Como a terapia existencial lida com o sentimento de impotência da vítima do bullying?

Como a terapia existencial lida com o sentimento de impotência da vítima do bullying?

3 respostas


Embora minha prática clínica seja fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é importante destacar como outras abordagens compreendem o sofrimento humano. Na perspectiva da terapia existencial, o sentimento de impotência diante do bullying é entendido como parte da condição humana, relacionada à vulnerabilidade, à liberdade e à busca de sentido. Nesse modelo, o objetivo do terapeuta não é simplesmente eliminar a sensação de impotência, mas sim auxiliar a pessoa a reconhecê-la, acolhê-la e ressignificá-la, de forma que essa experiência possa ser integrada à sua história e transformada em possibilidade de crescimento pessoal.

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A terapia existencial ajuda a pessoa a olhar para o que viveu sem reduzir sua identidade à dor do bullying. Ela busca resgatar o sentido, a liberdade e o poder de escolha que muitas vezes se perdem nessas experiências. O foco é fortalecer a consciência de si e a responsabilidade sobre o próprio caminho, mesmo diante do que não se pôde controlar.


Para a psicanálise, o sentimento de impotência da vítima de bullying não é apenas o resultado da agressão externa, mas um colapso da subjetividade. A terapia lida com isso através dos seguintes pontos: ​Resgate da Autoria: A vítima sente-se "coisificada" (um objeto do prazer do agressor). A análise busca devolver à pessoa o lugar de sujeito, ajudando-a a separar as projeções do agressor da sua identidade real. ​Investigação da Passividade: Investiga-se por que a agressão "colou" tão profundamente. Às vezes, o bullying ressoa em feridas infantis anteriores, e a terapia ajuda a desamarrar o trauma atual de culpas ou inseguranças antigas. ​Fortalecimento do Ego: O foco é reconstruir o narcisismo ferido. Ao colocar a dor em palavras (simbolização), a vítima deixa de carregar o trauma no corpo (angústia, depressão) e passa a entender a dinâmica do agressor como uma falha do outro, não dela. ​Saída da Posição de Objeto: A análise ajuda a vítima a entender que ela não precisa ocupar o lugar de "depósito" das frustrações alheias, permitindo que ela crie defesas psíquicas para dizer "não" ao desejo destrutivo do agressor.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.