É possível praticar mindfulness durante uma crise do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

3 respostas
É possível praticar mindfulness durante uma crise do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Sim, é possível praticar mindfulness durante uma crise do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), mas a prática deve ser adaptada e guiada, pois as emoções podem estar muito intensas. Nessas situações, o foco principal é ancorar a atenção no momento presente de forma segura, utilizando técnicas simples, como a respiração consciente ou a observação de sensações corporais básicas, para reduzir a reatividade emocional.
Também é útil aplicar habilidades de tolerância à angústia e estratégias de autoacolhimento, reconhecendo os sentimentos sem julgamento e sem agir impulsivamente. Em crises mais intensas, é recomendado buscar apoio profissional ou de uma rede de confiança, garantindo que a prática de mindfulness seja feita de forma segura. Integrada a programas estruturados, como a Terapia Comportamental Dialética (TCD), a atenção plena durante crises pode ajudar a pessoa com TPB a recuperar o equilíbrio emocional, aumentar o autocontrole e reduzir comportamentos autodestrutivos.

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Sim, é possível praticar mindfulness durante uma crise de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), mas com algumas adaptações e cautelas com a ajuda de um profissional de psicologia.
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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito pertinente. Em alguns momentos, sim, é possível utilizar mindfulness durante uma crise emocional associada ao Transtorno de Personalidade Borderline, mas é importante entender que nem sempre essa é a primeira estratégia indicada quando a intensidade emocional está muito alta. Quando a emoção ultrapassa certo nível, o cérebro tende a entrar em um estado de sobrevivência, no qual a capacidade de reflexão e observação diminui bastante.

Nessas situações, algumas abordagens terapêuticas costumam priorizar primeiro a estabilização emocional, e só depois a observação consciente da experiência interna. A atenção plena pode ajudar a reconhecer o que está acontecendo naquele momento, notar a respiração, as sensações do corpo ou os pensamentos que estão surgindo, criando um pequeno espaço entre a emoção e a reação impulsiva. Porém, quando a crise já está muito intensa, às vezes o caminho inicial envolve reduzir a ativação emocional antes de tentar observar o que está acontecendo.

Do ponto de vista da neurociência, emoções muito intensas ativam sistemas cerebrais ligados à ameaça e à urgência de ação. O mindfulness pode ajudar a reequilibrar esse estado ao trazer a atenção para o presente e para o corpo, mas isso costuma funcionar melhor quando a pessoa já treinou essa habilidade previamente em momentos de menor intensidade emocional.

Talvez valha refletir um pouco sobre a sua própria experiência. Quando uma crise começa, você percebe sinais iniciais no corpo ou nas emoções que indicam que algo está aumentando? Existe algum momento anterior à crise em que você ainda consegue fazer uma pequena pausa e observar o que está acontecendo? E quando tenta prestar atenção na respiração ou nas sensações físicas, isso ajuda a reduzir um pouco a intensidade ou parece aumentar o desconforto?

Essas observações costumam ser muito úteis no trabalho terapêutico, porque ajudam a entender em que momento determinadas estratégias funcionam melhor. O mindfulness pode ser uma ferramenta importante para lidar com emoções intensas, mas geralmente faz mais sentido quando aprendido e treinado dentro de um acompanhamento psicológico estruturado. Caso precise, estou à disposição.

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