Como os psicólogos podem abordar a relutância em buscar ajuda de pacientes com Transtorno de Persona

4 respostas
Como os psicólogos podem abordar a relutância em buscar ajuda de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Querido anônimo ou anônima,
a relutância em buscar ajuda em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline costuma estar profundamente ligada ao próprio sofrimento que atravessa essa experiência. Muitas vezes, há um medo intenso de se expor, de não ser compreendido, de ser julgado ou até de reviver dores antigas ao falar sobre si. Ao mesmo tempo, pode existir uma ambivalência: o desejo de ser cuidado e acolhido, junto com o medo de depender do outro ou de ser abandonado novamente.

Pelo viés da psicanálise, essa resistência não é vista como um obstáculo a ser forçado ou quebrado, mas como algo que precisa ser escutado. A relutância também comunica algo importante sobre a história daquele sujeito, sobre suas experiências anteriores com vínculos e sobre a forma como ele aprendeu a se proteger do sofrimento. Muitas vezes, o afastamento ou a recusa em buscar ajuda são formas de defesa diante de uma dor que ainda parece difícil de suportar.

O trabalho do psicólogo, nesse contexto, não é convencer ou pressionar, mas oferecer um espaço possível, onde o sujeito possa, no seu tempo, se aproximar dessa escuta. Isso envolve construir um ambiente seguro, previsível e sem julgamentos, onde pequenas aproximações já são reconhecidas como movimentos importantes. A forma como o profissional sustenta a escuta, respeita os limites e acolhe até mesmo a resistência pode, aos poucos, favorecer a construção de confiança.

A terapia pode ajudar muito nesse processo porque oferece uma experiência de relação diferente, onde o sujeito não precisa se defender o tempo todo. Com o tempo, é possível começar a colocar em palavras aquilo que antes aparecia apenas como angústia ou afastamento, compreendendo melhor seus medos, suas reações e suas necessidades. Esse caminho não é imediato, mas pode permitir que a pessoa se sinta menos sozinha diante do que vive e mais capaz de sustentar vínculos de forma menos dolorosa.

Espero ter te ajudado. Qualquer pergunta estou à disposição. Grande abraço!

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Psicólogos podem abordar a relutância em buscar ajuda em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline por meio de uma escuta acolhedora, validação do sofrimento, construção gradual de vínculo e manejo cuidadoso de resistências, evitando confrontos diretos e favorecendo um espaço seguro; na perspectiva psicanalítica, essa relutância pode ser entendida como expressão de angústias de dependência, medo de abandono ou repetição de experiências frustrantes, exigindo do clínico uma posição consistente que possibilite ao sujeito, pouco a pouco, investir no processo terapêutico.
A relutância em buscar ajuda geralmente está ligada ao medo de ser julgado, não compreendido ou até de entrar em contato com emoções difíceis. Por isso, uma postura acolhedora, sem pressa e sem imposição faz muita diferença. Quando o paciente se sente seguro, a tendência é que ele se abra mais para o cuidado.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe essa pergunta, ela toca em um ponto bem delicado do processo terapêutico.

A relutância em buscar ajuda no Transtorno de Personalidade Borderline geralmente não é falta de vontade de melhorar. Muitas vezes, é o contrário: a pessoa quer ajuda, mas teme profundamente o que pode encontrar no caminho. Existe um conflito interno importante entre o desejo de ser acolhido e o medo de ser julgado, rejeitado ou não compreendido. Do ponto de vista emocional, é como se se aproximar de ajuda também ativasse memórias ou expectativas de dor.

Por isso, o psicólogo precisa começar antes mesmo da técnica, construindo um espaço seguro, previsível e sem pressa. Em vez de confrontar diretamente a resistência, o trabalho é validar essa ambivalência: uma parte quer ajuda, outra parte quer se proteger. Quando isso é nomeado com cuidado, o paciente começa a se sentir visto, e não pressionado. E curiosamente, quando a pressão diminui, a abertura tende a aumentar.

Outro ponto importante é ajudar o paciente a entender que buscar ajuda não significa perder controle, e sim ganhar mais recursos internos. Muitas pessoas com esse padrão sentem que precisar de alguém é um sinal de fraqueza ou dependência, quando na prática o cérebro está tentando evitar novas experiências de frustração ou abandono. Trabalhar essa percepção aos poucos faz diferença.

Talvez valha uma reflexão: o que exatamente parece mais difícil na ideia de buscar ajuda? É o medo de não ser compreendido, de se expor, de depender, ou de se frustrar de novo? E, ao mesmo tempo, o que dentro de você ainda considera que procurar ajuda pode fazer sentido?

Esse tipo de movimento costuma precisar de tempo e de uma relação terapêutica bem construída para se transformar. Quando a pessoa percebe que pode se aproximar sem perder a própria autonomia, algo começa a se reorganizar internamente. Caso precise, estou à disposição.

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