Não quero que as pessoas me vejam como frágil por ter lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso
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respostas
Não quero que as pessoas me vejam como frágil por ter lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso aceitar doença sem me sentir vulnerável?
Olá, sua pergunta é muito importante e curiosa, tentarei te ajudar a entendê-la do melhor modo.
Na verdade logo de início me vejo tentado a te fazer uma outra pergunta:
o que exatamente você teme que as pessoas pensem ou façam se te virem como “frágil”?
- Medo de ser tratada como incapaz?
- Medo de que as pessoas se afastem por não saberem lidar?
- Medo de perder autoridade no trabalho, na família, nos espaços que você ocupa?
- Medo de que sua dor seja desqualificada ou, ao contrário, superdimensionada?
Todos esse medos são legítimos. Vivemos em uma sociedade que supervaloriza a autonomia e a produção, e que muitas vezes trata a dependência como algo vergonhoso. Mostrar-se vulnerável pode soar como dar munição para que desconfiem ainda mais de você. É importante nomear isso: seu receio não é só pessoal, ele é social e político.
Na esquizoanálise, trabalhamos com a ideia de que o corpo é um agenciamento de afetos, não uma essência fixa. A fragilidade que você teme talvez seja uma imagem estática: alguém quebrado, sem potência. Mas a vulnerabilidade — o fato de sermos afetáveis, de dependermos uns dos outros, de termos limites — é constitutiva de todo ser humano. Você não escolheu ser vulnerável; a vida é vulnerável.
Desse modo, acredito ser essencial separarmos "fragilidade" de "vulnerabilidade", em termos conceituais.
A questão talvez não seja deixar de ser vulnerável, mas sim como você percebe essa vulnerabilidade. É possível estar vulnerável e ainda assim ser a pessoa que decide sobre sua vida, que estabelece limites, que pede o que precisa sem se diminuir. A diferença está na agência: você pode dizer “hoje estou com menos energia, mas ainda sou eu quem decide o que fazer com essa energia”.
Esse é um processo de desorganização e reorganização existencial. E é um processo necessário, principalmente quando lidamos com eventos que afetam nossa relação com o nosso próprio corpo e o mundo. Ainda assim é fundamental entender que se desorganizar e se reorganizar faz parte do fluxo da vida, e não significa que essa reorganização seja para algo inferior. É possível se construir modelos de reorganização potentes e grandiosos, lidando adequadamente com os fluxos de relações e variáveis disponíveis.
Assim, acredito que para esse processo de reorganização existencial, a psicoterapia seria essencial, enquanto um espaço seguro, acolhedor e potente, para nomear os sentimentos, produzir sentidos e experimentar modos existenciais possíveis.
Espero ter ajudado com sua pergunta, e me coloco à disposição para auxiliar no que for preciso.
Na verdade logo de início me vejo tentado a te fazer uma outra pergunta:
o que exatamente você teme que as pessoas pensem ou façam se te virem como “frágil”?
- Medo de ser tratada como incapaz?
- Medo de que as pessoas se afastem por não saberem lidar?
- Medo de perder autoridade no trabalho, na família, nos espaços que você ocupa?
- Medo de que sua dor seja desqualificada ou, ao contrário, superdimensionada?
Todos esse medos são legítimos. Vivemos em uma sociedade que supervaloriza a autonomia e a produção, e que muitas vezes trata a dependência como algo vergonhoso. Mostrar-se vulnerável pode soar como dar munição para que desconfiem ainda mais de você. É importante nomear isso: seu receio não é só pessoal, ele é social e político.
Na esquizoanálise, trabalhamos com a ideia de que o corpo é um agenciamento de afetos, não uma essência fixa. A fragilidade que você teme talvez seja uma imagem estática: alguém quebrado, sem potência. Mas a vulnerabilidade — o fato de sermos afetáveis, de dependermos uns dos outros, de termos limites — é constitutiva de todo ser humano. Você não escolheu ser vulnerável; a vida é vulnerável.
Desse modo, acredito ser essencial separarmos "fragilidade" de "vulnerabilidade", em termos conceituais.
A questão talvez não seja deixar de ser vulnerável, mas sim como você percebe essa vulnerabilidade. É possível estar vulnerável e ainda assim ser a pessoa que decide sobre sua vida, que estabelece limites, que pede o que precisa sem se diminuir. A diferença está na agência: você pode dizer “hoje estou com menos energia, mas ainda sou eu quem decide o que fazer com essa energia”.
Esse é um processo de desorganização e reorganização existencial. E é um processo necessário, principalmente quando lidamos com eventos que afetam nossa relação com o nosso próprio corpo e o mundo. Ainda assim é fundamental entender que se desorganizar e se reorganizar faz parte do fluxo da vida, e não significa que essa reorganização seja para algo inferior. É possível se construir modelos de reorganização potentes e grandiosos, lidando adequadamente com os fluxos de relações e variáveis disponíveis.
Assim, acredito que para esse processo de reorganização existencial, a psicoterapia seria essencial, enquanto um espaço seguro, acolhedor e potente, para nomear os sentimentos, produzir sentidos e experimentar modos existenciais possíveis.
Espero ter ajudado com sua pergunta, e me coloco à disposição para auxiliar no que for preciso.
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