O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) está entre a neurose e a psicose ?
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O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) está entre a neurose e a psicose ?
Sim, o Transtorno de Personalidade Borderline é considerado como estando em uma "fronteira" entre a neurose e a psicose. Os pacientes podem apresentar caracteristicas de ambos os quadros, mas sem se encaixar completamente em nenhum deles.
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Sim, o Transtorno de Personalidade Borderline é considerado um transtorno limítrofe, pois apresenta sintomas que ficam entre a neurose e a psicose, com instabilidade emocional, dificuldades na percepção da realidade e conflitos internos intensos.
Do ponto de vista psicanalítico, recuso o diagnóstico de “transtorno de personalidade borderline” como uma categoria fechada, pois ele tende a transformar em entidade nosográfica aquilo que, na clínica, se mostra como uma questão estrutural complexa. A pergunta sobre se tal quadro estaria “entre a neurose e a psicose” já nasce, para mim, de uma tentativa de localizar o sujeito em um gradiente psicopatológico que a psiquiatria descritiva herdou, mas que a psicanálise lida de outro modo. Na tradição analítica, especialmente a partir dos trabalhos sobre “estados-limite”, não se trata de um meio-termo ou de uma posição intermediária estável, mas de organizações subjetivas que oscilam, que fazem uso de defesas próprias (como a clivagem, a identificação projetiva) e que demandam uma escuta atenta à economia pulsional e ao destino da castração. Reduzi-las a uma categoria diagnóstica rígida muitas vezes obscurece a singularidade do sofrimento e o modo como cada sujeito habita – ou não – as coordenadas da neurose ou da psicose.
Ao rejeitar o rótulo de “transtorno”, não estou ignorando a intensidade do sofrimento que costuma ser nomeado assim; estou, isso sim, propondo que nos afastemos da tentativa de classificar para nos aproximarmos da experiência do paciente. A noção de uma “fronteira” entre neurose e psicose pode ser útil clinicamente quando pensamos em momentos de descompensação, em passagens ao ato ou em fragilidades defensivas, mas ela nunca é fixa. O trabalho analítico com essas organizações não busca situar o paciente em um ponto entre dois polos, mas sim acompanhar os movimentos de sua subjetividade, os riscos de desmoronamento e as tentativas de sustentação. Assim, a pergunta sobre estar entre neurose e psicose cede lugar a outra: como esse sujeito constrói seu laço com o outro, com o próprio corpo e com o saber que lhe escapa – e como o dispositivo analítico pode oferecer um enquadre em que essas questões possam, enfim, se tornar pensáveis?
Ao rejeitar o rótulo de “transtorno”, não estou ignorando a intensidade do sofrimento que costuma ser nomeado assim; estou, isso sim, propondo que nos afastemos da tentativa de classificar para nos aproximarmos da experiência do paciente. A noção de uma “fronteira” entre neurose e psicose pode ser útil clinicamente quando pensamos em momentos de descompensação, em passagens ao ato ou em fragilidades defensivas, mas ela nunca é fixa. O trabalho analítico com essas organizações não busca situar o paciente em um ponto entre dois polos, mas sim acompanhar os movimentos de sua subjetividade, os riscos de desmoronamento e as tentativas de sustentação. Assim, a pergunta sobre estar entre neurose e psicose cede lugar a outra: como esse sujeito constrói seu laço com o outro, com o próprio corpo e com o saber que lhe escapa – e como o dispositivo analítico pode oferecer um enquadre em que essas questões possam, enfim, se tornar pensáveis?
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