É realmente incomum não se lembrar da própria vida em detalhes? A Síndrome da Memória Autobiográfica

3 respostas
É realmente incomum não se lembrar da própria vida em detalhes? A Síndrome da Memória Autobiográfica Gravemente Deficiente é falsa ou é ciência real?
Sim, é possível que algumas pessoas apresentem dificuldades significativas em se lembrar de detalhes da própria vida, mas isso varia bastante de intensidade e causa. A dificuldade de recordar memórias autobiográficas — eventos e experiências pessoais — pode ocorrer em contextos normais, como envelhecimento, estresse intenso, depressão, trauma psicológico ou esquecimento natural, mas também pode estar relacionada a condições neurológicas ou psiquiátricas específicas.

A Síndrome da Memória Autobiográfica Gravemente Deficiente (Highly Superior Autobiographical Memory Deficit, ou SDAM reversa) é um termo que surgiu em pesquisas recentes, mas não é amplamente reconhecida nem formalmente estabelecida como um diagnóstico clínico no DSM-5 ou CID-11. Ela descreve pessoas que têm memórias de fatos e habilidades cognitivas intactas, mas apresentam dificuldade quase total em se lembrar de acontecimentos pessoais passados. Estudos publicados indicam que essas pessoas podem ter diferenças estruturais ou funcionais em áreas do cérebro envolvidas na memória autobiográfica, como o hipocampo e o córtex pré-frontal medial.

Portanto:

A dificuldade extrema de lembrar detalhes da própria vida existe, e é reconhecida na neurociência e psicologia.

A “Síndrome da Memória Autobiográfica Gravemente Deficiente” ainda é um conceito de pesquisa, não um diagnóstico clínico formal.
Pessoas com essas dificuldades podem se beneficiar de estratégias baseadas em psicologia cognitivo-comportamental, psicoeducação e técnicas de memória (como diários de memória, registros de experiências, associações contextuais) para melhorar a recordação e reduzir ansiedade relacionada à memória.

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A sensação de “lembrar de coisas que não existiram” pode acontecer em algumas condições, mas quando é frequente, vale procurar um especialista. Nem sempre significa doença, mas merece avaliação.
 Luiz Siqueira
Psicólogo
Rio de Janeiro
É normal sentir que grande parte da vida está “em branco”?

Sim — isso é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

Muitas pessoas descrevem exatamente isso:

“É como se houvesse uma tela preta, com poucas lembranças vagas.”

Alguns pontos importantes:

A maioria das pessoas não tem lembranças contínuas da própria vida, apenas fragmentos.

A memória autobiográfica não registra o cotidiano repetitivo com riqueza de detalhes.

Períodos de:

estresse crônico

ansiedade

depressão

experiências emocionalmente difíceis
costumam ser lembrados de forma mais difusa.

Em alguns casos, essa sensação está ligada a:

evitação emocional

dissociação leve

foco excessivo no presente ou no futuro

pouca construção narrativa da própria história

Isso não significa perda de memória nem, na maioria dos casos, doença neurológica.

3) Quando vale investigar mais a fundo?

É recomendável procurar avaliação profissional se:

a dificuldade de lembrar vem acompanhada de sofrimento intenso

há sensação de estranhamento de si mesmo

surgem lapsos importantes de tempo

existe histórico de trauma relevante

ou se há prejuízo funcional claro no dia a dia

Um psicólogo ou neuropsicólogo pode ajudar a diferenciar:

variação normal da memória autobiográfica

efeitos emocionais

padrões dissociativos

ou, mais raramente, questões neurológicas.

Em resumo

Sim, é possível melhorar o acesso à memória autobiográfica de forma natural.

Sentir que grande parte da vida está “vaga” ou pouco acessível é comum.

Na maioria dos casos, isso está ligado a fatores emocionais e de estilo de processamento, não a falhas graves de memória.

Com apoio adequado, muitas pessoas passam a se reconhecer melhor na própria história.

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