Existe sensibilidade sensorial (luz, som, cheiro) no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

3 respostas
Existe sensibilidade sensorial (luz, som, cheiro) no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Oi,
Sim, existe. A hipersensibilidade sensorial (a luzes, sons, texturas ou cheiros) não é um critério oficial de diagnóstico, mas é um fenômeno clínico muito comum no TPB. Ela está profundamente ligada à hiper-reatividade emocional e ao estado de hipervigilância constante. O sistema nervoso da pessoa está tão sobrecarregado e alerta a ameaças relacionais (medo de abandono, rejeição), que os sentidos ficam exacerbados como parte dessa defesa. Um som alto pode não ser apenas incômodo, mas sentido como uma agressão intolerável, desregulando ainda mais as emoções. Essa sensibilidade reforça a importância de um tratamento que acolha a experiência corporal integral.

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No Transtorno de Personalidade Borderline, pode existir sensibilidade sensorial a estímulos como luz, som e cheiros, embora isso não seja um critério diagnóstico central. Essa sensibilidade costuma estar ligada a estados de intensa ativação emocional, nos quais o corpo fica em alerta e os estímulos são vividos como excessivos ou invasivos. Não se trata apenas de uma reação física, mas de uma experiência subjetiva em que o externo atravessa o sujeito de forma mais intensa. Na análise, torna-se possível compreender como essas reações corporais se articulam ao sofrimento psíquico e às vivências emocionais, permitindo ao sujeito construir formas mais simbólicas de lidar com o excesso que hoje se manifesta no corpo.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Sim, pode existir sensibilidade sensorial a luz, som, cheiros e outros estímulos no Transtorno de Personalidade Borderline, embora isso nem sempre seja reconhecido ou nomeado dessa forma. Muitas pessoas associam o TPB apenas às reações emocionais e aos relacionamentos, mas, na prática, o corpo também participa intensamente desse funcionamento.

Essa sensibilidade sensorial costuma aparecer com mais força quando o sistema emocional já está ativado. Em momentos de estresse, conflito, frustração ou medo relacional, o cérebro tende a reduzir seus filtros, e estímulos que normalmente seriam toleráveis passam a ser percebidos como excessivos, invasivos ou irritantes. Não é que a pessoa “não aguente nada”, mas sim que o sistema nervoso está operando em estado de alerta máximo, como se tudo precisasse ser processado ao mesmo tempo.

Sons repetitivos, ambientes muito barulhentos, luz forte, cheiros intensos ou contato físico inesperado podem aumentar irritação, ansiedade ou sensação de desorganização interna. Isso, por sua vez, intensifica as emoções e pode facilitar reações impulsivas ou afastamentos repentinos, criando um ciclo em que o sensorial e o emocional se alimentam mutuamente.

Você já percebeu se esses estímulos incomodam mais quando está emocionalmente cansado ou em conflito com alguém? Há situações em que o ambiente parece “pesar” mais do que o normal? Depois que você sai desse contexto ou se acalma, algo muda na intensidade emocional? Essas perguntas ajudam a entender se o sensorial está funcionando como gatilho ou amplificador das emoções.

Na psicoterapia, essa sensibilidade é trabalhada de forma integrada, considerando corpo, emoção e contexto, para que a pessoa aprenda a reconhecer limites, diferenciar desconforto sensorial de ameaça real e construir formas mais estáveis de autorregulação. Se a pessoa já estiver em acompanhamento, levar essa percepção para o profissional que a atende pode enriquecer bastante o processo. Caso precise, estou à disposição.

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