Dependência terapêutica pode se disfarçar de “confiança”?
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Dependência terapêutica pode se disfarçar de “confiança”?
Sim, pode. Às vezes parece confiança, mas vem com medo de perder o outro, necessidade constante de validação e dificuldade de decidir sozinho. A confiança real inclui autonomia, não exclusividade.
Na terapia, diferenciamos isso com limites e fortalecimento interno. Sou psicólogo especialista em TDAH. Se quiser, te acompanho
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A confiança, no processo terapêutico, é condição de possibilidade, é o que permite que o paciente se exponha, se escute e se implique na própria experiência. Mas ela pode começar a se deslocar quando o outro (terapeuta) passa a ocupar um lugar de referência privilegiada de sentido, como se soubesse mais sobre a vida do paciente do que ele próprio.
Mesmo que o trabalho do psicólogo não seja o de dizer o que o outro deve fazer, a dependência pode aparecer de formas mais sutis, por exemplo quando o paciente sente que só consegue se compreender dentro da sessão ou quando há uma dificuldade crescente de se posicionar sem essa mediação.
Ao mesmo tempo, o trabalho da terapia se orienta justamente para a autonomia, no sentido de favorecer que o sujeito se aproprie da sua experiência e se coloque diante de si. Nesse caminho, o terapeuta não é um guia que conduz, mas alguém que sustenta um espaço onde algo pode aparecer.
Por isso, quando a relação começa a se organizar de forma mais hierárquica ou quando o terapeuta é colocado (ou se coloca) nesse lugar de saber, isso não é algo a ser evitado “fora” da terapia, mas algo que precisa entrar como tema da própria terapia.
A chamada “dependência”, nesse sentido, não é apenas um problema a ser eliminado, mas um fenômeno relacional que pode revelar modos de se vincular, expectativas sobre o outro, dificuldades em sustentar a própria liberdade ou mesmo o peso que é se responsabilizar por si.
E é justamente ao poder olhar para isso junto, nomear, questionar e compreender como isso se dá na relação, que o processo terapêutico pode retomar sua direção, não a de substituir o sujeito, mas a de devolvê-lo a si mesmo. Então, o importante é como o terapeuta se mantém atento à forma como é colocado na relação e ao que faz com isso.
Mesmo que o trabalho do psicólogo não seja o de dizer o que o outro deve fazer, a dependência pode aparecer de formas mais sutis, por exemplo quando o paciente sente que só consegue se compreender dentro da sessão ou quando há uma dificuldade crescente de se posicionar sem essa mediação.
Ao mesmo tempo, o trabalho da terapia se orienta justamente para a autonomia, no sentido de favorecer que o sujeito se aproprie da sua experiência e se coloque diante de si. Nesse caminho, o terapeuta não é um guia que conduz, mas alguém que sustenta um espaço onde algo pode aparecer.
Por isso, quando a relação começa a se organizar de forma mais hierárquica ou quando o terapeuta é colocado (ou se coloca) nesse lugar de saber, isso não é algo a ser evitado “fora” da terapia, mas algo que precisa entrar como tema da própria terapia.
A chamada “dependência”, nesse sentido, não é apenas um problema a ser eliminado, mas um fenômeno relacional que pode revelar modos de se vincular, expectativas sobre o outro, dificuldades em sustentar a própria liberdade ou mesmo o peso que é se responsabilizar por si.
E é justamente ao poder olhar para isso junto, nomear, questionar e compreender como isso se dá na relação, que o processo terapêutico pode retomar sua direção, não a de substituir o sujeito, mas a de devolvê-lo a si mesmo. Então, o importante é como o terapeuta se mantém atento à forma como é colocado na relação e ao que faz com isso.
Pode sim se confundir, e por isso é importante ter cuidado. A confiança no vínculo terapêutico é saudável e necessária, ela permite que o paciente se abra, se sinta seguro e se engaje no processo, mas quando essa confiança começa a vir acompanhada de uma necessidade constante de validação, dificuldade de tomar decisões sem o terapeuta ou sensação de não conseguir lidar com a própria vida sem esse apoio, pode ser um sinal de dependência. A diferença está justamente no nível de autonomia: a confiança fortalece o paciente, enquanto a dependência tende a limitar, então observar como essa relação está se construindo ao longo do tempo é fundamental.
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