Como o terapeuta pode lidar com a raiva crônica e descontrolada no Transtorno de Personalidade Borde

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Como o terapeuta pode lidar com a raiva crônica e descontrolada no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
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Estude a Terapia comportamental dialética, será muito positivo para a sua compreensão do caso.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A raiva intensa no Transtorno de Personalidade Borderline costuma assustar quem vive e quem convive, mas, olhando com mais cuidado, ela raramente é “só raiva”. Muitas vezes, ela aparece como a ponta de algo mais sensível por baixo, como medo de abandono, sensação de injustiça ou dor emocional não reconhecida. O sistema emocional reage rápido, quase como um alarme disparando antes que a parte racional consiga organizar o que está acontecendo.

Na terapia, o caminho não é tentar suprimir essa raiva, mas ajudá-la a ser compreendida e regulada. O terapeuta trabalha para identificar os gatilhos, os sinais iniciais e o que a emoção está tentando comunicar. Ao mesmo tempo, oferece um espaço onde essa raiva pode existir sem gerar ruptura, o que, por si só, já é uma experiência nova para muitos pacientes. A consistência do vínculo ajuda a mostrar que a emoção pode ser acolhida sem que a relação se desfaça.

Também é importante observar que, em alguns casos, a raiva surge de forma muito rápida e intensa porque o organismo está mais sensível a sinais de ameaça. Pequenas situações podem ser interpretadas como rejeição ou desvalorização, mesmo que essa não tenha sido a intenção do outro. Quando isso começa a ser percebido, abre-se espaço para o paciente criar um pequeno intervalo entre sentir e agir, o que faz toda a diferença.

Talvez faça sentido se perguntar: o que costuma acontecer segundos antes da raiva explodir? Existe alguma sensação mais sutil que aparece antes dela, como tristeza, medo ou frustração? Em quais situações essa reação é mais frequente? E depois que a raiva passa, o que costuma ficar?

Com o tempo, o objetivo não é eliminar a raiva, mas transformá-la em algo que possa ser reconhecido, nomeado e expresso de forma menos destrutiva. Isso permite que ela deixe de ser um impulso incontrolável e passe a ser uma emoção com função, que pode ser compreendida e integrada.

Caso precise, estou à disposição.

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