O que são défices de memória em transtorno de personalidade borderline (TPB)?

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O que são défices de memória em transtorno de personalidade borderline (TPB)?
Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) costumam sentir que esquecem muito, mesmo quando os testes de memória não mostram grandes falhas. Estudos indicam que isso acontece porque outras funções cognitivas — como atenção e flexibilidade cognitiva — também estão prejudicadas. Quando a atenção não se mantém ou a pessoa tem dificuldade para se adaptar a mudanças, fica mais difícil registrar e recuperar informações. Além disso, há problemas em manter dados na mente por pouco tempo, planejar e controlar impulsos, o que afeta a vida prática. Lembranças felizes também tendem a ser menos vivas e positivas, influenciando a forma como veem a si mesmas. No cérebro, regiões ligadas à memória, como o hipocampo, funcionam de modo diferente e menos integrado, o que ajuda a explicar essas experiências de esquecimento.

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 Vanessa Oliveira Martins
Psicólogo, Psicanalista
Londrina
No transtorno de personalidade borderline, a memória é um ponto crítico devido à sua relação com a instabilidade emocional e a identidade. Os pacientes frequentemente apresentam memória autobiográfica supergeneralizada, lembrando-se de eventos (especialmente negativos) de forma vaga e não específica, o que impede a construção de um senso de self estável. Além disso, a alta prevalência de sintomas dissociativos no TPB, muitas vezes decorrentes de trauma, resulta em alterações como a amnésia dissociativa e a polarização das lembranças, dificultando a integração das experiências e a manutenção de relacionamentos estáveis.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá! “Défices de memória” não é considerado um sintoma central do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) no sentido de uma perda de memória progressiva, como acontece em algumas condições neurológicas. O que pode acontecer, e aí a confusão é bem comum, são falhas de lembrança ligadas ao estado emocional, à impulsividade e, em alguns casos, a experiências dissociativas: a pessoa fica tão ativada emocionalmente que o cérebro prioriza sobreviver à emoção, não registrar a experiência com nitidez. Isso pode dar a sensação de “apagões”, de não lembrar trechos de discussões, ou de lembrar tudo em pedaços, especialmente em situações de conflito, medo de abandono, vergonha ou raiva intensa.

Também é importante separar duas coisas: dificuldades de atenção e organização mental (que parecem “memória ruim”, mas são mais distração, ruminação e sobrecarga) versus lapsos mais marcantes associados a dissociação ou a estresse traumático. Além disso, ansiedade, depressão, privação de sono, uso de substâncias e alguns medicamentos podem piorar muito a memória do dia a dia, e às vezes o que aparece como “TPB” vem misturado com esses fatores. Quando alguém está passando o dia tentando se regular, o espaço mental para lembrar detalhes vira um luxo.

Quando você fala em “déficits de memória”, está descrevendo esquecimentos comuns do cotidiano, como compromissos e tarefas, ou momentos em que você não lembra de partes inteiras do que aconteceu? Isso aparece mais em quais contextos, por exemplo depois de brigas, crises emocionais, consumo de álcool, noites mal dormidas, ou períodos de estresse? E esse padrão começou quando, ele é estável ou oscila conforme seu estado emocional?

Se os lapsos estiverem frequentes, gerando prejuízo real ou parecerem fora do padrão, vale uma avaliação cuidadosa para diferenciar o que é efeito emocional e dissociativo do que pode ser uma condição associada. Dependendo do caso, uma avaliação com psiquiatra e, quando indicado, com neuropsicólogo pode ajudar a esclarecer com precisão. Caso precise, estou à disposição.

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