De que forma o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica?
2
respostas
De que forma o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica?
Olá!
Pergunta bem interessante. Analisarei a influência do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) na memória autobiográfica pela lente da psicologia analítica de Jung, proposta teórica que eu trabalho, com o intuito de oferecer uma perspectiva rica e profunda.
A memória autobiográfica não é um arquivo neutro de fatos, acumulativo em si, mas uma narrativa dinâmica tecida pela psique, com as suas interpretações da realidade e vivências adquiridas. O TOC, nesta visão, não é apenas um distúrbio de ansiedade, mas uma expressão profunda de um desequilíbrio psíquico, que impacta diretamente essa constituição.
O indivíduo com TOC frequentemente experimenta uma inflação do ego, em que este deveria ser o centro da consciência, mas, o problema é causado por uma expansão, uma forma desproporcional e tenta controlar o incontrolável (pensamentos, impulsos, o mundo externo).
Ele se hiper-identifica com uma Persona rígida e perfeccionista, mais vista como uma pessoa super organizada, a "pessoa super segura". Essa inflação distorce a memória autobiográfica, cujo o foco narrativo recai quase exclusivamente sobre eventos que ameaçam ou reforçam essa Persona rígida. Lembranças de fracassos, ter feito algo "sujo", de dúvidas ou de imperfeições tornam-se complexos autônomos altamente carregados, dominando o panorama da memória. A história de vida se reduz a uma crônica de contaminações diversas, como verificações e rituais, apagando memórias de espontaneidade, alegria e conexão autêntica que não se encaixam nessa Persona.
Outra ação do TOC que leva um impacto direto na memória autobiográfica é no confronto contra a Sombra, numa distorção e limitação dos conteúdos reprimidos e com o não conseguir revisitar o passado de forma integrada. Qualquer memória que contenha um resquício desses conteúdos proibidos é imediatamente rejeitada, ruminada ou neutralizada por uma compulsão mental, em que não se consegue integrar a Sombra para se tornar um todo.
A pessoa tenta deletá-la de sua história, criando uma autobiografia "esterilizada" e fragmentada, onde grandes partes da experiência humana genuína são perdidas. A memória, portanto, não amadurece. Ela permanece um conjunto de fatos traumáticos e ameaçadores não digeridos, imobilizada, em vez de se tornar a base para a sabedoria e o autoconhecimento.
O que fazer? Analisa se os conteúdos históricos reprimidos, numa intervenção analítica, a natureza de suas ocorrências, os quais carecem de significados, de reposicionamento dentro das vivências do indivíduo para, então, poder integrá-los nas vivências numa forma sadia e evolutiva. Qualquer dúvida, interesses num processo analítico, entre em contato comigo via site do Doctoralia.
Cuide se e até logo!
Pergunta bem interessante. Analisarei a influência do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) na memória autobiográfica pela lente da psicologia analítica de Jung, proposta teórica que eu trabalho, com o intuito de oferecer uma perspectiva rica e profunda.
A memória autobiográfica não é um arquivo neutro de fatos, acumulativo em si, mas uma narrativa dinâmica tecida pela psique, com as suas interpretações da realidade e vivências adquiridas. O TOC, nesta visão, não é apenas um distúrbio de ansiedade, mas uma expressão profunda de um desequilíbrio psíquico, que impacta diretamente essa constituição.
O indivíduo com TOC frequentemente experimenta uma inflação do ego, em que este deveria ser o centro da consciência, mas, o problema é causado por uma expansão, uma forma desproporcional e tenta controlar o incontrolável (pensamentos, impulsos, o mundo externo).
Ele se hiper-identifica com uma Persona rígida e perfeccionista, mais vista como uma pessoa super organizada, a "pessoa super segura". Essa inflação distorce a memória autobiográfica, cujo o foco narrativo recai quase exclusivamente sobre eventos que ameaçam ou reforçam essa Persona rígida. Lembranças de fracassos, ter feito algo "sujo", de dúvidas ou de imperfeições tornam-se complexos autônomos altamente carregados, dominando o panorama da memória. A história de vida se reduz a uma crônica de contaminações diversas, como verificações e rituais, apagando memórias de espontaneidade, alegria e conexão autêntica que não se encaixam nessa Persona.
Outra ação do TOC que leva um impacto direto na memória autobiográfica é no confronto contra a Sombra, numa distorção e limitação dos conteúdos reprimidos e com o não conseguir revisitar o passado de forma integrada. Qualquer memória que contenha um resquício desses conteúdos proibidos é imediatamente rejeitada, ruminada ou neutralizada por uma compulsão mental, em que não se consegue integrar a Sombra para se tornar um todo.
A pessoa tenta deletá-la de sua história, criando uma autobiografia "esterilizada" e fragmentada, onde grandes partes da experiência humana genuína são perdidas. A memória, portanto, não amadurece. Ela permanece um conjunto de fatos traumáticos e ameaçadores não digeridos, imobilizada, em vez de se tornar a base para a sabedoria e o autoconhecimento.
O que fazer? Analisa se os conteúdos históricos reprimidos, numa intervenção analítica, a natureza de suas ocorrências, os quais carecem de significados, de reposicionamento dentro das vivências do indivíduo para, então, poder integrá-los nas vivências numa forma sadia e evolutiva. Qualquer dúvida, interesses num processo analítico, entre em contato comigo via site do Doctoralia.
Cuide se e até logo!
Tire todas as dúvidas durante a consulta online
Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.
Mostrar especialistas Como funciona?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode influenciar a memória autobiográfica principalmente de forma indireta, por meio de alterações na atenção, na interpretação das experiências e na carga emocional associada às lembranças.
Sendo assim, pessoas com TOC tendem a ter uma maior facilidade para lembrar de episódios associados a eventos onde ocorreram erro, culpa, perigo ou responsabilidade. Dessa maneira, a ideia de que alguma coisa saiu errada ou diferente do esperado é intensificada. Assim, uma narrativa centrada no fracasso pessoal, em falhas morais ou no medo são favorecidas.
Outro ponto essencial no TOC é a desconfiança constante em relação a propria memória. Nesse viés, o sujeito dúvida de si mesmo, se perguntando se suas lembrancas de fato aconteceram , o que prejudica a construção de uma narrativa pessoal estável e confiável.
Somado ao que foi dito, a memória autobiografica da pessoa com TOC pode ficar pobre em lembranças positivas. Isso contribui para que uma identidade baseada no medo e na vigilancia se instaure no sujeito.
A cada momento em que um evento é revivido na cabeça do sujeito, ele pode ser reconstruido de forma mais negativa e ameaçadora do que de fato aconteceu. Especialmente quando é revivido de com ansiedade e culpa.
Sendo assim, pessoas com TOC tendem a ter uma maior facilidade para lembrar de episódios associados a eventos onde ocorreram erro, culpa, perigo ou responsabilidade. Dessa maneira, a ideia de que alguma coisa saiu errada ou diferente do esperado é intensificada. Assim, uma narrativa centrada no fracasso pessoal, em falhas morais ou no medo são favorecidas.
Outro ponto essencial no TOC é a desconfiança constante em relação a propria memória. Nesse viés, o sujeito dúvida de si mesmo, se perguntando se suas lembrancas de fato aconteceram , o que prejudica a construção de uma narrativa pessoal estável e confiável.
Somado ao que foi dito, a memória autobiografica da pessoa com TOC pode ficar pobre em lembranças positivas. Isso contribui para que uma identidade baseada no medo e na vigilancia se instaure no sujeito.
A cada momento em que um evento é revivido na cabeça do sujeito, ele pode ser reconstruido de forma mais negativa e ameaçadora do que de fato aconteceu. Especialmente quando é revivido de com ansiedade e culpa.
Especialistas
Perguntas relacionadas
- Como minha família pode ajudar com meu Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial?
- Qual é o objetivo é interromper o ciclo de obsessão e compulsão no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial ?
- Qual é o Papel da Análise Existencial no transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial ?
- A Terapia de Prevenção de Exposição e Resposta (ERP) pode ser combinada com outras terapias?
- Como a Terapia de Prevenção de Exposição e Resposta (ERP) é estruturada?
- A Terapia de Prevenção de Exposição e Resposta (ERP) é o tratamento principal para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- O que devemos fazer quando a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) recusa o tratamento psicológico e medico ?
- Por que a ‘acomodação familiar’ é um problema no tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- Quais estratégias práticas podem ser aplicadas para apoiar familiares de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- Como a dinâmica familiar impacta a recuperação de uma pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Você quer enviar sua pergunta?
Nossos especialistas responderam a 1295 perguntas sobre Transtorno Obsesivo Compulsivo (TOC)
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.