Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sentem uma falta de controle sobre
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Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sentem uma falta de controle sobre suas emoções e comportamentos. Como podemos trabalhar a percepção de controle no tratamento, especialmente se o paciente nega o diagnóstico?
Mesmo quando o paciente nega o diagnóstico, o psicólogo pode trabalhar a percepção de controle focando em situações concretas: identificar gatilhos emocionais, ensinar estratégias de regulação (como pausas, respiração, grounding), planejar respostas alternativas e reforçar pequenas escolhas que aumentem a autonomia. Na perspectiva psicanalítica, trata-se de ajudar o sujeito a simbolizar suas emoções e perceber sua participação nos próprios comportamentos, permitindo gradualmente internalizar uma sensação de agência e reduzir a experiência de desamparo, sem precisar reconhecer o diagnóstico imediatamente.
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A sensação de "não ter controle" que você menciona pode ser interpretado como emoções vindo com uma intensidade tão grande que parece impossível segurar ou organizar aquilo. E, quando o paciente ainda nega o diagnóstico, falar diretamente sobre “controle” ou sobre o próprio transtorno pode soar como crítica ou incompreensão. Na prática clínica, a gente não começa tentando ensinar controle no sentido de “segure isso” ou “aja diferente”. Antes disso, o foco é ajudar o paciente a se sentir minimamente seguro para perceber o que está acontecendo dentro dele. Porque, muitas vezes, o que falta não é controle em si, mas a possibilidade de reconhecer, nomear e dar algum sentido às emoções antes que elas transbordem.
A negação entra justamente aí como uma proteção. Se olhar para si dói demais, negar pode ser a única forma que a pessoa encontrou para continuar funcionando. Então, em vez de confrontar isso diretamente, o terapeuta vai, aos poucos, ajudando o paciente a construir um espaço onde ele consiga olhar para suas reações sem se sentir atacado ou envergonhado.
Por isso, acredito que esse controle pode aparecer quando começamos a perceber nossas emoções e criamos, em conjunto, formas de trabalhar e existir com essas angústias. Como por exemplo, quando percebemos sintomas de ansiedade, conseguimos localizar o que nos deixa ansioso e principalmente, temos ferramentas para sustentar ou diminuir esses sintomas. Com o tempo, é possível perceber que emoções intensas podem ser vividas sem que tudo se rompa. Com o tempo, essa experiência vai sendo internalizada.
Por isso, mesmo que o paciente não aceite o diagnóstico, é totalmente possível trabalhar a percepção de controle. Na verdade, muitas vezes isso acontece justamente quando a gente tira o foco do rótulo e coloca na experiência real da pessoa, no que ela sente, vive e repete.
Espero ter ajudado e fico à disposição :)
A negação entra justamente aí como uma proteção. Se olhar para si dói demais, negar pode ser a única forma que a pessoa encontrou para continuar funcionando. Então, em vez de confrontar isso diretamente, o terapeuta vai, aos poucos, ajudando o paciente a construir um espaço onde ele consiga olhar para suas reações sem se sentir atacado ou envergonhado.
Por isso, acredito que esse controle pode aparecer quando começamos a perceber nossas emoções e criamos, em conjunto, formas de trabalhar e existir com essas angústias. Como por exemplo, quando percebemos sintomas de ansiedade, conseguimos localizar o que nos deixa ansioso e principalmente, temos ferramentas para sustentar ou diminuir esses sintomas. Com o tempo, é possível perceber que emoções intensas podem ser vividas sem que tudo se rompa. Com o tempo, essa experiência vai sendo internalizada.
Por isso, mesmo que o paciente não aceite o diagnóstico, é totalmente possível trabalhar a percepção de controle. Na verdade, muitas vezes isso acontece justamente quando a gente tira o foco do rótulo e coloca na experiência real da pessoa, no que ela sente, vive e repete.
Espero ter ajudado e fico à disposição :)
A sensação de falta de controle pode ser trabalhada ajudando o paciente a construir pequenas experiências de regulação no dia a dia. Quando ele consegue reconhecer o que está sentindo, identificar gatilhos e fazer pequenas pausas antes de agir, começa a perceber que tem mais recursos do que imaginava. Esse senso de controle vai sendo construído aos poucos, mesmo sem a aceitação do diagnóstico.
Bem, quando lido com pacientes nesta situação, busco evitar falar do transtorno, apenas contornando, falando de sintomas. O problema não necessariamente é o paciente negar o diagnóstico, mas sim o profissional empurrá-lo goela a baixo. Assim, podemos utilizar outros termos para nos referir aos sintomas do TPB.
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