lacan). O que resta, para você, quando o orgasmo passa?


  • Minha filha tem 13 anos, nunca teve nenhum relacionamento. Agora diz está apaixonada por uma menina

    Minha filha tem 13 anos, nunca teve nenhum relacionamento. Agora diz está apaixonada por uma menina pela rede social
    Estou com medo, não sei lidar com tudo isto e preciso de orientação para mim e ela.
    Gratidão
    Mãe

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Entendo perfeitamente o seu medo. Aos 13 anos, a adolescência traz uma explosão do desejo — Lacan chamava isso de momento em que o sujeito começa a se questionar "quem sou eu no olhar do outro?". Essa paixão pela rede social é comum hoje: o virtual acelera tudo, mas sem o real do contato, pode ser mais fantasia que fato. O risco maior não é só a orientação sexual (que pode ser descoberta ou fluida nessa idade), mas a exposição online — perfis falsos, pressão emocional ou até predadores.

    Respire e acolha sem julgar. Seu pavor é natural, vem da angústia de "perder" a filha que imaginava. Fale com calma: "Conte mais sobre ela, o que te atrai?". Supervisione as redes (limites de tempo e apps), mas sem invadir confiança.

    Incentive nela a amizade real, hobbies fora da tela. Se a paixão virar sofrimento (obsessão, isolamento), terapia ajuda a nomear isso sem vergonha.

    Se precisar de orientação mais personalizada para vocês duas, meu consultório em Belo Horizonte ou atendimentos online estão aqui.


  • Eu perdi total interesse no meu marido, de 2 anos pra cá principalmente, está mais insuportável, eu

    Eu perdi total interesse no meu marido, de 2 anos pra cá principalmente, está mais insuportável, eu nem consigo ter relações sexuais com ele, na verdade sinto que não quero nem me relacionar sexualmente com ninguém. Prefiro usar acessórios de sex shop para me satisfazer. Mantenho o casamento exclusivamente por causa dos meus filhos e são pequenos e ele é um excelente pai, mas tudo que ele faz pra mim só me desagrada, tem dia que sinto vontade de sumir, não suporte nem olhar na cara dele, mas aí lembro que meus filhos precisam dele. Uns anos atrás tentei separar dele mas ele entrou em depressão e até pensou em suicídio. Para aguentar essa vida frustrada eu foquei e voltar a estudar para concursos públicos, mas cada dia eu fico vendo ele se definhar tb, ele não se cuida, está ficando barrigudo, fica postergando uma cirurgia no joelho e com isso não faz atividade física, é um homem sem perspectiva de crescimento no trabalho não faz nada para melhorar, a nossa renda é insuficiente mas pra ele está bom. Estou num ponto que cansei de falar e conversar, é muito desgastante, eu aceitei que ele não vai mudar mas infelizmente não consigo ficar na inercia. Ele agora está ficando com problema de ejaculação precoce eu pedi pra ele transar com outras mulheres pq pra mim definitivamente não vale a pena meu esforço na cama só para ele se satisfazer - que use as próprias mãos para isso. Em fim, tantas questões, suporto sempre pensando nos meus filhos. Será que outros casais passam por isso e como eles conseguem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    O que você descreve é um cenário de profunda insatisfação e desgaste emocional, onde a relação conjugal parece ter perdido seu sentido afetivo e sexual, mantendo-se apenas por razões práticas, como o bem-estar dos filhos. Essa dinâmica pode estar gerando um sofrimento silencioso, tanto para você quanto para ele, e é importante reconhecer que a inércia e a resignação não são caminhos sustentáveis. A terapia pode ser um espaço essencial para explorar esses sentimentos, entender as raízes desse distanciamento e avaliar suas escolhas de forma mais clara. Além disso, é crucial refletir sobre o impacto dessa situação não apenas em você, mas também nos seus filhos, que podem captar inconscientemente a tensão e a frustração no ambiente familiar. A busca por ajuda profissional não é apenas para ele, mas para você também, pois permite ressignificar sua experiência, encontrar novas perspectivas e, quem sabe, reconstruir ou redirecionar sua vida de forma mais autêntica e menos dolorosa. Não subestime a importância de cuidar de si mesma nesse processo.


  • Faz sentido procurar a ajuda de um profissional de saúde mental para lidar com um luto?

    Faz sentido procurar a ajuda de um profissional de saúde mental para lidar com um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Com certeza faz todo o sentido. Na psicanálise, a gente entende que o luto não é apenas uma tristeza, mas um verdadeiro 'trabalho da mente'. Freud explicava que, ao perdermos alguém, precisamos realizar o esforço de retirar a energia afetiva que estava ligada àquela pessoa para que possamos, no tempo certo, voltar a investir na própria vida. O problema é que esse processo é exaustivo e, muitas vezes, a gente se sente "travado", como se uma parte de nós tivesse partido junto. O profissional de saúde mental entra como um suporte para ajudar a 'nomear o que parece inominável'. Lacan dizia que só sentimos luto por quem fomos a falta, ou seja, por quem nos fazia sentir importantes. Falar sobre isso em análise ajuda a evitar que a dor vire uma melancolia crônica, transformando o "buraco" deixado pela perda em um espaço onde a vida pode voltar a circular. É um processo de dar um novo lugar para quem se foi dentro da nossa história, permitindo que a saudade deixe de ser um peso paralisante. Se você sente que esse peso está difícil de carregar, meu consultório em Belo Horizonte e meus atendimentos online estão à disposição para te escutar. Se quiser, podemos agendar uma conversa ou posso te explicar melhor como funciona esse acolhimento.


  • O que significa o esquecimento para a psicanálise?

    O que significa o esquecimento para a psicanálise?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Claro! Na visão da psicanálise, o esquecimento não é só descuido ou distração. Muitas vezes, é o inconsciente querendo esconder da nossa consciência algo que nos incomoda ou que não queremos encarar, como lembranças, desejos ou sentimentos conflitantes. Sabe quando você esquece aquele compromisso importante ou o nome de alguém logo depois de uma situação desconfortável? Para a psicanálise, isso é um sinal de que, no fundo, existe algo aí que você está tentando evitar. Esquecer pode ser uma forma de proteção do nosso próprio psiquismo. Por isso, prestar atenção ao que a gente esquece pode revelar muito sobre o que se passa no nosso mundo interno.


  • O que falar na terapia psicanalítica? .

    O que falar na terapia psicanalítica? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Na terapia psicanalítica, o mais importante é que você fale livremente sobre o que vier à mente, sem se preocupar em organizar ou censurar seus pensamentos. Isso é o que chamamos de associação livre. Pode parecer estranho no início, mas o objetivo é justamente permitir que conteúdos inconscientes, como memórias, desejos, medos ou conflitos, surjam de forma espontânea. Não há um tema certo ou errado para trazer: você pode falar sobre sonhos, lembranças da infância, situações do dia a dia, sentimentos em relação a pessoas importantes, ou até mesmo sobre o que está sentindo no momento da sessão.

    Às vezes, pode parecer que o que você está dizendo é banal ou desconexo, mas, na psicanálise, acreditamos que até os detalhes aparentemente insignificantes podem revelar aspectos profundos da sua mente. O psicanalista estará ali para escutar com atenção e, quando necessário, fazer intervenções ou interpretações que possam ajudar você a compreender melhor o que está se passando dentro de si. Lembre-se: o espaço da análise é um lugar seguro para explorar suas emoções e pensamentos, sem julgamentos. O que importa é o que é verdadeiro para você, mesmo que no momento não faça sentido. Aos poucos, esse processo pode levar a insights e transformações profundas.


  • Quais são as técnicas usadas na psicanálise? .

    Quais são as técnicas usadas na psicanálise? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    A psicanálise utiliza técnicas específicas, como a **associação livre**, em que o paciente é incentivado a falar tudo o que vem à mente, sem censura, permitindo que ideias e memórias ocultas surjam. Outra técnica importante é a **interpretação dos sonhos**, já que Freud acreditava que os sonhos são uma via de acesso ao inconsciente. Além disso, o psicanalista observa os **atos falhos** (como esquecimentos ou trocas de palavras) e os **fenômenos de transferência**, quando o paciente projeta sentimentos e experiências passadas no terapeuta. Essas técnicas são aplicadas dentro de um conjunto de regras, como a **atenção flutuante** (o terapeuta escuta sem focar em detalhes específicos) e a **neutralidade** (o analista evita julgamentos ou interferências diretas). O setting terapêutico, com sessões regulares e um ambiente seguro, também é fundamental para que o paciente se sinta à vontade para explorar suas emoções e memórias. Em resumo, a psicanálise busca ajudar as pessoas a entenderem suas histórias internas, lidarem com seus conflitos e encontrarem caminhos para uma vida mais equilibrada.


  • Quais são as regras da técnica psicanalítica? .

    Quais são as regras da técnica psicanalítica? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    A psicanálise é uma abordagem terapêutica criada por Sigmund Freud que busca entender o funcionamento da mente humana, especialmente os aspectos inconscientes que influenciam nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Seus pilares centrais incluem a ideia de que grande parte de nossa vida mental é inconsciente, que nossas experiências da infância moldam quem somos na vida adulta e que conflitos internos, muitas vezes relacionados a desejos e impulsos reprimidos, podem gerar sofrimento psíquico. O foco da psicanálise está em explorar esses conteúdos inconscientes, ajudando o indivíduo a compreender e resolver esses conflitos, promovendo autoconhecimento e alívio emocional.

    Para alcançar esse objetivo, a psicanálise utiliza técnicas específicas, como a **associação livre**, em que o paciente é incentivado a falar tudo o que vem à mente, sem censura, permitindo que ideias e memórias ocultas surjam. Outra técnica importante é a **interpretação dos sonhos**, já que Freud acreditava que os sonhos são uma via de acesso ao inconsciente. Além disso, o psicanalista observa os **atos falhos** (como esquecimentos ou trocas de palavras) e os **fenômenos de transferência**, quando o paciente projeta sentimentos e experiências passadas no terapeuta. Essas técnicas são aplicadas dentro de um conjunto de regras, como a **atenção flutuante** (o terapeuta escuta sem focar em detalhes específicos) e a **neutralidade** (o analista evita julgamentos ou interferências diretas). O setting terapêutico, com sessões regulares e um ambiente seguro, também é fundamental para que o paciente se sinta à vontade para explorar suas emoções e memórias. Em resumo, a psicanálise busca ajudar as pessoas a entenderem suas histórias internas, lidarem com seus conflitos e encontrarem caminhos para uma vida mais equilibrada.


  • Qual é o foco da psicanálise? .

    Qual é o foco da psicanálise? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    A psicanálise é uma abordagem terapêutica criada por Sigmund Freud que busca entender o funcionamento da mente humana, especialmente os aspectos inconscientes que influenciam nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Seus pilares centrais incluem a ideia de que grande parte de nossa vida mental é inconsciente, que nossas experiências da infância moldam quem somos na vida adulta e que conflitos internos, muitas vezes relacionados a desejos e impulsos reprimidos, podem gerar sofrimento psíquico. O foco da psicanálise está em explorar esses conteúdos inconscientes, ajudando o indivíduo a compreender e resolver esses conflitos, promovendo autoconhecimento e alívio emocional.


  • Tenho 27 anos e nunca tive um orgasmos oq posso pra tá liberando o orgasmo?

    Tenho 27 anos e nunca tive um orgasmos oq posso pra tá liberando o orgasmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Muitas pessoas enfrentam dificuldades com o orgasmo, e isso pode ter várias causas — físicas, emocionais, relacionais ou, muitas vezes, ligadas ao próprio inconsciente. Como psicanalista, procuro olhar para a sua história, seus sentimentos, suas experiências e possíveis ansiedades ou bloqueios que possam estar interferindo nesse processo.

    Minha sugestão seria buscar um espaço de escuta, como uma análise, onde você possa falar livremente sobre sua sexualidade, suas expectativas, seus medos e até sobre como foi para você crescer e lidar com temas do corpo e do prazer. Às vezes, trabalhar essas questões na terapia ajuda muito a “liberar” o corpo, porque, quando a mente encontra passagem, o corpo também responde.

    Se sentir confortável, conversar também com um ginecologista pode ser útil para descartar fatores físicos. Mas, acima de tudo, acolha seu tempo, sem cobranças ou pressa. Cada pessoa tem um ritmo para descobrir e vivenciar o prazer.


  • Olá! Gostaria de saber qual seria o impacto da falta de autoconhecimento da nossa sexualidade e da r

    Olá! Gostaria de saber qual seria o impacto da falta de autoconhecimento da nossa sexualidade e da repressão - ou não realização - de desejos sexuais na nossa vida (como desejo de se relacionar com pessoa do mesmo gênero)? Pode nos trazer sofrimentos que, para quem não intende assunto, não teria a ver com essa temática? Também gostaria de intender as consequências da repressão desta sexualidade desde a infância, seja por si próprio ou influencia da família. Desde já agradeço.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    A falta de autoconhecimento da própria sexualidade e a repressão de desejos sexuais, especialmente aqueles que desafiam normas sociais (como o desejo por pessoas do mesmo gênero), podem gerar sofrimentos profundos e sintomas que, à primeira vista, parecem desconectados da sexualidade. Esses sintomas, como ansiedade, depressão ou dificuldades nos relacionamentos, muitas vezes são expressões de conflitos internos não resolvidos, o que Freud chamou de "retorno do recalcado". Desde a infância, a repressão da sexualidade, influenciada pela família e pela cultura, pode levar à internalização de culpa, vergonha e inautenticidade, criando um superego rígido que censura desejos naturais. Isso pode resultar em uma vida marcada por relacionamentos insatisfatórios e uma desconexão consigo mesmo. No entanto, o processo de autoconhecimento e aceitação, muitas vezes facilitado pela psicanálise, pode levar à integração desses aspectos reprimidos, promovendo maior autenticidade e bem-estar. Explorar essas questões em um espaço terapêutico pode ser um caminho libertador para uma vida mais plena e verdadeira.


  • É possível que desejo por ter experiência com alguém do mesmo sexo seja algo passageiro ou esse dese

    É possível que desejo por ter experiência com alguém do mesmo sexo seja algo passageiro ou esse desejo é algo que, de fato, faz parte da minha sexualidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    Olá! Do ponto de vista psicanalítico, não buscamos categorizar o desejo em caixas estanques de "passageiro" ou "definitivo", mas sim acolher a experiência em sua singularidade e investigar o que ela significa para você.

    O desejo, em sua essência, é algo dinâmico e multifacetado. Ele pode se manifestar de diversas formas ao longo da vida, influenciado por um emaranhado de vivências, fantasias, relações e processos inconscientes.

    Quando um desejo por alguém do mesmo sexo emerge, ele é, naquele momento, uma manifestação de sua sexualidade. A questão de se ele será "passageiro" ou uma "parte fundamental" de sua identidade sexual é algo que se desdobra no tempo, através da experiência e da sua própria elaboração interna.

    A sexualidade humana é muitas vezes vista como um espectro, não como um interruptor binário. É possível que você esteja explorando uma nova dimensão de si mesmo.

    Portanto, em vez de buscar uma resposta imediata sobre a natureza "final" desse desejo, o convite é para explorá-lo. Permita-se sentir, pensar, e, se desejar, falar sobre ele em um espaço seguro. A jornada de autoconhecimento é contínua, e o desejo é um guia valioso nesse percurso. Ele é, sim, uma parte de sua sexualidade no momento em que se manifesta; sua permanência ou evolução dependerá da sua própria construção subjetiva e das suas experiências.


  • Descobri que a pessoa que estou casada consume muita pornografia todos os dias, mesmo eu estando grá

    Descobri que a pessoa que estou casada consume muita pornografia todos os dias, mesmo eu estando grávida, não consigo perdoar de forma alguma, pra mim não existe mudança nisso.
    O vício em pornografia tem cura?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    O que você está vivendo é mais comum do que imagina. Muitos casais hoje enfrentam esse abismo: de um lado, um parceiro que cresceu num mundo onde a pornografia está a um clique de distância; do outro, quem se sente traído não por uma pessoa real, mas por essas imagens que insistem em invadir o relacionamento.

    Você menciona não conseguir perdoar - e isso é completamente compreensível. A gravidez já é um período de vulnerabilidade, onde a mulher precisa se sentir especialmente acolhida e desejada. Descobrir que seu parceiro prefere ficar sozinho com essas imagens dói como uma rejeição. Mas antes de decidir se isso tem "cura", precisamos entender: o que exatamente está doendo mais?

    É a mentira (se ele escondia)?
    É o medo de não ser "suficiente"?
    É a sensação de que ele prefere fantasias à complexidade de um corpo real, especialmente agora que seu corpo está mudando?

    A verdade é que a pornografia precoce - principalmente quando descoberta na adolescência - pode ter ensinado a ele uma forma muito pobre de viver a sexualidade: sem troca, sem intimidade, sem precisar se preocupar se o outro está gostando. Não é sobre "vício" no sentido médico, mas sobre como esse hábito pode ter moldado o desejo dele de forma que o sexo real parece exigir "muito trabalho".

    Agora, a parte difícil: sim, isso pode mudar, mas só se ELE quiser entender o que realmente busca nesses vídeos. Não é sobre parar por obrigação, mas sobre descobrir que muitas vezes a pornografia é só um remédio ruim para coisas como:
    - Estresse do dia a dia
    - Medo de não performar bem
    - Dificuldade em lidar com as mudanças que a gravidez traz

    Para você, a análise poderia ajudar a separar duas coisas importantes:
    1. O que nessa situação é sobre ELE (as dificuldades dele)
    2. O que é sobre VOCÊ (seus limites, suas necessidades)

    Muitos pacientes chegam a mim com histórias parecidas. O que aprendemos juntos é que o caminho nunca é simples, mas sempre passa por uma pergunta básica: "O que eu quero fazer com essa dor?" Alguns casais reconstroem a confiança quando o parceiro assume a responsabilidade e busca ajuda. Outras vezes, a descoberta revela problemas mais profundos que já existiam.

    Se quiser explorar isso sem julgamentos, é exatamente esse tipo de situação que trabalho na análise online. Não para te dizer o que fazer, mas para ajudá-la a escutar sua própria voz nesse turbilhão. Afinal, por trás da pergunta "isso tem cura?", costuma haver outra mais importante: "vale a pena tentar?"

    (P.S.: Se algum leitor se identificou, saiba que casos assim são mais tratáveis do que parecem - mas exigem coragem para encarar o que está por trás do hábito. Estou à disposição para conversarmos mais.)


  • Eu e minha esposa tivemos nosso filho há 10 meses, de uns 2 meses pra cá perdemos totalmente a conex

    Eu e minha esposa tivemos nosso filho há 10 meses, de uns 2 meses pra cá perdemos totalmente a conexão um com o outro. Conversas, olhares e outras coisas nem se fala.
    Somos dois estranhos morando na mesma casa, eu vivendo para o trabalho e ela para nosso filho.
    Já falamos algumas vezes sobre separação mas nunca conseguimos chegar a um senso comum.
    Não há mais demonstrações de carinho, afeto, atenção e gratidão entre nós.
    Pensar em separação se torna complexo pois temos um filho juntos. Em nossa relação estamos tristes como casal, eu realmente não estou feliz com essa situação e acredito que ela também não.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Teixeira

    A chegada de um filho reorganiza tudo: identidade, corpo, tempo, cansaço, sexualidade e prioridades. Muitas vezes o casal até continua junto na prática, mas se perde simbolicamente. E quando faltam afeto, reconhecimento e troca, cresce a sensação de estranhamento que você descreveu. Isso não quer dizer, automaticamente, que a separação seja a única saída. Quer dizer que, do jeito que está, a relação está pedindo algum tipo de elaboração, porque manter tudo apenas no silêncio e na convivência mecânica tende a aumentar o ressentimento.

    O ponto principal agora não é decidir no impulso entre “ficar” ou “se separar”, mas tentar entender se ainda existe algum desejo de reconstrução dos dois lados. Porque há casais que não acabaram; estão apenas soterrados pelo cansaço, pela função parental e pela falta de espaço para se reencontrar. E há casais que, de fato, já se romperam afetivamente e precisam encarar isso com honestidade. A diferença entre uma coisa e outra só aparece quando o mal-estar pode ser falado de verdade, sem ficar apenas em conversas circulares sobre separação. Ter um filho realmente torna tudo mais delicado, mas não deve ser o único motivo para manter uma relação vazia. Crianças não precisam apenas de pais juntos; precisam de um ambiente emocional menos adoecido. Às vezes o melhor caminho é reconstruir o vínculo. Às vezes é reorganizar a vida de outro modo. O que costuma fazer diferença é sair da paralisia e criar um espaço de fala mais sério, seja em conversa franca entre vocês, seja com ajuda profissional, para que essa decisão não seja tomada só pelo cansaço do momento.


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