Existe um viés na forma como as pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) interpretam

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Existe um viés na forma como as pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) interpretam as expressões faciais?

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Sim. Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline percebem as expressões faciais, mas há um viés emocional que tende a amplificar ou distorcer a interpretação. Um olhar neutro, um silêncio ou uma pequena mudança de expressão podem ser percebidos como rejeição, desaprovação ou abandono, mesmo quando não há essa intenção. Esse viés não indica falta de percepção, mas sim que a leitura das expressões é filtrada por emoções intensas, medo de abandono e experiências passadas de invalidação. Na análise, o objetivo é ajudar o sujeito a diferenciar o que é efeito do próprio viés emocional do que reflete realmente a intenção ou estado do outro, promovendo interpretações mais equilibradas nas relações.
Existe um viés que interpreta expressões neutras como hostis ou rejeitadoras.

Sinais de raiva são detectados mais rapidamente do que por pessoas sem o transtorno.

Emoções negativas alheias são percebidas com intensidade exagerada (intensificação).

A causa é biológica, ligada à hiperatividade da amígdala (radar de ameaças).

O cérebro gera "falsos positivos" de perigo social, dificultando os relacionamentos.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Sim, existe uma linha de estudos que mostra que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline podem apresentar um viés na interpretação de expressões faciais, especialmente quando essas expressões são ambíguas. O que costuma acontecer não é uma “leitura errada” no sentido simples, mas uma tendência a perceber sinais de crítica, rejeição ou desaprovação com mais facilidade do que outras pessoas.

Isso está muito ligado à forma como o sistema emocional processa pistas sociais. O cérebro, principalmente em contextos de maior sensibilidade ao abandono ou à rejeição, pode funcionar como um “radar” mais sensível, captando rapidamente qualquer sinal que possa indicar risco relacional. O ponto é que, às vezes, esse radar dispara mesmo quando o sinal não é tão claro assim.

É importante ajustar um detalhe: esse viés não significa que a pessoa está imaginando coisas ou “criando problemas”. A percepção acontece de forma automática e é sentida como real naquele momento. O desafio está mais na interpretação que se constrói a partir dessa percepção, que pode ficar mais carregada emocionalmente.

Pensando nisso, pode ser interessante observar algumas situações do dia a dia: quando você olha para a expressão de alguém, você costuma tirar conclusões rápidas sobre o que aquela pessoa está sentindo em relação a você? Essas conclusões mudam depois, quando você tem mais informações? E o quanto essas leituras influenciam a forma como você reage ou se posiciona?

Esse tipo de viés pode ser trabalhado em terapia, ajudando a pessoa a criar um espaço maior entre o que ela percebe, o que ela interpreta e como ela responde. Aos poucos, isso tende a trazer mais segurança nas interações e menos desgaste emocional nos relacionamentos.

Caso precise, estou à disposição.

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