É possível ter complexo de Édipo na adolescência, por volta dos 15, 16 anos?

31 respostas
É possível ter complexo de Édipo na adolescência, por volta dos 15, 16 anos?
 Raquel Schmidt Ferraz
Psicólogo, Psicanalista
Santo André, SP
Sim, é possível que ele não tenha sido superado. Na adolescência podemos trazer questões não bem elaboradas da infância, além dos conflitos que são próprios da idade que ocorrem devido às mudanças biológicas do corpo e do comportamento. A análise te possibilita a ter uma compreensão mais profunda sobre você mesmo, te libertando daquilo que não te faz bem.

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O que costumamos chamar de complexo de Édipo na psicanálise corresponde à base do desenvolvimento psíquico do sujeito. Diz respeito tanto à escolha objetal (que é inconsciente) - homem ou mulher - quanto ao modo pelo qual cada um elabora a separação de um modelo, que em última instância é familiar. De modo geral, o menino precisa abdicar da mãe para poder encontrar o amor em outra mulher. Mas a imagem que ele tem de sua mãe enquanto mulher e esposa acaba guiando sua eleição de uma parceira. Nesse processo pode ser que ele eleja um objeto masculino e aí o modelo principal será o masculino. Bom, toda análise se baseia nessa questão justamente por ser estrutural. Então, o tempo todo o Édipo está em questão. Talvez o sentido que você esteja dando ao termo seja outro... em todo caso, se você estiver sofrendo, busque um auxílio terapêutico.
Dr. Marcelo Bernstein
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
O complexo de Edipo não tem uma idade precisa para estar completamente elaborado pelo mecanismo psíquico humano e acontece nessa faixa que compreende a adolescência, que já é uma etapa bastante complicada pelas dificuldades e contradições perpétuas próprias desta fase. No caso de estar experimentando sofrimento sempre pode ser interessante procurar suporte psicoterapeutico, em especial, de um psicanalista, que é o profissional acostumado a lidar com esta fase.
Dra. Fernanda Barbosa
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Todo sujeito, com base nas experiências infantis, vividas com os pais, faz referência ao complexo de Édipo. Mas, em geral, isto não acontece na adolescência e sim na infância. O Édipo dá o enquadramento do parceiro a criança, afinal, é a relação com o Outro fundamental que singulariza. Como nos lembra Freud, a sexualidade é universal para todo ser humano, e, portanto, até a criança é um ser sexuado (e, tendo a criança a mãe como maior e primeira referência), ela será também seu primeiro objeto de investimento sexual. Então, a fase da adolescência, é uma fase outra, diferente. Nesta, o que esta em jogo é um trabalho de elaboração, pois, ao chegar a puberdade, o adolescente já não crê mais nos pais como quando era pequeno. Assim, o adolescente é convidado, tanto pelo meio que o cerca quanto pelas próprias determinações inconscientes, pulsionais e identificatórias, a tomar uma posição na partilha dos sexos. Isto é, a sexualidade do sujeito se inscreve, desde sempre, no Édipo, que funda sua relação com o desejo. Em outras palavras, a adolescência é um processo de elaboração e ruptura com os pais. Neste sentido, me pergunto se seria esta a sua questão, no sentido de elucidar que talvez esteja se dando conta, (neste processo de elaboração), o quanto ainda esta ligado aos seus pais. Lembrando que, cada sujeito tem um tempo específico (e singular, claro), para viver todo esse processo. E, muitas vezes, isto pode estar acompanhado de angústia, o que também é muito natural. Neste sentido, poder falar sobre isso, num processo de terapia, pode ajudar. Principalmente, pelo fato de acorrerem tantas mudanças, inclusive, corporais.
 Weslley Sá Farias
Psicólogo, Psicanalista
Aracaju
A colocação da colega Daniela Bueno sobre o Édito foi perfeita. Eu acrescentaria uma humilde contribuição, no sentido de que, o Édipo é um complexo estrutural do ser humano (inclusive, um movimento reacionário tentou pôr abaixo a teoria do complexo de Édipo, mas esbarrou na antropologia, quando Lévi-Strauss descobriu que o horror ao incesto, elemento psíquico resultante do complexo de Édipo, é a única característica presente em todas as culturas). Ou seja, todos nós passamos pelo complexo de Édipo, que, normalmente, se fecha por volta dos cinco anos de idade no inconsciente e voltará a emitir suas marcas quando o sujeito terminar o período de latência e voltar à vida amorosa seguindo a forma muito bem explicada pela Daniela. Porém, a forma como a pessoa fechou (se fechou) o complexo de Édipo, determina o tipo de estrutura dela e suas POSSIBILIDADES de adoecimento psíquico, de acordo com a situação que ela esteja vivenciando, podendo a situação presente forçar a ruptura de um ponto frágil do complexo de Édipo.
Espero ter contribuído para esclarecer um pouco mais a questão e fico à disposição para tirar outras dúvidas.
Grande abraço!
 Cassio V.S.Bomfim
Psicanalista
São Paulo
...sim, sem uma 'resolução' do complexo na primeira infância, há um retorno do Édipo e uma nova possibilidade de supera-lo.
 Cleide Marchiotti
Psicólogo, Psicanalista
Maringá
Ola! Na realidade o complexo de édipo nos acompanha a vida toda, mas quando elaborado lidamos com maior facilidade com os acontecimentos. Nessa idade, está acontecendo uma reedição do complexo, pois é mais uma preparação para a vida adulta. Há necessidade de uma avaliação para saber o que realmente está acontecendo. Se essa pessoa apresenta conflitos, recomendo uma psicanálise no mínimo uma vez por semana para essas questões subjetivas.
 Cristina Gutierres
Psicólogo, Psicanalista
Sorocaba
Todos nós "temos" Complexo de Édipo. O que pode acontecer é que em determinadas fases da nossa vida, tais como primeira infância e adolescência, ele possa ficar mais evidente; não se esqueça que a intensidade dos sentimentos pode variar de uma pessoa para a outra.
 Tânia Passos Dickie
Psicanalista, Psicólogo, Sexólogo
Petrópolis
Sim, uma etapa de vida poder a se prolongar, ou reaparecer na adolescência e demais fases da vida. Considerando que o complexo de edipo vai sempre ser importante para construção de sua personalidade como indivíduo. Portanto é normal sim.
 Cristiane Borsatto Santiago
Psicanalista, Psicólogo
Itanhaém
Primeiramente é preciso entender o que você compreende por "Ter complexo de Édipo", mas, de modo geral o Complexo de Édipo, consiste em uma fase do desenvolvimento humano que todos vivenciam na relação com suas figuras maternas e/ou paternas num certo período da infância, sendo esta, uma fase considerada extremamente importante para formação do sujeito e que influenciará nas suas escolhas futuras durante toda vida. Cada sujeito passará por esta fase de de maneira singular. Ou seja, é possível que durante a adolescência, ou qualquer outra fase da vida o sujeito reviva emoções que estão ligadas a esta fase. Uma Psicanálise ou Psicoterapia de orientação psicanalítica poderá ajudar o sujeito a elaborar e compreender melhor esta fase.
 Gustavo Dias Mattos
Psicanalista
Curitiba
Na realidade o complexo de édipo ressurge ou é revivido na puberdade/adolescência, ainda que de forma rápida, para que seja novamente ultrapassado através da escolha de um novo objeto de afeição.

Se de fato se trata de uma nova vivência do complexo de édipo assim bastante perceptível, é possível dizer ser até mais natural e melhor que esteja assim declarado este impulso, do que estar reprimido e deslocado a objetos que possam gerar psicopatologias ou estar afetando negativamente a construção da personalidade. Ou seja, é melhor estar assim expresso do que lidar com resquícios (que sempre ocorrem) do complexo de édipo mal resolvidos na fase fálica e já direcionados a outras situações que podem ser mais complexas, estarem mais arraigadas.
Dr. Judson Riker
Psicólogo, Psicanalista
Salvador
Sim. Eu atendi adolescentes com este mal estar emocional.
 Lidiane Motta
Psicólogo, Psicanalista
Maringá
O complexo de Édipo acontece na infância, revivido na adolescência e os resultados dele estão presentes na vida de qualquer adulto.
Dra. Valeria Abatemarco
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Complexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais de Freud, na Psicanálise. Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto. É uma fase é um conflito que deveria ficar bem resolvido na infância. Mas muitas vezes não é e se manifesta com todos seus problemas na adolescência ou qualquer outra fase prejudicando a escolha de parceiro. Este tipo de questão se resolve na psicoterapia de base analítica de preferência por ser uma questão psicanalitica. Busque um psicoterapeuta psicanalista ou de base analítica. É muito importante a resolução deste complexo para prosseguir sua vida.
 Quezia Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Taguatinga
Sim, é possível apresentar questões, que são necessárias de serem elaboradas que associam ao complexo de Édipo na adolescência. Isso depende de cada caso.
 Fernando Toledo Mello Filho
Psicanalista
Campinas
Sim....pode ocorrer , sendo hoje de uma maneira mais costumeira....precisamos entender caso a caso(caso concreto) é o que nos dará a certeza do que esta ocorrendo, ajuda terapêutica nesse caso é essencial para encontrarmos uma porta para sua solução.
Dr. Thyago Maranhão
Psicanalista, Terapeuta complementar
Itupeva
Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto. É uma fase é um conflito que deveria ficar bem resolvido na infância. Mas muitas vezes não é e se manifesta com todos seus problemas na adolescência ou qualquer outra fase prejudicando a escolha de parceiro.
 Elizabeth Sartori
Psicanalista
São Paulo
Sim. Essa idade é muito especial. É a idade onde o jovem procura sua identidade no coletivo. Pertenço ou não àquela "tribo". Não está emancipado e nem faz ideia do que isso seja. Amar a mãe é necessário, embora possa achá-la "chata". Precisa do pai para mostrar-lhe o caminho, mas o teme e ao mesmo tempo o ignora.
Na mitologia a vida de Édipo é cheia de boas condutas e más condutas, mas quando ele, mais velho, descobre o que suas ações causaram vai para o mundo interno buscar-se redimir e libertar-se tornando-se personagem de importância para a cidade de Corinto. Concluindo, o complexo de Édipo pode durar uma vida inteira até que o indivíduo busque o seu sentido de vida.
Dra. Kennia Wandenkolk
Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá!!! Sua pergunta é bem comum e pertinente, já que muitas pessoas acreditam que há uma idade fixada para a passagem por este Complexo, que todo ser humano atravessa. Contudo, é importante ressaltar que cada sujeito é único, somos singulares e a Psicanálise trabalha com a subjetividade do indivíduo, ou seja, como cada pessoa sente e vive as situações cotidianas e com a estrutura psíquica de cada um. Sendo assim, a idade de 5 anos, corresponde a um período esperado que haja a dissolução do Complexo de Édipo, podendo ser mais tardio e, ainda, retornar caso a castração pela figura paterna não tenha sido bem aplicada.
Caso haja a vivência deste Complexo na faixa etária da Adolescência, é recomendável que se procure um Psicanalista para melhor compreensão e auxílio nesta travessia que já é tão sofrida.
Espero ter auxiliado e coloco-me à disposição!!!
 Otávio Calile
Psicólogo, Psicanalista
Brasília
O Complexo de Édipo consiste numa triangulação vivida pela criança e suas figuras parentais durante a fase fálica, que se estende dos três aos cinco anos. Nessa fase a criança rejeita um dos cuidadores e se apega ao outro. Um deles representa o objeto de desejo e o outro, a inscrição psíquica da lei social. Na adolescência esse conflito se revela na organização da escolha do objeto e nas três saídas derivadas da inscrição (ou não) dessa lei: neurose, psicose e perversão.

Prof. Wanessa Mesquita
Psicólogo, Psicanalista
Goiânia
Olá! O complexo de édipo é vivido e selado na infância, porém na adolescência temos a atualização dos conflitos anteriores, o que se precipita, pois as relações vão se tornando cada vez mais complexas. Veja se não é o caso de fazer terapia, a adolescência é um período delicado, seria importante que fosse devidamente acompanhado.
Dr. Jorge Kfuri
Psicanalista
Rio de Janeiro
Boa noite, a dissolução do complexo de édipo na primeira infância é uma importante etapa para a construção de nossa estrutura psíquica. Quando esse processo não ocorre de maneira adequada inúmeros desdobramentos emocionais podem impactar nas formatação emocional das demais etapas do crescimento humano. Nesses casos específicos sugiro que procure com urgência um espaço terapêutico sério e contínuo, conduzido por um terapeuta de sua escolha e confiança. Juntos vocês poderão constituir o ferramental para uma analise construtiva que rompa com seus limites inconscientes e formatem novas, estáveis e equilibradas ligações emocionais.
 Daniel Strucchi
Terapeuta complementar, Psicanalista
Rio de Janeiro
Sim, é possível ter complexo de Édipo na adolescência. O complexo de Édipo é uma teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud, que descreve as relações de amor e rivalidade entre pais e filhos durante a fase da infância. De acordo com esta teoria, os meninos experimentam ciúmes e desejo pelo pai e inveja da relação da mãe com ele, enquanto as meninas experimentam o oposto.

Embora o complexo de Édipo seja geralmente associado à infância, ele pode ser revisado e reativado durante a adolescência, especialmente durante períodos de mudanças significativas na vida, como a entrada na puberdade ou a transição para a vida adulta. Nesta fase, os jovens podem experimentar conflitos internos ao lidar com suas próprias identidades e relações com seus pais, o que pode resultar em reinterpretações do complexo de Édipo.

No entanto, é importante notar que o complexo de Édipo é uma teoria controversa e não é amplamente aceita pela comunidade científica. Alguns críticos argumentam que é uma teoria ultrapassada e que não se aplica bem à realidade da vida humana. Como tal, é importante levar em consideração outros fatores e perspectivas além da teoria freudiana ao entender as experiências da adolescência.
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Sim, é possível que questões relacionadas ao Complexo de Édipo continuem a desempenhar um papel na psicodinâmica de um indivíduo durante a adolescência. O Complexo de Édipo, conforme proposto por Sigmund Freud, é uma fase do desenvolvimento psicossexual que ocorre na primeira infância, geralmente entre 3 e 6 anos de idade. Nessa fase, a criança desenvolve sentimentos de atração pelo pai do sexo oposto e rivalidade com o pai do mesmo sexo. Embora o Complexo de Édipo seja mais proeminente na primeira infância, suas dinâmicas podem persistir de maneira menos evidente ao longo da vida. Durante a adolescência, a identidade e a sexualidade estão em transformação, e questões relacionadas ao desejo e à relação com os pais ainda podem influenciar o comportamento e os sentimentos dos adolescentes. Na adolescência, ocorrem reorganizações significativas nas relações interpessoais, à medida que os adolescentes buscam independência e identidade separada dos pais. A rivalidade e o desejo edipianos podem reaparecer de formas mais sutis e simbólicas, afetando a maneira como os adolescentes se relacionam com seus pais e desenvolvem relacionamentos românticos. Como psicanalista, observo que o entendimento das dinâmicas edipianas na adolescência pode fornecer insights valiosos sobre o desenvolvimento emocional dos jovens e seus relacionamentos interpessoais. No entanto, é importante lembrar que a psicanálise é uma teoria complexa, e as dinâmicas psicológicas individuais variam amplamente. Não é necessariamente prejudicial ter questões edipianas na adolescência; isso faz parte do processo de amadurecimento e construção da identidade.
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  Marcos  Boldrin
Psicanalista, Terapeuta complementar
Campinas
ola
é bem comum isso
fico a disposição para te ajudar com isso
Sim, é possível que conteúdos relacionados ao complexo de Édipo emergem ou reapareçam na adolescência, ainda que em uma forma diferente da que ocorre na infância. Freud descreveu o complexo de Édipo como um processo central no desenvolvimento infantil, geralmente entre os 3 e 6 anos de idade, no qual a criança desenvolve desejos e rivalidades inconscientes em relação aos pais. Na adolescência, com as intensas mudanças físicas, psíquicas e emocionais, os conflitos edípicos podem ser reativados ou revisitados.
Sim, é comum sentir a atração como as listadas no chamado Complexo de Édipo na adolescência. Sempre lembrando, esses diagnósticos de "ter" um "complexo" são apenas formas de nomear um conjunto de sentimentos, sensações e pensamentos. O trabalho para entender o que está acontecendo é investigar os sentimentos, sensações e pensamentos. Isso vai trazer clareza e compreensão dos traumas e crenças da pessoa, possibilitando uma nova abordagem e entendimento das situações, possibilitando uma vida mais leve e livre. Fico à disposição. Abraço.
 Lucas Jerzy Portela
Psicanalista
Salvador
Boa pergunta pra você se fazer em sua psicanálise, com um psicanalista...
Não no sentido de “surgir do zero”. O Complexo de Édipo é vivido na infância, mas pode ser reatualizado na adolescência, especialmente por volta dos 15 ou 16 anos. Nessa fase, com as mudanças corporais e sexuais, conflitos edípicos mal elaborados podem reaparecer como confusão afetiva, idealização, rivalidade, culpa ou dificuldades nos vínculos amorosos. Não é um novo Édipo, é a reativação de algo que não foi totalmente simbolizado antes e que volta a pedir elaboração.
Por volta dos 15 ou 16 anos, é comum surgirem sentimentos ambivalentes em relação às figuras parentais: admiração excessiva, rivalidade, idealização, raiva, ciúme ou dificuldade de se desligar emocionalmente. Isso acontece porque o adolescente precisa, ao mesmo tempo, se apoiar nos pais e se diferenciar deles, o que gera conflitos internos importantes. O desejo de autonomia entra em choque com vínculos afetivos ainda muito intensos.
Na adolescência, o Édipo se manifesta menos como desejo literal e mais como questões ligadas à escolha de objeto amoroso, à construção da identidade sexual, ao lugar que o sujeito ocupa na família e à relação com a autoridade. Quando esse processo encontra impasses seja por vínculos muito fusionais, ausência de limites claros ou dificuldades na função paterna/materna podem surgir sofrimento, confusão emocional, culpa excessiva ou inibições.
A psicanálise compreende esse momento como uma etapa delicada, mas também fundamental para o amadurecimento psíquico. Quando o adolescente encontra espaço para falar, simbolizar e elaborar esses conflitos, eles tendem a se reorganizar de forma mais saudável, permitindo a construção de relações mais autônomas e menos marcadas por repetições inconscientes.
Como profissional, coloco-me à disposição para acolher e acompanhar esse tipo de questionamento, seja com adolescentes ou com famílias, oferecendo um espaço de escuta que respeite o tempo, a singularidade e a complexidade desse momento do desenvolvimento.
É muito natural e, na verdade, fundamental que essas dúvidas surjam nessa fase da vida, pois a adolescência é justamente o período em que o complexo de Édipo vive o seu segundo grande momento de intensidade. Embora a psicanálise descreva o auge dessa dinâmica por volta dos cinco anos de idade, é por volta dos quinze ou dezesseis anos que ocorre o que chamamos de o despertar da primavera ou a retomada dos impasses edípicos. Nesse estágio, o adolescente precisa lidar com a tarefa de se separar emocionalmente dos pais para conseguir direcionar o seu afeto e o seu desejo para pessoas fora do círculo familiar, o que muitas vezes gera um turbilhão de sentimentos contraditórios, como irritação, necessidade de distanciamento e, ao mesmo tempo, um desejo profundo de aprovação.

Nesta idade, o complexo de Édipo não se manifesta da mesma forma que na infância, mas sim como uma necessidade de quebrar o pedestal onde os pais estavam colocados. É por isso que é tão comum sentir uma vontade intensa de confrontar o pai ou a mãe, ou sentir um incômodo inexplicável com a presença deles; essa é a maneira que o psiquismo encontra para dizer que você está crescendo e que precisa criar o seu próprio espaço no mundo. Esse processo de desidealização pode ser doloroso e confuso, pois você pode se sentir culpado por não ser mais aquela criança dependente, enquanto seu corpo e sua mente clamam por uma independência que ainda está sendo construída.

Além disso, a adolescência traz o florescimento da sexualidade e de novos desejos, o que faz com que os antigos vínculos familiares precisem ser reconfigurados para que você possa se sentir livre para amar e se relacionar com outras pessoas. Às vezes, essa transição faz com que velhos conflitos da infância retornem com força total, exigindo que você encontre novas respostas para perguntas sobre quem você é e qual é o seu lugar na família. É um tempo de muitas transformações onde o estranhamento com os pais é, muitas vezes, o sinal de que você está saudável e trilhando o caminho necessário para se tornar um adulto autônomo.

Sentir que essas dinâmicas estão presentes não significa que haja algo de errado com você, mas sim que você está vivendo plenamente os desafios da sua maturidade emocional. Se esses sentimentos estiverem gerando muita angústia ou se a convivência em casa estiver ficando muito difícil de suportar, conversar com um psicanalista ou um psicólogo pode ser um alívio imenso, pois ele ajudará você a entender que essas ondas de emoção fazem parte do seu crescimento e que é possível atravessar esse período com mais clareza e menos culpa.

espero ter ajudado!

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