Como a trombose mesentérica pode ser diagnosticada em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES

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Como a trombose mesentérica pode ser diagnosticada em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) sem sintomas evidentes?
O diagnóstico da trombose/isquemia mesentérica em pacientes com LES — especialmente quando os sintomas são sutis ou inespecíficos — depende de uma combinação de alto índice de suspeição clínica, tomografia computadorizada com contraste (TC/angioTC), marcadores laboratoriais e identificação de fatores de risco predisponentes. A vasculite mesentérica lúpica (VML) é a principal causa de isquemia mesentérica no LES, com prevalência de 2,2-2,5%, e apresenta alta taxa de erro diagnóstico quando os sintomas são atípicos.

A mensagem central é que, no LES, qualquer sintoma abdominal em paciente com doença ativa deve ser considerado potencialmente grave até prova em contrário, e a TC com contraste deve ser realizada com baixo limiar de indicação, pois o diagnóstico precoce e o tratamento imunossupressor imediato previnem complicações potencialmente fatais como necrose e perfuração intestinal.

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Dra. Flávia Gava Bastos
Reumatologista, Médico clínico geral
Rio de Janeiro
A trombose/vasculite mesentérica no lúpus costuma causar dor abdominal aguda, então casos totalmente sem sintomas são raros. A vasculite mesentérica lúpica tipicamente se manifesta com dor abdominal aguda em praticamente todos os casos (88-100% dos pacientes). Por isso, o diagnóstico precoce depende principalmente da vigilância em pacientes com LES ativo e fatores de risco.

Alguns sinais podem levantar suspeita antes do quadro agudo, como piora da anemia, aumento da proteinúria, atividade renal ou hematológica do lúpus e presença de anticorpos anticardiolipina. Quando o paciente apresenta sintomas gastrointestinais mesmo leves ou inespecíficos (náuseas, distensão abdominal, desconforto abdominal), a investigação deve ser rápida.

O principal exame é a tomografia abdominal com contraste, que pode identificar alterações típicas nos vasos e na parede intestinal. Exames laboratoriais também ajudam, mostrando alterações como leucopenia, consumo de complemento e aumento da proteinúria.

Atualmente, não existe um protocolo de rastreamento para pacientes totalmente assintomáticos. O mais importante é manter acompanhamento próximo em pacientes com LES ativo e investigar precocemente qualquer sintoma abdominal, mesmo que seja discreto.

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