O que eu faço quando não consigo viver angustiada com o toc? Tenho toc religioso e eu já fiz de tudo

O que eu faço quando não consigo viver angustiada com o toc? Tenho toc religioso e eu já fiz de tudo pra conseguir resolver, até tenho um posicionamento sobre e tô tentando não mexer no assunto que me angustia, mas fico com medo de não ser toc ou até ser mas eu ainda estar em risco quanto ao conteúdo, daí tudo até mesmo o mecanismos pra superar o toc eu duvido, pq pode ser que eu esteja fazendo errado e fico perdida na minha cabeça, parece que eu não tenho certeza de nada e ainda me cobro pra viver normal e sentir algum orgulho de mim, mas não consigo pq parece que eu não tô vivendo certo.

4 respostas


O que você descreve é muito compatível com um dos ciclos mais difíceis do TOC religioso (escrupulosidade): não é apenas a dúvida sobre o conteúdo religioso, mas a necessidade de ter certeza absoluta de que aquilo é TOC, de que você não está em risco e de que está lidando com o TOC da maneira correta. Até a tentativa de melhorar pode virar objeto de dúvida e ruminação. Por isso, tentar encontrar mentalmente a resposta definitiva costuma alimentar o ciclo: dúvida, ansiedade,ruminação/checagem, alívio momentâneo, nova dúvida. O objetivo da psicoterapia não é oferecer 100% de certeza sobre cada pensamento, mas ajudá-la a desenvolver tolerância à incerteza e a não precisar responder a toda dúvida produzida pela mente. A Terapia Cognitivo-Comportamental, especialmente com Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), possui forte evidência para o tratamento do TOC. A ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) também pode ajudar a mudar sua relação com pensamentos intrusivos, enquanto a Terapia do Esquema pode ser útil para trabalhar padrões mais profundos de exigência, culpa, autocobrança e punitividade. Como você relata estar muito angustiada e já ter tentado resolver isso sozinha, eu recomendaria acompanhamento psicológico especializado em TOC. Você não precisa primeiro ter certeza de que “está fazendo tudo certo” para procurar ajuda; essa própria busca por certeza pode ser uma parte importante a ser trabalhada na terapia. Isadora Klamt Psicologa CRP 07/19323

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Olá! Sinto muito que você esteja passando por isso. O que você descreve parece estar sendo muito angustiante, principalmente porque você não está apenas lidando com os pensamentos relacionados ao TOC, mas também com uma dúvida constante sobre se está lidando com eles da maneira correta. No TOC, isso pode acontecer: a dúvida não precisa ficar restrita ao conteúdo da obsessão. Ela pode passar a envolver o próprio tratamento: "E se isso não for TOC?" "E se eu estiver fazendo a técnica errada?" "E se eu ainda estiver em risco?" "E se eu estiver evitando o assunto de uma maneira inadequada?" "E se eu nunca tiver certeza?" O problema é que tentar responder definitivamente a todas essas perguntas pode criar um novo ciclo de busca por certeza. Você encontra uma resposta, sente algum alívio e, pouco depois, surge outra dúvida que exige uma nova análise. Por isso, no tratamento do TOC, muitas vezes o objetivo não é chegar à certeza absoluta sobre o conteúdo do pensamento. É desenvolver a capacidade de continuar vivendo mesmo quando a mente apresenta dúvidas e desconforto. Isso é especialmente importante no TOC religioso, porque o conteúdo pode envolver questões profundamente importantes para a pessoa, como fé, moralidade, pecado, culpa, responsabilidade ou medo de estar fazendo algo errado. Justamente por serem temas importantes, eles podem ganhar uma força emocional muito grande. Uma mudança importante seria sair de: "Preciso ter certeza de que estou fazendo tudo certo para poder viver normalmente." para algo como: "Não tenho como eliminar todas as dúvidas, mas posso escolher o que fazer enquanto elas estão presentes." Isso não significa concordar com o pensamento, acreditar que ele seja verdadeiro ou abandonar aquilo que é importante para você. Significa não transformar cada dúvida em uma emergência que precisa ser solucionada imediatamente. Outro ponto é que viver normalmente não precisa ser uma recompensa que você só recebe depois que o TOC desaparecer. Você pode começar a estudar, trabalhar, conversar com pessoas, se divertir, cuidar de si e buscar aquilo que valoriza mesmo sentindo ansiedade e incerteza. E talvez seja justamente isso que esteja faltando quando você diz que se cobra para "viver certo". A vida não precisa ser executada perfeitamente para ter valor. Você pode estar sofrendo, ter dúvidas e ainda assim estar fazendo coisas importantes. Se você percebe que está constantemente analisando seus pensamentos, procurando garantias, revisando mentalmente seu posicionamento, tentando descobrir se uma determinada atitude foi correta ou verificando se ainda está "em risco", vale conversar especificamente sobre esses comportamentos com um profissional que tenha experiência no tratamento do TOC. No tratamento, técnicas como Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) podem ser utilizadas para ajudar a pessoa a interromper gradualmente os ciclos de compulsão e desenvolver maior tolerância à incerteza. O planejamento, porém, deve ser individualizado pelo profissional que acompanha você. E existe uma frase que pode ser útil quando surgir a próxima dúvida: "Talvez eu consiga resolver essa dúvida, talvez não. Não preciso decidir isso agora. Vou voltar para aquilo que estava fazendo." Se a dúvida voltar, você não precisa vencê-la novamente. Pode simplesmente perceber que ela apareceu e retornar, aos poucos, para a sua vida. Você não precisa sentir orgulho de si mesma apenas quando estiver sem TOC ou quando conseguir fazer tudo "do jeito certo". Continuar construindo uma vida significativa enquanto enfrenta esse sofrimento também é um movimento importante. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá. Talvez o caminho não seja encontrar mais uma forma de “resolver” o TOC, mas continuar investigando o que está acontecendo com você. Ampliar o que você já compreende sobre essa experiência, conversar sobre ela, refletir sobre o que você tem vivido e, principalmente, tentar entender o que tem feito com que seja tão difícil viver com essa angústia. Você não precisa encontrar sozinha a resposta para tudo isso. A psicoterapia pode ser um espaço para continuar essa investigação e ampliar as possibilidades de compreensão sobre o que você está vivendo. Abraço.

Gisele Rodrigues

Gisele Rodrigues

Psicólogo

Florianópolis

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Não existe uma fórmula pronta, porque cada pessoa e cada história são diferentes. Por isso, seria importante conversar com um psicólogo para que, juntos, vocês possam entender melhor o que está acontecendo, questionar algumas certezas e, aos poucos, encontrar novos caminhos. E não tenha medo de “não mexer” diretamente nesse assunto. Às vezes, quanto mais tentamos não pensar em alguma coisa, mais ela aparece. Afinal, se eu te disser “não pense em igreja”, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Na psicanálise, existe a ideia de que falar pode ajudar a aliviar aquilo que estamos carregando. Às vezes, não precisamos encontrar uma resposta de imediato. Precisamos apenas de um espaço seguro para falar, organizar os pensamentos e entender melhor o que estamos sentindo. Permita-se esse momento de cuidado. Você não precisa carregar tudo sozinho.

Danilo Hadek

Danilo Hadek

Psicólogo

São Paulo

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Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.