Como famílias e cuidadores podem lidar com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TP

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Como famílias e cuidadores podem lidar com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Michelle Novello
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
Conviver com alguém que apresenta Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser desafiador e, ao mesmo tempo, muito transformador para a família e cuidadores. O primeiro passo é compreender que os comportamentos intensos (como medo de abandono, impulsividade e oscilações emocionais) não são escolhas conscientes, mas expressões de um sofrimento psíquico profundo.

É importante que familiares mantenham uma postura de escuta e acolhimento, evitando julgamentos ou respostas excessivamente críticas. Estabelecer limites claros, mas sem rigidez, ajuda a oferecer um ambiente de segurança emocional.

Buscar espaços de diálogo, tanto em família quanto em processos terapêuticos individuais ou grupais, pode auxiliar na elaboração das angústias e na melhoria da comunicação. A psicanálise, por exemplo, abre um caminho para compreender a lógica singular que sustenta esses comportamentos e, assim, favorecer relações menos marcadas pela tensão e mais pela possibilidade de vínculo.

Além disso, é fundamental que cuidadores também cuidem de si, recorrendo a apoio psicológico quando necessário, pois só é possível sustentar o outro quando há espaço interno para isso.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito sensível, porque quando alguém tem TPB, o impacto não acontece apenas dentro dela, mas também no círculo de pessoas que convivem de perto. Famílias e cuidadores, muitas vezes, querem ajudar, mas ficam esgotados tentando adivinhar o que fazer. E não é por falta de amor, mas porque a intensidade emocional do TPB realmente exige uma forma de contato mais cuidadosa.

Um ponto importante é entender que a pessoa com TPB não reage dessa forma por escolha. O sistema emocional dela é rápido, profundo e sofre muito com qualquer sinal de distância, rejeição ou incompreensão. A neurociência mostra que o cérebro, nesses momentos, aciona o sistema de alarme com muito mais intensidade, como se pequenas situações fossem grandes ameaças. Para a família e cuidadores, isso significa que a melhor forma de lidar não é apagar cada incêndio, mas construir um ambiente que ajude a regular essas emoções, sem reforçar comportamentos que aumentam o sofrimento.

Talvez faça sentido observar algumas dinâmicas dentro da convivência. Vocês sentem que vivem “pisando em ovos” para evitar crises? Percebem que tentam resolver tudo para aliviar a angústia imediata da pessoa, mesmo que isso desgaste vocês? Há espaço para conversas sinceras ou tudo vira tensão? Conseguem colocar limites amorosos, ou têm medo de que o limite seja interpretado como abandono? Essas perguntas ajudam a entender onde a relação está tentando ajudar e onde está se perdendo.

O caminho costuma envolver validação emocional sem acomodação. Validar significa reconhecer a dor: “Eu vejo que isso te machucou”, “Eu entendo que está difícil”. Acomodar é entrar na lógica da crise e fazer de tudo para que ela não aconteça, o que traz alívio no momento, mas aumenta o sofrimento a longo prazo. Muitas famílias descobrem na terapia — individual ou familiar — maneiras de se comunicar com mais segurança, criar limites que não ferem e apoiar a pessoa sem se anular.

Se vocês já estão em acompanhamento profissional, vale muito levar essas questões ao terapeuta responsável, porque cada família tem uma dinâmica única. E se ainda não estiverem, buscar orientação pode transformar não só a vida de quem tem o transtorno, mas também a de quem convive de perto com essa intensidade toda. Caso precise, estou à disposição.

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