Como a invalidação traumática contribui para a Dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline

3 respostas
Como a invalidação traumática contribui para a Dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
No TPB, a pessoa sente emoções muito fortes.
Quando essas emoções são invalidas (“isso não faz sentido”, “você está exagerando”), ela fica confusa e sobrecarregada.
Como não consegue entender nem lidar com o que sente, o cérebro usa a dissociação para se proteger — ou seja, desliga ou se desconecta da experiência.
A invalidação deixa a emoção insuportável, e a dissociação aparece como um “escape”.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
A invalidação traumática, quando os sentimentos ou experiências do sujeito são constantemente desconsiderados ou negados, contribui para a dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline ao criar fragmentação emocional e dificuldade de integrar experiências internas. Na perspectiva psicanalítica, a dissociação surge como mecanismo defensivo para lidar com emoções intensas ou conflitantes, protegendo o sujeito de sofrimento intolerável, mas ao mesmo tempo dificultando o vínculo e a percepção contínua de si mesmo e dos outros.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A invalidação traumática acontece quando experiências emocionais intensas são repetidamente ignoradas, negadas ou tratadas como exagero, especialmente em momentos em que a pessoa mais precisava ser compreendida. No contexto do Transtorno de Personalidade Borderline, isso não costuma ser um evento isolado, mas um padrão ao longo do tempo. O que era para ser acolhido vira algo que a própria pessoa aprende a rejeitar dentro de si.

A dissociação, nesse cenário, pode ser entendida como uma forma de proteção do próprio sistema emocional. Quando sentir é intenso demais e, ao mesmo tempo, não existe um ambiente que ajude a organizar essa experiência, o cérebro encontra uma saída: “desconectar”. É como se a mente dissesse “isso é demais para eu processar agora”. A pessoa pode sentir que está distante de si mesma, como se estivesse assistindo à própria vida, ou até com uma sensação de irrealidade.

Do ponto de vista neurobiológico, isso envolve uma espécie de desligamento parcial de áreas ligadas à integração emocional e à consciência do corpo. Em vez de sentir com clareza, a experiência fica fragmentada. Isso ajuda a reduzir o impacto imediato da dor, mas também dificulta a construção de uma identidade emocional mais estável, porque partes importantes da experiência ficam “fora de contato”.

Na sessão, isso pode aparecer como mudanças bruscas de estado, momentos em que o paciente parece “sumir” emocionalmente ou relata não conseguir acessar o que estava sentindo pouco antes. E, muitas vezes, quanto mais intensa a emoção, maior a chance desse desligamento acontecer. É uma estratégia que protege, mas também limita o contato com a própria experiência.

Talvez faça sentido você refletir: em momentos de emoção muito intensa, você percebe alguma sensação de desligamento ou distanciamento de si mesmo? Isso acontece mais em situações específicas? Quando você tenta lembrar de momentos difíceis, eles vêm claros ou meio “embaçados”? E como foi, ao longo da sua história, a forma como suas emoções foram recebidas pelas pessoas importantes ao seu redor?

Compreender esse processo em terapia ajuda a pessoa a desenvolver formas mais seguras de se manter presente mesmo diante de emoções difíceis, sem precisar se desconectar para suportar. É um caminho de reconstrução gradual do contato consigo mesmo. Caso precise, estou à disposição.

Especialistas

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Psicólogo

Rio de Janeiro

Claudia Matias Santos

Claudia Matias Santos

Psicólogo

Rio de Janeiro

Anabelle Condé

Anabelle Condé

Psicólogo

Rio de Janeiro

Paloma Santos Lemos

Paloma Santos Lemos

Psicólogo

Belo Horizonte

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 3544 perguntas sobre Transtorno da personalidade borderline
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.