Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u
Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?
5 respostas
Uma das primeiras coisas que eu investigaria é justamente o que “se priorizar” significa para você. Porque existe uma diferença importante entre considerar as próprias necessidades e desconsiderar as necessidades das outras pessoas. Quando alguém aprendeu, ao longo da vida, que suas necessidades deveriam ficar em segundo plano, pode desenvolver regras como: “se eu pensar em mim, estou sendo egoísta”, “preciso cuidar dos outros primeiro” ou “minhas necessidades são menos importantes”. A história familiar pode contribuir para isso, mas é importante compreender individualmente como esse padrão foi construído no seu caso. Na TCC, podemos começar observando situações concretas em que você gostaria de fazer algo por você, mas acaba desistindo. Por exemplo: “O que você pensa que aconteceria se se priorizasse nessa situação?” “Quem seria prejudicado por essa escolha?” “Atender a uma necessidade sua é necessariamente abandonar alguém?” “Você consideraria egoísta uma pessoa de quem gosta se ela fizesse exatamente a mesma escolha?” Também podemos investigar uma pergunta muito importante: “Qual é o preço que você tem pago por nunca se colocar entre as suas próprias prioridades?” Além do trabalho com essas crenças, a terapia envolve mudanças comportamentais. Podemos construir pequenos experimentos, como reservar um tempo para uma atividade de que você gosta, estabelecer um limite ou avançar em uma meta pessoal e observar o que realmente acontece, inclusive aprendendo a tolerar a culpa que inicialmente pode aparecer. O objetivo não seria ensinar você a “se colocar sempre em primeiro lugar”, porque relações saudáveis também envolvem considerar o outro. Seria ajudá-lo a encontrar um equilíbrio em que você também esteja incluído entre as pessoas que merecem seu cuidado. E talvez essa seja uma pergunta interessante para começar: se cuidar de alguém que você ama não parece egoísmo, por que cuidar de você recebe um significado tão diferente?
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Olá, isso pode estar relacionado à forma como você aprendeu, ao longo da sua história, a lidar com suas próprias necessidades e desejos. Na psicanálise, podemos investigar de onde vem essa ideia de que se priorizar seria egoísmo e o que faz com que seja tão difícil se colocar em primeiro lugar. A partir disso, é possível construir uma relação diferente com seus próprios desejos e escolhas.
Pelo que você está contando, parece que você abre mão de si mesmo para se adaptar ao seu entorno. Na Psicologia Analítica trabalhamos com a ideia do equilíbrio de opostos. Quero te dizer que existe um meio termo entre "abrir mão de si" e "ser um grande egoísta". Como você se acostumou com abrir mão demais, tudo que fizer diferentes parecerá egoísmo, e as pessoas ao redor vão te estranhar também. O indicado é que você consigo calibrar esse outro lado, alimentar seu lado egoísta, a fim de alcançar um equilíbrio. Assim, quando adquirir essa nova postura, você poderá escolher se prefere priorizar a si ou agradar aos outros nas situações que encontrará futuramente. Sendo direto: trabalhar seu lado egoísta parace o mais indicado. Falar é simples, te indico o acompanhamento em psicoterapia para ajudar a calibrar essas posturas dentro de ti.
Olá! Não há uma única resposta para sua dúvida, pois se faz necessário o processo psicoterapêutico para que possamos trabalhar quais ideias podem estar por traz dessa impossibilidade de se priorizar. Não é algo pronto e rápido, pois leva tempo aprender e se permitir estar em uma outra posição.
A dificuldade de se priorizar sem sentir culpa pode, sim, estar relacionada às experiências emocionais vividas na infância. Quando crescemos sentindo que nossas necessidades, sentimentos ou desejos ficavam em segundo plano, podemos aprender que cuidar dos outros é mais importante do que cuidar de nós mesmos e até desenvolver a crença de que se colocar em primeiro lugar é egoísmo. Na psicoterapia, especialmente por meio da Terapia do Esquema, podemos identificar crenças e padrões como autossacrifício, subjugação, privação emocional e culpa, compreendendo como eles se formaram e como continuam influenciando suas escolhas hoje. Também trabalhamos novas formas de reconhecer suas necessidades, estabelecer limites e construir autoestima e autocuidado sem sentir que está prejudicando alguém. Se priorizar não significa deixar de considerar o outro. Significa aprender que suas necessidades também têm valor. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.


