Como os psicólogos podem lidar com a dissociação em pacientes com Transtorno de Personalidade Border

4 respostas
Como os psicólogos podem lidar com a dissociação em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Rute Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
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Psicólogos podem lidar com a dissociação em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline por meio de intervenções de ancoragem no presente, nomeação de afetos, estabilização do setting e manutenção de uma presença consistente, evitando interpretações profundas durante a crise e priorizando a regulação; na perspectiva psicanalítica, a dissociação pode ser compreendida como defesa frente a angústias excessivas, exigindo um manejo que fortaleça gradualmente a capacidade de simbolização e integração das experiências psíquicas.
A dissociação costuma aparecer como uma forma de proteção diante de emoções muito intensas. Nesses momentos, é importante ajudar o paciente a se reconectar com o presente, com o corpo e com o ambiente, de forma gradual e segura, sem forçar.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline costuma aparecer como uma espécie de “desligamento” em momentos de estresse intenso. A pessoa pode sentir como se estivesse distante de si mesma, do ambiente, ou até como se tudo estivesse meio irreal. Do ponto de vista do cérebro, isso muitas vezes é um mecanismo de proteção, como se o sistema emocional ficasse sobrecarregado e precisasse reduzir a intensidade da experiência para evitar um colapso maior.

O primeiro passo no trabalho do psicólogo é ajudar o paciente a reconhecer quando esse estado começa a surgir. Muitas vezes ele aparece de forma sutil, com sensação de vazio, confusão ou desconexão. Ao identificar esses sinais precoces, a pessoa começa a ganhar mais previsibilidade sobre o próprio funcionamento, o que já reduz um pouco a sensação de perda de controle.

A partir daí, o foco costuma ser trazer a pessoa de volta para o momento presente, com estratégias que envolvem o corpo, os sentidos e o ambiente. Isso ajuda o cérebro a “reancorar” na realidade atual. Mas é importante dizer que não se trata apenas de controlar o sintoma. Aos poucos, também se investiga o que estava acontecendo emocionalmente antes da dissociação, porque geralmente existe uma emoção muito intensa ou difícil de sustentar ali.

Talvez você possa observar: em quais situações você sente que se desconecta mais? Existe algum padrão, como conflitos, críticas ou sensação de rejeição? E quando você começa a voltar desse estado, o que você percebe primeiro - o corpo, o ambiente, ou os pensamentos?

Esse tipo de experiência pode ser bastante angustiante, mas também é possível trabalhar com ela de forma gradual e segura dentro da terapia. Quando o paciente começa a entender o próprio funcionamento e desenvolver formas de se regular, a dissociação tende a diminuir em frequência e intensidade. Caso precise, estou à disposição.

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