Olá bom dia, gostaria de saber o ponto de vista dos doutores se utilizamos a maldade para maldar uma

28 respostas
Olá bom dia, gostaria de saber o ponto de vista dos doutores se utilizamos a maldade para maldar uma situação ou apenas uma vigilância atenção perspicácia?
 Débora Fazio Cigala
Psicanalista, Terapeuta complementar
Santo André
Olá! No ponto de vista da Psicanálise, falando de forma bastante simplificada, nós humanos interpretamos as situações de acordo com o conteúdo que temos no inconsciente. O inconsciente é o que nos 'direciona sem sabermos', são nossas crenças, o que estamos acostumados desde a nossa infância. Então, nesse aspecto, não necessariamente vemos uma situação com maldade, vigilância ou qualquer outro significado que se dê, mas é o que conhecemos, como sabemos lidar, como "vêm dando certo desde sempre"...

O que de fato importa é o quanto isso impacta na pessoa, no seu convívio em sociedade, na sua capacidade de se sustentar, de manter relações familiares, amizades e amor romântico...

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 Felipe Firenze
Psicanalista
Rio de Janeiro
Oi, Na visão psicanalítica, a maldade pode surgir como uma expressão de impulsos inconscientes, como raiva reprimida, inveja ou ressentimento. Quando alguém age maliciosamente para "maldar" uma situação, pode estar lidando com emoções não resolvidas de maneira inconsciente. Por outro lado, a vigilância e a atenção excessivas também podem ser mecanismos de defesa, usados para lidar com ansiedades e medos internos. Tanto a maldade quanto a vigilância podem refletir conflitos internos e desejos reprimidos, muitas vezes sem que a pessoa esteja plenamente consciente disso. Na psicanálise, esses comportamentos são vistos como expressões complexas das profundezas da mente humana, onde conflitos internos se manifestam de maneiras diversas.
Dr. Sérgio Prudente
Psicanalista, Psicólogo
Brasília
Bem e mal são valores morais e isso não tem relação nenhum com algo natural. O Inconsciente não tem valorardes morais, portanto, o "maldar" ocorre por uma operação de linguagem que posiciona a pessoa em ralação a outra ou uma situação a partir de uma estrutura de desejo que não é consciente. A valoração consciente se dá para definir e dar sentido a ação e a identidade da pessoa. A "maldade" vigilante pode ser uma forma de repetir algo de acordo com uma espera de uma ação negativa do outro. Ou seja, se projeta algo que é de si no outro como forma de se adiantar a situação. Mas o ponto não é se adiantar, mas repetir essa posição de se colocar como alvo, olhado, alguém que será objeto da ação do outro.
 Dora Costa
Psicólogo, Psicanalista
Brasília
Pode ser pensado também como uma forma de mecanismo de defesa inconsciente, um modo de funcionamento psíquico próprio, às vezes projetamos fora da gente algo que está no campo das afecções , e tem a ver com a gente, e em alguma medida, nos constitui psiquicamente. Podem aparecer através de uma ironia, de um modo negativo de perceber as coisas ao redor, de um sarcasmo, o que é diferente de estarmos atentos à situações que requerem cuidado.
Olá! Entendemos que essa questão é complexa. Vamos lá: um psicólogo com foco em neurociências pode ver a maldade como algo multifacetado. Às vezes, comportamentos que parecem malévolos podem estar relacionados a instintos de defesa ou padrões aprendidos. Quando falamos de vigilância, atenção e perspicácia, isso pode ser positivo! Estar atento ao ambiente e ser perspicaz são habilidades úteis. Porém, é importante diferenciar a intenção por trás das ações. Se há uma intenção consciente de prejudicar, isso pode envolver aspectos mais complexos, como falta de empatia ou impulsividade. Em resumo, a abordagem do psicólogo seria analisar tanto o comportamento quanto as bases neurobiológicas, destacando que a intenção e o contexto são importantes para entender essas situações. Se tiver mais perguntas ou quiser explorar isso mais a fundo, estamos aqui para conversar!
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 Juliana Arango
Psicanalista
Niterói
Olá!
Talvez seja interessante falarmos sobre o que você pensa e sente a respeito da maldade, e de quais formas ela já afetou a sua vida, talvez. Pelo que vc descreve, parece que já foi útil a alguém, pelo menos a partir de algo que vc observou. Parece um tema interessante. Nem sempre o que é útil a outros em algum momento, vai ser útil para nós.
Tudo de bom para você, e feliz 2024.
Fico por aqui, caso vc queira conversar.
:)
 Bruna Richter
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá! Sua pergunta é bastante interessante, pois pressupõe de saída que há uma divisão anterior. Ou seria uma maldade também existente em nós ou um estado de vigília, nos colocando mais atentos ao porvir. No entanto, na prática, isso pode acontecer por diferentes razões conjugadas, e não necessariamente estão reduzidas somente a essas duas hipóteses – embora não exclua elas também. Nesse sentido, é interessante entender que sim, temos em nós também sombras e, por vezes, projetamos isso nos demais. E é bastante interessante que possamos olhar para isso. Contudo, acrescento que, nossas experiencias anteriores também nos servem de substrato para, de uma certa maneira, anteciparmos situações futuras. Entende? Te convido a entender um pouco mais do meu trabalho através do @minha.psicologa. Espero ter ajudado!
Ao meu ver a maldade não é um objeto que se usa e dessa mas sim uma forma de ser e de agir que carrega formatos morais querstiionaveis.Acho que a palavra como verbo "mandar" lembra muito "moldar" neste caso a maldade seria algo que molda ,então vamos mergulhando nessas idiossincrasias e assim construindo um caminho para desarticulaçôes de comportamentos dolorosos
 Rute Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá! Entendo que tua questão tem a ver com intencionalidade e manipulação. Acredito que não há uma resposta única, afinal, nem toda intencionalidade produz de fato o efeito que se pretende sobre o outro, independentemente da motivação.
 Léa Michaan
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Se essa preocupação é de você com você mesmo, você está consciente de suas ações e intenções e isso fala muito bem de você!
A gente não é o que quer, a gente é o que pode ser. Procure libertar-se do rótulo, não importa o nome que damos a isso, importa você se observar e procurar evoluir!
Um abraço,
Lea
 Angela Maria da Silva
Psicanalista, Psicólogo
Guarulhos
Boa noite.Nossas ações refletem o nosso mundo interno .Quando nos falta o autoconhecimento, nem nos damos conta do porquê agimos assim , ou de tais formas em diferentes contextos .Importante falar sobre esses incômodos , desmistificando o que tentamos naturalizar e que pode estar nos distanciando do autoconhecimento .Essa vigilância , parece ser uma proteçåo que nos impede de irmos atras de entrarmos em contato com nossas fragilidades .4
Dr. Sanderos Roberto
Terapeuta complementar, Psicanalista
Belo Horizonte
Pode ser vista também como um mecanismo de defesa do corpo, como se fosse uma blindagem. Por isso que é muito importante o desenvolvimento pessoal e o autoconhecimento.A gente não é o que quer, a gente é o que pode ser.
Sugiro que Procure um profissional da sua confiança. E faça um acompanhamento para se conhecer melhor.
 Franciany Morikawa
Psicanalista
Vila Velha
O que se atribui a maldade é muito subjetivo de cada pessoa, posso ver maldade, por exemplo,em alguém me elogiar e não ser exatamente um assédio, mas posso falar segundo o inconsciente que muito do que enxergamos no outro é de conhecimento nosso. Por isso é de suma importância nós estarmos atentos ao que sentimos dentro nós.Como se olhássemos através de um espelho. O que vejo no outro é um reflexo meu também.
 Tatiana Pitthan
Psicanalista
Rio de Janeiro
Olá! O que é maldade pra você? Costuma agir com frequência de forma maldosa com as pessoas? Ou é/foi alvo de alguma situação maldosa?
Importante é saber o que pensa a respeito de si mesma(o) e como se sente usando a maldade em situações e nas relações - ou sendo vítima dela - e se isso contribui ou prejudica sua vida.
Fique à vontade para agendar uma sessão de psicanálise.
 Paulo Bonzanini
Psicanalista
Santo André
A questão é intrigante e abre um amplo campo de discussão dentro dos estudos psicanalíticos, éticos e comportamentais. A ideia de usar "maldade para maldar uma situação" versus empregar "vigilância, atenção e perspicácia" toca em questões fundamentais sobre a natureza humana, a moralidade e a ética nas interações sociais. Vou abordar este tema sob a perspectiva psicanalítica e ampliar um pouco para outros campos, considerando o contexto teórico e suas aplicações práticas.

Psicanálise e a Natureza dos Impulsos
Na teoria psicanalítica, especialmente em Freud, há a noção de que todos os seres humanos possuem impulsos tanto construtivos quanto destrutivos, representados pelos conceitos de Eros (impulso de vida) e Thanatos (impulso de morte). A "maldade", neste contexto, pode ser vista como uma manifestação de Thanatos, onde comportamentos destrutivos ou prejudiciais aos outros são expressos. Freud sugere que esses impulsos são uma parte fundamental da nossa constituição psíquica.

Vigilância, Atenção e Perspicácia
Essas qualidades são geralmente vistas de forma positiva e estão associadas à capacidade de ser consciente, alerta e intelectualmente engajado com o ambiente. São habilidades importantes para a adaptação e sucesso em muitos aspectos da vida, incluindo o trabalho, as relações interpessoais e a tomada de decisões.

Uso da "Maldade"
A utilização consciente da "maldade" para manipular ou influenciar situações pode ser interpretada sob vários pontos de vista:

Perspectiva Ética: A ética condenaria a manipulação intencional através de ações malévolas como imoral.
Perspectiva Psicológica: Do ponto de vista psicológico, tal comportamento pode ser considerado um sinal de traços de personalidade problemáticos ou desadaptativos, como aqueles encontrados em distúrbios de personalidade antissocial ou narcisista.
Vigilância e Perspicácia como Alternativas
Usar vigilância, atenção e perspicácia, em contrapartida, sugere uma abordagem mais ética e socialmente aceitável para manejar situações. Estas qualidades permitem uma pessoa avaliar contextos com clareza e responder de maneira adaptativa, sem recorrer à manipulação prejudicial ou à exploração dos outros.

Conclusão
Do ponto de vista de um psicanalista ou de qualquer profissional preocupado com o desenvolvimento saudável e ético das relações humanas, incentivar o uso de vigilância e perspicácia em detrimento da "maldade" é claramente preferível. Promove-se assim uma interação que respeita a integridade e os direitos dos outros, alinhada com um comportamento ético e moralmente responsável.

Em termos práticos, ensinar e encorajar o uso de vigilância e inteligência emocional pode ajudar os indivíduos a navegar por suas vidas de maneira mais eficaz e ética, enquanto que recorrer à maldade pode levar a consequências negativas tanto para o indivíduo quanto para aqueles ao seu redor.
Prof. Sandra Hott
Psicanalista
Rio de Janeiro
Essa é a pergunta de milhões: Qual é a origem do mal? Aliás, o que é o mal? Não é óbvio que buscamos o bom e o bem sempre e resta pensar o bem de quem e para quê? A psicanalise tem essa questão mas a busca da resposta é sempre individual e única. Tu expressas um desejo de saber muito interessante então precisa seguir com coragem para descobrir alguma resposta dentro de si e isso não estará nos livros ou fora.
Cada pessoa "utiliza" - como você se referiu, a maldade de forma pessoal e única tendo como base suas experiências internas. Sendo assim cada um pode maldar uma situação por um ou vários motivos próprios. Abraço.
Prof. Antonio Carlos Silva Santos
Psicanalista
São Paulo
Muito interessante esta pergunta, primeiro é necessário entendermos o que é maldade, por uma visão Freudiana, podemos pensar na satisfação do Id, nossos impulsos mais primitivos e, sendo assim, eu poderia praticar atos tidos como maus, pela sociedade, para satisfazer tais desejos. Todavia, a ideia de bom ou mau, pode ser diferente para cada indivíduo, uma vez que tal interpretação está diretamente ligada, ao conteúdo do nosso inconsciente. Quando maldamos uma situação, utilizamos, como ponto de partida, este mesmo inconsciente e tudo aquilo que tenho como verdade absoluta, fazemos isso em milésimos de segundos, porém é necessário termos certeza se a situação em sí, remete a perigo ou algo ruim, ou se foi apenas um padrão utilizado como paradigma, ou seja, nosso cérebro procurar por situações parecidas e as encontrando, utiliza a resposta que usou nestes casos semelhantes.
Se quiser falar mais sobre este assunto, pode me mandar mensagem, ficarei feliz em responder.
 Anna Heller Moraes Mendes
Psicanalista
Rio de Janeiro
Interessante.
Para começar o que é maldade? O que é ser maldoso? e perspicaz?
Fale sobre isso e ache a resposta, a sua!
Indico psicanálise, ela escava, faz mergulhar e dar de cara com questões como essa.
Como é isso tudo pra vc?
boa sorte
 Rui Souza
Psicanalista
Curitiba
Na psicanálise, a forma como interpretamos uma situação pode estar profundamente ligada ao nosso inconsciente, às nossas experiências passadas e aos mecanismos de defesa que utilizamos.
Se pensarmos no ato de "maldar" como suspeitar ou enxergar algo de forma negativa, isso pode estar relacionado a projeções internas. Freud descreveu a projeção como um mecanismo de defesa em que atribuímos a outras pessoas características ou intenções que, na verdade, pertencem a nós mesmos. Ou seja, quando "maldamos" algo, podemos estar enxergando no outro aspectos que, inconscientemente, nos pertencem.
Olá.

Que pergunta interessante! Eu nunca havia pensado na maldade como a possibilidade de uma atenção perspicaz ... como se daria esta situação? Seria necessário conversarmos mais, suponho.
 Lucas Jerzy Portela
Psicanalista
Salvador
Boa pergunta pra você se fazer em sua psicanálise, com um psicanalista.
 Jackson Shella
Psicanalista
Curitiba
questão que você levanta sobre se utilizamos a maldade para "maldar" uma situação ou se agimos com vigilância, atenção e perspicácia é muito interessante e pode ser compreendida a partir de diferentes perspectivas.

Do ponto de vista psicológico, especialmente considerando conceitos como vigilância emocional e atenção, o que muitas vezes interpretamos como "maldade" pode, na verdade, ser uma forma de vigilância ou atenção aguçada diante de uma situação que exige cuidado.

Vigilância emocional é a capacidade de perceber, monitorar e regular as próprias emoções e as emoções dos outros, o que nos permite responder de forma adequada e empática às situações, evitando reações impulsivas ou prejudiciais. Já a atenção envolve a capacidade de focar, sustentar e direcionar a consciência para aspectos relevantes do ambiente, filtrando estímulos irrelevantes e mantendo um estado de alerta necessário para a tomada de decisões.

Portanto, quando alguém age com perspicácia e atenção, está exercendo uma forma de vigilância que visa proteger, compreender ou resolver uma situação, e não necessariamente com maldade. A maldade, por sua vez, implica uma intenção negativa ou prejudicial, que não está presente na simples vigilância ou atenção cuidadosa.

Em resumo, o que pode parecer uma atitude "maldosa" pode ser, na verdade, uma postura de vigilância e atenção necessárias para lidar com situações complexas, garantindo uma resposta adequada e consciente. A chave está na intenção por trás da ação: se é para proteger, compreender e agir com responsabilidade, trata-se de vigilância; se é para prejudicar, aí sim pode ser caracterizada como maldade.

Espero ter ajudado a esclarecer essa dúvida!
 Rosane Rodrigues Fraga
Psicanalista
Belo Horizonte
Parece que você quer saber se ao interpretaram uma situação negativa, você está usando de maldade ou perspicácia. Toda vez que interpretamos algo, não somos plenamente objetivos. Isso é, colocamos ali um pouco da nossa visão de mundo e experiências. Por outro lado tal visão subjetiva, interna, pode nos ajudar a interpretar algo de fora. Se você tem dúvidas quanto ao próprio julgamento, reflita mais um pouco. Leia a respeito. Converse. É justamente nossa apreciação crítica da realidade que nos permite viver e estabelecer relações. Quando nos melhoramos enquanto pessoas, também melhoramos o mundo. De alguma forma, ele muda juntamente conosco. De qualquer forma, não se martirize. Pense que nosso julgamento é importante na sobrevivência.
Dr. Jaime Kuhn
Psicanalista, Terapeuta complementar
São Leopoldo
A palavra “maldade” pode ter sentidos diferentes dependendo do contexto. Em geral, quando falamos em “maldar”, pensamos em uma atitude negativa, voltada a prejudicar ou julgar o outro. Mas muitas vezes, o que a pessoa chama de “maldade” pode ser apenas um olhar mais atento, crítico ou perspicaz diante de uma situação.

A diferença está na intenção:

Se o objetivo é ferir, criticar de forma destrutiva ou alimentar ressentimentos, aí podemos falar de maldade.

Se a atitude é de observar, analisar e se proteger, então estamos falando de vigilância, atenção e discernimento — o que é saudável.

Na terapia, é comum trabalhar essa fronteira entre cuidado legítimo e interpretações negativas que geram peso emocional. Muitas vezes, aprender a nomear corretamente o que sentimos ajuda a reduzir a culpa e a viver de forma mais leve.
A palavra “maldade” costuma causar desconforto, mas nem sempre se refere a algo realmente destrutivo. Muitas vezes, o que chamamos de “maldar” uma situação é apenas um modo de perceber o que há de escondido, de não se deixar enganar, de enxergar o que está nas entrelinhas.
Essa capacidade de observar e desconfiar faz parte da inteligência emocional e pode, sim, ser uma forma de proteção e perspicácia.

Mas existe uma diferença entre observar com atenção e atribuir intenções negativas o tempo todo. Quando a vigilância se torna constante, e tudo parece esconder uma ameaça ou uma segunda intenção, isso pode revelar uma dificuldade em confiar — como se o mundo fosse sempre perigoso e o outro, uma possível fonte de engano.

A “maldade”, nesse sentido, pode aparecer como uma defesa: uma maneira inconsciente de se proteger de decepções, rejeições ou sentimentos de impotência. Ao “maldar” o outro primeiro, o sujeito se coloca em posição de força, evitando ser ferido.

Em análise, é possível compreender o que está por trás desse olhar — se é apenas um instinto de percepção aguçada, ou se há uma ferida mais profunda que faz com que o olhar se arme antes de escutar.
Assim, o que hoje aparece como desconfiança pode se transformar em um olhar mais livre, sensível e intuitivo — sem precisar se defender o tempo todo.
Bom dia. Do ponto de vista clínico, nem toda leitura crítica de uma situação é maldade. Muitas vezes trata-se de vigilância, atenção e capacidade de perceber riscos, especialmente quando baseadas em experiências anteriores. A maldade implica intenção de prejudicar; já a perspicácia envolve discernimento e proteção. O contexto, a intenção e o impacto emocional ajudam a diferenciar uma postura defensiva saudável de uma interpretação excessivamente desconfiada.
Do ponto de vista psicanalítico, é importante diferenciar maldade de vigilância psíquica, atenção e perspicácia. A maldade, propriamente dita, implica uma intenção de causar dano ao outro, seja de forma consciente ou inconsciente, envolvendo satisfação no prejuízo alheio. Já a vigilância e a atenção dizem respeito a funções do eu ligadas à autopreservação, à leitura da realidade e à capacidade de antecipar riscos.
Muitas vezes, o que é nomeado como “maldade” é, na verdade, um mecanismo de defesa construído a partir de experiências anteriores de dor, traição ou desamparo. O sujeito aprende a observar mais, desconfiar, analisar cenários e proteger seus limites. Nesses casos, não se trata de agir contra o outro, mas de evitar repetir situações que geraram sofrimento. A perspicácia surge como uma forma de cuidado consigo, e não como intenção destrutiva.
A confusão entre esses conceitos costuma aparecer quando o sujeito teme endurecer emocionalmente ou perder a espontaneidade. No entanto, a psicanálise nos mostra que reconhecer a ambivalência humana é fundamental: é possível ser sensível e, ao mesmo tempo, atento; empático e, ainda assim, cuidadoso. O problema não está em perceber riscos, mas em deixar que a desconfiança absoluta substitua o desejo e o vínculo.
Quando a vigilância se transforma em rigidez excessiva, cinismo ou necessidade constante de controle, ela pode indicar que antigas feridas ainda estão ativas. Nesse ponto, o olhar psicanalítico busca compreender o que levou o sujeito a precisar estar sempre em alerta, e não julgá-lo moralmente. A elaboração dessas experiências permite que a atenção deixe de ser defensiva e passe a ser uma escolha consciente.
Coloco-me à disposição, como profissional, para aprofundar essa reflexão e auxiliar na compreensão dessas dinâmicas internas, oferecendo um espaço de escuta cuidadosa, ética e respeitosa da singularidade de cada sujeito.

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