Existe “dissimulação defensiva” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”
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Existe “dissimulação defensiva” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”
Sim, no Transtorno de Personalidade Borderline pode ocorrer uma “dissimulação defensiva”, que não se configura como uma manipulação intencional, mas como uma tentativa psíquica de proteger-se de emoções intensas, vergonha ou medo de abandono, levando a pessoa a ocultar, distorcer ou minimizar o que sente, o que reforça a importância do acompanhamento profissional para que essas defesas sejam compreendidas e transformadas em formas mais seguras e autênticas de expressão.
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Essa ideia de “dissimulação defensiva” pode até fazer sentido em alguns contextos, mas é importante tomar cuidado com o rótulo. No Transtorno de Personalidade Borderline, o que muitas vezes aparece como dissimulação não costuma ser uma estratégia fria ou calculada, e sim uma tentativa de proteção emocional diante de um medo muito intenso, geralmente ligado a abandono, rejeição ou invalidação.
Em determinados momentos, a pessoa pode ajustar o que fala, esconder o que sente ou até apresentar versões diferentes de si mesma dependendo do contexto. De fora, isso pode parecer incoerente ou até manipulativo, mas por dentro, muitas vezes, é como se o sistema emocional estivesse tentando evitar uma dor que parece grande demais para ser suportada. O cérebro entra em modo de proteção, priorizando a preservação do vínculo ou da própria integridade emocional.
Isso levanta uma reflexão interessante: quando esse tipo de comportamento aparece, o que está em risco naquela situação? É o medo de perder alguém, de ser criticado, de não ser aceito? E até que ponto a pessoa sente que pode ser autêntica sem pagar um preço emocional alto por isso? Essas perguntas ajudam a sair do julgamento e entrar na compreensão do funcionamento interno.
Também vale dizer que nem todo comportamento de adaptação ou ocultação é exclusivo do TPB. Todos nós, em algum nível, ajustamos nossa forma de nos expressar dependendo do ambiente. A diferença, aqui, está na intensidade, na instabilidade e na carga emocional envolvida nesse processo.
Na terapia, o trabalho costuma caminhar para fortalecer a consciência emocional, ampliar a tolerância ao desconforto e construir formas mais seguras de se expressar, sem precisar recorrer tanto a essas estratégias de proteção. Com o tempo, isso tende a reduzir bastante a necessidade desse tipo de funcionamento.
Caso precise, estou à disposição.
Essa ideia de “dissimulação defensiva” pode até fazer sentido em alguns contextos, mas é importante tomar cuidado com o rótulo. No Transtorno de Personalidade Borderline, o que muitas vezes aparece como dissimulação não costuma ser uma estratégia fria ou calculada, e sim uma tentativa de proteção emocional diante de um medo muito intenso, geralmente ligado a abandono, rejeição ou invalidação.
Em determinados momentos, a pessoa pode ajustar o que fala, esconder o que sente ou até apresentar versões diferentes de si mesma dependendo do contexto. De fora, isso pode parecer incoerente ou até manipulativo, mas por dentro, muitas vezes, é como se o sistema emocional estivesse tentando evitar uma dor que parece grande demais para ser suportada. O cérebro entra em modo de proteção, priorizando a preservação do vínculo ou da própria integridade emocional.
Isso levanta uma reflexão interessante: quando esse tipo de comportamento aparece, o que está em risco naquela situação? É o medo de perder alguém, de ser criticado, de não ser aceito? E até que ponto a pessoa sente que pode ser autêntica sem pagar um preço emocional alto por isso? Essas perguntas ajudam a sair do julgamento e entrar na compreensão do funcionamento interno.
Também vale dizer que nem todo comportamento de adaptação ou ocultação é exclusivo do TPB. Todos nós, em algum nível, ajustamos nossa forma de nos expressar dependendo do ambiente. A diferença, aqui, está na intensidade, na instabilidade e na carga emocional envolvida nesse processo.
Na terapia, o trabalho costuma caminhar para fortalecer a consciência emocional, ampliar a tolerância ao desconforto e construir formas mais seguras de se expressar, sem precisar recorrer tanto a essas estratégias de proteção. Com o tempo, isso tende a reduzir bastante a necessidade desse tipo de funcionamento.
Caso precise, estou à disposição.
Sim, pode haver o que se descreve como dissimulação defensiva no Transtorno de Personalidade Borderline, mas essa formulação exige cuidado técnico para não escorregar para uma leitura moralizante ou imprecisa. Não se trata, em geral, de uma dissimulação estruturada, deliberada e estável como se observa em organizações mais marcadas por traços antissociais ou narcísicos, nas quais há maior planejamento e instrumentalização do outro. No TPB, quando algo se apresenta como “dissimulação”, costuma estar muito mais vinculado a oscilações afetivas intensas, medo de abandono e fragilidade na integração do self do que a uma intenção consciente de enganar.
Do ponto de vista psicodinâmico, o que pode parecer dissimulação frequentemente é efeito de mecanismos como cisão, identificação projetiva e idealização desvalorização, associados a uma capacidade flutuante de mentalização. Em determinados estados, o sujeito pode apresentar uma versão de si mais adaptada, organizada ou até complacente, como forma de preservar o vínculo ou evitar rejeição. Em outro momento, sob ativação emocional, essa mesma pessoa pode expressar afetos opostos com igual intensidade, sem que haja continuidade narrativa clara entre esses estados. Para o observador externo, isso pode ser lido como fingimento ou manipulação, mas clinicamente é mais adequado compreender como mudanças reais na experiência subjetiva, dependentes do estado emocional.
Há, sim, situações em que o paciente pode omitir, distorcer ou ajustar sua comunicação, especialmente quando se sente ameaçado, envergonhado ou com medo de perder o outro. Ainda assim, isso tende a operar mais como defesa do que como estratégia consciente e consistente de engano. A noção de dissimulação defensiva, portanto, só é útil se for entendida como um recurso psíquico de proteção frente à angústia, e não como traço de caráter fixo.
Uma leitura crítica importante é que rotular esses movimentos como “dissimulação” pode empobrecer a compreensão clínica e comprometer a aliança terapêutica, pois desloca o foco da dinâmica interna para um julgamento comportamental. É mais produtivo investigar em que condições psíquicas e relacionais essas mudanças ocorrem, que afetos estão em jogo e quais ameaças subjetivas estão sendo evitadas. O trabalho terapêutico, nesse sentido, visa ampliar a capacidade de reconhecer esses estados, integrar experiências e sustentar maior continuidade do self, reduzindo a necessidade de recorrer a essas formas defensivas.
Do ponto de vista psicodinâmico, o que pode parecer dissimulação frequentemente é efeito de mecanismos como cisão, identificação projetiva e idealização desvalorização, associados a uma capacidade flutuante de mentalização. Em determinados estados, o sujeito pode apresentar uma versão de si mais adaptada, organizada ou até complacente, como forma de preservar o vínculo ou evitar rejeição. Em outro momento, sob ativação emocional, essa mesma pessoa pode expressar afetos opostos com igual intensidade, sem que haja continuidade narrativa clara entre esses estados. Para o observador externo, isso pode ser lido como fingimento ou manipulação, mas clinicamente é mais adequado compreender como mudanças reais na experiência subjetiva, dependentes do estado emocional.
Há, sim, situações em que o paciente pode omitir, distorcer ou ajustar sua comunicação, especialmente quando se sente ameaçado, envergonhado ou com medo de perder o outro. Ainda assim, isso tende a operar mais como defesa do que como estratégia consciente e consistente de engano. A noção de dissimulação defensiva, portanto, só é útil se for entendida como um recurso psíquico de proteção frente à angústia, e não como traço de caráter fixo.
Uma leitura crítica importante é que rotular esses movimentos como “dissimulação” pode empobrecer a compreensão clínica e comprometer a aliança terapêutica, pois desloca o foco da dinâmica interna para um julgamento comportamental. É mais produtivo investigar em que condições psíquicas e relacionais essas mudanças ocorrem, que afetos estão em jogo e quais ameaças subjetivas estão sendo evitadas. O trabalho terapêutico, nesse sentido, visa ampliar a capacidade de reconhecer esses estados, integrar experiências e sustentar maior continuidade do self, reduzindo a necessidade de recorrer a essas formas defensivas.
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