Como o terapeuta pode lidar com o medo de rejeição do paciente com Transtorno de Personalidade Borde

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Como o terapeuta pode lidar com o medo de rejeição do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) durante o processo de término do tratamento?
O término do tratamento em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline costuma reativar de forma intensa o medo de rejeição e abandono, exigindo uma condução cuidadosa e estruturada.
O primeiro ponto é não tratar o término como um evento pontual, mas como um processo. Idealmente, ele deve ser planejado e comunicado com antecedência, permitindo que o paciente elabore gradualmente a separação.
Durante esse período, é fundamental validar as emoções envolvidas, reconhecendo que sentimentos de medo, tristeza ou até raiva são esperados, sem reforçar a ideia de abandono real. A clareza de que o término faz parte de um ciclo terapêutico, e não de rejeição, precisa ser constantemente trabalhada.
Outro aspecto central é a manutenção do enquadre e da consistência do terapeuta. Mudanças bruscas de postura, flexibilizações excessivas ou tentativas de “compensar” o término tendem a aumentar a insegurança do paciente.
A relação terapêutica, nesse momento, pode ser utilizada como campo de elaboração, permitindo que o paciente reconheça e nomeie seus padrões de apego e medo de rejeição, diferenciando experiências passadas da realidade atual.
Abordagens como a Terapia Comportamental Dialética contribuem ao trabalhar habilidades de regulação emocional e tolerância ao desconforto, essenciais para atravessar essa fase sem desorganização significativa.
Também é importante reforçar os recursos desenvolvidos ao longo do tratamento, promovendo senso de competência e autonomia, além de, quando necessário, organizar encaminhamentos ou formas de continuidade de cuidado.
Em síntese, o manejo do término envolve planejamento, validação emocional, consistência técnica e fortalecimento da autonomia, transformando esse momento em parte integrante e terapêutica do processo.

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No Transtorno de Personalidade Borderline, o término tende a reativar intensamente o medo de rejeição, sendo vivido menos como conclusão e mais como possível abandono, então o manejo exige antecipação e elaboração gradual desse momento ao longo do processo; o terapeuta sustenta uma posição estável, nomeando o que o fim mobiliza (“parece que isso toca algo de ser deixado”) e diferenciando término de rejeição, sem oferecer garantias ilusórias nem minimizar a dor; é importante manter o enquadre até o fim, evitando afastamentos súbitos ou flexibilizações que confundam a separação, permitindo que o paciente experimente uma despedida que pode ser simbolizada; ao trabalhar transferencialmente esse movimento, o término deixa de ser apenas perda e pode se inscrever como uma experiência onde o vínculo não se rompe de forma traumática, mas se transforma, possibilitando que algo dessa relação seja internalizado sem precisar ser mantido pela presença concreta.
Durante o término do tratamento, o medo de rejeição pode se intensificar, por isso é importante que esse processo seja construído de forma gradual, conversada e previsível. Nomear o que está acontecendo e validar esses sentimentos ajuda o paciente a vivenciar esse encerramento de forma mais segura.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe esse ponto, porque o término do tratamento costuma ser um momento muito sensível no Transtorno de Personalidade Borderline.

O medo de rejeição tende a ficar mais ativado nessa fase, não necessariamente porque o terapeuta esteja rejeitando o paciente, mas porque o encerramento pode ser vivido emocionalmente como uma perda ou abandono. O sistema emocional pode interpretar o fim da terapia como uma confirmação de que o vínculo não era seguro ou que será interrompido de forma definitiva, o que desperta ansiedade, tristeza ou até reações de afastamento defensivo.

Na prática, o terapeuta costuma lidar com isso tornando o processo de término algo gradual, explícito e trabalhado ao longo do tempo. Não é uma ruptura abrupta, mas uma construção. Conversar abertamente sobre o fim, validar as emoções envolvidas e, ao mesmo tempo, reforçar o que foi desenvolvido ao longo da terapia ajuda a transformar essa experiência. O foco não é apenas encerrar, mas dar significado ao percurso e à continuidade fora da terapia.

Talvez faça sentido refletir: o que o término de um vínculo costuma representar para você? Ele é vivido mais como um fechamento natural de um ciclo ou como uma perda difícil de elaborar? Quando algo importante termina, o que fica mais presente: lembranças do que foi construído ou a sensação de que algo foi interrompido?

Dentro do processo terapêutico, esse momento pode se tornar uma oportunidade importante de ressignificação. Em vez de repetir experiências de abandono, o paciente pode vivenciar um encerramento com previsibilidade, respeito e continuidade emocional, o que tende a impactar positivamente a forma como lida com outros vínculos.

Esse cuidado faz com que o término deixe de ser apenas um fim e passe a ser parte do próprio processo de desenvolvimento emocional.

Caso precise, estou à disposição.

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