De que forma o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica?

2 respostas
De que forma o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica?
Dr. Klyus Vieira
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Olá!
Pergunta bem interessante. Analisarei a influência do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) na memória autobiográfica pela lente da psicologia analítica de Jung, proposta teórica que eu trabalho, com o intuito de oferecer uma perspectiva rica e profunda.
A memória autobiográfica não é um arquivo neutro de fatos, acumulativo em si, mas uma narrativa dinâmica tecida pela psique, com as suas interpretações da realidade e vivências adquiridas. O TOC, nesta visão, não é apenas um distúrbio de ansiedade, mas uma expressão profunda de um desequilíbrio psíquico, que impacta diretamente essa constituição.
O indivíduo com TOC frequentemente experimenta uma inflação do ego, em que este deveria ser o centro da consciência, mas, o problema é causado por uma expansão, uma forma desproporcional e tenta controlar o incontrolável (pensamentos, impulsos, o mundo externo). 
Ele se hiper-identifica com uma Persona rígida e perfeccionista, mais vista como uma pessoa super organizada, a "pessoa super segura". Essa inflação distorce a memória autobiográfica, cujo o foco narrativo recai quase exclusivamente sobre eventos que ameaçam ou reforçam essa Persona rígida. Lembranças de fracassos, ter feito algo "sujo", de dúvidas ou de imperfeições tornam-se complexos autônomos altamente carregados, dominando o panorama da memória. A história de vida se reduz a uma crônica de contaminações diversas, como verificações e rituais, apagando memórias de espontaneidade, alegria e conexão autêntica que não se encaixam nessa Persona.
Outra ação do TOC que leva um impacto direto na memória autobiográfica é no confronto contra a Sombra, numa distorção e limitação dos conteúdos reprimidos e com o não conseguir revisitar o passado de forma integrada. Qualquer memória que contenha um resquício desses conteúdos proibidos é imediatamente rejeitada, ruminada ou neutralizada por uma compulsão mental, em que não se consegue integrar a Sombra para se tornar um todo.
A pessoa tenta deletá-la de sua história, criando uma autobiografia "esterilizada" e fragmentada, onde grandes partes da experiência humana genuína são perdidas. A memória, portanto, não amadurece. Ela permanece um conjunto de fatos traumáticos e ameaçadores não digeridos, imobilizada, em vez de se tornar a base para a sabedoria e o autoconhecimento.
O que fazer? Analisa se os conteúdos históricos reprimidos, numa intervenção analítica,  a natureza de suas ocorrências, os quais carecem de significados, de reposicionamento dentro das vivências do indivíduo para, então, poder integrá-los nas vivências numa forma sadia e evolutiva. Qualquer dúvida, interesses num processo analítico, entre em contato comigo via site do Doctoralia.
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O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica principalmente de forma indireta, por meio de alterações na atenção, na interpretação das experiências e na carga emocional associada às lembranças.

Sendo assim, pessoas com TOC tendem a ter uma maior facilidade para lembrar de episódios associados a eventos onde ocorreram erro, culpa, perigo ou responsabilidade. Dessa maneira, a ideia de que alguma coisa saiu errada ou diferente do esperado é intensificada. Assim, uma narrativa centrada no fracasso pessoal, em falhas morais ou no medo são favorecidas.

Outro ponto essencial no TOC é a desconfiança constante em relação a propria memória. Nesse viés, o sujeito dúvida de si mesmo, se perguntando se suas lembrancas de fato aconteceram , o que prejudica a construção de uma narrativa pessoal estável e confiável.

Somado ao que foi dito, a memória autobiografica da pessoa com TOC pode ficar pobre em lembranças positivas. Isso contribui para que uma identidade baseada no medo e na vigilancia se instaure no sujeito.

A cada momento em que um evento é revivido na cabeça do sujeito, ele pode ser reconstruido de forma mais negativa e ameaçadora do que de fato aconteceu. Especialmente quando é revivido de com ansiedade e culpa.

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