Como as fake news nascem e que interesses há por trás dela?

4 respostas
Como as fake news nascem e que interesses há por trás dela?
Fake news não surgem do nada. Elas são construídas. Nascem de medos, de desconfianças, mas também de interesses muito concretos: políticos, econômicos, ideológicos. Circulam porque tocam afetos profundos, muitas vezes em contextos de incerteza e desigualdade. Por isso, mais do que julgar quem acredita, é preciso entender o terreno em que elas se espalham e cuidar dele com escuta, diálogo e compromisso ético com a verdade.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
Olá! Nascem das mais diversas formas e também possui os mais diversos interesses. Entretanto, é importante pensar que por trás das fakes news pode ter alguma ligação a controle, poder, entre outras questões. De forma que o interesse pode ser esconder algo do público, difamar algo ou alguém, de forma que perca "valor", de certa forma, controlar reações, moldar pensamentos, entre outros. Ou seja, talvez o interesse por trás irá depender do propósito da própria fake news, podendo ser de cunho político, social, entre outros.
 Sinara Guerra
Psicólogo
Florianópolis
Há diversos interesses que podem estar associados a criação de uma fake news. Pode ser uma despretenciosa crença de uma pessoa que se espalha devido a conexão com as crenças de outras pessoas. Pode ser também no intuito de prejudicar alguém ou alguma instituição, de forma que outra se beneficie. E muito mais do que se imagina, no mundo de hoje, onde curtidas e compartilhamentos ditam as redes sociais, fake news podem ser simplesmente uma forma de conseguir esses artefatos digitais.
 Camila Ferrari
Psicólogo, Psicanalista
Ribeirão Preto
Para a psicanálise, o sucesso das fake news não se explica apenas pela tecnologia, mas por um mecanismo fundamental da nossa psique: o desejo. Muitas vezes, não buscamos a verdade dos fatos, mas sim a confirmação daquilo que já desejamos ou tememos que seja verdade.

Aqui estão os pontos centrais para entender esse fenômeno sob o olhar clínico:

1. A negação da realidade (Verleugnung)
A realidade é, por natureza, complexa, ambivalente e muitas vezes frustrante. As fake news oferecem um atalho: elas criam uma narrativa que "encaixa" perfeitamente no que queremos acreditar. É o que Freud chamava de Negação. O sujeito sabe que a informação é suspeita, mas escolhe acreditar nela porque ela sustenta uma visão de mundo que o protege da angústia da incerteza.

2. A projeção e o inimigo comum
As fake news geralmente se alimentam de um sentimento de perseguição. Elas permitem que o sujeito projete todas as suas frustrações e ódios em um "outro" (um grupo, um político, uma instituição). Ao criar um vilão simplista, a mentira digital oferece um alívio momentâneo para as tensões internas: "O problema não sou eu, é aquele inimigo que a notícia revelou".

3. O pertencimento e a horda digital
As notícias falsas nascem e crescem em comunidades. Seguir e compartilhar uma fake news é, no fundo, um pedido de pertencimento. O interesse por trás delas é manter o grupo coeso através do afeto — especialmente o afeto do medo e do ódio compartilhado. Para muitas pessoas, é preferível estar "errado junto com o grupo" do que "certo e sozinho".

Quais interesses há por trás delas?
Além dos interesses óbvios (políticos e econômicos de manipulação de massas), existe um interesse psíquico: manter o sujeito em um estado de excitação constante. As fake news operam na lógica do clique, do choque e da indignação. Elas "sequestram" a atenção e impedem a reflexão, pois o pensamento crítico exige pausa, enquanto a fake news exige reação imediata.

Como lidar com isso?
O antídoto para a fake news não é apenas o "fact-checking" (checagem de fatos), mas o autoconhecimento. Precisamos nos perguntar: "Por que eu quero tanto que essa notícia seja verdade?".

A psicanálise nos ajuda a perceber que, quando paramos de questionar o que consumimos, estamos abrindo mão da nossa própria subjetividade para nos tornarmos apenas massa de manobra de narrativas alheias.

Especialistas

Luiz Carlo Lima da Silva

Luiz Carlo Lima da Silva

Psicólogo

Goiânia

Priscila Garcia Freitas

Priscila Garcia Freitas

Psicólogo

Rio de Janeiro

Daniela Lemos Sobral

Daniela Lemos Sobral

Psicólogo

Sorocaba

Luciana Cassol

Luciana Cassol

Psicólogo

Cachoeirinha

Michelle Sousa

Michelle Sousa

Psicólogo

Recife

Ana Raquel Righi Gomes

Ana Raquel Righi Gomes

Psicólogo

Campinas

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 1003 perguntas sobre Saude Mental
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.

Seu caso é parecido? Esses profissionais podem te ajudar.

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.