Boa noite É natural a menina ser demasiadamete apegada a mãe na fase da latencia e rejeitar o pai?

31 respostas
Boa noite
É natural a menina ser demasiadamete apegada a mãe na fase da latencia e rejeitar o pai? Quais as implicações para saúde psíquica da criança e suas escolhas amorosas futuras?
Olá, tudo bem? Na fase de latência a criança tem sua sexualidade mais reprimida, voltada mais para vínculos de amizade , aprendizagem; surgem muitos questionamentos...afinal a adolescência é um passo antes da vida adulta (cheia de responsabilidades); é um momento de transição onde ela começa a buscar sua identidade. A escolha sexual de cada pessoa vem de um processo muito complexo, sendo uma construção singular e subjetiva. É impossível determinar se "esse apego a mãe" pode definir uma preferencia sexual, não existem normas. Essa questão deve ser melhor explorada, sugiro que você procure um psicanalista para entender o seu lugar nessa relação, caso seja relacionada a você essa questão, já que surgiu aqui, é porque algo a preocupa. E essa questão podem trazer outras...fico a disposição, um abraço!

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Bom dia, eu não tenho dados suficientes para avaliar o que é normal ou patológico na sua filha, precisaria fazer uma anamnese, conhecer o histórico e maneira dela se vincular desde que nasceu com ambos os pais, assim como ter um consulta com cada um dos pais e ouví-los. Precisaria ainda acolher as queixas de cada membro deste núcleo familiar e abraçar suas angústias e preconceitos. De qualquer forma se voce tem suspeitas de que sua filha seja homossexual, te adianto que isto não é patologia. Toda forma de amor é saúde. O casal de genitores é separado? Como se estabelece a relação de confiança entre o casal? O que um pensa realmente do outro? Qual o tempo que o pai tem para se dedicar á filha? E voce? Qual o tempo voce tem para se dedicar á sua filha? Se te interessar conversar sobre estas questões e ao pai da moça, também, estou á disposição. Muito obrigada!
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 José Antonio Reis
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
A pergunta que precisa ser feita é: por que ela rejeita o pai? Quais motivos ela tem pra rejeitá-lo? Uma criança não rejeita um genitor sem motivos. É preciso que se busque um psicólogo para uma boa avaliação.
 Weslley Sá Farias
Psicólogo, Psicanalista
Aracaju
Ser apegada à mãe não seria inesperado, mas REJEITAR o pai é de se chamar a atenção, mesmo que que seja em fase de latência. Realmente, como o colega comentou anteriormente, deve haver motivos para isso e vale a pena levá-la a um psicólogo infantil ou psicanalista para averiguar mais a fundo. Já a respeito de possíveis implicações para a saúde psíquica futura dela, não temos como prever. A saúde psíquica é um fenômeno influenciado por incontáveis fatores e o resultado da interação desses fatores é imprevisível.
Dr. Márcio Santana Monteiro
Psicólogo, Psicanalista
Ipatinga
Para Freud desejar um filho é desejar aquilo que falta, a mãe tem que haver que a relação com o filho não é harmônica e sim faltosa, será feita de vários desencontros ao longo da vida. Seria interessante se tivéssemos mais detalhes, fica muitos questionamentos e poucos dados: sobre essa rejeição ao pai, se o pai sente-se dessa forma, é o primeiro filho do casal, ouvir você melhor quando diz sobre escolhas amorosas futuras, etc. Lembre-se que a maternidade longe de ser uma resposta para a mulher ela é um enigma.
Dra. Larissa Miranda
Psicólogo, Psicanalista
Osasco
O ideal é procurar um psicólogo para através da anamnese verificar como é a dinâmica deste casal, ou seja, desta mãe e pai e avaliar se a criança está adquirindo o papel de proteção, defesa e não de filha, que sinta a proteção de ambos os pais e entende qual o seu papel na dinâmica do casal.
Qualquer relação onde há inversão de papel, ou seja, o filho na infância sentir a necessidade de protejer ou tomar partido, pode ter problemas futuros em seus relacionamentos, não necessariamente influencie em sua opção sexual.
Dra. Maria Pia Santoro
Psicólogo
Campinas
Bom dia,

Para que possamos te dizer que tipo de consequências ou se a relação atual com mãe pode trazer dificuldades posteriores ao desenvolvimento da criança, precisamos realizar uma avaliação, com entrevista, anamnese, entender melhor como é o vínculo com a mãe e como é está recusa com o pai. E onde pode estar a dificuldade. Aquilo que parece ser uma dificuldade da criança pode ser algo na relação dos pais e quem expressa isso é a criança. Por isso precisamos ter cautela. E pode ser algo momentâneo que ela está atravessando. Se o casal estiver encontrando dificuldades em atravessar está fase, procurem um profissional que possa avaliar e orientar como lidar.
 Cleide Marchiotti
Psicólogo, Psicanalista
Maringá
Olá! Nessa fase a criança tem muitos questionamentos, muitos medos. É uma fase de quietude, mas psiquicamente muitas coisas estão acontecendo. É necessário um acompanhamento psicológico para facilitar a expressão daquilo que acontece interiormente. Procure por ajuda profissional para ajuda-la.
Dra. Vanise Zimmer
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Ao nascer, a criança é um organismo muito dependente. Ela precisa de um círculo social que a ajude a passar pela primeira e segunda infância sendo devidamente nutrida, estimulada e que a ajude a se conectar com o mundo, para desenvolver ao máximo suas capacidades físicas, mentais e sociais. Tanto o pai como a mãe, assim como outros membros da família importantes para a estruturação psíquica da criança e devem buscar promover a satisfação de necessidades básicas como alimentação, calor, abrigo e proteção. O mais importante para a criança é crescer em uma atmosfera de afeição e segurança, em alimentada e com saúde.
Pode acontecer de a criança se ligar muito à mãe e menos ao pai em um primeiro momento (até 5 anos) devido ao comportamento de apego. Ela busca alcançar e manter a proximidade com algum outro indivíduo claramente identificado (mãe). Esta ligação ocorre com a figura que é mais frequente e mais presente para a criança, aquela que está na maioria do tempo atuando para cuidá-la e satisfazer suas necessidades.
O sentimento e o comportamento da mãe e dos pais em relação aos filhos são influenciados por suas experiências pessoais prévias, o que pode facilitar ou dificultar a separação progressiva da criança. Em todas as famílias é possível observar um padrão de relacionamento parental que indica maior ou menor necessidade de apego. Para entender melhor o que ocorre com sua filha, procure a orientação de um profissional Habilitado.
Dra. Laura Carmilo Granado
Psicanalista, Psicólogo
São Paulo
Olá! Isso não necessariamente representa um problema. Ainda assim, sua filha pode ser escutada por um psicólogo/psicanalista, assim como a família com suas possíveis angústias. Esta pode ser uma experiência muito positiva para ela e para os familiares que estejam preocupados com a questão.
 Alexandra Cavalheiro
Psicanalista
Niterói
Olá, essa questão é muito importante, pois para os filhos, independentemente do género, a introdução de uma terceira pessoa na relação mãe-bêbê é muito importante. Isso é o que se chama de triangulação, ela permite mais tarde que a criança se separe de uma forma sã de sua progenitora. A mãe tem de saber que ela faz uma ponte, entre a criança e o pai (ou essa 3° pessoa), assim ela pode, falar do pai e introduzi-lo em algumas tarefas de cuidados (dar banho, trocar fralda, dar comida, brincar, pentear). Não se pode dizer diretamente que patologias podem decorrer se a relação estiver excessivamente fusional, mas existe um risco de aparecerem algumas dificuldades, podendo algumas ser graves. A família pode pedir uma consulta para os 3, nela se avaliam as interações, e a criança. Isso permite avaliar e propor algumas abordagens. Não hesite em se fazer ajudar.
Dra. Mayara Maia
Psicólogo
Brasília
As fases psicosexual infantil acontece permeada por períodos descontinuados de latência. Nesse sentido, dizemos que a libido (energia sexual) se interrompe por diversificadas razões decorrentes dos vinculos familiares. Na latência temos o arrefecimento da rivalidade diante do progenitor do mesmo sexo e da energia sexual momentânea. Dessa forma há espaço para se instaurar o ingresso cultural da criança através do processo de sublimação das pulsões sexuais. Entretanto, a entrada na latência acontece com fludez. Assim sendo, é comum o retorno aos interesse sexual e o foco diante do desejo fique difuso. No caminho de subjetivização, caso a criança seja atravessada e/ou invadida de alguma forma pode haver consequências nefastas a sua constituição psíquica. Se essa pergunta é uma questão para você é interessante identificar outros manifestações que a levem a induzir que haverá algum prejuízo na formação psíquica da criança. Mas, a priori, não é um fator determinante.
 Edna Borba Araujo
Psicólogo, Psicanalista
Recife
Ola!
Sobre a latência, esta é uma fase incrível! Um tempo que pode ser de grandes aprendizados para a criança, a medida que ela vai sendo estimulada, até chegar a adolescência, quando ocorre um certo distanciamento dos pais, dos adultos; menor dependência destes. Você diz que a menina está mais apegada a mãe e distante do pai? Seria bom uma consulta a um psicólogo(a). Com mais detalhes você terá uma compreensão bem mais abrangente do que pode ser esse sintoma. Forte abraço.
Dr. Georgius Cardoso Esswein
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá! Espero que estejas bem. Entendo que seria importante ouvir melhor o que lhe preocupa em relação a isso. Ou ainda, o que você refere como "ser apegada" ou "rejeitar"? Diferente de outras áreas da saúde, mais pragmáticas, a ciência psicológica não oferece respostas deterministas. Ou seja, não é possível responder a sua pergunta sem o devido acompanhamento clínico. Mas acho importante destacar que o primeiro passo para responde-la é procurar um profissional da área para falar do que, de fato, lhe preocupa.

Boa noite!
O que pensei ao ler sua pergunta foi em uma preocupação com relação aos possíveis objetos amorosos de sua filha no futuro e talvez até um questionamento sobre questões de sexualidade. Penso que poderíamos ficar aqui desbravando teorias, porém não acredito que isso seja suficiente, já que cada caso é singular. O ideal seria olhar de perto e investigar o que acontece neste momento de vida de sua filha e de toda a família, que faz com que ela esteja muito apegada à mãe e rejeitando o pai. A partir de uma avaliação mais profunda e com um profissional capacitado, você poderá entender o que ocorre e adotar medidas que forem necessárias para o amadurecimento saudável de sua filha.
Espero ter ajudado e fico à disposição para outras questões!
Abs., Ana
Prof. Wanessa Mesquita
Psicólogo, Psicanalista
Goiânia
Olá! Boa tarde!
Como vai?
A latência é um período de redirecionamento da libido para atividades sociais, não chamamos de fase, pois não há investimento pulsional como na fases do desenvolvimento psicossexual. Após o período fálico (fase imediatamente anterior), é natural que haja uma identificação com os progenitores com a mesma posição subjetiva (nesse caso, a mulher), porém as orientações sexuais são de outra ordem, isto é, muito mais complexas, sensíveis e sutis.
A fase de latência é a fase associada ao brincar para a criança, quando há uma diminuição de sua atividade sexual, entre os seis e dez anos de idade, sua libido está adormecida. Quando digo diminuição da atividade sexual, espero que compreenda as fases anteriores a esta : oral, anal e fálica (pois pela sua pergunta, me parece que você já tem este conhecimento). Nesta fase a criança vai se identificando com as pessoas ao seu redor além de seus pais ou cuidadores (amigos, vizinhos, professores, etc) e estas relações irão influenciá-la no desenvolvimento de sua identidade sexual posteriormente. Primeiramente é importante entender por que a menina está tão apegada à mãe e além disto entender como é a dinâmica do pai no contexto familiar. Se a menina está muito apegada á mãe, há de se perguntar como é a relação da mãe com este pai, se por exemplo a própria mãe o rejeita e assim a criança apenas está imitando o comportamento de sua mãe. Além disto, há de se ver como é a relação do pai com esta criança : ele é um pai presente e amoroso ? Ou é ausente e indiferente em relação á filha ou mesmo á toda família ? A partir destas respostas, fica mais fácil perceber qual pode ser o impacto destas relações para esta criança, tanto psiquicamente quanto em relação ás suas escolhas afetivas.
Boa noite
No relacionamento entre pais e filhos não existe certo ou errado. Às vezes a filha se apega mais à mãe e às vezes mais ao pai; o mesmo para o filho. O que se pode colocar em questão é algum sofrimento que pode aparecer nesses relacionamentos, que provavelmente não tenha a ver com apegos necessariamente, mas a outro tipo de dinâmica na relação familiar. Se há sofrimento em algum componente da família, isso pode ser resolvido de forma intrafamiliar ou, caso necessário, com ajuda de um profissional de psicanálise / psicologia, que escutará atentamente a história de cada componente, ou do casal, ou da família como um todo, apontando as causas desse sofrimento e a melhor forma de solucioná-los. Cuidem-se. Abraços
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 Daniel Strucchi
Terapeuta complementar, Psicanalista
Rio de Janeiro
Durante a fase de latência, que geralmente ocorre entre 6 e 11 anos de idade, as crianças podem experimentar um aumento na necessidade de serem próximas e se sentir seguras com sua mãe. Isso pode incluir uma maior dependência emocional, desejo de estar perto da mãe e até mesmo rejeição ao pai ou outros cuidadores.

É importante notar que essa dinâmica de apego pode variar de criança para criança e não é necessariamente algo negativo. No entanto, se a criança estiver exibindo comportamentos extremos de rejeição ao pai ou outros cuidadores importantes, pode ser necessário procurar ajuda de um profissional de saúde mental para avaliar se há algum problema subjacente que precisa ser tratado.

É importante que os pais trabalhem juntos para garantir que a criança se sinta segura e amada por ambos. A falta de equilíbrio no apego pode afetar a saúde emocional da criança, e também afetar suas escolhas amorosas futuras, pois pode ser difícil para a criança estabelecer relacionamentos saudáveis ​​com os outros.

É importante mencionar que cada criança é única e pode se desenvolver de maneira diferente, portanto é importante procurar orientação de um profissional se você tiver preocupações sobre o desenvolvimento emocional e relacional de sua filha.
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É muito interessante que você esteja explorando o desenvolvimento de seu filho durante a fase da latência. Conforme proposto pela teoria psicanalítica, essa é uma fase crucial no desenvolvimento infantil, na qual as crianças costumam formar laços mais fortes com um dos pais, tipicamente do sexo oposto, enquanto temporariamente se afastam da ligação com o pai do mesmo sexo. Essa dinâmica faz parte da complexa interação entre os instintos e a socialização. É importante lembrar que o desenvolvimento psicossexual de uma criança é apenas um aspecto do que influenciará suas escolhas amorosas futuras. As implicações para a saúde psíquica da criança e suas escolhas amorosas mais tarde são multifacetadas e profundamente influenciadas por inúmeros fatores, incluindo a dinâmica familiar, as experiências emocionais e o apoio oferecido pela família. O mais importante é que você continue a fornecer amor, apoio e aceitação ao seu filho, independentemente das complexas dinâmicas que possam surgir durante essa fase de desenvolvimento. Como psicanalista, estou aqui para auxiliá-lo na compreensão e na navegação dessa jornada, aprofundando nossa análise da psicodinâmica envolvida. Se você tiver mais perguntas ou preocupações, não hesite em compartilhá-las, pois estamos aqui para ajudá-lo a entender seu filho e apoiá-lo da melhor forma possível. O amor e a atenção que você oferece são essenciais para o crescimento saudável e emocional de seu filho.
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Na fase de latência é normal que a criança seja mais apegada à mãe. Não que ela rejeite o pai necessariamente, ela apenas prefere a mãe nesse momento. Na próxima fase o interesse dela pelo pai se ampliará. Sobre a segunda pergunta: Se o pai for funcional, der apoio, reconhecimento e amor à criança só terão boas implicações psíquicas, e ela será saudáel para fazer suas escolhas amororsas. Muito provavelmente vai querer escolher alguém que seja funcional, dê apoio, a reconheça e tenha amor por ela.
 Luíza Pedroso Cunha
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá! O apego excessivo à mãe na fase de latência pode associar-se a uma dificuldade em lidar com a triangulação edípica, onde o pai representa a lei e a diferença. Se essa dinâmica persistir, pode influenciar as escolhas amorosas futuras, como a busca por relações que reproduzam esse padrão ou a rejeição ao que o pai simboliza. É importante que a criança possa elaborar essa relação, permitindo que o desejo circule de forma mais livre e diversa.
 Rode Ziembick
Psicanalista
São Paulo
Sim, é possível que, na fase de latência, a criança — especialmente as meninas — apresente um apego mais evidente à mãe, até como uma continuidade do vínculo primário estabelecido desde o nascimento. Nessa fase, que vai mais ou menos dos 6 aos 11 anos, os impulsos sexuais ficam mais “adormecidos”, e a energia psíquica é canalizada para o desenvolvimento cognitivo, social e para a construção de vínculos mais amplos, como com professores e colegas.

No entanto, um apego exagerado à mãe e uma rejeição constante ao pai podem indicar que há algo na dinâmica familiar que merece atenção. Pode haver uma identificação excessiva com a mãe e uma dificuldade em integrar a figura paterna como referência externa, de autoridade, de lei — o que, na psicanálise, tem implicações importantes.

Se esse movimento não for elaborado ao longo do tempo, pode interferir nas escolhas amorosas futuras. Por exemplo, a criança pode crescer buscando relações simbólicas com figuras que repitam esse vínculo fusional com a mãe, ou então afastar-se de vínculos mais profundos por medo da perda de identidade. Além disso, a rejeição do pai pode dificultar o acesso a funções psíquicas importantes, como o limite, a autonomia e a entrada no campo social.

Tudo isso, claro, depende muito do contexto familiar, da qualidade das relações afetivas e das experiências da criança. Mas é sempre interessante observar esses sinais com cuidado e, se necessário, buscar suporte terapêutico para apoiar esse desenvolvimento emocional de forma mais integrada e saudável.

 Lucas Jerzy Portela
Psicanalista
Salvador
Boa pergunta pra você se fazer em sua psicanálise, com um psicanalista.
 Paulo Bonzanini
Psicanalista
Santo André
Essa é uma questão bastante pertinente e que toca diretamente aspectos do desenvolvimento afetivo, simbólico e relacional da criança na fase de latência (aproximadamente dos 6 aos 11 anos), conforme descrito por Freud e aprofundado por autores como Lacan, Winnicott e Dolto.

1. É natural uma menina ser demasiadamente apegada à mãe e rejeitar o pai na latência?
Depende do grau, da função e do contexto desse apego.

Durante a latência, a criança geralmente passa por um afastamento das intensas excitações libidinais da fase fálica (o que caracteriza o fim do complexo de Édipo), e direciona sua energia psíquica para atividades cognitivas, sociais, escolares e sublimatórias. O ideal, nesse período, é que a criança esteja reconciliada simbolicamente com ambos os pais, tendo já atravessado o Édipo de forma minimamente estruturante.

Entretanto, um apego exacerbado à mãe e uma rejeição ao pai podem sinalizar que houve falhas na travessia edípica — ou que a função paterna (enquanto operador simbólico de separação) não conseguiu se instaurar com a firmeza necessária.

Ou seja, não é incomum que meninas sejam mais próximas da mãe nessa fase, mas quando esse vínculo assume traços de simbiose, exclusividade ou rivalidade com o pai, vale um olhar mais atento.

2. O que isso pode revelar em termos psíquicos?
Esse quadro pode estar ligado a diferentes estruturas ou impasses psíquicos:

Na neurose: a recusa ao pai pode ser expressão de um desejo de manter o amor exclusivo da mãe (resquício do Édipo não elaborado), mas que tende a ser superado com o avanço da adolescência, especialmente se houver a presença simbólica de outras figuras mediadoras (avós, professores, irmãos, etc.).

Na posição histérica: a menina pode sustentar uma posição de “ser o ideal da mãe”, o que muitas vezes implica rejeitar o pai como figura intrusiva, castradora ou decepcionante. A histeria, nesse sentido, se estrutura muitas vezes em torno da pergunta “o que sou para o outro?”, sobretudo para a mãe.

Na psicose infantil ou estados mais graves de confusão simbólica, pode haver uma identificação massiva com a mãe, sem que o pai consiga operar como “terceiro” — o que leva à dificuldade de construção de limites internos e diferenciação de identidade.

‍ 3. Quais as possíveis implicações futuras para a saúde psíquica e vida amorosa da criança?
As consequências variam de acordo com a plasticidade psíquica da criança, o contexto familiar e a presença ou ausência de outras figuras simbólicas. Algumas possibilidades:

a) Relações amorosas marcadas por dependência ou repetição simbiótica
A menina que permaneceu fusionada com a mãe pode buscar, na vida adulta, relações nas quais seja totalmente acolhida, contida e adorada, repetindo a matriz do amor materno absoluto — o que frequentemente gera frustrações amorosas.

b) Idealização ou desvalorização do masculino
A rejeição precoce ao pai pode cristalizar uma imagem negativa ou ausente do masculino, dificultando o envolvimento afetivo com homens, ou levando a escolhas afetivas que se baseiam em reparações inconscientes, submissão ou desafio constante à figura masculina.

c) Confusão identitária e dificuldades com o desejo
Quando a separação simbólica da mãe não se efetiva, a criança pode crescer sem conseguir se localizar claramente como sujeito desejante, ou assumir desejos próprios dissociados da expectativa materna. Isso pode afetar tanto a construção da sexualidade quanto da autonomia.

d) Busca inconsciente da função paterna em relações futuras
Em muitos casos, o desejo inconsciente por um pai que “não se teve” pode ser deslocado para relações amorosas, onde o parceiro é investido com expectativas de cuidado, autoridade, segurança e limite.

Caminhos possíveis
Se o cenário estiver em curso, a presença de intervenções simbólicas consistentes pode permitir uma reorganização psíquica saudável:

A entrada de figuras de autoridade amorosa (avós, professores, terapeutas)

O fortalecimento da função paterna (não necessariamente pela figura biológica, mas pela função simbólica de separação e estruturação)

A escuta emocional da criança, com validação de seus sentimentos e ajuda para elaborar perdas e frustrações

Em síntese
Um apego forte à mãe é natural em certa medida, mas quando exacerbado e acompanhado de rejeição ao pai, pode ser um sinal de dificuldade na travessia edípica.

As implicações para a saúde psíquica e para a vida amorosa futura envolvem riscos de simbiose, confusão identitária e idealizações disfuncionais do outro.

O acompanhamento terapêutico precoce pode prevenir a cristalização desses padrões e favorecer uma reorganização emocional mais autêntica e saudável.
Olá,
O que é natural, normal é impossível de precisar, isto porque cada indivíduo possui uma história. Em termos estatísticos, o considerado NORMAL é o que ocorre com maior frequência, os que estâo "fora da curva", não são extamente pessoas doentes, anormais, ou anti-naturais, socialmente são percebidos como DIRERENTES.
Veja, esta questão que você coloca depende de tantas variáveis que não é possível responder. Lamento.
Na verdade são fases. Ela terá o momento de só se importará com o pai e não mais tanto com a mãe. Tudo ao seu tempo. Mas é muito importante que o pai não se afaste nesse momento de rejeição.
Sim, é comum que, em determinados momentos do desenvolvimento, a criança se identifique mais intensamente com um dos pais e se distancie do outro.
No caso das meninas, essa ligação forte com a mãe pode aparecer como apego, necessidade constante de proximidade ou mesmo uma certa rejeição em relação ao pai — especialmente se essa relação materna for muito envolvente.

Esses movimentos fazem parte do processo de construção da identidade e do lugar que a criança ocupa no mundo.
O ponto de atenção está em como essa dinâmica se organiza: quando a mãe e o pai conseguem manter seus lugares diferenciados, mesmo diante do apego, a criança aprende, aos poucos, que pode amar mais de uma pessoa, sem que isso seja vivido como ameaça ou traição.

Mas quando a relação com a mãe é muito fusional — quando não há espaço para o pai ou para o mundo —, a criança pode crescer com dificuldade em se separar e desejar por conta própria, o que mais tarde pode influenciar a forma como ela escolhe e vive o amor.

O mais importante é que essa relação possa ser falada e elaborada, tanto pelos pais quanto, se necessário, pela própria criança, num espaço terapêutico.
Assim, o vínculo deixa de ser prisão e passa a ser uma base segura — onde o amor pela mãe não exclui o desejo de viver e se relacionar com o mundo.
Na psicanálise, na fase de latência é comum haver maior apego a um dos pais, mas uma rejeição intensa e persistente ao pai não é considerada esperada. Isso pode indicar dificuldades na elaboração do complexo de Édipo ou fragilidade da função paterna simbólica, especialmente quando há fusão excessiva com a mãe.
Se essa dinâmica se mantém, pode impactar a saúde psíquica da criança, dificultando a separação, a construção de limites e a autonomia emocional. No futuro, pode repercutir nas escolhas amorosas, favorecendo relações de dependência, idealização excessiva ou dificuldade em lidar com frustração e diferença.
A psicanálise oferece um espaço de escuta para compreender a singularidade da criança e da dinâmica familiar, favorecendo elaborações mais saudáveis. Coloco-me à disposição como profissional para orientação e acompanhamento.
O comportamento de uma menina ser demasiadamente apegada à mãe e rejeitar o pai na fase de latência pode ter diversas causas e implicações. Na psicologia, essa fase, que ocorre geralmente entre os 6 e 12 anos, é um período de relativa calma após o Complexo de Édipo, onde as questões edipianas são supostamente resolvidas. No entanto, um apego excessivo à mãe e a rejeição ao pai podem indicar que conflitos dessa fase não foram totalmente superados. Isso pode prejudicar o desenvolvimento psíquico, levando a dificuldades em estabelecer relacionamentos saudáveis e equilibrados futuramente, podendo influenciar nas escolhas amorosas. Espero ter ajudado!
Dra. Renata Bittencourt
Psicanalista
Brasília
Olá,
As implicações para a saúde psíquica não dependem de um comportamento isolado de uma fase da vida, mas da possibilidade de a criança circular simbolicamente entre as figuras de cuidado, encontrar limites, reconhecimento e espaços de separação.
Do mesmo modo, as escolhas amorosas futuras não decorrem de uma relação direta e linear com essa fase, mas do conjunto das experiências afetivas ao longo do tempo e de como elas puderam ser elaboradas.

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