Faço acompanhamento no caps a alguns anos. Minha família tem histórico de bipolar 1 e 2(minha mãe).
Faço acompanhamento no caps a alguns anos. Minha família tem histórico de bipolar 1 e 2(minha mãe). Minha psiquiatra fala que sou boderline, não bipolar pois bipolar tomando sertralina entraria em mania. Mas tomo uma grande quantidade de estabilizadores, que acredito que segurem a mania. Tomo 3 lítio de 300, 1 lamotrigina de 100mg, 50mg de quetiapina pra dormir e 2 sertralina de 50. Mesmo antes do tratamento não tinha variação tão grande de humor em curto prazo, explosões, etc. Pode haver um equívoco? Deveria buscar uma segunda opinião?
5 respostas
Olá! Sua pergunta é excelente e muito comum, refletindo uma complexidade diagnóstica que muitos pacientes enfrentam. É fundamental buscar clareza, especialmente quando há um histórico familiar de Transtorno Bipolar (TAB) e você está em tratamento com medicações importantes. Vamos entender alguns pontos cruciais: Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) vs. Transtorno Bipolar (TAB): As Diferenças Chave É verdade que o TPB e o TAB podem ter sintomas que se sobrepõem, como as mudanças de humor e a impulsividade. No entanto, a origem, a duração e os gatilhos dessas alterações são geralmente diferentes: Transtorno Bipolar (TAB): É um transtorno de humor, caracterizado por episódios distintos de mania/hipomania (humor elevado, energia aumentada, impulsividade) e depressão. Esses episódios tendem a ter uma duração mais prolongada (dias a semanas) e, muitas vezes, ocorrem sem um gatilho externo aparente. Pessoas com TAB geralmente têm períodos de estabilidade entre os episódios. O histórico familiar de TAB (Tipo 1 e 2) é um fator de risco importante. Transtorno de Personalidade Borderline (TPB): É um transtorno de personalidade, que envolve um padrão persistente de instabilidade em diversas áreas, como autoimagem, emoções, relacionamentos e comportamento. As mudanças de humor no TPB são frequentemente mais rápidas (horas a dias), intensas e reativas a eventos interpessoais ou estressores (por exemplo, medo de abandono). A impulsividade e as explosões de raiva são comuns, assim como sentimentos crônicos de vazio e dificuldades nos relacionamentos. Em resumo: Enquanto o TAB se manifesta em episódios de humor, o TPB é mais pervasivo, com instabilidade emocional e interpessoal contínua, muitas vezes desencadeada por situações específicas Antidepressivos e o Risco de Virada Maníaca no Transtorno Bipolar Sua psiquiatra está correta ao mencionar que antidepressivos, como a Sertralina, podem induzir uma virada maníaca (ou hipomaníaca) em pessoas com Transtorno Bipolar, especialmente se não houver proteção adequada com estabilizadores de humor No seu caso, você menciona o uso de Lítio (300mg x 3) e Lamotrigina (100mg), que são estabilizadores de humor amplamente utilizados no tratamento do Transtorno Bipolar. A Quetiapina (50mg), embora usada para dormir, também possui propriedades estabilizadoras de humor e antimaníacas em doses mais altas, e pode contribuir para a proteção A presença de estabilizadores de humor no seu esquema terapêutico reduz significativamente o risco de uma virada maníaca induzida por antidepressivos. Muitos pacientes com TAB precisam de antidepressivos para tratar episódios depressivos, e essa combinação é feita com cautela e monitoramento, justamente com a proteção dos estabilizadores Você relata que, mesmo antes do tratamento, não tinha variações de humor tão grandes em curto prazo ou explosões, o que é um ponto importante a ser considerado. A ausência de episódios maníacos ou hipomaníacos claros no passado, ou a presença de sintomas mais reativos a eventos, pode ter levado ao diagnóstico de TPB. No entanto, a complexidade dos sintomas e o histórico familiar de Transtorno Bipolar justificam plenamente sua dúvida. Não há problema em buscar uma segunda opinião. Um novo olhar profissional pode trazer novas perspectivas, confirmar o diagnóstico atual ou sugerir ajustes no tratamento, sempre visando o seu bem-estar. Recomendação É crucial que você discuta abertamente suas preocupações com sua psiquiatra atual. Se ainda assim sentir a necessidade de uma segunda avaliação, procure um profissional experiente em diagnóstico diferencial de transtornos de humor e personalidade. Um psiquiatra com expertise nessas áreas poderá realizar uma avaliação aprofundada, considerando seu histórico completo, a resposta aos medicamentos e a apresentação atual dos seus sintomas, para chegar a um diagnóstico mais preciso e um plano de tratamento otimizado. Se você busca uma avaliação detalhada e baseada nas mais recentes evidências científicas, estou à disposição para uma consulta. Uma análise cuidadosa do seu caso pode ser o passo decisivo para encontrar o tratamento mais adequado e melhorar sua qualidade de vida.
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O uso de sertralina, mesmo que fosse sem estabilizadores de humor, não desencadeia, necessariamente, episódios de mania, em bipolares. O risco existe e, se o diagnóstico já tiver sido feito de bipolaridade, jamais se deve administrar antidepressivos sem estabilizadores de humor, mas o inverso não vale: uma pessoa bipolar pode ter tomado anos de antidepressivos e não ter entrado em mania. Por outro lado, o uso de tantos estabilizadores de humor certamente aumenta a probabilidade de não haver episódio maníaco, mesmo em bipolares. O transtorno de personalidade borderline é um quadro muito heterogêneo, cujas causas são desconhecidas e sequer se sabe se é um transtorno unitário ou um "saco de gatos". Assim, pode ter havido um equívoco no diagnóstico. Finalmente, o transtorno de personalidade borderline, se não houver comorbidades, não tem tratamento medicamentoso específico - assim, chama a atenção o uso de tantos estabilizadores de humor e de um antidepressivo, simultaneamente: o que exatamente está sendo tratado? Quanto a uma segunda opinião, infelizmente, independente de qual seja, como saber se quem está certo é o primeiro profissional ou o segundo?
É compreensível ter essa dúvida, porque o diagnóstico entre transtorno de personalidade borderline e transtorno bipolar pode ser desafiador e depende muito da evolução clínica ao longo do tempo; o fato de usar sertralina sem episódios claros de mania não exclui totalmente bipolaridade, especialmente quando há uso concomitante de estabilizadores como lítio e lamotrigina, mas também não confirma o diagnóstico, então, diante de dúvidas persistentes ou sensação de inconsistência com sua história clínica, buscar uma segunda opinião é uma conduta válida e pode ajudar a esclarecer melhor o quadro.
Boa tarde, Essa dúvida é compreensível. A diferença entre borderline e bipolar pode ser sutil, principalmente quando já existe tratamento em uso, que pode “mascarar” oscilações. O fato de você usar estabilizadores pode sim reduzir risco de mania, mesmo com antidepressivo. Por outro lado, o padrão dos sintomas ao longo do tempo (duração, intensidade e gatilhos) é o que realmente diferencia os diagnósticos. Se você sente insegurança em relação a isso, buscar uma segunda opinião é algo totalmente válido.
Uma segunda opinião pode ajudar a esclarecer essa dúvida. Não entrar em mania usando sertralina não exclui bipolaridade, assim como tomar estabilizadores de humor não confirma esse diagnóstico. O histórico da sua mãe merece consideração, mas também não decide sozinho. Na avaliação, eu daria bastante atenção ao período anterior aos medicamentos: se houve fases diferentes do seu habitual, quanto duraram e o que mudou no sono, na energia e no comportamento. Também interessa saber como você ficava entre essas fases. Borderline e bipolaridade não se distinguem apenas por ter explosões ou por reagir de determinada maneira a um antidepressivo. Reconstruir essa história ajuda a entender quais critérios sustentam o diagnóstico atual e o que ainda precisa ser esclarecido.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.


