Como a reciprocidade social se relaciona com a dificuldade em relações sociais no Transtorno do Espe

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Como a reciprocidade social se relaciona com a dificuldade em relações sociais no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
A dificuldade em ficar sob controle dos comportamentos do ouvinte é algo que atrapalha os relacionamentos sociais, pois a pessoa tem dificuldade em decidir sobre qual assunto conversar, se o ouvinte está interessado, se o tom de voz e ritmo de fala está adequado para situação. Por isso é importante avaliar as Habilidades Sociais e após avaliação ser realizado um plano de ensino individualizado para ensinar os comportamentos necessários para relações sociais saudáveis e duradouras.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma ótima pergunta — e vai direto ao coração do que significa compreender o autismo com empatia.

A reciprocidade social é a base das nossas interações humanas. É o que permite perceber o outro, responder emocionalmente e manter uma troca que vai além das palavras — aquele “ir e vir” emocional que faz a conversa fluir, o sorriso ser correspondido e a presença do outro fazer sentido. No Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa reciprocidade pode se manifestar de forma diferente, o que impacta a maneira como as relações sociais acontecem.

Muitas vezes, o cérebro autista processa pistas sociais — como expressões faciais, gestos e tons de voz — de um jeito menos intuitivo. Enquanto a maioria das pessoas capta essas nuances automaticamente, a pessoa autista precisa decodificar conscientemente o que está acontecendo. Isso exige esforço e, às vezes, pode gerar fadiga ou ansiedade social. Não é falta de empatia, mas uma diferença na forma como o sistema nervoso lê e responde aos sinais emocionais. É como se o cérebro dissesse: “eu quero me conectar, só preciso de um pouco mais de tempo e previsibilidade.”

Essas diferenças na reciprocidade social podem fazer com que a pessoa pareça “distante” ou “desinteressada”, quando, na verdade, ela apenas interage de outro modo — muitas vezes de forma mais direta, honesta e menos guiada por convenções sociais. Por isso, o maior desafio nas relações sociais de quem está no espectro não é a ausência de afeto, mas o desencontro de linguagens entre o modo autista e o modo neurotípico de se comunicar.

Você já reparou como algumas conexões acontecem de forma mais profunda quando existe paciência e curiosidade genuína? Quando o outro se dispõe a entender o ritmo da pessoa autista, a reciprocidade começa a florescer — e, com ela, surge um tipo de vínculo que é tão verdadeiro quanto qualquer outro. Caso precise, estou à disposição.

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