Como o terapeuta pode lidar com os momentos em que o paciente com Transtorno de Personalidade Border

4 respostas
Como o terapeuta pode lidar com os momentos em que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tenta "enganar" ou manipular o terapeuta para testar os limites da relação terapêutica?
 Christiane Lacerda
Psicólogo
Dores de Campos
Ressignificar comportamentos desregulados, a dor do outro, e o que é fundamental, sempre estabelecer limites claros. Também é importante manter uma comunicação transparente, manter confrontação compassiva, sempre que for questionar, procurar ser o mais delicado possível. Focar na construção de um vínculo terapêutico gradual.

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No Transtorno de Personalidade Borderline, tentativas de “enganar” ou manipular costumam funcionar como testes do laço e formas de lidar com medo de abandono ou exposição, então a condução não é desmascarar nem entrar em jogo de poder, mas sustentar uma posição estável que leia a função desse movimento; o terapeuta pode pontuar incongruências de modo implicativo (“fico com a sensação de que algo aqui não pôde ser dito diretamente”), sem acusação, recolocando o foco na relação e no que se torna difícil de simbolizar; manter o enquadre e não ceder a exceções reforça limites sem transformar a cena em punição, enquanto evita-se ocupar o lugar de quem tudo sabe, para não interromper a implicação do paciente; assim, o “teste” deixa de ser obstáculo e passa a operar como material clínico, onde o essencial não é a veracidade factual, mas o que essa manobra revela sobre o modo de se relacionar com o Outro e de sustentar o vínculo.
Dr. Matheus Abade
Psicólogo
Belo Horizonte
O paciente nunca está enganando o terapeuta. Tudo que é dito é importante e escutado, fazendo parte do tratamento. Na psicanálise, não nos importa saber se algo é verdade ou mentira, mas dar valor ao que o paciente está dizendo.
Quando o paciente tenta “testar” ou manipular, muitas vezes está, na verdade, tentando entender se a relação é segura e estável. O terapeuta pode manter limites claros, sem entrar em jogos de poder, ajudando o paciente a refletir sobre esses comportamentos.

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