Como o terapeuta pode lidar com o sentimento de frustração em relação aos avanços no tratamento?

3 respostas
Como o terapeuta pode lidar com o sentimento de frustração em relação aos avanços no tratamento?
 Ana Machado
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Como psicóloga na Abordagem Centrada na Pessoa digo que o foco não deve ser em "técnicas de manejo de pacientes", mas sim na congruência e na confiança na tendência atualizante (o potencial de crescimento intrínseco de cada ser humano).
Importante você validar a sua frustração, provavelmente, você está encontrando uma divergência entre o "terapeuta ideal" (que quer ver progresso rápido) e o "terapeuta real" (que se sente estagnado), mas o "terapeuta possível" é aquele que aceita os avanços não lineares do seu paciente.
Seja autênctico com esse sentimento em supervisão, em vez de reprimi-lo.
Redefina o Conceito de "Sucesso": Na ACP, o sucesso não é a remissão de sintomas em x sessões, mas a qualidade da presença. Se o terapeuta consegue manter a Aceitação Positiva Incondicional mesmo quando o paciente regride ou "testa" a relação, isso já é um avanço terapêutico imenso para alguém que sofreu invalidação traumática a vida toda.
Confie na Tendência Atualizante: cada pessoa tem seu próprio tempo de maturação. A frustração pode, por vezes, tornar-se uma pressão sutil (uma "condição de valor") que o paciente capta, sentindo que só será aceito se "melhorar". Isso pode travar o processo.
"Solte o remo" e foque na empatia profunda para aliviar o peso. Às vezes, o maior avanço é o paciente sentir que, pela primeira vez, alguém aguenta estar com ele em sua dor, sem pressa de que ela passe.
Como Rogers dizia, a relação é o que cura. Se o terapeuta estiver frustrado, ele não está plenamente presente. O trabalho de supervisão, então, é cuidar do terapeuta para que ele recupere a capacidade de ser uma base segura.
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O terapeuta também é humano e pode, em certos momentos, sentir frustração diante do ritmo do processo terapêutico. Na Abordagem Centrada na Pessoa, inspirada no pensamento de Carl Rogers, é importante lembrar que cada pessoa tem seu próprio tempo de amadurecimento.
Mais do que buscar resultados rápidos, o terapeuta procura manter uma presença autêntica, empática e respeitosa. A confiança no potencial de crescimento do cliente ajuda a recolocar a frustração em perspectiva, permitindo que o processo siga com paciência, abertura e profundo respeito pela experiência do outro.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Sentir frustração com os avanços no tratamento, especialmente no trabalho com Transtorno de Personalidade Borderline, é algo mais comum do que se costuma admitir. O processo terapêutico nesse contexto não costuma ser linear, e isso pode gerar a sensação de que “não está andando”, mesmo quando mudanças importantes estão acontecendo de forma mais sutil.

Um ponto importante é que o terapeuta consiga reconhecer essa frustração sem agir a partir dela. Quando ela não é percebida, pode levar a tentativas de acelerar o processo, mudar intervenções de forma precipitada ou até duvidar da própria condução clínica. Ao nomear internamente esse sentimento, o profissional cria espaço para refletir com mais clareza sobre o que está acontecendo de fato no tratamento.

Também é fundamental ajustar a forma como o progresso é avaliado. Em muitos casos, pequenas mudanças, como o paciente conseguir permanecer em sessão mesmo diante de desconforto, ou refletir sobre um comportamento em vez de agir impulsivamente, já representam avanços significativos. O risco está em buscar apenas mudanças mais visíveis e rápidas, desconsiderando esses movimentos mais discretos.

Outro aspecto relevante é o uso de supervisão clínica. Ter um espaço para discutir o caso permite ampliar a perspectiva, identificar pontos cegos e diferenciar o que faz parte do processo do paciente do que pode ser ajustado na condução terapêutica. Isso ajuda a reduzir a sensação de estar “preso” no tratamento.

Faz sentido se perguntar: o que você considera como avanço nesse tipo de caso? Existe alguma mudança que pode estar acontecendo, mas que ainda não está sendo reconhecida? O quanto a expectativa de progresso pode estar influenciando sua percepção do processo? E como você costuma lidar com essa frustração fora da sessão?

Com o tempo, aprender a sustentar essa frustração faz parte do próprio desenvolvimento clínico. Isso permite que o terapeuta mantenha uma postura mais estável e consistente, mesmo diante de um processo que exige paciência e continuidade.

Caso precise, estou à disposição.

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