O que é a relação entre Bullying e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

2 respostas
O que é a relação entre Bullying e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Dra. Emiliane Antunes
Psicanalista, Psicólogo
Muriaé
O bullying, por sua natureza, toca algo essencial no campo do sujeito: a relação com o olhar e o julgamento do outro. No caso de pessoas com manifestações obsessivo-compulsivas, essa experiência pode acentuar sentimentos de culpa, vergonha e a necessidade de controlar pensamentos ou situações, como uma tentativa de restaurar algo que se sentiu ameaçado.

No entanto, não se trata de dizer que o bullying “causa” o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. O que a psicanálise nos mostra é que cada sujeito responde ao mal-estar de forma singular, e o sintoma — no caso, as obsessões e compulsões — é uma maneira encontrada de lidar com a angústia que emerge dessa relação com o outro.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? A sua pergunta toca num ponto importante, porque muitas pessoas percebem que o bullying e o TOC se cruzam, mas nem sempre entendem como isso acontece. E vale trazer uma nuance desde o início: o bullying não causa TOC, mas pode intensificar muito os sintomas, a autocrítica e a forma como a pessoa lida com suas emoções e pensamentos intrusivos.

Quando alguém com TOC vive situações de bullying, o sistema emocional já hiperalerta passa a interpretar o ambiente como ainda mais hostil. O cérebro reage como se confirmasse a ideia de que “errar é perigoso”, “ser diferente traz risco” ou “qualquer comportamento pode gerar julgamento”. Isso costuma aumentar rituais, reforçar obsessões e diminuir a espontaneidade. Fico curioso sobre o caso que você tem em mente: a pessoa evita situações sociais por medo de observação? Percebe aumento dos rituais depois de episódios de humilhação? Ou nota que basta um comentário crítico para acionar todo o ciclo? Essas nuances mostram muito sobre a relação entre os dois fenômenos.

Ao mesmo tempo, o TOC também pode deixar alguém mais vulnerável ao bullying. Rituais, hesitações, rigidez ou medos exagerados são muitas vezes mal compreendidos por quem está de fora. E quando falta empatia, pessoas inseguras ou agressivas transformam aquilo que não entendem em alvo. Em alguns contextos, a pessoa com TOC passa a esconder sintomas, evitar interações e viver numa espécie de vigília constante, tentando não chamar atenção. Perceber esse movimento interno ajuda a entender o tamanho do impacto.

Quando o sofrimento aumenta, pode ser importante a presença de psicoterapia para reconstruir segurança emocional, trabalhar autoestima, diminuir culpa e fortalecer a tolerância à incerteza. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico pode ajudar a reduzir a ansiedade que o bullying agrava. A combinação de cuidado emocional e compreensão do transtorno costuma devolver espaço para que a pessoa volte a se relacionar consigo mesma sem tanto peso.

Se quiser explorar como essa relação aparece na sua realidade ou na de alguém próximo, posso ajudar a olhar isso de forma mais clara e cuidadosa. Caso precise, estou à disposição.

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