Como o terapeuta pode lidar com a tendência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (

2 respostas
Como o terapeuta pode lidar com a tendência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) de se envolver em comportamentos de busca de atenção para validar sua existência?
Olá!

Não é “busca de atenção” — é uma tentativa de existir no olhar do outro, para além do rótulo Transtorno de Personalidade Borderline.
O trabalho não é negar isso, mas deslocar: do precisar ser visto… para poder se dizer — e aí algo do desejo pode surgir.
Se isso te toca, talvez haja algo aí a ser escutado — me chama no perfil.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Esse tipo de comportamento costuma ser muito mal compreendido, inclusive por quem está ao redor. O que muitas vezes é chamado de “busca de atenção” pode, na prática, ser uma tentativa intensa de se sentir visto, reconhecido e validado. Para muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, existe uma sensação interna de vazio ou de inexistência emocional que só se organiza quando há algum tipo de resposta do outro.

Na terapia, um ponto fundamental é não tratar esse comportamento como algo “errado” ou manipulativo de forma simplista. Quando o terapeuta consegue enxergar a função desse comportamento, abre-se espaço para algo mais profundo. É como se o paciente estivesse dizendo, de forma indireta: “Eu preciso sentir que existo para alguém”. E isso muda completamente a forma de intervenção.

A partir daí, o trabalho envolve ajudar o paciente a reconhecer essa necessidade de validação e, ao mesmo tempo, construir formas mais estáveis de se perceber. Em um nível mais sutil, o cérebro vai aprendendo a não depender exclusivamente do ambiente externo para regular a própria sensação de existência. Perguntas como “Em quais momentos você sente mais necessidade de ser visto?”, “O que acontece dentro de você quando sente que ninguém está percebendo você?” ou “Que tipo de reconhecimento você busca quando faz esse movimento?” ajudam a trazer consciência.

Também é importante desenvolver alternativas mais seguras de expressão emocional. Em vez de comportamentos que podem gerar consequências negativas ou afastamento, o paciente vai aprendendo a comunicar suas necessidades de forma mais direta e saudável, além de fortalecer a capacidade de se validar internamente.

Com o tempo, essa necessidade intensa de atenção tende a se transformar em uma busca mais equilibrada por conexão, onde o paciente não precisa mais de estratégias extremas para sentir que tem valor ou presença.

Caso precise, estou à disposição.

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