Como diferenciar a "falta de vínculo" de uma "crise de desvalorização" no Transtorno de Personalidad

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Como diferenciar a "falta de vínculo" de uma "crise de desvalorização" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
No Transtorno de Personalidade Borderline, diferenciar uma “falta de vínculo” de uma “crise de desvalorização” passa menos pelo que é dito e mais pela função que isso ocupa na relação: na crise de desvalorização há vínculo, mas ele aparece invertido, marcado por afeto intenso, reatividade, comparações e ataques que ainda endereçam o terapeuta como Outro significativo; já na falta de vínculo, observa-se um esvaziamento maior, pouca implicação, indiferença, ausências recorrentes ou uma fala mais desvitalizada, como se o laço não estivesse investido; em termos transferenciais, a desvalorização é uma forma de manter o Outro presente, ainda que negativamente, enquanto a falta de vínculo indica uma dificuldade mais radical de inscrição do laço; a escuta do terapeuta, então, se orienta por sustentar e interpretar na primeira situação, e por construir condições mínimas de investimento na segunda, sem forçar uma ligação que ainda não pôde se constituir.

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A “falta de vínculo” costuma ser algo mais constante, uma dificuldade em se conectar ou manter proximidade emocional. Já a “crise de desvalorização” no TPB tende a ser mais intensa e pontual, geralmente desencadeada por alguma situação que a pessoa percebe como rejeição, levando a uma mudança brusca na forma como vê o outro.
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A falta de vínculo é contínua, marcada por distância emocional e pouca abertura. Já a desvalorização é súbita, reativa e ocorre após frustração ou medo de abandono. Na crise, o paciente oscila entre proximidade e rejeição. O terapeuta deve observar o padrão temporal e explorar o gatilho emocional envolvido.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
fernandosegundo.com
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Abraços

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