Meu filho tem 15 anos, vai fazer 16 em Abril. Às vezes pego ele falando sozinho e ele fica muito br

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Meu filho tem 15 anos, vai fazer 16 em Abril.
Às vezes pego ele falando sozinho e ele fica muito bravo e às vezes ele fala sozinho sorrindo. Ele é curioso e agitado. Ele teve muitos problemas na escola por causa disso, é agressivo quando tem brigas ou discussões perto dele, fica descontrolado. E às vezes tem um comportamento infantil. É muito ansioso também. Tem manias, uma delas é de usar meia sempre, até quando está muito calor.
Às vezes se recusa a usar sabonete e shampoo no banho, às vezes toma banho normal, às vezes se recusa a comer comida, e às vezes come normalmente. Médico pediu para ele tomar Depakene e Resperidona. Mas, às vezes ele fica bem tranquilo e conversa normal, nós nunca sabemos como ele vai agir nos lugares, temos medo que ele fique bravo, não sabemos exatamente o que poder ser, estamos investigando.
Dr. Gustavo Holanda
Neurologista pediátrico
Recife
Entendo sua preocupação. Ver um filho oscilar tanto no comportamento, ora tranquilo e conversando normalmente, ora irritado, agressivo ou falando sozinho, causa angústia e insegurança na família.

Na adolescência, muitas mudanças emocionais e hormonais acontecem ao mesmo tempo. No entanto, quando surgem sinais como falar sozinho com frequência, alterações bruscas de humor, explosões de raiva desproporcionais, ansiedade intensa, comportamentos repetitivos ou manias rígidas — como precisar usar meia mesmo no calor — e dificuldades importantes na escola e na convivência social, é fundamental investigar com cuidado.

Falar sozinho, isoladamente, não significa doença. Muitos adolescentes fazem isso como forma de organizar pensamentos. O que chama atenção é o conjunto dos sintomas: irritabilidade intensa, descontrole diante de conflitos, comportamento às vezes infantil para a idade, recusa intermitente em cuidados básicos como banho ou alimentação, além de ansiedade marcante. Esse padrão sugere que pode haver um transtorno do neurodesenvolvimento, um transtorno de humor, um quadro psicótico em início, ou mesmo uma associação de condições. Cada uma dessas possibilidades exige avaliação criteriosa.

O uso de Depakene (valproato) costuma ser indicado para estabilização do humor, controle de impulsividade e, em alguns casos, epilepsia. A risperidona é utilizada para reduzir agressividade, irritabilidade, agitação e sintomas psicóticos, quando presentes. O fato de o médico ter prescrito essas medicações indica que ele percebeu alterações importantes no humor e no comportamento que merecem intervenção. Isso não fecha diagnóstico definitivo, mas mostra que há necessidade de acompanhamento próximo.

A oscilação entre momentos em que ele parece “normal” e outros em que perde o controle também é característica de alguns transtornos psiquiátricos da adolescência. Nessas situações, o cérebro funciona como se tivesse dificuldade em regular emoções e impulsos. Não é falta de educação, nem “manha”. É sofrimento real, que precisa de abordagem técnica.

Outro ponto importante é a agressividade quando há discussões por perto. Alguns adolescentes apresentam hipersensibilidade emocional ou dificuldade de processamento social. Eles se sentem ameaçados com facilidade e reagem de forma explosiva. A ansiedade intensa pode piorar esse padrão.

É essencial que ele seja avaliado por psiquiatra da infância e adolescência ou neuropediatra, com investigação detalhada do histórico de desenvolvimento, comportamento desde a infância, desempenho escolar, padrão de sono, possíveis sintomas psicóticos, além de avaliação familiar. Às vezes são necessários exames complementares, mas o principal instrumento diagnóstico continua sendo a escuta clínica cuidadosa.

O tratamento costuma envolver medicação quando indicada, psicoterapia estruturada e orientação familiar. A família também precisa de apoio para aprender a lidar com as crises, estabelecer limites consistentes e reduzir gatilhos de conflito.

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