Nos últimos 4 meses desde que meu esposo adoeceu (AVC I) que minha vida mudou completamente: não ten

1 respostas
Nos últimos 4 meses desde que meu esposo adoeceu (AVC I) que minha vida mudou completamente: não tenho o apoio e a ajuda da família dele, perdi meu pai a 4 anos e isso ainda me dói muito, tenho sido bastante humilhada, desrespeitada e ignorada dentro da minha própria casa, somos cristãos protestantes e nossa igreja também não chega junto. Estou exausta e sobrecarregada, todas as despesas da casa, medicamentos e processo de reabilitação dele tem sido comigo. Choro o dia inteiro, tenho medo até de dormir, sinto angústia, sentimento de humilhação e estou com baixa autoestima, tenho acompanhamento psicológico e psiquiátrico mas não está sendo suficiente o que faço?
Sinto muito por tudo o que você está vivendo. O que você descreve é profundamente desgastante e, diante desse contexto, seu sofrimento faz sentido. Você não está fraca, nem “falhando na fé” ou na vida, você está sobrecarregada além do limite humano.

Nos últimos meses você acumulou luto não elaborado, uma mudança brusca de papel(de esposa para cuidadora principal), isolamento emocional, falta de apoio familiar, dificuldades financeiras e ainda episódios de desrespeito e humilhação dentro do próprio lar. Isso, por si só, já seria suficiente para adoecer qualquer pessoa. Chorar o dia inteiro, sentir medo de dormir, angústia constante, sensação de humilhação e queda da autoestima são sinais claros de esgotamento emocional e psicológico, possivelmente um quadro depressivo e ansioso reativo a uma situação extrema.

É importante dizer algo com muita clareza: nenhum tratamento psicológico ou psiquiátrico funciona plenamente quando a pessoa permanece sozinha em um ambiente que continua adoecendo. O acompanhamento que você faz é fundamental, mas talvez não esteja sendo suficiente porque o contexto precisa mudar, nem que seja parcialmente.

Alguns pontos práticos e importantes para você refletir e conversar com seus profissionais:

Você não pode carregar tudo sozinha. Cuidar de alguém após um AVC é extenuante e, em muitos casos, exige rede de apoio formal. Vale buscar assistência social, serviços públicos de reabilitação, grupos de cuidadores, ONGs, CAPS, ou até orientação jurídica/social, dependendo da sua região. Isso não é abandono, é preservação da sua saúde.

O fato de você estar sendo humilhada e desrespeitada dentro da própria casa é um sinal de alerta. Nenhuma condição de saúde do seu esposo justifica violência psicológica ou emocional. Isso precisa ser nomeado e levado para o espaço terapêutico com muita seriedade.

Sobre a fé: quando a comunidade religiosa não acolhe, isso costuma gerar culpa, sensação de abandono e confusão espiritual. Isso não significa que você falhou com Deus. Muitas vezes, é a instituição que falha com as pessoas. Sua fé não precisa desaparecer, mas talvez precise ser vivida de forma mais compassiva consigo mesma, e não como mais uma cobrança.

Do ponto de vista clínico, é essencial que você relate ao psiquiatra exatamente como está: o medo de dormir, o choro constante, a angústia diária e a sensação de estar no limite. Às vezes é necessário reavaliar medicações, frequência das consultas ou até o foco do tratamento, porque o quadro pode ter se intensificado.

Por fim, algo muito importante: se em algum momento você sentir que não aguenta mais, que tem pensamentos de se machucar ou de “sumir”, isso é um sinal de urgência. Nesses casos, procure imediatamente um serviço de saúde, uma emergência psiquiátrica ou ligue para o CVV (188), você merece ajuda agora, não só quando tudo desmoronar.

Você não é egoísta por pedir ajuda. Você é uma pessoa que está tentando sobreviver a uma carga que não deveria estar carregando sozinha. Você não precisa passar por isso em silêncio.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?

Especialistas

Fernanda Lima Britto Oliveira

Fernanda Lima Britto Oliveira

Psicólogo

São Luís

Alexandre Zatera

Alexandre Zatera

Médico do trabalho, Psiquiatra, Médico perito

Canoinhas

Marcy Harrouche

Marcy Harrouche

Psicanalista, Psicólogo

São Paulo

Norma Brezinski Liporoni

Norma Brezinski Liporoni

Psicólogo

Brasília

Angela Aparecida Torres

Angela Aparecida Torres

Psicólogo

Taguatinga

Isabelle da Silva Kretzer

Isabelle da Silva Kretzer

Psicólogo

Florianópolis

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 153 perguntas sobre Transtorno depressivo
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.