. Como o terapeuta pode lidar com a angústia e o medo do paciente em relação à mudança durante a ter

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. Como o terapeuta pode lidar com a angústia e o medo do paciente em relação à mudança durante a terapia?
Olá, tudo bem?

A angústia diante da mudança, especialmente no Transtorno de Personalidade Borderline, costuma ter uma lógica emocional muito profunda. Por mais que a pessoa esteja sofrendo, aquilo que é conhecido ainda oferece uma sensação de “controle”. Mudar, por outro lado, pode ser vivido pelo cérebro como um território desconhecido e potencialmente perigoso. É como se uma parte interna dissesse: “se eu mudar, posso perder quem eu sou ou até perder as pessoas ao meu redor”.

O terapeuta precisa, primeiro, legitimar esse medo sem tratá-lo como resistência simples ou falta de motivação. Existe uma ambivalência real: uma parte quer melhorar, outra teme o custo dessa mudança. Trabalhar com essa divisão interna, ajudando o paciente a reconhecer essas duas forças, costuma ser mais produtivo do que tentar empurrar a mudança diretamente.

Ao mesmo tempo, é importante tornar o processo mais previsível e gradual. Quando o paciente entende o que está sendo feito, por que está sendo feito e em que ritmo, o sistema emocional tende a reduzir o nível de ameaça. Pequenas mudanças, sustentadas ao longo do tempo, são mais eficazes do que transformações bruscas, justamente porque respeitam essa sensibilidade maior ao risco emocional.

Dentro da própria relação terapêutica, esse medo muitas vezes aparece como insegurança, dúvida ou até vontade de recuar. Esses momentos são valiosos, porque permitem trabalhar a experiência de mudança “ao vivo”, com apoio. O paciente começa a perceber que pode se movimentar, sentir desconforto e ainda assim não perder o vínculo ou o senso de si.

Talvez algumas perguntas possam ajudar a aprofundar isso: o que exatamente você sente que pode perder se mudar? O que, dentro de você, parece tentar te proteger quando surge esse medo? Em outros momentos da sua vida, como você reagiu diante de mudanças importantes? E o que seria uma mudança possível, pequena, que não soe tão ameaçadora agora?

Caso precise, estou à disposição.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A angústia e o medo diante da mudança, especialmente no Transtorno de Personalidade Borderline, costumam ser mais profundos do que parecem à primeira vista. Não é apenas receio do “novo”, mas muitas vezes um medo de perder referências internas, mesmo que essas referências estejam ligadas ao sofrimento. É como se o cérebro emocional pensasse: “isso dói, mas pelo menos eu conheço”. Mudar pode ser vivido como um risco real de desorganização ou até de perda de identidade.

O papel do terapeuta não é empurrar o paciente para a mudança, mas ajudá-lo a construir segurança suficiente para que a mudança se torne possível. Isso envolve respeitar o ritmo do paciente, validar o medo como algo legítimo e, ao mesmo tempo, ir criando pequenas experiências de transformação que sejam toleráveis. A previsibilidade do processo terapêutico aqui é fundamental, porque ela reduz a sensação de que tudo está fora de controle.

Também é importante entender que, em alguns momentos, a resistência à mudança não é um obstáculo, mas uma forma de proteção. O paciente pode temer que, ao mudar, perca o vínculo com o terapeuta, deixe de ser compreendido ou até não saiba mais quem é sem aquele padrão emocional. Por isso, o terapeuta trabalha mostrando que a relação não depende do sofrimento do paciente, mas pode continuar existindo mesmo com crescimento e transformação.

Talvez valha a pena observar: o que exatamente esse paciente acredita que pode acontecer se ele mudar? Existe medo de perder algo importante, como a identidade ou o vínculo? E quando surgem pequenas mudanças, ele tende a se aproximar ou a recuar? Além disso, como você se sente diante dessa resistência? Surge pressa, frustração ou uma vontade de “convencer” o paciente?

Com o tempo, quando o paciente percebe que pode mudar sem perder a si mesmo ou suas relações, a mudança deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma possibilidade. Esse é um processo delicado, mas extremamente potente quando bem conduzido. Caso precise, estou à disposição.
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.

O terapeuta valida o medo, normaliza a ambivalência e trabalha mudanças em passos pequenos. Explora crenças associadas à transformação e reforça segurança no vínculo. A mudança é apresentada como processo gradual, não ruptura. A previsibilidade do enquadre reduz ansiedade e ajuda o paciente a tolerar o desconforto do crescimento emocional.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
fernandosegundo.com
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Abraços

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