O que é “tolerância à ambivalência afetiva” e por que ela é baixa no Transtorno de Personalidade Bor

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O que é “tolerância à ambivalência afetiva” e por que ela é baixa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe esse ponto, ele é central para entender muitas experiências no TPB.

“Tolerância à ambivalência afetiva” é a capacidade de sustentar sentimentos mistos ao mesmo tempo, como gostar e se frustrar com alguém, sentir carinho e raiva, confiar e, ao mesmo tempo, ter dúvidas. Em pessoas com maior tolerância, essas emoções coexistem sem que uma precise anular a outra. No Transtorno de Personalidade Borderline, essa capacidade costuma ser mais baixa, o que faz com que a experiência emocional tenda a ficar mais polarizada.

Na prática, isso pode aparecer como mudanças rápidas entre extremos. Em um momento, alguém é visto como muito importante, especial ou seguro; em outro, pode ser percebido como decepcionante, distante ou até ameaçador. Não é que a pessoa “mude de ideia” de forma superficial, mas sim que cada estado emocional assume o controle com muita intensidade, dificultando manter uma visão mais integrada.

Essa baixa tolerância costuma ter relação com a forma como o sistema emocional foi desenvolvido ao longo da vida. Quando não houve experiências consistentes de validação e segurança, o cérebro pode aprender a organizar as relações de forma mais “tudo ou nada”, como uma tentativa de simplificar algo que internamente é vivido como complexo e, às vezes, doloroso. Além disso, quando a emoção fica muito intensa, a capacidade de sustentar nuances diminui naturalmente.

Faz sentido para você que, em alguns momentos, seja difícil sentir coisas diferentes ao mesmo tempo em relação à mesma pessoa? Já percebeu se, quando surge uma emoção mais forte, ela tende a “apagar” outras percepções que você tinha antes? E como você lida quando aparecem sentimentos contraditórios, você tenta integrá-los ou acaba se inclinando mais para um lado?

Na terapia, esse é um dos pontos mais importantes de desenvolvimento, porque aprender a sustentar ambivalências permite relações mais estáveis e uma experiência interna menos fragmentada. Aos poucos, a pessoa vai construindo espaço para sentir sem precisar reduzir tudo a extremos.

Caso precise, estou à disposição.

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