Como lidar com o impacto emocional do diagnóstico de uma doença crônica mental ?

Como lidar com o impacto emocional do diagnóstico de uma doença crônica mental ?

4 respostas


Lidar com o impacto emocional do diagnóstico de uma doença mental crônica é um processo delicado que envolve acolhimento, tempo e suporte adequado. Ao receber esse diagnóstico, é comum que a pessoa experimente uma série de emoções intensas e contraditórias, como medo, tristeza, raiva, negação, vergonha ou até alívio por finalmente ter um nome para o sofrimento vivido. Reconhecer e aceitar esses sentimentos, sem se julgar, é um primeiro passo importante para construir um caminho de cuidado. É fundamental buscar um espaço seguro, seja com profissionais da saúde mental, grupos de apoio ou pessoas próximas de confiança, onde seja possível expressar essas emoções e compartilhar dúvidas e angústias. A escuta qualificada ajuda a dar sentido ao que está sendo vivido e a elaborar novos significados para a doença, que não se reduza a um rótulo ou a um destino imutável. O processo de aceitação não é linear e pode incluir momentos de resistência e recaídas emocionais, o que é absolutamente normal. Por isso, cultivar a paciência consigo mesmo e valorizar pequenos avanços no dia a dia faz parte da construção de uma nova relação consigo, com a doença e com a vida. Além disso, é importante integrar o tratamento médico e psicoterápico, quando indicados, e investir em práticas que promovam o autocuidado, como alimentação equilibrada, atividade física, sono regular e atividades que tragam prazer e sentido. Enxergar a doença como uma parte da vida, mas não sua totalidade, pode abrir espaço para que a pessoa se perceba como protagonista do próprio cuidado e das possibilidades que ainda existem.

Bruna Eleodoro

Bruna Eleodoro

Psicólogo

São Paulo

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Os diagnósticos (crônicos ou não) de doença mental são categorias construídas histórica e socialmente pela comunidade médica e acadêmica. Nesse sentido, servem como ferramentas de orientação do trabalho do clínico derivadas de convenções passíveis de mudanças e reformulações. Por esse motivo, não são categorias eternas e tampouco servem como rótulos. Se o diagnóstico está lhe reduzindo ou lhe afunilando isso não é sadio. Recomendo que valorize quem você é, incluindo suas relações, seus gostos, sua história de vida e, sobretudo, sua criatividade e seu caráter. Quando colocar essas coisas em primeiro lugar verá que o diagnóstico nada mais é que mais um olhar sobre você dentre tantos outros possíveis.


Para lidar com esse impacto você vai precisar de apoio profissional (psicologo e/ou psiquiatra), reconhecer e aceitar as suas emoções, tenha uma rede de apoio segura e de confiança, informe-se melhor sobre o seu diagnóstico, isso vai ajudar a diminuir o medo do desonhecido. Cultive esperança realista, doenças mentais tem tratamento, com suporte e cuidado é possível ter uma vida plena.


Receber o diagnóstico de uma doença crônica mental costuma ser um momento muito delicado. Mesmo quando já havia sinais de sofrimento, ouvir um nome, um rótulo, pode provocar um abalo profundo. É comum que surjam sentimentos como medo, tristeza, revolta, negação ou até alívio, e todos esses sentimentos são legítimos. Primeiro, é importante esclarecer: um diagnóstico não define quem você é. Ele descreve um funcionamento, um conjunto de sintomas, mas não resume sua história, seus afetos, seus desejos ou suas capacidades. Do ponto de vista emocional, alguns movimentos costumam acontecer: 1. Um processo de luto: Muitas vezes há o luto pela imagem de si mesmo que você tinha antes. Pode surgir a sensação de perda — da “normalidade”, de planos idealizados, de uma versão de si que parecia mais simples. 2. Medo do futuro: Perguntas como “Isso tem cura?”, “Como será minha vida agora?” ou “As pessoas vão me ver diferente?” são muito comuns. A incerteza pode gerar ansiedade intensa. 3. Culpa ou autoacusação: Algumas pessoas se perguntam se fizeram algo para “causar” aquilo. É importante lembrar que transtornos mentais são multifatoriais — envolvem aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Não são falhas morais. Tente exercer a autocompaixão consigo ao invés de se culpar por algo que nunca esteve sob o seu controle. 4. Estigma e vergonha: Infelizmente, ainda existe preconceito. Isso pode levar ao isolamento ou à dificuldade de compartilhar o que está acontecendo. Como lidar com tudo isso? Permita-se sentir, não apresse o processo. Cada emoção faz parte da elaboração. Busque informação de qualidade, pois conhecer melhor o diagnóstico ajuda a reduzir fantasias catastróficas. Construa uma rede de apoio. Conversar com pessoas de confiança diminui o peso de carregar isso sozinho. Invista em acompanhamento psicológico e psiquiátrico. O espaço terapêutico ajuda a integrar o diagnóstico à sua identidade sem que ele a domine. Faça seu tratamento psiquiátrico de acordo com a orientação do seu médico de confiança. Separe “ter” de “ser”. Você tem um transtorno, você não é apenas o transtorno. Muitas vezes, o sofrimento maior não está apenas na condição em si, mas nas histórias internas que começam a se formar a partir dela: “eu sou fraco”, “eu não vou conseguir”, “minha vida acabou”. Essas narrativas podem e precisam ser trabalhadas. É importante que você é possível construir uma vida com sentido, vínculos, projetos e alegria mesmo convivendo com uma condição crônica. O diagnóstico pode ser o começo de um cuidado mais consciente consigo mesmo. Se isso fez sentido para você, te convido para uma sessão de psicoterapia onde poderemos acolher essa angústia causada pelo diagnóstico e por tudo o que o envolve.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.