Olá É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?
Olá É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?
30 respostas
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. Não são exatamente a mesma coisa, embora estejam conectados. "Interesses restritos ou fixos" é a categoria de critério diagnóstico que descreve a limitação do foco a temas específicos. O hiperfoco é o estado de absorção cognitiva intensa e sustentada nesse tema, no qual a pessoa se dedica de forma profunda e por longos períodos. Atenciosamente, Fernando Vicente Rébuli Segundo Psicólogo e Neuropsicólogo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Psicoterapia presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços
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Sim, desde que feito de forma respeitosa! Vou explicar os dois casos mais comuns (um bom e um ruim): 1º caso: autorrevelação O paciente por vezes pode trazer dúvidas sobre escolhas difíceis. Nesse caso o psicólogo conta sobre um momento de sua vida em que enfrentou um desafio e tomou uma decisão difícil, e que levou ele para um caminho inesperado. Nesse caso a autorevelação do psicólogo serve como inspiração para o paciente perceber que enfrentar desafios faz parte natural do curso da vida. 2º caso: diferente da autorrevelação. Pode acontecer do psicólogo começar uma história da própria vida após se identificar com algo que ouviu na sessão, e acabar "desabafando" com o paciente. A diferença é que no fim da história o paciente entende que foi mais aliviante para o psicólogo do que útil para ele. Isso também é comum (não costuma ser grave!) - mas deve ser evitado pelo psicólogo, pois o espaço da terapia tem como objetivo favorecer o desenvolvimento da personalidade do paciente. Resumindo a resposta: depende de como é feito. Se você estiver na posição de paciente e sentir que seu psicólogo está "falando demais da própria vida", comunique que isso não tem te ajudado. Caso persista o incômodo após comunicar, busque outro estilo de atendimento em que se sinta mais escutado(a).
Pode acontecer, mas não é algo que deva ser frequente nem ocupar o espaço da sessão. Na psicoterapia, o foco é o paciente. O psicólogo pode, em algumas abordagens, compartilhar algo pessoal de forma pontual e intencional, quando isso tem uma função terapêutica clara. Isso é chamado de autorrevelação. Agora, se o profissional interrompe constantemente, conta histórias da própria vida, compara a experiência dele com a do paciente ou faz a sessão girar em torno dele, isso merece atenção. Uma boa pergunta é: “O que essa fala do psicólogo acrescentou ao meu processo?” Se você saiu da sessão sentindo que não conseguiu falar, não foi escutado ou precisou ouvir mais sobre a vida do profissional do que sobre a sua, vale conversar sobre isso com ele. A forma como ele acolher essa percepção também diz bastante sobre o vínculo terapêutico.
Na psicoterapia, existe o que chamamos de autorrevelação do terapeuta: em alguns momentos, o psicólogo pode compartilhar algo pessoal de forma breve e intencional, desde que isso tenha uma finalidade terapêutica clara para o paciente. Por exemplo, uma pequena experiência pessoal pode ser usada para normalizar algo, facilitar vínculo ou ajudar o paciente a compreender determinado processo. O ponto central é que precisa servir ao paciente, e não à necessidade do terapeuta de falar sobre si.
Não, isso não é adequado. O psicólogo deve manter limites profissionais na psicoterapia, evitando compartilhar detalhes da própria vida sem uma finalidade terapêutica. Uma exceção é o uso da técnica de auto revelação do terapeuta, quando o profissional compartilha algo sobre si de forma intencional porque aquela informação é relevante para o que o paciente está falando ou trabalhando na sessão. A auto revelação deve estar sempre a serviço do processo terapêutico e das necessidades do paciente, e não das necessidades pessoais do psicólogo. Isadora Klamt Psicólogo CRP 07/19323
Olá!! Um psicólogo ou psicóloga compartilhar sua vida pessoal em determinados momentos da terapia, como forma de exemplo, analogia ou mesmo busca por uma humanidade compartilhada (trazendo ao paciente a visão de que ele não está sozinho ou não é apenas ele que passa por aquela dificuldade) é algo que costuma acontecer, nas suas devidas proporções. O problema é quando o paciente é interrompido na sua narrativa para que isso aconteça e que essa exposição da vida pessoal aconteça sem um objetivo claro, as vezes até como um certo desabafo, ai pode ser um problema sim. De qualquer forma, se você sentir-se incomodado, vale a pena tentar conversar com seu/sua psicólogo(a) sobre esse incômodo para até poder trabalhar isso em sessão.
Olá! Pode acontecer, mas não deve ser algo frequente nem fazer a sessão girar em torno da vida do psicólogo. Na psicoterapia, o foco principal é o paciente. Em alguns momentos, o profissional pode compartilhar algo pessoal de forma pontual e com uma finalidade terapêutica, quando isso fizer sentido para o processo. Mas se as interrupções são constantes ou fazem você sentir que não tem espaço para falar, é válido conversar sobre isso com o psicólogo. Você pode dizer, por exemplo: “Percebi que algumas vezes você compartilha situações da sua vida durante a sessão, e isso tem me deixado em dúvida sobre o nosso processo. Podemos conversar sobre isso?” A relação terapêutica deve oferecer espaço para você se sentir acolhido, ouvido e seguro para falar.
Dependendo da forma como o psicólogo trabalha, ele pode usar algumas vivências pessoais para exemplificar ou ajudar a esclarecer alguma questão que está sendo trabalhada na terapia. Não sei exatamente qual foi o contexto, mas se ele trouxe isso para ajudar em algo que vocês estavam trabalhando, tudo bem. Agora, se ele falou da vida pessoal sem fazer nenhuma relação com o que você estava trazendo, talvez essa parte tenha sido mal conduzida.
Olá! Em alguns momentos, dependendo da abordagem do profissional e do modo como ele trabalha, o psicólogo pode compartilhar algo pessoal, desde que isso tenha um propósito no atendimento e esteja relacionado ao processo do paciente. No entanto, quando essas falas são frequentes, interrompem o que o paciente está trazendo ou fazem com que o foco da sessão se desloque para a vida do profissional, é importante observar essa dinâmica. Se isso estiver causando incômodo, pode ser interessante conversar diretamente com o psicólogo sobre como você tem se sentido durante as sessões.
Não é necessariamente algo errado. Dependendo do contexto, falar brevemente sobre si pode ser uma técnica utilizada pelo psicólogo e ter uma função terapêutica, por exemplo, para criar conexão, validar um sentimento ou ajudar o paciente a refletir sobre alguma questão. O importante é que isso tenha um propósito dentro da terapia e não tire o foco do paciente. Se as interrupções para falar da própria vida são frequentes, longas ou fazem você sentir que precisa ouvir e acolher o psicólogo, aí pode ser importante conversar sobre isso. A terapia deve continuar sendo um espaço em que você se sinta à vontade para falar e ser escutado.
Olá! O psicólogo pode, em situações específicas, compartilhar brevemente uma experiência pessoal quando isso tem um propósito terapêutico e contribui para o seu processo. O foco da sessão precisa continuar sendo você. Se as interrupções são frequentes, ocupam boa parte da consulta ou deixam você com a sensação de não ter sido ouvido, esse incômodo merece atenção. Apenas pelo relato, não é possível avaliar a intenção ou a adequação da intervenção. Se você se sentir à vontade, pode dizer: "Quando minha fala é interrompida e o assunto muda, sinto que não consigo trabalhar o que me trouxe aqui." Essa conversa permite esclarecer o que aconteceu e ajustar a condução das sessões. Seu desconforto deve ser escutado com respeito. Na minha prática, valorizo uma escuta atenta, acompanhada de intervenções que ajudem a compreender o que você vive e construir caminhos para lidar com isso. Ter espaço para falar, inclusive sobre o que incomoda na própria terapia, faz parte desse cuidado.
É possível que o psicólogo compartilhe algo pessoal durante a sessão, mas isso deve ter uma finalidade clínica e não substituir a escuta do paciente. Na psicanálise, o espaço de fala do paciente é fundamental. Se as interrupções são frequentes ou fazem você se sentir desconfortável, vale conversar com o profissional sobre isso. O mais importante é que você se sinta acolhido, escutado e respeitado durante o processo terapêutico.
A dúvida que você trouxe é extremamente importante e diz respeito a um dos pilares mais valiosos da psicoterapia: a ética e o foco no bem-estar do paciente. Eu sou Daniele Barros, psicóloga com mais de 12 anos de experiência, e através da TCC acompanho diariamente pessoas no processo de construir uma relação terapêutica segura, ética e totalmente voltada para o seu desenvolvimento e autonomia. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e na prática psicológica geral, a consulta é um espaço totalmente dedicado a você, à sua história e aos seus objetivos de vida. Por isso, não é considerado um comportamento padrão ou adequado que o profissional interrompa o paciente com frequência para falar de si mesmo ou para desviar o assunto para a própria vida pessoal. Existe na psicologia um recurso chamado autorevelação, que ocorre quando o terapeuta compartilha pontualmente alguma experiência pessoal. No entanto, dentro da TCC, esse recurso só é utilizado sob critérios muito rígidos: precisa ser algo breve, muito raro e com uma intenção terapêutica clara — como exemplificar um conceito, validar um sentimento seu ou demonstrar que determinada estratégia prática funcionou em um contexto real. Se o relato da vida do profissional não serve diretamente para te ajudar a evoluir ou compreender a sua questão, ele não deveria acontecer. Caso isso esteja acontecendo com frequência e te deixando desconfortável, é plenamente legítimo e saudável que você converse abertamente com o seu psicólogo sobre como essas interrupções estão afetando o seu processo, para que você se sinta mais respeitado e confortável. Tente resolver essa questão no próprio espaço terapêutico antes de buscar outro profissional. Daniele Barros, Psicóloga TCC - CRP 09/008628 | Equipe Espaço Único
Então, não diria que é necessariamente anormal. Não é uma prática minha, mas isso também não significa, por si só, que seja inadequado. Acho importante pensar nos efeitos que essa fala teve em você e no contexto em que aconteceu. Inclusive, falar sobre como isso soou em você pode ser bastante importante para o processo terapêutico. Experimente levar essa questão para as próximas sessões e conversar sobre isso com seu psicólogo.
A psicoterapia não é necessariamente um espaço em que o psicólogo nunca fale sobre si, em algumas abordagens isso pode ocorrer, mas é importante perguntar a serviço de quem e do quê essa fala aparece na sessão. Uma eventual referência à vida pessoal do psicólogo pode ter uma função dentro do processo, mas é importante observar se isso está deslocando o foco daquilo que o paciente está tentando elaborar. Um norteador talvez seja pensar se a fala do psicólogo ajuda a pensar sobre sua experiência ou faz com que a sessão passe a girar em torno dele. O psicólogo pode estar implicado nessa relação sem fazer da sua própria história o centro dela.
Sentir estranhamento quando o psicólogo interrompe o seu relato para falar da vida pessoal é perfeitamente compreensível. O espaço terapêutico é reservado para a sua história, o seu ritmo e as suas demandas. Quando o profissional introduz a própria vivência, a linha entre uma intervenção com propósito e um desvio inadequado depende da função, do timing e de onde o foco permanece. Na literatura científica sobre a relação clínica, compartilhar algo pessoal é denominado autorrevelação (Knox et al., 1997). Pesquisas indicam que relatos breves e criteriosos podem ser úteis para humanizar o vínculo ou ilustrar um conceito (Hill et al., 2018). Por outro lado, estudos com pacientes mostram que a autorrevelação também pode comprometer limites, credibilidade profissional e a clareza dos papéis na relação terapêutica quando é mal manejada (Audet, 2011). Quando a fala do profissional se torna frequente, extensa ou passa a interromper o seu raciocínio, o ponto central deixa de ser simplesmente "falar de si" e passa a ser o efeito disso sobre o seu processo. A regra ética central é que a consulta jamais deve servir para o profissional desabafar ou buscar validação própria. Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, histórias e anedotas são por vezes empregadas deliberadamente como metáforas projetivas e contos de aprendizado (Zeig, 1980). A intenção não é falar de si, mas oferecer um exemplo indireto capaz de reduzir resistência, mobilizar associações e ajudar você a encontrar respostas em sua própria experiência (Erickson, 1959). No uso legítimo, o relato é pontual, conecta-se ao seu problema e devolve o protagonismo a você nos instantes seguintes. A sessão funciona como um holofote focado sobre o mapa da sua caminhada. O terapeuta pode apontar uma bússola ou citar um ponto de referência breve na paisagem para ajudar na navegação, mas se ele gira a luz para iluminar a própria bagagem, a rota de quem está procurando o caminho fica no escuro. Na prática, vale distinguir: se o comentário foi pontual e retomou o seu processo, é um recurso comunicacional; se foi uma quebra de gelo ocasional, faz parte do contato humano espontâneo; mas se as interrupções são recorrentes e colocam você na posição de ouvinte do terapeuta, o enquadre está desajustado. Você tem pleno direito de pontuar esse incômodo na sessão, dizendo com tranquilidade que perde a linha de raciocínio com as interrupções. A reação do profissional será um termômetro ético: um psicólogo atento acolherá o retorno e recalibrará a postura; caso ele minimize o que você sente e continue tomando o seu espaço, buscar outro profissional é uma escolha legítima para proteger o seu processo. Referências selecionadas: Audet, C. T. (2011). Client perspectives of therapist self-disclosure: Violating boundaries or removing barriers? Counselling Psychology Quarterly, 24(2), 85–100. Erickson, M. H. (1959). Further clinical techniques of hypnosis: Utilization techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. Hill, C. E., Knox, S., & Pinto-Coelho, K. G. (2018). Therapist self-disclosure and immediacy: A qualitative meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 445–460. Knox, S., Hess, S. A., Petersen, D. A., & Hill, C. E. (1997). A qualitative analysis of client perceptions of the effects of helpful therapist self-disclosure in long-term therapy. Journal of Counseling Psychology, 44(3), 274–283. Zeig, J. K. (1980). A Teaching Seminar with Milton H. Erickson. Brunner/Mazel. Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681
Olá! Não é necessariamente inadequado que um psicólogo fale algo sobre si durante uma sessão. Em alguns momentos, uma experiência ou informação pessoal compartilhada de forma cuidadosa pode contribuir para o processo terapêutico. O importante é que essa fala esteja a serviço da pessoa atendida e do que está sendo trabalhado naquele encontro. Por outro lado, se as interrupções são frequentes, desviam o foco para a vida do profissional ou fazem você sentir que perdeu seu espaço de fala e de escuta, isso merece atenção. Inclusive, esse incômodo pode ser conversado com o próprio psicólogo, pois a forma como você se sente na relação terapêutica também é importante para o processo.
Olá. A sua dúvida é extremamente importante e legítima. É natural e saudável questionar o que acontece no espaço da sessão, quando algo gera desconforto ou ruído no atendimento. De maneira geral, na psicanálise e na psicoterapia, o tempo e o espaço da sessão são integralmente destinados ao paciente. O princípio fundamental da escuta clínica baseia-se na neutralidade do profissional e na centralidade da fala de quem busca atendimento. Embora existam momentos em que uma intervenção pontual do profissional aconteça para marcar uma palavra ou fazer um corte analítico, o habito de interromper a fala do paciente para trazer assuntos da vida pessoal do próprio terapeuta, costuma afastar o atendimento do seu objetivo principal. Quando a vida do profissional ganha espaço central, o foco deixa de ser a dor e a história do paciente. Diante dessa situação, existem caminhos importantes a considerar: 1. Falar sobre isso no próprio atendimento. Se houver um espaço de confiança, dizer ao terapeuta que essas interrupções e relatos pessoais estão incomodando ou atrapalhando o seu processo, pode ser um passo revelador sobre o vínculo de vocês. 2. Avaliar a continuidade do processo. A aliança terapêutica exige confiança e a sensação de que aquele espaço é seguro e dedicado a você. Se sentir que esses limites éticos e técnicos foram ultrapassados a ponto de comprometer o trabalho, você tem total autonomia para interromper o acompanhamento e buscar outro profissional. 3. Consultar parâmetros éticos. Caso avalie que houve uma conduta profissional inadequada que fere o Código de Ética Profissional do Psicólogo, orientações oficiais podem ser consultadas junto ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) de sua região. O mais relevante é que você possa estar em um espaço onde a sua fala seja a prioridade absoluta. Espero que este ponto de vista te ajude a refletir sobre esta questão. Um abraço.
Olá, não é necessariamente inadequado um psicólogo falar algo da própria vida durante uma sessão, mas isso deveria acontecer quando tem alguma função para o processo do paciente, e não simplesmente porque o profissional quer falar de si. Se ele interrompe você com frequência, ocupa muito tempo contando histórias pessoais ou faz com que você sinta que precisa escutá-lo, é importante prestar atenção nisso, porque a sessão deve ser fundamentalmente um espaço seu. Inclusive, o incômodo que isso provoca em você pode ser conversado diretamente com ele e fazer parte do próprio trabalho terapêutico. Um abraço, Vinicius.
Olá! Depende muito do contexto. Um psicólogo pode compartilhar brevemente alguma experiência pessoal quando isso tem uma função terapêutica clara e pode ajudar o paciente. Isso é chamado de autorrevelação e, quando bem utilizada, pode contribuir para o vínculo e para o processo terapêutico. O problema é quando essas interrupções são frequentes, desviam a conversa para a vida do próprio profissional ou fazem com que você sinta que precisa ouvi-lo ou cuidar dele. A sessão deve continuar centrada em você e nas suas necessidades. Se isso estiver causando incômodo, vale inclusive conversar diretamente com o psicólogo sobre como você está se sentindo durante as sessões.
Olá, interrupções na fala do paciente são algo natural em sessões de psicoterapia/análise, seja para esclarecer um ponto que não tenha ficado claro, seja para não deixar passar uma oportunidade de se aprofundar em um tema significativo. Dito isso, essas interrupções não devem acontecer por algo relacionado ao psicólogo ou que não agregará ao processo terapêutico do cliente. O psicólogo pode ter sim, à variar por estilo e abordagem teórica, momentos em que ele poderá apresentar mais pontos sobre sua própria individualidade, entretanto, esses momentos devem servir para beneficiar o processo psicoterapêutico do paciente, seja com finalidade de acolhimento ou perspectiva. Quando a conversa passa a girar em torno da vida do psicólogo e o paciente sai da sessão sentindo que não teve espaço, vale levar isso para a própria terapia: falar abertamente sobre o incômodo é legítimo e costuma ser terapêutico em si.
Nao ! O espaço terapêutico tem como foco as questões do paciente e não no terapeuta. Tais intervenções mais atrapalham do que ajudam o paciente a falar e pensar sobre si mesmo. O terapeuta esta ali para escutar e trabalhar as questões do paciente, evitando assim poluir as sessões com sua vida particular.
Olá, tudo bem? Espero que essa mensagem o encontre bem. Olha, isso até pode acontecer, mas é importante observar em que contexto e com que finalidade isso acontece. O psicólogo não precisa ser completamente “neutro” no sentido de nunca dizer absolutamente nada sobre si, e diferentes abordagens possuem maneiras distintas de lidar com essa questão. Esse ponto da abordagem é bastante importante para a sua pergunta, pois cada uma considera a relação terapêutica de uma forma. Porém, existe uma diferença importante entre uma intervenção pontual do profissional, que pode ter uma função dentro do processo terapêutico, e a consulta passar a ser frequentemente ocupada por relatos da vida pessoal do próprio psicólogo. Na psicoterapia, o espaço é destinado principalmente à escuta e ao trabalho sobre as questões do paciente. Por isso, se você percebe que está sendo interrompido com frequência para ouvir histórias pessoais do profissional, ou que essas falas fazem você sentir que precisa acolhê-lo, aconselhá-lo ou se interessar pela vida dele, vale a pena prestar atenção a isso. Na psicanálise, linha que orienta o meu trabalho, essa questão é ainda mais delicada. O analista não está ali para oferecer sua própria história como modelo ou para estabelecer uma relação de identificação com o paciente, mas para sustentar um espaço de escuta no qual aquilo que o paciente traz possa ser trabalhado. Se isso está acontecendo com você e causando desconforto, você pode inclusive levar essa impressão para a própria sessão: “Tenho percebido que você fala bastante sobre sua vida e isso tem me deixado em dúvida sobre o espaço da terapia”. A maneira como o profissional acolher e trabalhar essa questão também pode ser bastante reveladora sobre o processo terapêutico. Se, depois disso, você continuar se sentindo desconfortável ou perceber que o espaço deixou de ser suficientemente voltado para você, também é legítimo procurar outro profissional com quem se sinta mais à vontade. Espero que essa resposta te ajude de alguma forma.
Não é algo que se espera que aconteça de forma frequente ou sem uma finalidade clínica. A psicoterapia deve ter como foco o processo do paciente, e o profissional precisa ter cuidado para não deslocar esse espaço para questões da própria vida. Em algumas abordagens, pode acontecer do psicólogo compartilhar pontualmente alguma experiência pessoal, mas isso precisa ter uma finalidade clínica e fazer sentido para o processo daquele paciente, e não para atender a uma necessidade do próprio profissional. Quando o compartilhamento é recorrente, desnecessário ou faz o paciente passar a ocupar um lugar de escuta do psicólogo, pode ser uma questão ética e profissional importante. O Código de Ética orienta que a atuação do psicólogo deve estar voltada para o benefício do usuário e para a qualidade do atendimento.
Oii! Não é esperado que o psicólogo interrompa frequentemente o paciente para falar sobre a própria vida pessoal. A sessão deve estar, principalmente, a serviço das necessidades e objetivos do paciente. Em algumas abordagens, o profissional pode compartilhar pontualmente alguma informação pessoal quando isso tiver uma função terapêutica clara e fizer sentido para aquele momento do atendimento. Ainda assim, isso é diferente de transformar a sessão em um espaço para o psicólogo falar sobre si. Se essas interrupções são frequentes, fazem você perder o fio do que estava contando ou fazem com que a sessão pareça mais centrada no profissional do que em você, vale conversar diretamente com ele sobre como isso está sendo percebido. A forma como você se sente durante o atendimento também é uma informação importante para o processo terapêutico.
Não é uma prática comum, entretanto, se o psicólogo encontrar um contexto e propósito pertinente para um momento específico, com o objetivo de auxiliar o paciente na questão apresentada, pode sim optar por fazer uma breve explanação sobre o que sentiu ou passou num determinado momento da vida. Em alguns casos isto pode até "humanizar" a terapia, visto que alguns pacientes podem fantasiar que a vida do psicólogo é nula de problemas. É válido ressaltar que tal prática não deve ser utilizada com frequência, e requer do profissional bastante sensibilidade e perspicácia. O espaço de fala da vida pessoal é do paciente. Portanto, se o psicólogo está aproveitando do tempo da sessão da terapia para falar bastante de seus sentimentos ou emoções considera-se que é uma postura inadequada.
Boa tarde! Não é normal, porém, alguns tem esse habito. Mas é algo que não condiz com a nossa profissão. No ambiente clínico o paciente é o centro da atenção e o psicólogo deve focar na vida, na história e no sintoma do paciente. Assim facilita a melhora do mesmo. O uso da fala da vida pessoal, ainda mais ao interromper a fala do paciente pode ser uma forma de tentar se aproximar afetivamente do paciente, mostrar empatia, mostrar que entende o que o paciente fala ou até mesmo se comparar com o paciente, de forma que isso seja entendido como uma posição de superioridade.
Olá! Durante uma sessão de psicoterapia, é esperado que o foco principal esteja na experiência do paciente. Por isso, quando o psicólogo interrompe frequentemente para falar sobre a própria vida, isso pode ser algo que merece ser observado com atenção. Isso não significa que qualquer comentário pessoal do psicólogo seja necessariamente inadequado. Em algumas situações, uma breve autorrevelação pode ter uma finalidade terapêutica, desde que seja cuidadosamente utilizada e esteja relacionada ao trabalho realizado na sessão. O ponto principal é compreender qual função essa fala tem dentro do processo terapêutico. Por exemplo, existe uma diferença entre o psicólogo compartilhar brevemente uma experiência para ajudar o paciente a compreender determinado fenômeno e passar vários minutos contando acontecimentos pessoais, problemas familiares, relacionamentos ou outras questões da própria vida. Também é importante observar o efeito disso sobre a sessão. Se você sente que precisa ouvir ou acolher o psicólogo, que sua questão fica em segundo plano, que precisa interromper o que estava contando para escutar histórias pessoais ou que essas falas estão se tornando frequentes, pode ser interessante conversar diretamente sobre isso. Você poderia dizer algo como: "Quando você começa a falar da sua vida durante a sessão, às vezes sinto que perco o espaço para falar sobre o que estava trazendo. Podemos conversar sobre isso?" Essa conversa, inclusive, pode ser clinicamente importante. A maneira como o profissional recebe esse comentário — se escuta, esclarece sua intenção e considera sua percepção — também pode ajudar a entender o que está acontecendo na relação terapêutica. Portanto, não existe uma regra de que um psicólogo nunca possa falar sobre si mesmo. O mais importante é que qualquer autorrevelação tenha uma finalidade clínica, seja proporcional e não desloque sistematicamente o foco da terapia para o profissional. Se isso está acontecendo com frequência e está deixando você desconfortável, seu incômodo é válido e merece ser levado para a própria terapia. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
Olá! Pode acontecer de o psicólogo compartilhar brevemente alguma experiência pessoal, desde que isso tenha um propósito terapêutico e contribua para o que está sendo trabalhado naquele momento. O mais importante é que a sessão continue sendo um espaço voltado para você, e não para a vida do profissional. Durante uma sessão comigo, se eu trouxer algo pessoal, será de forma breve e somente quando eu entender que aquele exemplo pode ajudá-lo a compreender ou refletir melhor sobre alguma situação.
Diante da minha experiência, conhecimentos e a própria abordagem que sigo como Psicólogo Junguiano, não me parece um comportamento adequado para a prática de um profissional da Psicologia. O trabalho do Psicólogo na clínica, a exposição de aspectos da vida pessoal do profissional podem acontecer, mas precisam ser mínimas e pontuais, afinal o foco do atendimento é o paciente e n]ao o profissional. Mas vale lembrar que existe algumas formas de atendimento terapêutico (chamada de autorrevelação) que utiliza essa técnica. Porém, se faz necessário estar em um contexto muito específico, explicado ao paciente e mantendo critérios rigorosos e éticos que o profissional precisa tratar. Dessa forma, acredito que independente das técnicas e tipos de atendimento, a clareza, respeito e bom senso deve nortear o atendimento dos profissionais da Psicologia. Qualquer dúvida, me coloco à disposição. Jean Carlo Petenlinkar de Osti Psicólogo clínico Junguiano CRP SP 06/167860
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.





