“Como os comportamentos de retaliação interpessoal (‘vingança’) no Transtorno de Personalidade Borde

“Como os comportamentos de retaliação interpessoal (‘vingança’) no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidos a partir de modelos cognitivo-comportamentais contemporâneos, considerando a interação entre esquemas desadaptativos, processamento de informação social, regulação emocional e padrões de resposta comportamental diante de experiências de rejeição ou ameaça interpessoal?”

5 respostas


Oi, é um prazer te ter por aqui. Modelos atuais explicam a retaliação no TPB pela ativação de esquemas desadaptativos ligados a abandono e desvalorização. Esses esquemas distorcem o processamento social, aumentando a percepção de ameaça. A dificuldade em regular emoções intensas favorece respostas impulsivas diante de rejeição, consolidando padrões de retaliação como estratégias aprendidas, porém disfuncionais. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo Fernandosegundo.com Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES Abraços

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Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta muito rica, porque permite compreender a chamada “vingança” no Transtorno de Personalidade Borderline de forma mais cuidadosa, sem reduzir o comportamento a maldade, manipulação ou falta de caráter. Em modelos cognitivo comportamentais contemporâneos, esses comportamentos podem ser entendidos como respostas emocionais e relacionais que surgem quando experiências de rejeição, frustração ou ameaça interpessoal ativam esquemas desadaptativos profundos. Esses esquemas podem envolver sentimentos antigos de abandono, desconfiança, defectividade, privação emocional ou vulnerabilidade à dor. Quando uma situação atual toca nesses pontos, o processamento da informação social pode ficar enviesado. Um silêncio, uma demora para responder, uma mudança de tom ou uma discordância podem ser interpretados como rejeição, desprezo ou ameaça ao vínculo. A partir disso, surgem pensamentos automáticos intensos, como “não sou importante”, “vão me abandonar”, “estão me atacando” ou “preciso reagir antes de ser ferido”. Nesse estado emocional, a regulação fica mais difícil. A raiva pode aparecer como uma camada protetora sobre emoções mais dolorosas, como medo, vergonha ou desamparo. Vale perguntar: o comportamento de retaliação surge para machucar o outro ou para tentar diminuir uma dor que parece insuportável naquele momento? Que ferida emocional foi tocada antes da reação? A pessoa está respondendo ao fato presente ou a uma história emocional que foi reativada por esse fato? Na prática clínica, o comportamento retaliatório costuma ser compreendido como parte de um ciclo: esquema ativado, interpretação ameaçadora, emoção intensa, impulso de defesa e resposta comportamental que pode gerar culpa, afastamento e novos conflitos. O trabalho terapêutico ajuda justamente a identificar esse ciclo com mais clareza, criando espaço para que a pessoa reconheça seus gatilhos, diferencie ameaça real de ameaça percebida e desenvolva formas mais seguras de expressar dor, raiva e necessidade de vínculo. Caso precise, estou à disposição.

Juliana  da Cruz Barros Neves

Juliana da Cruz Barros Neves

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Em modelos cognitivo comportamentais contemporâneos, os comportamentos de retaliação no TPB podem ser compreendidos como resultado da ativação de esquemas desadaptativos de abandono, desconfiança ou desvalor pessoal, que distorcem o processamento de informações sociais levando a interpretações rápidas e ameaçadoras de rejeição, o que intensifica a desregulação emocional e reduz a capacidade de escolha de respostas mais flexíveis, favorecendo ações impulsivas de “vingança” como tentativa imediata de aliviar dor psíquica e restaurar controle relacional; em diálogo com uma leitura psicanalítica, esse movimento também pode ser visto como uma repetição de experiências de vínculo marcadas por instabilidade afetiva, em que o ato substitui a elaboração simbólica do sofrimento, e esse tipo de dinâmica pode ser trabalhado clinicamente quando há espaço de escuta consistente para nomear afetos antes que se convertam em ação, então, se fizer sentido para você, posso te ajudar a aprofundar isso em um acompanhamento.

Anthony Souza

Anthony Souza

Psicólogo

Mogi Guaçu

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Na perspectiva cognitivo-comportamental, comportamentos de retaliação interpessoal no TPB podem ser compreendidos como respostas a interpretações de rejeição, abandono ou ameaça ao vínculo. Esquemas desadaptativos podem levar a pessoa a perceber determinadas situações como mais dolorosas ou ameaçadoras, aumentando a intensidade emocional e favorecendo respostas impulsivas como tentativa de proteção ou reparação da dor sentida. Pela psicanálise, buscamos compreender também o significado desses sentimentos e comportamentos na história singular do sujeito, considerando os conflitos internos, os vínculos e as formas encontradas para lidar com experiências de sofrimento. Minha agenda está aberta para conversarmos com cuidado e acolhimento.


Na perspectiva cognitivo-comportamental, a retaliação no TPB pode ser entendida como resultado da interação entre: - Esquemas desadaptativos: abandono, rejeição, desconfiança e desvalor. - Processamento social: tendência a interpretar ambiguidades como rejeição, ameaça ou injustiça. - Desregulação emocional: aumento rápido e intenso de raiva, medo e frustração. - Resposta comportamental: impulsividade, confronto ou retaliação como tentativa de reduzir a dor emocional ou recuperar controle. Assim, a “vingança” pode funcionar como uma resposta de curto prazo à ameaça percebida, mas tende a manter ou intensificar conflitos e dificuldades interpessoais.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.