Perguntas do paciente (146)

  • sou bipolar e tenho depressão,costumo ter pensamentos que desejam coisas ruins as pessoas...Isso faz

    sou bipolar e tenho depressão,costumo ter pensamentos que desejam coisas ruins as pessoas...Isso faz parte?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    Ter pensamentos indesejados, intrusivos ou negativos é mais comum do que parece, especialmente em quadros como transtorno bipolar e depressão. Durante os episódios de instabilidade de humor (tanto na fase de depressão quanto na de mania ou irritabilidade), o cérebro pode produzir pensamentos que não estão alinhados com seus valores ou com quem você realmente é. Isso não significa que você deseja, de fato, que essas coisas aconteçam — são pensamentos automáticos disfuncionais, que surgem de forma involuntária.
    Isso faz parte, sim, dos sintomas emocionais e cognitivos que aparecem no transtorno bipolar e na depressão.
    A boa notícia é que esses pensamentos podem ser trabalhados na psicoterapia, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a entender, questionar e ressignificar esses pensamentos, além de fortalecer o autocontrole emocional.
    Importante: Se esses pensamentos estiverem te causando muito sofrimento, medo de agir de forma que não deseja, ou se vierem acompanhados de impulsos, é essencial conversar com seu psiquiatra e psicólogo.


  • A alguns dias amanheci com uma falta de ar intensa, desde então já fazem 7 dias, tem hora que piora

    A alguns dias amanheci com uma falta de ar intensa, desde então já fazem 7 dias, tem hora que piora ou melhora mas não passa. É normal você ficar com falta de ar e sensação de sufocamento por causa de ansiedade por tanto tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    Não é considerado normal permanecer por tantos dias com falta de ar contínua, mesmo que a ansiedade possa causar esse sintoma.
    A ansiedade, especialmente em quadros de crise de ansiedade ou transtorno de ansiedade generalizada, pode sim gerar sintomas físicos intensos, como:
    • Falta de ar
    • Aperto no peito
    • Sensação de sufocamento
    • Palpitações
    • Tontura
    • Tremores
    Contudo, esses sintomas geralmente são episódicos, vêm em ondas e costumam durar de alguns minutos a algumas horas, embora possam se repetir várias vezes ao longo do dia.
    Quando uma sensação de falta de ar permanece por dias, mesmo variando de intensidade, é muito importante descartar causas físicas. Isso inclui avaliar:
    • Questões cardiológicas (coração)
    • Questões pulmonares (asma, bronquite, COVID-19, pneumonia, entre outras)
    • Alterações na tireoide
    • Anemia
    • Outras condições clínicas
    Recomendação urgente: Procure um pronto atendimento ou agende uma consulta médica o quanto antes, de preferência com um clínico geral ou pneumologista, para realizar uma avaliação física e exames básicos.
    Se os médicos descartarem qualquer causa orgânica, aí sim fica mais claro que o sintoma é de origem ansiosa, e você pode buscar apoio psicológico e, se necessário, acompanhamento psiquiátrico para controle dos sintomas.
    Enquanto isso, algumas estratégias que podem aliviar (mas não substituem avaliação médica):
    • Respiração diafragmática: Inspire pelo nariz contando até 4, segure por 2 segundos e solte pela boca contando até 6, lentamente.
    • Aterramento: Foque nos 5 sentidos para se reconectar com o presente (o que você vê, ouve, sente, cheira, toca).
    • Alongamento e movimento leve: Caminhar devagar, alongar os braços e costas ajuda a melhorar a percepção respiratória.


  • O transtorno de pânico tem cura ou controle sem remédio?

    O transtorno de pânico tem cura ou controle sem remédio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    Sim, o transtorno de pânico pode ser efetivamente controlado — e, em muitos casos, alcançar remissão completa — por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mesmo sem o uso de medicação.
    A TCC aborda o transtorno de pânico por meio de:
    • Psicoeducação: Informar o paciente sobre a natureza do transtorno e seus sintomas.
    • Reestruturação cognitiva: Identificar e modificar pensamentos disfuncionais e interpretações catastróficas.
    • Exposição gradual: Enfrentar, de forma controlada, situações temidas para reduzir a evitação e a ansiedade antecipatória.ResearchGate
    • Treinamento em técnicas de relaxamento: Ensina estratégias para manejar a ansiedade e os sintomas físicos associados.
    E o Papel da Medicação?
    Embora a TCC seja eficaz por si só, a combinação com medicação pode ser considerada em casos de sintomas muito intensos ou quando há comorbidades.


  • Trabalho c crianças e comecei a ter crise de pânico. Nao gosto delas. Como lidar c isso ja q preciso

    Trabalho c crianças e comecei a ter crise de pânico. Nao gosto delas. Como lidar c isso ja q preciso trabalhar. Estou de licença médica mas ja estou sofrendo por ter q voltar.
    Tenho depressão bem forte tbm.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    Ter uma crise de pânico associada a um ambiente de trabalho que te gera desconforto, somado à depressão, é algo que seu corpo e sua mente estão sinalizando como um alerta de esgotamento, sobrecarga emocional ou desalinhamento com sua realidade atual.
    Crises de pânico surgem quando o cérebro percebe que você está em perigo, mesmo que esse perigo não seja físico, mas psicológico ou emocional.
    No seu caso, trabalhar com crianças pode estar ativando desconfortos, frustrações, incompatibilidades emocionais ou até memórias que você talvez não tenha percebido conscientemente.
    A depressão, junto com esse estresse, fragiliza ainda mais sua tolerância emocional, fazendo com que qualquer demanda soe como uma ameaça esmagadora.
    Como lidar com isso?
    1. Primeiro de tudo: cuide da sua saúde mental.
    - Estar de licença é uma atitude correta e muito sensata. Esse tempo não é fraqueza, é autocuidado e necessidade.
    2. Procure suporte profissional contínuo.
    - Psicoterapia (especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental) é essencial.
    - Avaliação médica com psiquiatra, caso precise de estabilização com medicação neste momento crítico.
    3. Reflita sobre sua relação com o trabalho.
    - Não gostar de trabalhar com crianças não te faz uma pessoa ruim.
    - Muitas vezes entramos em funções que não combinam com nosso perfil emocional, e reconhecer isso é sinal de maturidade, não de fracasso.
    4. Planeje sua transição.
    - Enquanto se cuida, pense se faz sentido continuar nesse trabalho ou buscar outra função mais alinhada com quem você é.
    - É possível planejar uma mudança sem desespero, com responsabilidade e sem se abandonar nesse processo.


  • O medico disse que sindrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão são comorbidade

    O medico disse que sindrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão são comorbidade (pessoa é diagnosticada com síndrome de asperger). O que seria comorbidades? Muito obrigada!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    O termo comorbidade significa que a pessoa apresenta dois ou mais transtornos ou condições de saúde ao mesmo tempo. No caso que você mencionou, a pessoa tem diagnóstico de Síndrome de Asperger (que faz parte do Transtorno do Espectro Autista) e, além disso, também apresenta outros transtornos, como:
    • Síndrome do Pânico
    • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
    • Depressão
    Esses transtornos são chamados de comorbidades, pois estão presentes junto com o diagnóstico principal (Asperger). Isso é comum, especialmente no TEA (Transtorno do Espectro Autista), onde é frequente haver dificuldades emocionais, ansiedade ou depressão associadas.
    Ter comorbidades não significa que uma causa a outra, mas que elas coexistem na mesma pessoa e podem influenciar o tratamento e a qualidade de vida.


  • É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima

    É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima de aluenação parental e sofrendo maus tratos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Zuleide Silva

    O áudio pode ser considerado um indício, mas, isoladamente, não é uma prova plena e definitiva no processo judicial. No entanto, ele pode ser utilizado como elemento que motive a abertura de uma investigação, perícia psicológica, escuta especializada ou outras diligências.
    Aspectos legais no Brasil – Alienação Parental e Maus-tratos
    • A Lei da Alienação Parental (Lei 12.318/2010) reconhece como alienação comportamentos que dificultem o convívio da criança com um dos genitores, desqualificação da figura parental, omissão de informações, entre outros.
    • Quando há indícios de alienação parental e/ou maus-tratos, o juiz pode determinar avaliação psicológica, social, perícias e medidas de proteção.

    Sobre o uso de áudio como prova
    O áudio gravado, especialmente quando envolve crianças, tem valor como indício, desde que:
    - Não tenha sido obtido de forma ilícita (ex.: invasão de privacidade fora do contexto das partes envolvidas).
    - A gravação seja feita por quem é parte legítima da relação (um dos genitores ou responsável direto).
    - A criança tenha falado de forma espontânea e sem indução (isso será analisado tecnicamente).
    Não é considerado prova absoluta. Por isso, o sistema de justiça utiliza esse tipo de material como gatilho para:
    - Requisição de escuta especializada (seguindo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Art. 100, §1º, inciso XII).
    - Encaminhamento para avaliação psicossocial, pericial ou Ministério Público.
    - Medidas protetivas, quando há risco evidente.


Perguntas frequentes

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